Domingo, 21 de Setembro de 2008

UM CAMINHO DE ALMOCREVES REVELADO PELA TOPONÍMIA

Os Almocreves desempenharam durante séculos a importante tarefa de garantirem o abastecimento das populações e a circulação de noticias de umas terras para as outras.

Argola para prender mulas, ainda presente numa casa existente no Recoveiro.

(Argola para prender mulas - Recoveiro)

O transporte das cargas era feito por animais - mulas atreladas e conduzidas em grupos de várias unidades. A essa grupagem chamava-se "récua" era conduzida ou "tocada" pelo Almocreve também conhecido por "tocador".

No território sintrense a actividade dos almocreves era significativa. Pela análise de alguns topónimos podemos conhecer uma via utilizada para transito de "récuas".

A Ponte de Carenque,  a lomba da Bica da Costa com a sua fonte e bebedouro eram sítios de  passagem. Também Belas era uma paragem obrigatória. Passando aquela Vila, o trajecto seguia pela Serra da Carregueira, assim denominada porque o trilho dos caminhos resultava do CARREGO  das patas dos animais de carga.

 

Continuava pelo moinho da Mata Telhal até ao RECOVEIRO.

Outro nome atribuído aos Almocreves, dado sua actividade ser conhecida por recovagem. O recoveiro era um ponto de armazenagem de mercadorias. Este facto devia-se à localização num cruzamento de caminhos, e porque, nas imediações, se fazia o negócio do ATRAVESSAMENTO, o qual consistia em comprar as mercadorias antes de chegarem ao destino para especular. Apesar de estar regulamentado, o atravessamento era visto como uma ocupação fraudulenta,  pejorativamente  chamada de BARATARIA. Por isso surgiu  a BARATÃ a seguir ao Recoveiro.

Resta lembrar que este caminho era utilizado  para fazer chegar a Sintra os produtos vindos do sul com passagem  na barca de Vila Franca de Xira.

Ler a paisagem é fascinante...

 

Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 22:11
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Sexta-feira, 12 de Setembro de 2008

MAGNÓLIAS: AS ÁRVORES DO PODER

A Magnólia é uma árvore do grupo das plantas ornamentais.

Como tem um porte majestoso e flores geralmente brancas  de grandes pétalas  tem sido aproveitada para compor parques e jardins de palácios e casas senhoriais.

Alguns espaços de ministérios e outras sedes do Poder  têm nas áreas  envolventes MAGNÓLIAS como é o caso do Ministério das Finanças no Terreiro do Paço em Lisboa. Em Sintra e por todo o concelho existem magnólias em muitas quintas e vivendas, entre  outros locais também na Rinchoa.

Na sede do concelho crescem duas centenárias magnólias  na entrada principal do Parque da Liberdade uma de cada lado do portão, quais guardiãs do espaço dos primitivos senhores. Por todo o País as magnólias marcam simbolicamente um dos aspectos visíveis da realidade complexa de que a "distinção" se reveste.

As mais antigas magnólias de Portugal com cerca de 300 anos encontram-se junto ao Convento de Nossa senhora do Desterro em Monchique no Algarve e na Aldeia do Carregal  na Freguesia de Dornelas, Pampilhosa da Serra. Ambas consideradas de interesse público.

Em espaço público as magnólias só começaram a ser plantadas após a implantação da REPÚBLICA.

Em Sintra há um conjunto de sete MAGNÓLIAS na Rua um pouco antes da Sede da Sociedade União Sintrense. Finalmente no espaço do POVO surgiram AS ÁRVORES DAS GRANDES FLORES a magnólia grandiflora uma consequência do desvio da esfera do poder para outros espaços e classes.

As árvores são necessárias para explicar os factos sociais. Mais uma utilidade.

Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 13:17
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Sexta-feira, 5 de Setembro de 2008

OS ÁLAMOS CENTENÀRIOS DA RIBEIRA DA JARDAS

A acrescentar aos atributos da RIBEIRA DA JARDAS, há um com características singulares no qual o objecto e o nome se coadunam na perfeição:

No lanço da Ribeira entre o "Muro arqueado" junto à ponte do Escoto, e  a rua da Quinta Grande na margem esquerda paralelo à linha de Caminho de Ferro do Oeste, um pouco acima da Estação de Mira Sintra Meleças perfila-se, um conjunto de onze árvores dignas de menção.

Trata-se dum renque de choupos centenários de porte magnifico. Por estarem perto do leito da ribeira encontraram condições ideais para se desenvolverem.

Os choupos são também conhecidos por ÁLAMOS e desse termo resulta a palavra ALAMEDA. Muitas vezes ouvimos referir alameda mas, indevidamente, porque só deve ter aquela designação um local ladeado de Álamos. O sitio de que falamos, é de facto uma VERDADEIRA ALAMEDA.

Seria, talvez adequado limpar a área envolvente  e instalar bancos, que permitisse desfrutar da Alameda.

Daqui lanço um apelo à CÂMARA MUNICIPAL de SINTRA para concretizar esta sugestão. Não parece difícil porque as árvores, estão em espaço público. Como o terreno faz parte da Freguesia de R.Mouro a JUNTA poderia dar também o seu contributo. Na estação Outonal, o tom amarelo da folhagem transforma a ALAMEDA, num conjunto digno de ser apreciado por todos os que amam a natureza...

 

Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 18:13
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Terça-feira, 2 de Setembro de 2008

UMA PEREIRA Á BEIRA DO CAMINHO ENXERTADA NUM "CAVALETE"

Um pouco adiante da Casa de Saúde do Telhal, passada a placa indicativa do CASAL DA MATA, junto à berma do lado esquerdo da Estrada do Telhal está uma viçosa Pereira.

Trata-se duma enxertia num tronco dum RINCHOEIRO facilmente observável na base da árvore. Mais uma prova de as pereiras bravas eram abundantes na  zona. O porta enxerto mais usoal  o chamado "cavalete ou cavalo" além de rinchoeiro também se

chama:

CATEPEREIRO, ESCAMBROEIRO, PEREIRO PEREIRA-BRAVA e PILRITEIRO. Este é um exemplo como o Homem aproveitou as dádivas da natureza para poder sobreviver. Hoje em dia quantas pessoas saberão executar uma ENXERTIA?

 

 

sinto-me:
Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 12:55
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