Segunda-feira, 20 de Março de 2017

LIMÃO FONTE DE RIQUEZA DO TERRITÓRIO DE SINTRA

A região de Sintra no arrabalde da capital portuguesa, desde tempo recuado, com maior significado a partir das reformas promulgadas pelo Marques de Pombal: Sebastião José de Carvalho e Melo, primeiro ministro do rei de Portugal D. José I, era considerada zona agrícola de boa aptidão para produzir citrinos, nomeadamente limões.

As directivas pombalinas para fomentar a cultura deste fruto, importante fonte de rendimento para os agricultores, levou a formação de pomares de limoeiros em Sintra e seu termo.

Há cerca de cem anos no verão de 1918 por causa da epidemia da pneumónica, também conhecida por gripe espanhola, o calor excessivo que se fazia sentir e valor terapêutico do limão, fez o  preço atingir valores astronómicos. Os limões vendiam-se a 30 centavos cada um, se considerarmos salário do trabalhador agrícola  seria 10 escudos diários, o cento de limões valia o triplo.

Quem desejava saborear uma limonada e mitigar a sede, teria de pagar 25 centavos. Nos arredores de Sintra, um  proprietário de pomar com dimensão apreciável vendeu de uma só vez oito carradas de limões. Fez uma fortuna. Resultado os agricultores desataram a plantar limoeiros em qualquer pedacito de terra. Quem não tinha terreno plantava no quintal, hábito que ainda hoje se verifica.

A cultura dos limões passou ser generalizada, vinte cinco anos depois, surge a famosa melodia "rosinha dos limões",talvez, influência que a "alta" do preço do citrino deixou no imaginário popular.

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Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 08:35
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Domingo, 12 de Março de 2017

TOPONÍMIA SINTRENSE - SIGNIFICADO DO NOME CACÉM

Após porfiados trabalhos finalizei a difícil tarefa,mas gratificante de esclarecer origem do topónimo CACÉM, actualmente integrado na cidade Agualva-Cacém, Município de Sintra Portugal. Até década 50 do século XX Cacém fez parte da Freguesia de Rio de Mouro, igualmente do concelho de Sintra.  Agualva pertenceu ao município de Belas,extinto em 1855.

Segundo investigações antigas Cacém significa "que divide " ou "repartidor". Partindo deste pressuposto desenvolvemos as pesquisas.O lugar do Cacém não seria de fundação coeva, porque em Janeiro de 1509, Dom Manuel I rei de Portugal, mandou publicar "carta de coutada de Lisboa, desde a porta de S.Vicente pelo caminho de Sintra, à ponte de Agualva e pela ribeira de Barcarena até ao mar, onde era proibido matar lebres e perdizes, sob certas penas".

Nesta época Cacem se existisse seria insignificante, não é citado no documento. O território desta região abundante em caça e nomeadamente de perdizes, como aconteceu até ser construido o "tagus park" junto da estrada Cacém Paço de Arcos.

Aquela determinação régia estipulava "nom CACEM perdizes nem perdigões do derradeiro dia de mayo ate primeiro dia de Agosto".

Assim definitivamente Cacém quer dizer couto onde é proibido caçar sem autorização. Couto era igualmente nome de medida antiga, equivalente ao côvado, como sabemos medida serve para repartir. Sem dúvida Cacém significa,"lato sensu" coutada, extrema, sítio onde se dividem propriedades e "jurisdições".Curiosamente está situado a igual distancia de Lisboa e, da sede do concelho,Sintra.

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Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 13:24
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Quinta-feira, 9 de Março de 2017

PRENDER O BURRO

O património construído proporciona muita informação interessante e valiosa para conhecermos  aspectos sociais políticos e económicos duma comunidade.

Deparamos recentemente uma particularidade que ilustra o que escrevemos. A fonte da aldeia de Arneiro dos Marinheiros, Freguesia de São João das Lampas, Município de Sintra na área Metropolitana de Lisboa, construida no ano de 1907, como atesta placa nela afixada destinava-se abastecimento de água ao povoado e mitigar a sede dos animais de trabalho, na região predominantemente muares e burros. O bebedouro ficava num dos lados da fonte, para prender os animais, existe não argola de ferro com era usual mas uma simples pedra cravada na parede  na qual se executou furo para passar a arreata. A época era de grande penúria, não dispondo de dinheiro para a argola, recorreram os habitantes a pedra, abundante e gratuita.

E caso para dizer a "necessidade aguça o engenho".mesmo quando é preciso prender o burro.

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Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 17:46
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Quarta-feira, 22 de Fevereiro de 2017

FONTE DO LARGO DO ALHEIRO

O município de Sintra, um território onde é possível encontrar amiúde elementos patrimoniais com interesse. Multidões de turistas "desembarcam" diariamente na sede do concelho, a maioria para visitar monumentos e consumir pouco. São bem vindos. No entanto para além de Sintra Vila, um acervo singular permanece no olvido, quem devia promover, talvez não faça com devido empenho.

Sintra património da humanidade, uma coisa, Sintra património dos Sintrenses  outra.

Vamos divulgar a fonte rústica, construida há 150 anos na aldeia de Cortezia, freguesia de São João das Lampas, concelho de Sintra, monumento de cunho rural a rusticidade da "bica" empresta ao largo cujo nome é o seu, beleza das coisas simples e genuínas.

Merece uma visita. 

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Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 16:24
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Quinta-feira, 9 de Fevereiro de 2017

VERGADOS PELA NORTADA

No tempo invernoso o vento sopra com intensidade,surgem os avisos meteorológicos amarelos ou vermelhos,conforme grau de perigo, somos aconselhados a tomar precauções, quase sempre referem possibilidade de queda de árvores na via pública.

Parece que há árvores desde a plantação lançaram raízes bem fundas, agarram-se ao chão, denotando intento de resistirem a ventos e marés.

Na estrada da Várzea de Colares, concelho de Sintra pela encosta segue em direcção de Almoçageme, encontramos por altura da "quinta dos pisões" renque de plátanos, devem ter sido plantados para sombrear a via, na década de 1940. Fustigados pela nortada ou pelos alíseos do oeste, adquiriram posição obliqua que os fustes apresentam.

Podemos afirmar, vergaram, não tombaram quando possível, a terra ajuda as árvores, assim em algumas ocasiões acabam por morrer, não na vertical contudo, sempre de pé.

Belo trecho da natureza.

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Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 10:31
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Quinta-feira, 2 de Fevereiro de 2017

CASA DE CAMPO DO 2º MARQUÊS DE POMBAL

A praça fronteira ao Palácio Nacional de Queluz, no município de Sintra,alberga no perímetro alguns edifícios de vistosa arquitectura, um deles da torre do relógio,actualmente estabelecimento hoteleiro "pousada Dona Maria I.",outro serve de aquartelamento ao Regimento de Artilharia Anti-Aéra Fixa, finalmente um distinto palácio conhecido por ter pertencido aos viscondes de Almeida Araújo, perto do qual se edificou conjunto habitacional , destinado a criadagem do Palácio Real,designado "Bairro do Chinelo".

A exemplo do sucedido em situações similares,também neste caso últimos proprietários,deram nome a construção.Inicialmente o palácio teve por finalidade servir de casa de campo do segundo Marques de Pombal, Henrique José de Carvalho e Melo, filho de Sebastião José de Carvalho e Melo, primeiro titular da casa Pombal, e sua mulher Eleonora Eva,condessa de Daun,Henrique nasceu em Viena de Áustria 1786, e faleceu 1812, no Rio de Janeiro , para onde havia seguido com a família Real,fugindo da 1ª invasão francesa.

Henrique José detinha extensas propriedades na zona de Queluz, sendo da primeira nobreza, desejava veranear junto da família real.Encomendou projecto da moradia campestre a renomado arquitecto, daí resultou edificação representativa da arquitectura civil portuguesa dos finais do século XVIII.

Notável edifício actualmente sujeito a obras de restauro,com objectivo da pintura das paredes exteriores voltarem a primitiva coloração,idêntica a do real palácio de Queluz.Para não ficar qualquer dúvida acerca da quem seria dono inicial,ostenta  na frontaria o brasão da casa Pombal.

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Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 18:18
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Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2017

PADRE ALBERTO NETO (1931-1987)

Cumpre-se em 2017, o trigésimo aniversário da morte do senhor Padre Alberto Neto, tragicamente desaparecido em circunstâncias rodeadas de mistério.

Não conheci pessoalmente, actividade sacerdotal desenvolvida ao longo da sua curta vida, profícua e importante, dela ouvi falar com respeito e carinho pelas pessoas que tiveram privilégio de privar com ele. Pároco na Freguesia de Rio de Mouro, as homilias proferidas na antiga, já demolida, capela da Rinchoa, ficaram na memória de quem ouviu.

O nome foi atribuído a dois estabelecimentos de ensino do concelho de Sintra, em Queluz e Rio de Mouro. Não tenho dúvida da singularidade e grandeza da personalidade de Alberto Neto.

A propósito gostaria de partilhar algo, para realçar a estatura moral do padre Alberto.

No livro de José António dos Santos dedicado a D. Albino Cleto, (1935-2012) bispo emérito de Coimbra, grande amigo do Padre Alberto, o autor narra o seguinte :

"O cardeal Cerejeira em determinada altura mandou chamar Padre Alberto, supondo ser assunto grave dada animosidade dos sectores mais conservadores da igreja perante  a actividade pastoral do prelado, para não ir sozinho pediu a D. Albino Cleto para o acompanhar. Conversa longa,quando saiu D. Albino perguntou  se tinha sido repreendido,e seria transferido?. Nada disso aconteceu. O cardeal incitou  Padre Alberto a continuar o seu labor como sempre. No fim desejou que padre Alberto  o confessasse, assim fez..."

O cardeal convocando o Padre Alberto para calar os detractores, demonstrou grande apreço pelo sacerdote.

Em Rio de Mouro existe estátua em memória do pároco erigida onde estava a demolida capela da Rinchoa, a actual Junta de Freguesia, mandou embelezar a envolvente de modo a dignificar o local.

Homens como Padre Alberto Neto Simões Dias, continuam vivos,são exemplo para  quem acredita na fé e na humanidade. 

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Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 17:54
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Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2017

RESGATAR A "INGRATIDÃO"

Cumpriu-se a 22 de Janeiro 95º aniversário do falecimento de José Cupertino Ribeiro, ilustre republicano, deputado a Assembleia Constituinte do parlamento da República, senador,abastado comerciante, administrador de empresas, capitalista e proprietário da fabrica de estamparia de Rio de Mouro.

Cupertino Ribeiro contribui para o desenvolvimento de Rio de Mouro, aqui possuía quinta e palácio onde residiu, custeou a construção do cemitério paroquial da freguesia, os salários pagos pela laboração da fábrica, mitigaram fome a muita gente. Fez muito pelo burgo, contrariamente a outros nomeadamente Adães Bermudes, e Francisco dos Santos, nunca esquecidos no entanto nada deram para melhoramento de Rio de Mouro.

Cupertino Ribeiro, tem o nome numa das ruas da terra, mesmo assim, divide a honra com outro. Parece  não merecia uma só para si.

Financiou a revolução de 5 de Outubro de 1910. Após a vitória, pensou ser ministro das finanças, não quiseram porque era "demasiado rico". Sendo da ala moderada do Partido Republicano Português (PRP), demitiu-se porque não seria jacobino radical. Incompreendido, abandonou a política, a junta de freguesia de Rio de Mouro nem voto de pesar exarou na acta, quando da morte.

Figura exemplar dos primórdios da República, merece a sua memória se não esfume no olvido. Cumprimos dever recordarmos a efeméride, deste modo, resgatamos um pouco da ingratidão que injustamente sofreu.A chaminé da foto, é o que resta da fábrica de Rio de Mouro.

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sinto-me:
Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 18:42
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Segunda-feira, 16 de Janeiro de 2017

O PINHEIRO GRANDE DA RINCHOA.

A Rinchoa é rincão do concelho de Sintra, Freguesia de Rio de Mouro, onde deparamos amiúde com coisas e pormenores que cativam e dao ao sitio, singularidade que Leal da Câmara tão bem soube realçar.

No pátio do Colégio dos Plátanos, situado na avenida com o mesmo nome,e ocupa o edificio do antigo casino, cresce gigantesco pinheiro manso,objecto de extremados cuidados por parte da direcção daquele estabelecimento de ensino;não é para menos,a pouco relendo algumas das comunicações apresentadas para discussão ao "congresso",com temática relativa a Rinchoa, promovido por mestre Leal, em 1944, lemos uma com o titulo "RINCHOA A NOVA TORMES", da autoria do escritor e jornalista Armando de Aguiar,os excertos seguintes : "desde o casino ao gigantesco pinheiro que resistiu ao ciclone", mais adiante, " arrastou-se até ao pinheiro grande , e alongando a vista para os lados onde o disco solar começava a por um traço de fogo".

Ficamos cientes que pinheiro grande do colégio deve ser seguramente secular, monumento vivo, merece atenção.Esta árvore, a sobreira, junto a fonte do Rouxinol, outro pinheiro manso,na Estrada Marques de Pombal, também seculares,são testemunhos da singularidade e valia da urbe onde habitam mais de quinze mil pessoas.

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Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 10:44
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Quarta-feira, 7 de Dezembro de 2016

AS ÁRVORES NÃO MORREM SEMPRE DE PÉ: A PONTE DO CHOUPO

Das árvores que embelezam os nossos dias, refrescam o quotidiano estival com a sombra dos ramos,suscitam momentos de enlevo com a sinfonia do vento na folhagem,é costume dizer  morrem de pé.

Um dia da semana que decorre, deparei num trecho ribeira da Jarda, bem no recôndito da Quinta Grande de Meleças, Freguesia de Rio de Mouro,termo da Rinchoa, Concelho de Sintra, um caso que exemplifica o titulo deste apontamento.

Um velho choupo, ou ulmeiro,derrubado pelo temporal, tombou sobre o talude da margem oposta aquela onde firmava as raízes,  ficou colocado tal qual uma ponte.

Quem sabe se não seria o fim que estaria destinado? Enquanto o tronco resistir ao apodrecimento, ou  a improvisado lenhador, que retalhe o "madeiro",será possível contemplarmos esta singularidade: o choupo transformado  numa "ponte".

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Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 09:44
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