Quinta-feira, 18 de Janeiro de 2018

IDEARIO REPUBLICANO EM PORTUGAL ANTES DA REVOLUÇÂO 1910 - RIO DE MOURO SINTRA

 

No principio do século XX, em plena monarquia, freguesia de Rio de Mouro no termo da Vila de Sintra,era " assento " de assinalável numero de adeptos do Republicanismo, prova de tal facto  a vitória do Partido Republicano nas eleições para  Junta de Paroquia de 1909.

Não será descabido atribuir aquele acontecimento a influencia de José Cupertino Ribeiro Junior.Proprietário da fábrica de Estamparia de chitas e algodões onde trabalhavam cerca de 90 operários,dono igualmente de extensas propriedades agricolas na localidade,Cupertino Ribeiro membro activo do Partido Republicano, que ajudou reorganizar em 1906,organizando  congresso realizado na cidade do Porto em colaboração entre outros  o seu amigo, António José de Almeida.

A acção de Cupertino na vitória Republicana,foi importante e decisiva,infelizmente ,todos os seus companheiros tiveram o reconhecimento da História.Cupertino Ribeiro, caiu no olvido, vamos trabalhar para resgatar a sua memória.

Ilustramos o texto com noticia relativa ao congresso Republicano do Porto em cuja comissão organizativa figura  nome de Cupertino Ribeiro.

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Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 13:11
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Quinta-feira, 11 de Janeiro de 2018

JOSÉ CUPERTINO RIBEIRO JUNIOR - ILUSTRE PERSONAGEM DA HISTÓRIA DE SINTRA

Quarta -  Feira 11 de Janeiro 1922, faleceu na cidade de Lisboa, republicano emérito,membro do directório incumbido de planear e realizar a revolução do dia 5 de Outubro de 1910.

A Junta e Assembleia de Freguesia de Rio de Rio de Mouro, concelho de Sintra, representadas pelos respectivos  presidentes ,deposeram singelo ramo de flores, na campa de Cupertino Ribeiro, no cemitério dos Prazeres,em Lisboa.

O túmulo mandado erigir pela  viúva destinado ao descanso perpétuo dos restos mortais,foi vendido por familiares, em 1983, pertence agora a outra família.

Cupertino Ribeiro é figura cimeira da história de Rio de Mouro,dono da antiga fábrica de estamparia de chitas,benemérito contribuiu com avultada quantia para construção do cemitério paroquial, proprietário de extensa quinta e mansão, ainda existentes, merece ser lembrado,foi esse dever hoje cumpriu a autarquia da nossa terra.A foto é do túmulo que foi  seu , declarado de interesse municipal pelo Município Lisboeta.

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Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 17:29
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Quinta-feira, 28 de Dezembro de 2017

FIM DE ANO FORA DE PORTAS NA LISBOA DE 1927

O presente ano de 2017, caminha tal qual tudo neste mundo para  fim anunciado.Surgem ofertas para passagem de ano , um pouco por toda a parte, "réveillon",alguns acessíveis, outros dispendiosos ao alcance só de abonados e ricos.

Há noventa anos um dos locais da área de Lisboa, mais concorridos para celebrar a passagem de ano era o restaurante "bacalhau" sito as portas de Benfica em local hoje integrado no Município de Amadora. Aquele estabelecimento frequentado por fadistas diplomatas capitalistas e burguesia de Lisboa, está igualmente ligado a história do clube Sport Lisboa e Benfica,

O anuncio publicado na imprensa da época contém informação interessante sobre a vida mundana da altura.Tentavam atrair clientela oferecendo preços módicos.Em 1927  carestia de vida em Portugal era muita.Curiosamente revendo ainda a publicidade , parece  moda dos "motéis" não é tão recente quanto parece.

Enfim, bom ano de 2018, com saúde e alegria , quanto baste.Boas Festas

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Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 17:03
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Domingo, 17 de Dezembro de 2017

TRECHOS DE PORTUGAL RECONDITO

Quando surge possibilidade,gosto percorrer o traçado da estrada nacional nº2 (E N 2),construida no século passado para ligar as cidades de Chaves em Trás-os -Montes, a Faro capital do Algarve.

Um dia deste Outono de 2017,conduzi  de Castro Verde, no distrito de Beja ,a Ferreira do Alentejo, no de Évora.O trajecto nesta época proporciona observar paisagem agradáveis que alegram a vista.

Ao quilómetro 600 da E N 2 contado a partir da cidade flaviense,deparamos com panorama dos mais bonitos desta via rodoviária.Um encanto...

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Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 16:13
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Quarta-feira, 29 de Novembro de 2017

A VEGETAÇÃO NA TOPONÍMIA - REGATO DOS AGRIÕES

O nome de alguns sítios, deriva do coberto vegetal abundante no presente ou  passado, característica  de tal modo vincada origina a designação.

No concelho de Sintra, curso de água vindo dos montes e colinas do Vale Mourão, da margem esquerda, a jusante da povoação de A-dos-Francos, freguesia de Rio de Mouro, entra no Rio dos Veados (trecho da ribeira da Lage) é conhecido por: " REGUEIRA DOS AGRIÕES", em razão de nas  margens crescerem tufos verdejantes daquele vegetal.

Consumido em sopas e saladas, rico em minerais, principalmente ferro. Originário da Europa, cultivado em Portugal, em muitas regiões, também na de Lisboa, os concelhos de Sintra e Loures, são os maiores produtores. Curiosamente, as águas que escorrem para o curso de água, provêm das colinas onde se situam as antigas minas de ferro de Asfamil, já referidas neste "blog".

A natureza é fonte de conhecimento, inesgotável.

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Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 17:49
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Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017

SERRAS DAS MINAS; FREGUESIA DE RIO DE MOURO

Contrariar o labéu dos "chiadeiros", acerca da condição suburbana dos sítios da actualmente considerada "grande Lisboa" ou área metropolitana da margem norte do Rio Tejo, é acto de cidadania, reposição da verdade acerca daquilo que entendemos por "suburbano".

O cariz "anónimo" das localidades, servia de pretexto para acentuar, factores de distinção negativa, aleivosamente atribuídos para identificar os sítios permite, a quem chega ou passe, que deixe de ter sentido a frase "nem sei como se chama isto aqui".

Serra das Minas é "bairro" da freguesia de Rio de Mouro, município de Sintra. O actual Presidente da Junta, recentemente reeleito com maioria clara do eleitorado, tem desenvolvido acção "governativa"  com objectivo de realçar aspectos de identidade e tradição da freguesia, tem conseguido, os eleitores, demonstraram apreciar o trabalho realizado. Um exemplo, colocação numa das entradas do bairro, informação toponímica apropriada.

Completando, deixamos o significado de "SERRA DAS MINAS": a designação não se reporta  minas de extracção  minério, sim captações de água, antigamente abundante naquela zona, como se pode constatar pela nascente ainda brota, no pinhal do parque urbano que embeleza a "Serra". 

No século XIX, opulenta quinta do Bastos, da qual resta a pequena quinta da Presa, recebia água para rega de diversas minas existentes nos montes ou pequenas serras circundantes, na margem direita da ribeira de "rio de mouro". Esta particularidade deu nome ao sitio.

A condição suburbana não é facto de ordem geográfica, mas de carácter social, a cidade de Lisboa, no seu interior tem "bolsas" de suburbanidade. Não há "chiadeira" que apague. Nós por aqui estamos em processo municipal de profunda requalificação urbanística, vamos paulatina e firmemente erradicando a "suburbanidade" originada no "cartel bancário-pato bravista", dominou  mercado da construção de habitações nas ultimas décadas do século passado, e primeira do presente.

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Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 17:40
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Quarta-feira, 15 de Novembro de 2017

INSIGNES QUINTAS COM NOME DE ÁRVORES

A mui antiga freguesia  Nossa Senhora de Belém em Rio de Mouro, erecta por vontade dos frades da ordem de São Jerónimo do Convento da Penha Longa, donos e senhores da maior parte das terras da região, foram ao longo dos séculos aforando e vendendo propriedades depois transformadas em opulentas quintas pelos seus  proprietários.

Até criação das freguesias de Algueirão Mem Martins e Agualva Cacém, década de 50 do século XX, Rio de Mouro foi a mais povoada e rica de todas as freguesias do termo da Vila de Sintra.

O território de Rio de Mouro fértil, coberto de valiosas florestas, além da beleza forneciam lenha indispensável ao dia a dia dos moradores.

Um prova ficou na toponímia em Rio de Mouro as quintas mais ricas ostentavam e algumas ainda ostentam nomes de árvores e vegetação: Quinta das Sobralas, Quinta do Olival, Quinta do Ulmeiro, Quinta do Pinheiro, Quinta do Zambujal,Quinta de Fetares (hoje Fitares), Quinta de Entre-Vinhas e outras que porventura existem e não lembro.

Rio de Mouro é um belo sítio para viver, mal grado opinião de ilustres  "novos ricos",  além do dinheiro nada podem revelar. "Deus os ajude e a nós que não nos desampare ", sentença sábia da nossa querida avó materna.

 

Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 14:42
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Quinta-feira, 9 de Novembro de 2017

TOPONÍMIA SINTRENSE - GIGARÓS

Quando se demanda antiga Vila de Colares, utilizando a denominada estrada velha de Sintra que sepenteia a falda da serra, borjando quintas vizinhas do parque de Monserrate, por altura do sitio da Eugaria, deparamo-nos com rua ostentando placa informando direcção: GIGARÓS.

O topónimo deve ser único em Portugal, por isso desde há muito investigamos no sentido de decifrar  significado. Percorremos encostas e várzeas das cercanias, finalmente conseguimos solução.

Sabido a aptidão das terras colarejas para produção de frutas e vinho. O transporte e acondicionamento daqueles produtos agrícolas (maçãs, limões e uvas), fazia-se desde época recuada em canastras ou gigas, normalmente redondas ou rectangulares, feitas de tiras de castanheiro, ou vimes.

O castanheiro abundava nas encostas da serra de Sintra, no termo da Vila de Colares, ainda hoje no sítio da Urca é possível, observar vestígios dos antigos soutos. O vime encontra-se nos terrenos adjacentes ao Rio das Maçãs.

 Em GIGARÓS confeccionavam GIGAS, vocábulo significa, localidade onde se faziam aqueles utensílios,e habitavam artesãos que os elaboravam.

Conseguimos objectivo sem ser necessário "arrear a giga".

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Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 16:31
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Sexta-feira, 3 de Novembro de 2017

FEIRA DAS MERCÊS: TEMPO DA "VIDAIRADA "

A Feira de 2017, já lá vai, decorreu com animação a contento de quem demandou o velho terreiro "pombalino", bem  organizada pela Câmara Municipal de Sintra, secundada pelas Juntas de Freguesia de Rio de Mouro e Algueirão Mem Martins.

No programa paralelo da "feira" tive ensejo dia 21 de Outubro por volta das quatro da tarde, proferir  despretensiosa "palestra" relativa a aspectos pouco conhecidos da história do secular evento. Satisfeito tive  prazer  falar para  audiência, atenta  em número razoável, neste tipo de "função".

A narrativa realçou o carácter peculiar da feira no âmbito concelhio e região de Lisboa. Durante décadas a frequência do "certame", numerosa,  abertura do Caminho de ferro na década de oitenta século XIX, possibilitou levar ao planalto dezenas de milhares de pessoas.

Gente das classes populares,onde se misturavam, pedintes,saltimbancos, circo pobre,prostitutas "acampadas no pinhal do escoto", carteiristas, como celebre "faquir" de alcunha, com cabra amestrada, que subia um escadote, originando concentração de "otários" alguns dos quais deixava sem as carteiras.

Petisco da feira "carne de porco as Mercês", servido em caçoila de barro, em vez da suína procedência, certas ocasiões, era de burro. Bebia-se agua pé, "marada", vinho proveniente de Torres Vedras, e redondezas, principalmente do Zambujal, Cacém da propriedade do republicano Ribeiro de Carvalho, bebedeiras de monta ocasionavam "arraial" de pancadaria.

Jogavam a "laranjinha" a dinheiro, consultavam-se cartomantes, namoro no muro do derrete, podia acabar em casamento...

Feira dos saloios, arreigada na tradição do lugar, resistiu a tentativa do Marquês de Pombal, também Conde de Oeiras, pretendeu passá-la para a sede do condado.

No conjunto das romarias da região alfacinha, Atalaia no Montijo, Senhora da Rocha Linda-a-Pastora, Nossa Senhora do Cabo Espichel Sesimbra, as Mercês assumiu sempre cunho popular remediado e Republicano a partir do final do século XIX.

Leal da Câmara fixou na tela traços pitorescos e rudes da feira, satirizando  saloios, a quem apelidava "esses animais nossos irmãos em São Francisco". O figurino actual, próprio para visita de famílias, na pacatez e arrumação do espaço podem tranquilamente "feirar", oxalá continue por muito tempo.

Feira das Mercês na verdade deveria ser Feira de Rio de Mouro, nasceu prosperou, quase findou nesta freguesia. Até para o ano se Deus quiser,na capelinha de Nossa senhora das Mercês, ou no pátio da Senhora Marquesa.

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Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 12:19
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Sexta-feira, 13 de Outubro de 2017

FEIRA DAS MERCÊS HÁ SETENTA ANOS.

Irá realizar-se no período tradicional a feira das Mercês, ex-libris da região saloia, retratada com mestria por Leal da Câmara.

Durante décadas, certame atraía milhares de visitantes oriundos da capital e área circundante. A construção do caminho de ferro, permitia transporte fácil de multidões. A feira além dos aspectos económicos associados a venda de produtos e transacção de gado vivo, era mostra do aspecto social do país. Ali afluíam mendigos de todo Portugal, aproveitavam as enchentes e pediam esmola exibindo as  mazelas e miséria.

A situação era de tal modo grave e confrangedora em 1947 a policia de segurança publica, no âmbito da repressão da mendicidade decretada pelo governo da ditadura Salazarista, procedeu a  grande operação de "limpeza" dos pedintes que as centenas povoavam o caminho desde o apeadeiro ferroviário até ao recinto da feira.

Os detidos foram levados em camionetas ao asilo da Mitra situado no Poço do Bispo em Lisboa, para serem enviados para as terras da naturalidade,  Salazarismo  entendia que cada terra deveria acolher  seus mendigos para "limpar" Lisboa dessa chaga social.

A noticia publicada pelo Diário de Lisboa de Domingo 20 de Outubro, informa nas Mercês só ficou a mendiga, Mariazinha, cega e paralitica, natural da zona, todo ano exercia "pedinchice", junto a passagem de nível das Mercês, devidamente autorizada.

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Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 13:10
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