Negrais é um lugar da Freguesia de Almargem do Bispo, no Concelho de Sintra. Acerca da origem do nome já escrevemos no "post" editado em 22 de Julho de 2008. No entanto, o facto que lhe deu mais notariedade é a iguaria que serve de titulo a este apontamento.
Como terá surgido, esta tradição gastronómica é tema que tem gerado alguma controvérsia, pelas investigações que efectuamos, tudo pode ter começado assim:
Durante muitos anos na região saloia a ementa dos casamentos era constituída geralmente por "canja de galinha da capoeira, ensopado de coelho, borrego e leitãozinho, assados no forno, doces variados, vinho fino, licores, vinho do pipo guardado para a ocasião e o prato de arroz doce", este último pitéu porque representava um hábito que todos queriam manter, era imprescindível.
Para assar os cabritos e os leitõezinhos utilizavam-se os fornos da aldeia, o aquecimento destes, como seria natural era feito a lenha. Negrais devido aos carvalhais das redondezas dispunha de boa lenha, condição que permitia temperatura adequada para execelentes assados, nomeadamente dos leitõezinhos. Deste modo NEGRAIS, ganhou nomeada por ser a aldeia onde melhor se assava o leitão, servido nos casamentos das terras da região,daí a aparecerem vários assadores foi um instante, assim teria sido o começo do importante sector de negócio, a que se dedicam hoje, não só os "leitoeiros", empresários que assam e vendem produto para fora, mas também os vários restaurantes todos de qualidade, existentes na povoação, ambos verdadeiros "mestres" desse manjar único: o leitão de Negrais, o qual justifica uma visita,para degustá-lo "in loco". Negrais merece a designação de: "CAPITAL DO LEITÃO SÁBIAMENTE ASSADO". Não existe em Portugal qualquer outro lugar onde a perfeição da "assadura" do reco, alcance o requinte que aqui se verifica, se há dúvida, nada melhor do que experimentar e ficar a saber o porquê do leitão de Negrais, ser de comer e chorar por mais!
Hoje os jornais e os noticiários televisivos anunciam que os lucros da Empresa Distribuidora de Electricidade, foram muitos milhões de euros. Alguém teve a supina "lata" de afirmar que eram melhor do que o esperado. Não admira, ontem as 20 horas apesar de ainda ser dia claro, nas ruas da Rinchoa no Concelho de Sintra, freguesia de Rio de Mouro distrito de Lisboa, a iluminação pública, já estava acesa, como se pode ver na foto. Quem paga estes consumos? Claro a Câmara Municipal, isto é: Nós. Quem comanda o fecho ou o começo da iluminação? Claro a empresa distribuidora. Palavras para quê.
Como complemento do que escrevemos sobre a fonte pública da Rinchoa, iremos referir um outro interessante aspecto, relacionado com a mesma:
A água da fonte "não só chegava para a pequena quantidade de moradores" - na época que estamos a reportar-nos a população do lugar não chegava a 80 habitantes" - as sobras iam encher um grande lavadouro público onde as mulheres, lavam a roupa, dando um ar pitoresco a essa parte da Rinchoa". Pelas informações que obtivemos o lavadouro situava-se numa pequena baixa, entre as actuais ruas da Fonte e do Vale, um pouco adiante da imponente sobreira que originou o nosso post de 6 de Novembro de 2007.
No local hoje ocupado com algumas hortas, para rega das quais se aproveita o que resta das águas da fonte, encontramos num dos morros que ladeia a pequena depressão onde existiu o lavadouro: um decrépito castanheiro e um viçoso carvalho negral, que devem ter proporcionado fresca sombra nos dias de calor, que sempre ocorrem neste rincão do concelho de Sintra.
A faina das lavadeiras, constituía um motivo, pelo qual gente de Lisboa e doutros sítios, se deslocava à Rinchoa, para observar o quadro.Como escreveu, o Mestre Leal da Câmara: "não havia amador fotográfico que não registasse no seu KODAK, o gracioso aspecto desse lavadouro".
A urbanização desenfreada dos anos 70 e 80 do século passado,alterou duma forma irreversível a paisagem, essa já não podemos fazer voltar, no entanto a memória e a alma dos sítios ainda a conseguiremos preservar, tornando conhecido o que na voragem dos anos se perdeu.
Aldeia de A-da-Beja, na actualidade integrada no Concelho de Amadora, no distrito de Lisboa pertenceu ao Concelho de Belas até 1855, quando este foi extinto, em resultado da reforma administrativa promulgada por Passos Manuel. Depois dessa data, foi anexada ao concelho de Sintra, do qual foi separada em 1979 ao ser criado o municipio Amadorense. A aldeia está implantada num local, de onde se disfruta amplo panorama, que abarca grande parte da cidade de Lisboa e arredores, incluindo o estuário do rio Tejo,e a Serra da Arrábida na margem sul do mesmo rio.
Os terrenos circundantes eram apropriados para a cultura de cereais. Como consequência da abundancia de água, existiam quintas bastante produtivas de hortaliças e frutos. Lembrando este aspecto, ainda hoje deparamos na rendondeza com nomes realacionados com o precioso líquido: Fonte das Avencas, Fonte Santa entre outros. A aldeia, sendo uma povoação que tinha limites, com a Freguesia de Benfica, termo de Lisboa suscitou durante séculos a cobiça de alguns poderosos, que tentaram, por vezes incluir o sítio na lista dos seus domínios; para vincar a quem devia ser atribuia a posse, o nome do povoado surgiu como afirmação de pertença. Os factos são os seguintes:
A Infanta D. Brites, mãe de D. Manuel I, Duque de Beja deixou algumas das suas propriedades as freiras do Convento de Nossa Senhora da Conceição daquela cidade alentejana, entre elas o rendimento da Igreja Matriz da Vila de Belas, e as terras onde surgiu a Aldeia objecto deste apontamento. Sempre que era referido primeiro o casal e depois a aldeia, era costume dizer: "é das de Beja", significando que pertencia as monjas do citado convento. Com o andar do tempo ficou A-da-beja, que diga-se de passagem deve ser único em Portugal.
O ilustre arquitecto Arnaldo Redondo Adães Bermudes, nasceu na cidade do Porto em 1 de Outubro de 1864 e faleceu em Sintra na aldeia de Paiões em 18 de Fevereiro de 1947, os seus restos mortais repousam no cemitério de Rio de Mouro.
Decorrendo nesta data, o dia dedicado aos sítios a arte e memória que eles encerram, pareceu-nos adequado recordar este nosso conterrâneo e um dos seu projectos, junto ao mesmo passam diariamente centenas de pessoas e no qual nem reparam. Apesar de ter sido o primeiro prédio construído para rendimento que mereceu ser galardoado com o PRÉMIO VALMOR de arquitectura, no já longínquo ano de 1909.
O prédio situa-se na Avenida Almirante Reis, esquina para o Largo do Intendente, na cidade de Lisboa.
Ainda hoje apresenta um aspecto de modernidade e beleza, características do talento de Bermudes. Merece pois ser referido e admirado, como exemplo de algo que sendo singular é intemporal.
O abastecimento de água no concelho de Sintra e designadamente na Rinchoa, somente foi resolvido depois de 25 de Abril de 1974, contrariamente ao que muitos opinam, a falta de água era um dos problemas da Rinchoa. Para ilustrar esta afirmação, atentem-se no que escreveu Leal da Câmara,em Setembro de 1944:
" Quando se abrem os jornais de Lisboa e se lêem, diariamente, os mais aflitivos pedidos de água, para as povoações,constata-se que a falta de água, em determinadas regiões é quasi normal e, devemos dar-nos quasi por felizes, quando em uma povoação ainda exista qualquer água que abasteça o público.
É o caso da Rinchoa, apesar de mal abastecida, possuía o precioso líquido que escorria da fonte pública, onde o povo ia com as suas bilhas, buscar a fresquíssima água que vinha canalizada em leito de telhas e pedras desde o seu longínquo nascimento, atravessando quintais particulares e descendo até à fonte, situada na parte mais baixa da velha povoação.
O tempo foi correndo e as rústicas canalizações iam-se partindo. Outras vezes, era uma pedra que desmoronava sobre o canal por onde corria a água, e esta não podendo deslizar, na sua tranquila marcha para a fonte, perdia-se pelas terras, formando, ela mesmo, novos canais e perdendo-se pelas ribanceiras próximas.
Nestes momentos, faltava a água na fonte pública gritava-se,e a comissão de iniciativa local, ia a Sintra reclamar prontas providências que eram, quasi sempre dadas pela mesma forma,mandando um cantoneiro sondar o canal por onde vinha a água e desentulhar o local onde alguma pedra tivesse desabado, impedindo o bom movimento do fio de água.
E a fonte pública, voltava a correr com aquele som cristalino e doce que o poeta Mayer Garção definiu - A tranquila música das fontes...
Isto acontecia sempre assim, excepto em anos de grande estiagem, como aconteceu há uns bons doze anos em que a água desapareceu, por completo, por mais sondagens que se fizeram. (grande seca ocorrida em 1932-1933, nota do autor).
Mas os moradores muliplicaram-se e, justamente na parte da Rinchoa por onde seguia o pequeno veio de água, cada qual fez o seu poço, colocando por cima deles um potente aeromotor que aspira a água e, houve até quem fizesse essa captação, tão perto do veio de água que abastece a fonte pública, que esta secou,por completo".
Este testemunho do grande impulsionador da expansão da Rinchoa demonstra que a água na Rinchoa era um bem escasso. Da localização da fonte resta uma rua com o nome RUA DA FONTE, inscrito numa placa, infelizmente vandalizada. Esta artéria liga a Calçada da Rinchoa com a Rua da Capela,
Mais uma "lenda" que se desfaz, tínhamos razão sobre a origem do topónimo Rinchoa quando escrevemos, no primeiro "post" deste já longo dialogo com quem nos visita, que o nome do nosso bairro não deriva do facto de ser um local de água abundante, pelo contrário. Não é a percepção que consolida uma ideia, mas sim o conhecimento, e este exige pesquisa e estudo,e são estes a base do que gostamos de partilhar convosco.
Quando no apontamento que escrevemos acerca do Rio dos Veados, referimos a azenha da Louceira a propósito dum acidente ocorrido na zona durante o século XVIII, do qual resultou o afogamento do moleiro da "moenda";desta restam umas ruínas na margem esquerda do curso de água, no entanto, das obras hidráulicas realizadas para permitir conduzir o caudal necessário a movimentação das mós ainda é possível observar um açude implantado no leito do rio.
Curiosamente esta construção está situada num local onde confluem os limites dos concelhos de Sintra, Oeiras, e Cascais e também os das freguesias de Rio de Mouro, Porto Salvo e S. Domingos de Rana. A partir daqui o ribeiro passa a denominar-se Ribeira da Lage, tomando o nome do povoado um pouco abaixo na direcção da foz.
Relembremos que se dá o nome de açude "a uma construção de terra, pedra, cimento, etc. destinada a represar águas a fim de que sejam usadas na geração de força, na agricultura ou no abastecimento, pode também, designar-se por represa". O da Louceira é de pedra e está bem preservado, como se observa na foto.
Pela envolvente e localização seria um sítio ideal, para construindo uma ponte pedonal, integrada nos caminhos adjacentes, possibilitar a abertura de um percurso para caminhadas,não só estreitando as relações de vizinhança dos moradores das redondezas, mas também observar o açude. Daqui lançamos um apelo aos Presidentes das Juntas de Freguesia citadas, para que em conjunto estudem a melhor solução para que o AÇUDE DA LOUCEIRA, possa ser visitado, trata-se duma queda de agua que parece impossível,mas existe bem no centro dos três concelhos mais urbanizados de Portugal. Oxalá, um dia seja uma realidade este desejo.
Na Freguesia de Belas, concelho de Sintra, existe um sítio onde desde tempos imemoriais e segundo a tradição, se tem procedido a trabalhos de pesquisa e extracção de minerais preciosos. O local denomina-se Monte Suímo, a sua situação é a que consta no mapa que ilustra este texto.
De acordo com uma descrição do seculo XVIII (1741), um pouco da sua história é a seguinte:
"No termo desta vila (Belas), há um monte minado por baixo chamado comummente as Minas do Suímo; é bastantemente cavado; entrando-se nele com luz,com o reflexo dela parece que está a gruta armada, e guarnecida de galões de ouro, que forma uma vista muito agradável". No século XVI as minas eram propriedade da mãe do Rei D. Manuel, a Infanta D.Brites,que as deixou por herança aquele Monarca.
Actualmente o Monte Suímo está integrado no perímetro militar da Serra da Carregueira, deste modo a visita ao sítio não é possível. As lendas que se contam acerca das minas, são suficientes para despertarem o interesse de muita gente, que adoraria poder frequentar o local. Quem sabe se devidamente desentulhado, com acompanhamento de guias qualificados e salvaguardando o carácter castrense do Monte, talvez pudesse surgir ali uma atracção turística, susceptível de gerar receitas que por certo, ajudariam à manutenção dos aquartelamentos e do campo de tiro da Carregueira? Além disso como a altitude desta elevação é de cerca de 290mts, do cume deve avistar-se um magnifico panorama, sobre a Serra de Sintra e o mar.
Na impossibilidade duma observação "in loco", oxalá consiguamos despertar a curiosidade dos leitores.
O arcade Alfeno Cynthio, pseudónimo que o Sintrense de Rio de Mouro, Domingos Maximiano Torres escolheu para si, demonstra o seu grande afecto pelo local onde nasceu. Além disso deixou-nos outras manifestações de quanto o inspiravam os sítios onde gostava de permanecer e nos quais hoje moramos. Para ilustrar esta afirmação, aqui fica um soneto de Alfeno, escrito em 1791.
Que triste horror,que muda soledade
Me abafa em torno nesta selva escura
onde a espaços vislumbra na espessura
Da lua incerta,e frouxa claridade
Ouço Melampo*uivar na minha herdade
A rouca rã em seu grasnar atura;
Ruge a aura surda, o lobrego murmura
o ribeiro movendo a saudade
Eis sinto a voz dos mochos agoireira
dobrar os guinchos na ouca penedia
Anunciam meu fim? O céu o queira
Que mortal mais feliz do que eu seria
Se meus anos a infeliz carreira
Aqui findasse sem mais ver o dia ?
Analizando o texto do poema,ficamos a saber que a inspiração surgiu na quinta do autor, em Rio de Mouro, que ele designou por "minha herdade". O ribeiro que movia a saudade é o curso de água que todos conhecemos "o mouro". É um belo e melancólico poema onde está patente a grande sensibilidade lírica de Domingos Torres, sem dúvida um dos grandes cultores deste género poético, da Lingua Portuguesa.
*Designação poética de um cão de guarda.
A Quinta Grande era uma propriedade que durante séculos existiu, onde hoje estão edificadas a estação ferroviária de Mira Sintra-Meleças, e a urbanização da Rinchoa, traçada por Leal da Câmara. A "herdade" foi terra que um dia "gemeu debaixo dos pés do Condestável D. Nuno Alvares Pereira" a quem teria pertencido.
Leal da Câmara, teve o sonho de transformar a Quinta Grande, numa espécie de Nova Tormes queirosiana; em parte conseguiu como um dia destes explicaremos. Durante séculos a Quinta, cuja área atingia os setecentos hectares, conservou, uma frondosa mata verde escura, formada por pinheiros mansos, sobreiros e carvalhos. Com a abertura do caminho de ferro, do qual a linha do oeste rasgou a propriedade começaram a surgir ideias para aproveitar os terrenos de forma mais rentável.
Na década de 1920, a Quinta Grande esteve para ser adquirida pelo Estado para ali instalar uma fábrica de pólvora. Aquele projecto apareceu com o propósito de subestituir a fábrica de Barcarena que na época,apresentava prejuízos. A Quinta Grande, detinha a vantagem de estar ligada à rede ferroviária, permitindo mais fácil abastecimento de matéria prima, indispensável ao processo produtivo, não só sulfato de enxofre, obtido das pirites alentejanas mas também, o carvão vegetal, a cal e a água necessários,estes apesar de existirem no local, não eram suficientes.
O empreendimento não vingou, porque ao tempo tal como agora, as finanças públicas não permitiam. Deste modo a empresa "Realizadora", fundada por Leal da Câmara, adquiriu a quinta para urbanizar. Ainda bem! partilhamos um pormenor inédito sobre o Concelho de Sintra, esperamos que tenha sido um bom "tiro"... não de "pólvora seca".
O que resta do arvoredo da Quinta Grande - Meleças.
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