Segunda-feira, 27 de Junho de 2011

FACTOS DA HISTÓRIA SINTRENSE - RESTAURAÇÂO DO CONCELHO DE COLARES

Durante o chamado período da Regeneração ou do rotativismo, exerceu o cargo de deputado pelo círculo de "CINTRA", António Maziotti, patriarca duma família de caciques políticos do Município de Sintra. Em 1862, ano em que eclodiram tumultos populares, aquele parlamentar pretendendo retirar proveito desse populismo, apresentou na Câmara dos deputados um projecto de lei, com o objectivo de restaurar o Concelho de Colares, que tinha sido extinto,o teor da proposta era o seguinte:

"A divisão territorial, judicial e administrativa, decretada pela carta de lei de 24 de Outubro de 1855,(...) no que respeita à supressão de alguns concelhos e julgados, muitas reclamações têm aparecido nesta câmara, trazendo justas queixas contra essas supressões. A vila de Colares, situada a seis léguas desta capital, era cabeça de concelho do mesmo nome, a cuja categoria foi elevada há mais de quinhentos anos, no reinado de el rei D.Dinis, e por foral do mesmo augusto senhor, confirmado por el-rei D.Manuel. A população era, em 1864 de  3.800 habitantes, 996 fogos, hoje a população deste extinto concelho chega a perto de 4.000 habitantes, 1.011 fogos, a par de certa vitalidade e fluorescência, devido à amenidade e riqueza produtiva de seu solo e indústria de seus habitantes, não deixando de ter cidadãos conspícuos e abonados para os cargos da governança, e sendo o rendimento anual do município de 800$000 reis, pouco mais ou menos, contribui este extinto concelho, hoje freguesia do concelho de Cintra, com mais de 20$000 reis para as despesas do estado em contribuições, além dos direitos do vinho e frutas com diariamente concorre à capital,sobre o valor anual de mais de 100$000 reis.

As recordações enfim que estão ligadas ao nome deste  extinto concelho, a consideração em que estes sítios são geralmente tidos em virtude das belezas com que a natureza os dotou, a estrada modelo a que deu lugar a sua importância, e o exemplo da reconstrução de outros concelhos de muitos menos fogos, tudo finalmente concorre para eu tenha a honra de submeter á consideração desta câmara o seguinte projecto de lei:

Artigo 1º É restabelecido para todos efeitos legais o concelho e julgado de Colares, na comarca de Cintra,e revogado  respectivamente o

decreto com força de lei de 24 de outubro de 1855.

Artigo  2º Fica revogada a legislação em contrário.

 

Palácio das Côrtes,7 de Janeiro de 1862 - António Maziotti,deputado por Cintra."

 

O projecto foi admitido e enviado à comissão respectiva. Como sabemos esta iniciativa não teve sucesso, apesar de ambiente político favorável. Mais tarde, no período da ditadura do 28 de Maio de 1926, seria feita nova tentativa que também se gorou. Colares continua a ser um dos "bairros" da Cidade de Sintra, que é uma unidade territorial das mais importantes de Portugal, e não um conjunto de "vilas" e  "cidades" que surgiram, talvez com boas intenções mas que não têm razão de ser, quem aceitaria que os Olivais em Lisboa fosse elevada à categoria de "vila"? As freguesias do Concelho serão em breve bairros administrativos da cidade da qual temos orgulho de ser CIDADÃOS: Sintra.

Não será preciso esperar muito, neste como noutros casos, "o caminho faz-se andando". 

 

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Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 00:13
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Quarta-feira, 22 de Junho de 2011

A PROPÓSITO DA POSSE DO GOVERNO SEM MINISTRO DA CULTURA

Dia 21 de Junho foi o solstício do Verão, gostaria de partilhar com quem lê os meus despretensiosos apontamentos e a propósito do enunciado no título, excerto duma carta de Manuel Laranjeira, escritor e médico que nasceu em 1877 na Vila da Feira, e se suicidou em 1912 em Espinho, remetida a Miguel de Unamuno, filósofo e professor catedrático da Universidade de Salamanca, grande conhecedor e amigo de Portugal, anti -franquista que nasceu em 1864 na cidade de Bilbau e faleceu em 1936 na "Salamanca (que) apascenta as raízes da minha alma". O texto epistolar é o seguinte :

 

..."O mal da minha terra,amigo, não é a demagogia: é a inépcia. Em Portugal não há demagogia: falta-nos fanatismo cívico para isso. Em Portugal o que há é uma inverosímil colecção de idiotas. A demagogia é um mal, como tudo o que é sectarismo; mas é um mal que pode ser combatido e destruído. A imbecilidade, essa é que é um inimigo invencível. Fez-se a revolução. Foi uma verdadeira revolução? Não, foi apenas um povo que mudou de traje. Por dentro estamos na mesma. O nosso grande mal é pensar como aqueles indivíduos que se  julgam hipercivilisados, só porque andam vestidos pela última moda de Paris.

A revolução política para ser fecunda tinha de ser acompanhada dum revolução intelectual que não se fez, nem há indícios de fazer-se. O povo português apresenta-se ao mundo civilisado por fora, e o que é preciso fazer, o que é urgente fazer, é civilizá-lo por dentro. Mas nisso ninguém pensa, tão convictos estão todos de que para civilizar um povo basta fazer-lhe mudar de gravata.

Eis precisamente o nosso mal: é ninguém sentir necessidade de fazer CULTURA, é ninguém compreender que a inteligência é o grande capital dos povos

modernos e a CULTURA a mais fecunda das revoluções. Somos incultos, mas esse não é o mal irremediável: o mal irremediável é a inépcia, é ninguém ter a compreensão (ou o pressentimento sequer) do que seja-a CULTURA. O terrível é não sentirmos o desejo de ser civilizados e contentarmo-nos só em parecê-lo.

E senão veja o governo da República acaba por exemplo de decretar a fundação de mais duas Universidades, uma em Lisboa, outra no Porto, quando o que havia a fazer, antes de tudo, era demolir aquela que existe. Três Universidades numa terra onde mal se podem arranjar professores para uma só!

Um dos flagelos de Portugal era o analfabetismo do povo: agora chove-nos mais esta praga - o analfabetismo dos doutores. E é assim que a inépcia desta gente confunde CULTURA com diploma e julga  que para civilisar o povo basta infectar o país de diplomados. Quanto á inteligência, essa em Portugal continua a valer o mesmo - nada"

Esta carta é datada de 1911, decorridos 100 anos parece que pouco mudou. Sem comentários cada um fará o seu juízo. Quando me ocorreu escrever este "post" à sombra dum florido castanheiro da quinta grande de Meleças, pensei terminá-lo com uma citação de Unamuno:

"Cristo nosso, Cristo nosso! Porque nos abandonastes."

 

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Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 12:51
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Domingo, 12 de Junho de 2011

AS DIVERSAS " SINTRA " DO MUNDO

O encanto e a paisagem mágica de Sintra exercem tal fascínio que muitos locais dentro e fora de Portugal, aproveitam todos os ensejos, para por um motivo ou outro, se compararem à nossa terra singular.

São conhecidas as designações de "Sintra do Alentejo" atribuída a Castelo de Vide, "Sintra da Beira" cognome de Alpedrinha no  concelho do Fundão, "Sintra do Algarve" como alguns rotulam Monchique; Saborosa assume ser a "Sintra do Douro". Em Cabo Verde na Ilha Brava encontramos a vila de Nova Sintra. Todas estas localidades justificam tais denominações, por serem semelhantes à sede do concelho de Sintra, nos aspectos climáticos e de coberto vegetal, sendo deste modo, verdes e frescas  émulas de SINTRA.

No entanto há outras características de Sintra, que servem de exemplo a povoações, que pretendem ser "Sintras" nesse domínio. Estamos a reportar-nos á escolha como residência e repouso de nobres e poderosos, que durante séculos tiveram as suas quintas não só na vila de Sintra, mas também no seu termo, em Colares, Rio de Mouro, Terrugem e outros dispersos lugares.
Numa recente publicação do Exmo.Ayuntamiento de Badajoz, intitulada Badajoz Y Elvas en 1811, pode ler-se sobre a batalha da Ilha de Leão,que se travou nas proximidades de Cadiz na Andaluzia precisamente naquele ano de 1811, o seguinte: "os restos (do exército) se acolheram a CHICLANA, (...) queimando tudo, o que é pena porque Chiclana é a Sintra de Cádiz, aonde os grandes têm as suas quintas mais formosas"p.384.

Esta povoação é hoje uma ridente cidade espanhola e centro turístico.Em qualquer sitio, quando se quer elogiar a graça e a beleza dum espaço o modo mais adequado é compará-lo com Sintra. Diversas Sintras, que prestam "homenagem" á "Mãe" de todas elas, que é: janela do Ocidente ,ponto de passagem do fulgor do sol para a tranquila claridade lunar, onde a luz vagueia entre as árvores envolta na bruma do oceano, SINTRA da serra do monte da lua.

 

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Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 15:50
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Terça-feira, 7 de Junho de 2011

UM NOME PERDIDO DA RIBEIRA DO JAMOR

Quem apressadamente circula na radial de Sintra, vulgo IC19, e futura Avenida do Ocidente, nem repara quando passa sobre a Ribeira do Jamor, porque contrariamente ao que  se verifica em todas as estradas do País, onde qualquer curso de água, seja um  pequeno barranco ou  caudaloso rio, tem "direito" a uma placa identificativa, aqui parece que ninguém se preocupa com isso! Já é tempo de suprir esta falta, daqui lançamos um apelo a Câmara Municipal de Sintra e à concessionária da estrada que coloquem informação com o nome do curso de água.

Por falar em nome, a ribeira teve vários ,segundo um texto manuscrito do século XVIII: "tem o seu nascimento no lugar do SUIMO e águas livres (...), no sítio onde nasce, e pela Freguesia da Misericórdia da vila de Belas por onde corre tem o nome de ribeira de Belas, e passando pelo lugar de Queluz, toma o nome de ribeira de Queluz,passando pelo lugar de Valejas, toma o nome de ribeira de Valejas, entrando na Freguesia de S.Romão de Carnaxide, tem o nome de ribeira do Jamor e com ele se acaba na sua foz, morrendo no Tejo no sítio chamado da Cruz Quebrada."

Esta descrição, não concide com a designação dada na Planta das Minas e Encamentos de Água do Almoxarifado de Queluz de 1901, nesse documento ao trecho da ribeira, desde a proximidade do cruzamento das actuais Av.Miguel Bombarda com a rua da Bica da Costa até entrar nos jardins do Palácio de Queluz, é atribuído o nome de Rio da Carvoeira,o terreno da margem direita, onde hoje está o Parque urbano de Queluz (Felício Loureiro), e as instalações da Guarda Nacional Republicana, denominava-se TERRA DA CARVOEIRA. O topónimo deve estar relacionado com o fabrico de carvão, para o qual se utilizou durante séculos a  lenha dos sobreiros que cobriam o Monte Abraão e de restam pequenos bosquetes na estrada para Cemitério de Queluz. Não vimos noutros documentos referido este nome, pelo que Rio da Carvoeira é um nome perdido, que em tempos alguém atribuiu ao Jamor, o qual tendo um curso de pequena dimensão, foi pródigo em nomenclatura. É uma curiosidade interessante, para terminar voltamos a solicitar:

Por favor não esqueçam a placa, porque é necessária, para que o JAMOR não caia no olvido!

 

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Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 00:28
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