Sexta-feira, 30 de Maio de 2008

A RIBEIRA DAS JARDAS UM NOME E UM SÍTIO ÚNICOS...

Ao longo do seu percurso a ribeira que nasce na serra da Piedade freguesia de Almargem do Bispo, toma diversos nomes: Ribeira de Vale de Lobos depois ao passar por Meleças e Rinchoa Ribeira das Jardas, após Agualva-Cacém Ribeira do Papel. Quando finalmente, entra no Rio Tejo em Caxias, leva o nome de Ribeira de Barcarena.

É sobre o lanço da JARDA o nosso apontamento de hoje. Trata-se dum local edílico com todas as condições para ser uma ímpar área de recreio e convívio, mas não está ainda devidamente aproveitado. Com a despoluição da ribeira têm aparecido diversas espécies próprias das zonas húmidas como as galinholas. Já observamos uma destas aves na ribeira junto ao pontão de madeira no caminho da Rinchoa para Mira Sintra. As águas límpidas estão bordejadas por inúmeras árvores de porte significativo e  folha perene o que dá um aspecto verdejante em qualquer estação do ano ; este arvoredo é uma reminiscência do que teria sido um bosque em galeria bastante frondoso.

A Jarda foi sempre uma ribeira de muita vegetação,daí o seu nome . Dando o devido desconto as fantasiosas intrepertações sobre o significado de Jarda, a nossa hipotese é a seguinte:

Jarda é uma unidade de comprimento inglesa e americana e cuja medida padrão era uma vara. Jarda no alemão antigo (visigótico)  queria dizer VARA, BASTÃO.

 

Como a nossa Ribeira tinha arvores, de cujos ramos se podiam obter varas cajados bordões e outro tipo de objectos para os quais as varas têm utilidade, recebeu por isso o nome jarda, ou  como diriamos hoje, RIBEIRA DAS VARAS. Sem esforço podemos concordar ser um belo e distinto nome. Como a vara sempre esteve associada ao poder e ao seu exercício  a ribeira da jarda tem o dom de nos fascinar com o som cantante e verde das águas do seu leito...

Resta fazer um voto para que a requalificação do Polis do Cacém chegue também até ao Caminho de Fitares porque a Ribeira das Varas merece ser apreciada não só pelos que moramos em Sintra mas todos os habitantes da Area Metropolitana de Lisboa. Aqui deve construir-se um verdadeiro passeio ribeirinho, no rio Tejo o passeio só pode ser "marginal" pois o Tejo não é uma Ribeira.

 

Ribeira há uma e única no interior duma zona densamente povoada...Esta!

 

Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 00:02
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Segunda-feira, 26 de Maio de 2008

OS RINCHOEIROS VOLTAM A CRESCER NA RINCHOA

Escrevi sobre o verdadeiro significado do topónimo "RINCHOA", "nos anos 60 os professores J.Amaral e M.L.Rocha detectaram exemplares de pereiras bravas junto da estrada 249 na Abrunheira. Ficou assim demonstrado que as pereiras bravas se dão nesta região". Já depois de ter publicado o resultado da minha pesquisa, diversas pessoas habitantes da nossa terra, há muitos anos, deram-me razão, afirmando ser vulgar nos seus tempos de criança encontrarem-se pereiras bravas em algumas encostas.

Para mim não restavam duvidas sobre este facto e, da verdade sobre o que quer dizer Rinchoa. Quem investiga nunca pode parar as suas buscas! Tinha a convicção de vir a descobrir mais Rinchoeiros, para além do existente junto a uma vivenda em obras na Avenida D.João II, entretanto derrubado pelo proprietário do terreno. Assim sucedeu, num dos habituais passeios pela Rinchoa, na encosta do Alto da Rinchoa onde situam os reservatórios de água dos Serviços Municipalizados de Água de Sintra (SMAS), encontrei entre carvalhos e sobreiros um conjunto de três Rinchoeiros.

 

 

Como se pode observar, têm um bom aspecto vegetativo ; pelo aprumo dos caules é fácil compreender a utilização que  era dada, antigamente, como cabos de ferramentas agricolas, o que muito contribuia para o seu abate.

Mas a vegetação tende a ocupar os solos onde melhor se desenvolve e por isso os rinchoeiros estão de volta ao seu habitat de sempre, e se os protegermos dentro de poucos anos existirá um pequeno bosque destas árvores e a Rinchoa voltará a ter mais  plantas como as que lhe deram o nome. Para mim, este foi um achado gratificante,  espero, alegre todos os RINCHOENSES e os amigos da NOSSA TERRA.

Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 15:57
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Quinta-feira, 15 de Maio de 2008

QUANDO A FREGUESIA DE BENFICA PERTENCEU AO CONCELHO DE SINTRA...

O Concelho de Sintra exerceu sempre sobre os habitantes das terras circundantes uma grande atracção. Exemplo disso foram as diversas iniciativas tomadas no sentido de nele se integrarem, como ilustração iremos trazer hoje o caso de Benfica.

Na sessão da Câmara Municipal de Sintra de 3 de Abril de 1895, foi deliberado pedir a anexação da Freguesia de Benfica ao Concelho de Sintra baseado nos factos seguintes:

"Os habitantes da freguesia de Benfica (extra-muros) pedindo a sua anexação ao concelho de Sintra. Sendo apresentada e lida uma representação dirigida á Câmara pelos moradores da Freguesia de Benfica (extra-muros), firmada por 96 assinaturas pedindo que aquela Freguesia, actualmente pertencente ao Concelho de Oeiras, por extinção do Concelho de Belém, seja anexada ao concelho de Sintra, e que nesse sentido a Câmara representasse ao Governo de Sua Majestade; a Câmara achando justissimas as considerações apresentadas pelos representantes e, tendo em atenção que pela grande distancia a que aquela Freguesia está da sede do seu actual Concelho inconveniente agravado pela dificuldade e carestia dos meios de transporte sofrem os seus habitantes graves prejuízos e transtornos tendo também em atenção os interesses deste Concelho cuja importância bastante aumentaria não só pelo alargamento da sua área como pelo aumento da sua população recebeu com agrado a representação que lhe é dirigida e resolveu por unanimidade representar ao Governo de Sua Majestade pedindo que por ocasião da nova divisão territorial a que pela reforma administrativa se vai proceder para a classificação dos concelhos aquela freguesia seja anexada ao Concelho de Sintra."

 

 - Acta da Reunião de Câmara: 03 Abril 1895.

 

Assim se concretizou, pois em 20 de Novembro de 1895, aquela Freguesia à qual pertenciam os lugares da Porcalhota e Venteira, era do nosso Concelho. Durante dois anos o território de Sintra ia da zona onde está hoje o Fonte Nova em Lisboa, até ao Cabo da Roca.

Tal como ontem, o designio do Concelho de Sintra, é ser A GRANDE URBE DO OCIDENTE...é só uma questão de tempo. 

Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 22:52
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Quinta-feira, 8 de Maio de 2008

TESOUROS ESCONDIDOS DE SINTRA

 

Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 11:00
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Segunda-feira, 5 de Maio de 2008

AS ÁRVORES COMO ELEMENTO DE IDENTIDADE DUM LUGAR

Mira Sintra é uma das mais novas Freguesias do Concelho de Sintra. Inicialmente era um aglomerado formado a partir dum bairro social denominado Fundo Fomento da habitação da Agualva construído nos finais do Estado Novo e começado a habitar no pós 25 de Abril.

A maioria das pessoas que vieram para o Bairro, tinham um grande sentido de comunidade, e isso foi determinante para a transformação duma urbanização onde faltavam todas as infra-estruturas sociais, naquilo que hoje é Mira Sintra.

O primeiro passo foi mudar o nome do sítio para a sua actual designação. Além de se terem criado uma cooperativa de consumo, escolas, igreja, mercado, espaços verdes, foi  também o sentido de união  a base que permitiu a elevação  a Freguesia nos anos 90 do séc. XX.

Durante todo este tempo os moradores organizados em Comissão tiveram sempre a preocupação de construir um espaço de vivência e cidadania num local que pela sua situação periférica poderia conduzir a problemas de segregação o social.

A estratégia seguida foi a de valorizar a singularidade do lugar. A paisagem magnífica tendo como pano de fundo a Serra de Sintra foi o mote para o nome. Depois a recuperação do arruinado moinho de vento, onde actualmente é possível observar o seu pleno funcionamento.

Seguidamente a Igreja para cuja construção a população contribuiu monetariamente, uma vez construída era designada carinhosamente como o "bunker do Sr. Padre Silva".

Mas para além de tudo isso um robusto Pinheiro Bravo que já existia antes do bairro, foi preservado e rua onde se situa tem a placa RUA DO PINHEIRO porque os moradores consideraram importante para uma mais forte identidade da sua terra a existência daquela árvore. Oxalá agora que uma praga ameaça o pinhal português o Pinheiro de Mira Sintra nossa chegar aos 100 anos continuando a sua função identitária e de humanização dum lugar que os seus residentes através dum processo social consciente fizeram a sua TERRA.

Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 21:59
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