Sexta-feira, 21 de Março de 2014

No dia mundial da Poesia: ALFENO CYNTHIO

Não precisamos procurar fora do sítio onde moramos, um poeta para assinalarmos esta data, aqui nasceu no século XVIII vulto cimeiro da arcádia lusitana, o arcade Domingos Maximiano Torres autor duma bela écloga, na qual refere a nossa terra, Rio de Mouro no termo de Sintra.

                                                                                                   

ÉCLOGA

Era alta noite,e as águas prateava

A taciturna irmã do Febo louro

O Favonio no bosque sussurava

Guinchava o mocho,com funesto agouro

Quando o aflito Erymatho a quem cercava

triste o seu gado,junto ao claro(rio) Mouro

cheia de dor a alma,e os olhos de água

 assim desabafava a sua mágoa....

                                                                           

                                                               

 

 

 

 

                                                                               

sinto-me:
Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 15:18
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Quarta-feira, 19 de Março de 2014

Proscritos e Prescritos

Na Casa Lusitana, denominação atribuída a Portugal por um professor que recordo, homem quesilento, pronto para distribuir castigos ,admirador convicto da situação,o outro nome da ditadura do estado novo, as singularidades abundam, cada dia mais bizarras.

Pertenço á legião dos proscritos,a quem o governo ,os mercados ,e outras "pias" instituições,já levaram parte significativa do vencimento ou da pensão,não satisfeitos, aumentam os impostos considerando-nos titulares de (rendimentos) afinal cortados, agravam o IMI,reavaliando os imóveis, qual boom imobiliário a contraciclo da realidade,aumentam água, luz,gaz, tudo o  necessário ao viver quotidiano.Enfim numa inequivoca demonstração,que estão convencidos: a malta "aguenta" "aguenta", apertar o cinto não se aplica,aos esbulhadores, geralmente usam suspensórios. Os cortes tolerados pelo tribunal zelador da Constituição,por serem provisórios ,afinal serão definitivos.

Lembro,o tempo quando tentaram fazer de mim um bom cidadão obediente venerador e obrigado, e não conseguiram.Nessa época a minha avó,rezava todas as noites uma oração em que pedia á Mãe de Céu,protecção para as agruras da vida "A VÓS  bradamos os degredados,filhos de eva...suspiramos  gemendo e chorando neste vale de lágrimas".Soava aquilo tão medonho,que na minha compreeesão infanto-juvenil,acreditava  ser um exagero.Engano, o vale de lágrimas existe... para os proscritos.

No outro lado da montanha ,cantando e rindo como na canção dos lusitos da casa lusitana ,estão os prescritos,tendo os títulos e o  dinheiro a bom recato,quando por "burrice" se deixam elear nos meandros da justiça,não se amedrontam recorrem recorrem sempre ,para todas as instancias do "universo" até que o tempo lhe proporcione a prescrição dos processos instaurados.Poupam milhões,são gente grada,podem não ser respeitáveis mas tem de ser respeitados ,como sempre sucedeu.

 O numero de pobres deve aumentar para que recebendo esmolas dos prescritos os ajudem a ganhar o paraíso celestial,o fiscal está garantido.

Para uns a justiça é um fardo ,para outros uma farra.resta acreditar na justiça divina "Bem aventurados os que têm fome e sede de justiça porque serão saciados".Proscritos deste vale de lágrimas, "não há bem que sempre dure nem mal que não acabe".Será mesmo assim?Volto a D.Miguel de Unamuno ,meu mestre.Cristo nosso,Cristo nosso!Porque nos abandonastes?

 

 

sinto-me:
Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 01:43
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Segunda-feira, 17 de Março de 2014

Património: obra premiada esquecida

Um prémio de arquitectura demonstra apreço relativamente à obra premiada e ao seu autor, distinguir algo e alguém, significa a sociedade civil assumir compromisso no sentido de preservar o património galardoado.

Esta reflexão vem a propósito da unidade industrial destinada ao fabrico de artigos de plástico, existente na quinta grande de Meleças, freguesia de Rio de mouro concelho de Sintra distrito de Lisboa, Portugal.

Construção concluída em 1963, período  de expansão da economia nacional, resultante do eclodir da guerra nas colónias portuguesas de África e adesão de Portugal a Associação Europeia de Comércio Livre na designação inglesa (EFTA). O local onde se implantou a fábrica tem fácil acesso rodo  e ferroviário, inserido no eixo da linha do Oeste, estações de Agualva-Cacem Meleças Sabugo onde se estabeleceram várias fábricas,origem de polos industriais importantes,agora em declínio.

O arquitecto incumbido de projectar a fábrica de Meleças foi Bartolomeu da Costa Cabral, autor de relevantes realizações: edifício da Sociedade Portuguesa de Autores, Avenida Duque de Loulé, Lisboa, Polo 1 da universidade da beira interior Covilhã, Universidade do Minho- núcleo de Guimarães, Estação da Quinta das Conchas do metropolitano de Lisboa, Bloco de prédios das "Águas Livres" em Lisboa de parceria com Teotónio Pereira. No Município de Sintra são também de sua autoria: Edifício da agencia da caixa geral de depósitos na vila, faculdade de engenharia da universidade católica, "campus" de rio de mouro, plano de recuperação bairro do pego longo. Pequena resenha do labor de Bartolomeu Costa Cabral, nascido em 1929 felizmente, continua a exercer a sua paixão pela arquitectura.

O projecto no equilíbrio do seu traçado e  modernidade da  concepção, exemplifica que um estabelecimento fabril  mesmo, implantado num descampado, pode transformar-se num motivo para uma visita,porque a as obras  de arte são fonte de encantamento.

Na III exposição de artes plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian1986, Bartolomeu da Costa Cabral por este projecto recebeu o prémio Raul Lino.

O edifício continua a desempenhar a função económica original, o aspecto denota algum abandono por falta de conservação. Seria possível a Câmara de Sintra em dialogo com os proprietários, ouvindo  o arquitecto Costa Cabral, recuperar o imóvel considera-lo de interesse concelhio, a exemplo do que fez a Câmara de Lisboa com o bloco "aguas livres"? Costa Cabral merece, os sintrenses também...

sinto-me:
Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 13:31
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Sábado, 8 de Março de 2014

Rusticidade Sintrense - Vestígios duma Cegonha.

A geologia do território do município sintrense é formada por diversos afloramentos rochosos, desde o granito da serra ao calcário e argilas, predominantes em muitos sítios da geografia do concelho. Os solos calcários dos planaltos das freguesias de S. João das Lampas - Terrugem, e Almargem do Bispo, Montelavar Pêro Pinheiro, caracterizam-se por índices elevados de secura dos terrenos, razão pela qual a obtenção de água para rega e consumo, foi difícil até ao surgimento da tecnologia de perfuração e captação de água por intermédio de bombagem eléctrica.

Antigamente um dos métodos mais utilizados eram as noras e as cegonhas, estes últimos engenhos de elevar água dos poços,utilizados em situações de escassez de água. Quase sempre obtida em nascentes pouco profundas, as vezes simples "poças" para irrigar pequenos hortejos, pertença de gente de fracos recursos sem meios para construir noras nem animais de tiro para as fazer girar.

A designação de cegonha provinha do engenho possuir uma vara comprida, semelhante ao pescoço da ave. Na extremidade colocava-se o recipiente "balde", para tirar água do poço. A vara pendia de um longo tronco rodando num eixo de ferro, suportado por grossa forquilha de madeira cravada no solo.Na retaguarda do tronco existia um contrapeso normalmente, pedra toscamente atada naquele, para facilitar a operação de içar o balde cheio.

Deparámos com indícios duma cegonha na proximidade de  Cortegaça, aldeia do concelho de Sintra. Estamos na presença de vestígios que atestam o carácter primitivo da "bimbarra" outro dos nomes do engenho: a água era vertida num tosco recipiente escavado no calcário, depois lançada na levada de rega. Um exemplo da capacidade de adaptação dos nossos antepassados as dificuldades do meio envolvente. O poste de cimento, substituto da forquilha, testemunho, que a cegonha ou "burra" funcionaria ainda não há muito tempo.

sinto-me:
Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 15:40
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