Sexta-feira, 31 de Maio de 2013

Um Fontário triste.

O Jornal o Século, publicado durante mais cem anos encerrou já depois de 25 de Abril 1974, nas sequelas do "PREC" (processo revolucionário em curso). Na edição de 30 de Maio de 1956 (quarta-feira) deparamos com a seguinte notícia:

"Com a presença do Dr. César Moreira Baptista presidente da Câmara Municipal de Sintra foi inaugurado na Rinchoa um marco fontanário, em cujo frontespício se encontra representado um aspecto do Palácio Nacional de Sintra. Ao acto inaugural assistiram muitas crianças das escolas acompanhadas dos professores e as principais entidades da Freguesia (Rio de Mouro)". Um dia festivo para os moradores, o marco fontanário, ficava fronteiro ao casino da Rinchoa, (na actualidade um conhecido colégio) na confluência da Avenida dos Plátanos com a Calçada da Rinchoa. Quando foi executada a rotunda existente, pretendeu-se, simplesmente destrui-lo, ainda conseguimos que apesar de "decapitado" da parte superior, onde estava o tal frontespício, fosse  recolocado, onde se encontra, no topo dum pequeno espaço arrelvado, junto a Estrada Marquês de Pombal. Está seco, a sua estrutura de pedra lavrada foi caiada, descaracretizando-o completamente. Por incuria caiu na condição dum "fontanário triste", completa 57 anos, parabéns! Que será feito das crianças presentes e, concerteza bateram palmas com as infantis maõzinhas,  quando a água jorrou pela primeira vez na bica de pedra, iniciando um tempo em que milhares de residentes e passantes, nela mitigaram a sede!? A fonte passou a pertencer ao quotidiano dos moradores, daí o povo ter "baptizado "o espaço circundante : "Largo do Chafariz". Mais uma "memória " da nossa urbe. 

 

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Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 09:11
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Segunda-feira, 27 de Maio de 2013

Memórias da Rinchoa: a Quinta de Fitares

Fitares sitio actualmente integrado na localidade, designada por Rinchoa. Uma das mais populosas do Concelho de Sintra,durante séculos, foi uma importante quinta. Nos anos 80 do século XX, o proprietário transformou parte dela num loteamento, origem da urbanização, existente. Antes de ter o fim citado Fitares, topónimo derivado de Fetares, como já explicamos noutra ocasião, teve vários donos, sendo uma extensa e rica propriedade. Em 1828, o jornal Gazeta de Lisboa, inseria o seguinte anuncio: "Em o dia 3 de Setembro, se há-de proceder na Praça Pública do Depósito Geral, depois das três horas na arrematação de uma quinta denominada dos Fitares, no termo da vila de Cintra, avaliada na quantia liquida de foro, em 7.900$00 réis, e mais um casal no mesmo sítio, junto à mesma quinta avaliado em 580$00 réis, e mais um moinho de vento, alvoeiro no sítio da serra do carrajéal, avaliado em 320$00. Casas pomar e árvores de fruto de espinho e caroço, terras, matos, olivais, azenha no sítio da ribeira da jarda". Estes bens tinham ficado como resultado do falecimento de Francisco da Silva, o encarregado da arrematação era o escrivão Isidoro Xavier de Paiva Monteiro do Couto,morador na travessa da Assumpção nº8 2º andar, Lisboa.

O moinho de vento alvoeiro, significava que tinha uma mó destinada a moer sómente trigo, cuja farinha dava o pão "alvo" daí "alvoeiro". Pela localização o moinho ficaria  no grajal, ao cimo da Agualva. A casa dos senhores da propriedade, situava-se onde é o Complexo Desportivo Municipal o acesso era pelo CAMINHO DE FITARES. O casal, seria o casal da serra, sítio dos actuais reservatórios de água dos serviços municipalizados de Sintra, no alto da Rinchoa. Grosso modo a quinta incluía o espaço do bairro de Mira Sintra, edificado em terrenos que pertencem ao Estado, e ao tempo da construção administrados pelo Fundo de Fomento da Habitação, parte do grajal, todo espaço ao longo da ribeira da jarda, desde a quinta dos Lóios, à quinta grande de Meleças, e a encosta até a ribeira da lage, incluindo todos os terrenos, onde mais tarde se construiu a estação ferroviária de Rio de Mouro-Rinchoa, a Escola Leal da Câmara,etc.. uma "herdade" com centenas de hectares, desmembrada por partilhas, venda, e execuções fiscais....Enfim! Uma longa história. 

sinto-me:
Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 20:49
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Terça-feira, 21 de Maio de 2013

O CARRO DE BOIS E CAMINHOS DE CARRETAGEM NA REGIÃO SALOIA

O carro de bois,constituiu o meio de transporte,mais utilizado em Portugal ao longo de vários séculos.Os seus pormenores construtivos,adaptavam-se ás diversas regiões onde a utilidade da sua contribuição era necessária ao transporte de produtos agricolas e mercadorias.Deste modo pela geografia do territóro português circulavam carros de vários tipos que foram estudados,de forma exaustiva e competente por Virgilio Correia(1922), e Fernando Galhano.Este último,escreveu "O Carro de Bois Em Portugal"publicado em 1973,com uma extensa análise ao "carro saloio"afirmando ser este tipo o mais usado no distrito de Lisboa,onde se integra o concelho de Sintra; na sua execução usava-se a madeira das árvores abundantes na região,no caso do território sintrense, de freixo e carvalho.Segundo o autor o carro de bois saloio "caracterizava-se pela forma rectangular do leito, e pela grande altura a que ele se situa e pela própria roda"para aumentar a capacidade de transporte,designadamente de trigo e feno o carro tinha um acessório,a chalma, colocada sobre o leito.Nos séculos XIX e XX existiriam na área citada milhares de juntas de bois, além do carrego eram utilizados, na lavra das terras puxando o arado.O concelho de Sintra estava dotado duma densa rede de caminhos e estradas para transito dos carros de bois.Nos locais onde se transpunham as linhas de água existiam pontes,normalmente,constituídas por lages de pedra calcária assentes em suporte de face afilada para resistir as correntes mais violentas.Deste tipo é uma ponte,situada na Ribeira da Jarda,junto de Meleças, freguesia de Rio de Mouro,termo de Sintra. Falta uma das pedras,não sabemos se foi destruída pelo tempo ou furtada para outro uso.Mesmo com esta "mazela"é um curioso exemplar de arquitectura rústica.

O carro de bois saloio segundo Galhano era formado pelo "cabeçalho"onde se atrelavam os animais que puxavam o carro,as "cadeias"barrotes que suportavam o leito e o ligavam ao cabeçalho,pelas "mesas" nas quais, juntamente com os "cócões" e as "amarradeiras" funcionava o eixo,para ligar o leito as "mesas",possuiam uma peça as "estroncas".As  rodas tinham particularidades que por ora deixamos.Resta referir que  na extremidade dianteira do carro se aplicava a "canga"...  

 

sinto-me:
Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 20:17
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Quinta-feira, 9 de Maio de 2013

MATURIDADES A SETE ANOS! VEJAM ISTO..NO DIA DA "ESPIGA".

O Presidente do Ministério, Passos, Pedro, nada de confundir com Passos, Manuel; e o seu Ministro da Fazenda, deviam meditar na portaria publicada no D.G. em Outubro de 1905, emanada da Direcção Geral de Administração Politica e Civil -2ª Repartição, relativa a um assunto do Municipio de Sintra,do teor seguinte:

"Hei por bem autorizar, nos termos dos artigos 55º nº1, 57º e 425º do código administrativo, a Câmara Municipal do Concelho de Cintra a contrair um emprestimo de 34.020$000 réis, amortizável em trinta anuidades não excedentes a 2.371$425 réis cada uma, a fim de ser aplicado exclusivamente às obras de construcção do edifício dos paços municipais e repartições públicas do mesmo concelho da cadeia civil, e de um matadouro central e dois. auxiliares.


Paço, em 9 de Outubro de 1905= REI = Eduardo José Coelho"


Curiosamente um governante de apelido "coelho", assinou o despacho. O autor do projecto da cadeia e paços municipais, o Arquitecto Adães Bermudes, está sepultado no cemitério de Rio de Mouro,faleceu em Paiões aldeia da mesma freguesia sintrense,no ano de 1947. Era membro da maçonaria, loja Fiat Lux, com o nome simbólico de Afonso Domingues. O empréstimo, acabou de ser pago em 1935, num tempo "feito de SAL e AZAR", como escreveu Fernando Pessoa.

 Agora muitos se congratulam,pelo facto de terem conseguido da troika "maturidades" de sete anos,para pagar uma dívida de 78 mil milhões de euros, concerteza  para conseguir amortizar tal soma, vamos necessitar de trinta ,ou cinquenta anos.É preciso renegociar.Afinal em Portugal só á custa de empréstimos se realizavam obras.Essa fábula de viver acima das possibilidades,é conversa de quem lhe "pica a cevada na barriga,"e devido a tradição familiar ou outras prerrogativas,tem o privilégio de aceder á "pilhagem legal",que o exercício de altas funções no aparelho do poder permite.

Em 1905,  a responsabilidade de construir cadeias e matadouros pertencia aos Munícipios. Actualmente  pretendem transferir cada vez mais atribuições e competências para os mesmos. No futuro quem terá a "batata quente", para obter financiamentos voltarão a ser, maioritarimente ,as Câmaras Municipais, constituidas por elementos eleitos, e não por "ministriáveis" que fazem gala de afirmar, não terem sido" eleitos para coisa nenhuma". É verdade, são designados para espalhar sofrimento e dor, promulgando medidas com o objectivo de empobrecer as pessoas, não honrar os compromissos do Estado, elaborando previsões  económicas sempre erradas, e por via disso, fazendo do quotidiano de milhões de portugueses um rosário de amarguras. Talvez as coisas melhorem no futuro, se os decididores prestarem contas ao eleitorado. Isto não está a ficar "maturo" = a maduro, está a ficar podre. Ah! não esqueçamos: um povo sem esperança,não espera nada do provir, é um povo desesperado.É caso para dizer"que grande espiga"! 

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Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 22:01
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Domingo, 5 de Maio de 2013

UMA ALDEIA "PERDIDA"

O interior do território português é referido de amiúde por causa da sua crescente desertificação humana,e também, porque as aldeias vão definhando. Algumas já não existem, outras estão em risco disso. Contudo, este fenómeno também se verifica no litoral, onde, igualmente, podemos encontrar exemplos de povoações, desaparecidas. Com o decorrer do tempo deram origem a lendas e quimeras.

No concelho de Sintra detectamos uma situação cujo conhecimento poderá interessar a alguns dos que nos visitam. Os factos são: No antigo termo de Sintra, fronteira com o extinto concelho de Belas, existiu um povoado com alguma importância. Acerca dele têm sido publicados vários estudos, atribuindo às ruínas no local, origem remota,com mais insistência,do período da dominação romana. Não contestamos essa possibilidade, porque não somos "especialistas" na matéria. Alertamos para o facto de em Portugal, ser costume afirmar, normalmente, algo antigo é romano ou do tempo dos "mouros".

Estas reflexões ocorrem-nos a propósito de Rocanes, topónimo de singularidade encantadora, hoje transformado numa pedreira e ponto de referência em cartas cartográficas, assinalado entre Massamá Norte e o Casal de Colaride no território Sintrense. Rocanes, em 1610 era uma Aldeia, referida como tal em documentos da época. Os moradores cultivavam as terras desde o cume do monte, encosta abaixo, até a Ribeira do Papel, onde ficava a Azenha de Rocanes funcionando,talvez, no Inverno, quando o caudal de água, era suficiente. No restante tempo do ano, os habitantes utilizavam o moinho de vento do povoado,"o moinho velho de Rocanes".

Rocanes sofreu grande destruição com o terramoto de 1755, além disso por sucessivas aquisições das propriedades circundantes os Rocanenses,tiveram de procurar outras paragens, os novos senhores não permitiriam a sua presença. Rocanes desapareceu, os vestígios que vão surgindo devem representar vários períodos históricos, no entanto, uma coisa é certa: Rocanes, uma aldeia como tantas outras, sofreu as consequências das vicissitudes do tempo, caindo no olvido. Por momentos deixou de ser uma aldeia perdida, devido a este singelo apontamento....

 

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Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 17:31
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