Sexta-feira, 20 de Maio de 2011

A SINTRA TERRA HOSPITALEIRA

Sintra sempre foi local de acolhimento de gente oriunda de muitas terras e que aqui encontraram trabalho e outras condições para uma vida melhor. Esta pluralidade de origens é uma das vantagens que a urbe sintrense tem relativamente a outros municípios que com ela disputam a primazia autárquica de Portugal.

Este pequeno preambulo, serve para partilhar com os leitores uma pequena mas interessante história. O cronista de Sintra, que foi o saudoso José Alfredo C.Azevedo, nas suas Velharias de Sintra II p.13 refere-se ao seu professor da escola primária, António Joaquim das Neves (Mestre Neves), cuja memória se recorda na lápide colocada no antigo edifício escolar, onde hoje é o gabinete de apoio ao munícipe junto à Câmara Municipal na vila de Sintra, José Alfredo informa que o Mestre era casado com uma professora primária D. Emília das Neves. Esta senhora leccionou muitos anos em Vila verde freguesia da Terrugem. No entanto não nos é dito a naturalidade destes docentes.

O professor António Joaquim das Neves, nasceu no lugar e freguesia de Colmeal, concelho de Góis e D.Emília das Neves e Silva, era natural da freguesia e concelho de Pampilhosa da Serra onde nasceu em 3 de Agosto de 1862. Ambos durante muitos anos foram transmissores de conhecimentos a centenas de crianças do Concelho de Sintra. O Mestre Neves foi um grande Republicano e a sua esposa "era conhecidíssima nos meios culturais do País", o casal viveu em Sintra até ao falecimento. Como muitos de nós, escolheram Sintra como terra de adopção.

O autor destas linhas é também natural de Pampilhosa da Serra, reside em Sintra desde 1973, sendo por isso Sintrense. Como resultado da sua Dissertação de Mestrado em Ciência Política: Cidadania e Governação, defendida em Junho de 2010, foi editado o livro cuja capa ilustra este "post", a sua leitura permitirá conhecer um Concelho, donde vieram algumas pessoas que a Sintra devotam o amor devido a uma terra que se ama. Quem ler o livro pode, deixar a sua opinião, que desde já  se agradece. 

 

sinto-me:
Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 16:05
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Quarta-feira, 11 de Maio de 2011

O ROBLE CENTENÁRIO DA ERMIDA DAS MERCÊS

O concelho de Sintra, abriga no seu alfoz um património variado e rico, desde o construído, ao natural até o hodiernamente designado de "imaterial", muito é desconhecido, por isso, não apreciado nem defendido. Se olharmos com atenção descobrimos, ás vezes, de forma inesperada, motivos de interesse em locais onde não seria suposto ocorrerem.

A zona das Mercês nos limites das Freguesias de Algueirão Mem-Martins e Rio de Mouro, é vulgarmente citada como exemplo de urbanismo onde os espaços verdes são muito a baixo do mínimo exigido, caso da Tapada das Mercês. Curiosamente, na orla do aglomerado a mata senhorial dos antigos proprietários conserva vestígios florestais que devidamente aproveitados  como um parque de lazer urbano seria uma requalificação, que sem grande investimento permitiria aos moradores desfrutarem da natureza.

Junto à ermida setecentista de Nossa Senhora das Mercês, situada dentro dos muros da antiga Quinta do Marquês de Pombal, que apresenta sinais de progressiva ruína, existe um carvalhal formado por variedade de carvalho negral; durante séculos dominante na região, sendo o terreno fértil e regado pelas águas da fonte da ermida, o aspecto vegetativo das árvores é bom. No conjunto do roboredo, há um digno de destaque, pelo seu bojudo tronco, de perímetro quatro metros medido a altura do peito (P.A.P.), o fuste atinge quinze metros. Com estas dimensões terá cerca de duzentos anos, se atendermos que a criação da Feira das Mercês foi antes de 1771, à sombra destas árvores devem ter descansado romeiros e feirantes. Poucas cidades de Portugal, além de Sintra, possuem no seu tecido urbano exemplares silvestres deste porte.

Como na zona circulam automóveis, nomeadamente ao domingo quando se celebra missa na capela, este "Quercus robur" devia estar protegido, a coberto de eventuais colisões, seria ígualmente conveniente cortar as ramagens rasteiras, para possibilitar melhor visualização do caule grandioso do ROBLE da ERMIDA, que ficando tão perto, passa despercebido, chamarmos a atenção para tal "monumento", cumprimos um dever de cidadania.

 

 

sinto-me:
Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 21:15
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Sábado, 7 de Maio de 2011

POEMA COM ÁRVORES

O  pinheiro e a romanzeira

 

 

 

« Foi-te bem grata a sorte

quando se dignou pôr-te,

Arbusto,ao pé de mim»

 

Dizia, altivo, assim

um pinheiro elevado

a uma romanzeira,

 

que vegetava tímida a seu lado

e concluía a árvore altaneira :

                                                                    

-«Por mais que brama o furacão horrendo

tu não tens que temer:eu te defendo»

 

-«É certo respondeu-lhe o humilde arbusto

que me defendes, ó pinheiro augusto

algumas vezes contra as ventanias

porém tiras-me o sol,todos os dias».

 

Assim talvez,um protector sublime

sob a aparência de favor - oprime.

 

                                                                                                                              

Este poema está incluído no livro, Relâmpagos, publicado em 1888 por Fernando Leal "soldado e poeta"natural de Margão, na antiga Índia Portuguesa, nasceu em19 de Outubro de 1846, e faleceu em 10 de Junho de 1910.Era tio pelo lado materno, de Leal da Câmara, o grande impulsionador do desenvolvimento da Rinchoa, e que legou a Sintra a Casa Museu com o seu nome. No momento em que tanto se fala de "ajuda" a Portugal, o poema dá que pensar.Deixamos à consideração de quem nos lê...                                                          

                                                                     

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Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 15:19
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Domingo, 1 de Maio de 2011

CURIOSIDADES CENSITÁRIAS DO CONCELHO DE SINTRA

Como é conhecimento decorre este ano de 2011, uma campanha de recolha de dados pelo INE (Instituto Nacional de Estatística), com o objectivo de conhecer,os aspectos demográficos e sociais do país. Com os modernos meios informáticos, iremos saber rapidamente: quantos somos e como vivemos. Aproveitando a ocasião decidimos investigar os aspectos idênticos do concelho de Sintra (Cintra), no ano de 1870, tendo como fonte as Cartas Elementares de Portugal de Barros Gomes,publicadas em 1878.

Segundo aquelas o concelho de Sintra, estava incluído na região do Centro Litoral, constituída por concelhos dos distritos de Lisboa, Santarém e Leiria. Do distrito de Lisboa, além dos concelhos actuais, faziam parte os de Belém,e Olivais que seriam extintos mais tarde. O concelho de Sintra era povoado por 20.791 habitantes, numero inferior aos de: Lisboa, Belém, Olivais, Torres Vedras e Mafra. No conjunto dos 289 concelhos do País,Sintra ocupava o numero 28º.

As outras caracteristicas referidas sobre o concelho,eram as seguintes:

Gados:

Cabras-655

Ovelhas-12.837

Suínos-  1.213

Bovinos-3.418

A área do concelho: 32.193 Ha, era quase idêntica á actual. As árvores florestais dominantes eram a oliveira, o sobreiro, o pinheiro bravo e o carvalho português. Analisando as estatísticas, podemos concluir: Sintra era um Município marcado por uma profunda ruralidade, apesar de albergar uma população significativa para a época. O elevado efectivo de ovelhas permitia a produção de queijo, que juntamente com Olivais ,depois Loures, dava o chamado "queijo saloio" e"solar" da raça "ovelha saloia" que posteriormente seria a produtora do leite para o fabrico do queijo de Azeitão.Note-se o numero de bovinos,bois e vacas,do leite vacum fabricava-se a famosa manteiga de Sintra. O reduzido número de cabras, devia-se ao facto de ter  grande importância florestal,por isso, a pastagem livre de caprinos era proibida, estes animais eram daninhos para as árvores. A foto que ilustra o texto obtida a partir do bairro da Estefânia pode considera-se como sendo de 1878,porque aquele aglomerado urbano já existia,e a paisagem perdura até hoje.

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Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 15:58
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