Sábado, 30 de Agosto de 2008

A CONVENÇÃO DE SINTRA 30 DE AGOSTO DE 1808

Faz  duzentos anos, que foi assinado um acordo, entre os comandantes dos exércitos Inglês e Francês para a evacuação de PORTUGAL pelas tropas francesas.

Segundo José Acursio das Neves, na sua História Geral da Invasão dos Franceses em Portugal e da Restauração deste Reino, tomo V: "apesar de ter sido concluída e datada em Lisboa, ratificada pelo general em chefe do exército britânico em Torres Vedras, onde se achava o seu quartel, é geralmente, conhecida pelo nome de CONVENÇÃO DE SINTRA".

Infelizmente o nome de Sintra ficou associado a um lamentável facto da nossa História.

O Rei fugiu para o Brasil abandonando o Reino e o Povo. Os Ingleses venceram os Franceses e humilharam Portugal. Outra coisa não era de esperar. Como era possível, alguém estrangeiro, respeitar um País onde o Chefe de Estado deixou para outrem aquilo que era seu dever realizar?

Este episódio nunca foi devidamente explicado aos Portugueses. A CONVENÇÃO tem XXII artigos. O artigo V ilustra o conteúdo do documento. Diz: "O exército Francês levará consigo tudo quanto se compreende debaixo da denominação de propriedades do exército, a saber,

a sua caixa militar e carros de adidos ao comissariado e aos hospitais de campanha ou lhe será permitido dispor de qualquer porção das mesmas que o comandante em chefe  julgar desnecessário embarcar, do mesmo modo todos os indivíduos do exército terão a liberdade

de disporem das suas propriedades particulares, de qualquer descrição que sejam, com toda a segurança de futuro para os compradores."

Esta clausula permitiu aos franceses levarem o produto dos roubos que tinham feito.

A CONVENÇÃO DE SINTRA foi uma ofensa a PORTUGAL para a qual não pode haver perdão, por isso não deve ser esquecida.

Para conhecimento deixamos, sem comentários, o texto completo extraído da citada obra de Acúrsio Neves. Como nota final leia-se o artº XIV...

     

Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 18:38
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1 comentário:
De Júlio Vaz de Carvalho a 28 de Fevereiro de 2016 às 22:22
Pois, realmente está muito mal contada a "fuga" do Rei... mas, se não o tivesse feito (e foi isso que enfureceu Junot ) a independência ficaria logo ali comprometida. Deslocando a capital do reino para o Brasil, a integridade Nacional mantinha-se acesa. O que levou à inoperância e inépcia das autoridades portuguesas na época foi uma série de factores que levaram ao relaxamento militar, entre outras coisas. Não esquecer também a corrente Liberal a quem, em certa via, agradava a vinda dos Franceses e toda a sua nova filosofia de estado e vida. Perdoar-me-á mas sendo que há muito a contar, sim, a história do "rei cobarde" foi sempre, igualmente uma forma de apoucar por parte de alguns sectores da sociedade, desde então até aos nossos dias, pelas mais diversas razões políticas. Há muitos Historiadores que se debruçam sobre a época, sobretudo estrangeiros, que designam de manobra diplomática e estratégica brilhante. Aliás, o rei não tomou essa decisão por si só. Foram vários os seus conselheiros que o fizeram ponderar essa hipótese e não foi, está historicamente relatado em documentos oficiais da época que não foi uma decisão tomada de ânimo leve (aliás, como deverá saber, não era propriamente seguro fazer viagens transatlânticas no século XIX, por muitas escoltas que se arranjasse para proteger o navio Real. Basta ver o elevado número de naufrágios que ainda ocorria nesse tempo e a isso acresce o facto de não ser a melhor época do ano (Novembro) para levantar ferro e navegar no Atlântico. Respeito a sua ideia da fuga, mas, realmente, ela foi o acto que permitiu manter a nacionalidade intacta, do ponto de vista das Leis Internacionais. Tal não fosse e a divisão do País teria sido realizada como estava planeada. Boa semana.

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