Segunda-feira, 30 de Junho de 2014

Relógio de Sol

O sol tem influência em todos aspectos da vida humana,fonte de calor e luz, razão da nossa existência, sem irradiação solar vivificante a vida seria impossível. Nas comunidades rurais do hemisfério norte durante séculos o ritmo das sementeiras e colheitas, acompanhava o ciclo do movimento anual aparente do astro rei.

O equinócio da primavera,alertava para a premência das sementeiras, os dias começam a crescer, a luz solar permite aproveitar melhor os dias. No começo do Verão o solstício, uma "pausa" para preparar a colheita, escolher onde acondicionar o produto do labor, passados os calores estivais, na entrada do Outono outro equinócio marca a descida do sol no horizonte a noite escura e fria volta a ganhar em duração ao dia luminoso e quente, altura de fazer balanço do resultado do ano agrícola. Finalmente o solstício do inverno, outra ocasião em que o sol parece deter-se por momentos, os povos receavam que as trevas continuassem a progredir no entanto a luz vence. Os dias principiam a proporcionar maior período de claridade o  sol no centro do cosmos eleva-se de novo e retorna a alternância eterna das estações,periodo de esperança no porvir.

A luz solar possibilitou medir o tempo,recorrendo ao avanço da sombra dum instrumento cravado sobre uma pedra na qual se gravavam as horas. Este dispositivos denominam-se relógios de sol.Outrora em grande número restam alguns exemplares como este datado de 1856 e visível "empoleirado" no beiral do telhado da capela de Nossa Senhora da Consolação, lugar de Assafora,termo de S. João das Lampas no município de Sintra, distrito de Lisboa, sítio  dos mais ocidentais do território de Portugal. Quem sabe o relógio solar mais a oeste da Europa continental, ainda a funcionar? É possível verificar a hora que obtivemos a imagem...

 

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Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 22:20
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Sexta-feira, 27 de Junho de 2014

O Pão de cada dia

No nosso "bairro" na Rinchoa, bem no coração do termo da antiga "vila" de Sintra, além do ar puro horizontes dilatados que abrangem a vista do oceano atlântico, dispomos de todas os benefícios da vida moderna: transportes públicos, duas estações ferroviárias em linhas electrificadas (Rio de Mouro e Meleças), autocarros vias de comunicação modernas A16, acesso a praias, quinze minutos do guincho, bancos, complexo desportivo com piscinas, super e minimercados, farmácias lavandarias, cabeleiros e barbeiros, restaurantes, pastelarias agências bancárias, notário, PSP, escolas básicas e secundárias, públicas e privadas e muito mais que seria fastidioso mencionar. Convém referir, de acordo com ranking das escolas a melhor escola privada de Portugal, o Colégio dos Plátanos está aqui. A súmula ilustra a importância da urbe, a população cerca  trinta mil habitantes, tem mais expressão que 90% dos municípios portugueses. Não é um ermo ou dormitório, sim uma parcela relevante do município Sintrense. A introdução destina-se a avivar a "memória" de uns contadores de histórias sem graça, tendo falta de assunto para diatribes ousaram querer ridicularizar a nossa terra.

Além dos aspectos referidos, temos a possibilidade de adquirir diariamente, pão confeccionado na Rinchoa em forno de lenha. A padaria fica situada na rua dos cravos ,transferida para o local onde labora em 1982.O seu proprietário,sexagenário, representa uma verdadeira dinastia de mestres padeiros, já os seus antepassados faziam da panificação modo de vida. O pão fabricado tem sabor distinto e textura, aproximada da que segundo testemunhos antigos teria o denominado "pão de Meleças", de que o 1º marques de Pombal, Sebastião José de Carvalho e Melo era apreciador, o Marquês possuía aqui perto grandes propriedades, uma das quais a tapada das mercês, fica contigua à Rinchoa. Estaremos portanto perante o último reduto onde se fabrica genuíno pão daquele tipo. A padaria da rua dos cravos na Rinchoa, merece o titulo de único "fabricante do verdadeiro pão da Rinchoa e Meleças".

       

 

 

 

 

 

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Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 17:48
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Domingo, 22 de Junho de 2014

O último donatário de Belas

Belas sede de concelho até 1855, actualmente integrada na união de freguesias de Queluz-Belas, município de Sintra, destino de veraneio e repouso da nobreza e burguesia da capital do reino e cabeça de marquesado. O título teve origem num real decreto da Rainha Dona Maria I de Portugal em 1801. O derradeiro titular na vigência do regime monárquico desta distinção,nasceu na vila de Belas a vinte e oito de Julho de 1878, domingo,pelas cinco horas da manhã, filho legítimo do marquês de Belas, D. António de Castelo Branco natural da Freguesia dos Anjos na Cidade de Lisboa e Dona Maria da Piedade de Lacerda de Almeida e Vasconcelos natural de São Pedro do Sul, distrito de Viseu, casados canonicamente. Neto paterno de D. José Castelo Branco Correia e Cunha Vasconcelos e Sousa e Dona Maria Francisca Luísa de Sousa,condes de Pombeiro, materno do senhor Paulo Correia de Lacerda Lebrim e Vasconcelos e Dona Caetana da Cunha Almeida e Vasconcelos. Baptizado na Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Misericórdia de Belas em dois de Agosto de 1878, foram padrinhos o avô materno e  tia paterna Dona Rita de Castelo Branco, solteira, moradores em Belas. Ambos sabiam escrever, assinaram o termo do baptismo. Acto celebrado pelo reverendo presbítero Gualdino de Amaral e Sá.

Teve esmerada educação, oficial do exército pertenceu à arma de cavalaria serviu nos regimentos de lanceiros 2 de Lisboa, cavalaria 9 na invicta cidade do Porto atingiu o posto de tenente, aficionado de equitação e da tauromaquia,tradição de família. Implantada  a República, na sequência da revolução de 5 de Outubro de 1910, foi viver para Itália acompanhando sua mãe, dama da Rainha Dona Maria Pia de Sabóia.Após a morte da Rainha, em Turim no ano de 1911 regressou a Portugal. Monárquico convicto participou em todas as tentativas para restaurar o regime deposto. Instaurada a ditadura militar, em 1928 foi reintegrado no exército, logo passado á reforma. Dedicou-se aos negócios ,em Portugal e Roménia. Industrial de conservas de sardinha proprietário de fábricas na cidade portuguesa de Setúbal.Patrão com preocupações sociais,  muito estimado pelos operários e operárias das suas empresas, carinhosamente o apelidavam "Marquês Sardinheiro" faleceu em Lisboa a 16 de Maio de 1965, curiosamente o mesmo dia da semana do nascimento. Está sepultado em Santarém.  D.José Inácio de Castelo Branco Correia da Cunha Vasconcelos e Sousa, Par do Reino, fidalgo da Casa Real, 4º marquês de Belas, 10º conde de Pombeiro, visconde de Castelo Branco, 22º senhor de Pombeiro e 16º senhor de Belas. Na pia baptismal recebeu o nome de José Inácio de Loyola. De "Loyola" desapareceu, desconhecemos  o motivo.

( aspecto de Belas em junho de 2014).

 

 

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Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 08:00
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Segunda-feira, 16 de Junho de 2014

Sabores Estivais

O calor finalmente aperta, praia sol mar montanha, natureza os grandes espaços voltam a ser refugio da canícula, estância para devaneio e fruição da vida. O verão época de saborear comidas e petiscos que associamos a estação: sardinhas assadas vinho, cerveja gelada e ...caracóis, isso mesmo, caracóis, caracoletas assadas, moelas na grelha, pipis, pica-paus pretexto para dedo de conversa com familiares e vizinhos. Por estas bandas de Sintra na Rinchoa voltou a apelativa informação: "HÁ CARACÓIS". Podemos degustá-los em diversos locais da urbe no entanto para nós os de "O VICTOR" a grafia do nome mantem a antiga forma, são os preferidos, sabem sempre bem, acompanhados com cerveja ou vinho verde, tudo fresco e à "pressão". O estabelecimento dispondo de confortável e luminosa sala, cozinha à vista do cliente, fica defronte do antigo posto da Guarda Nacional Republicana, Rua do Casal da Serra, abriu portas à trinta anos em 1984, mantendo competência do serviço e distinção no acolhimento desde a primeira hora. Tem óptimo peixe e marisco, douradas e robalos do mar, escalados assados com mestria são deliciosos. No tempo apropriado servem arroz de lampreia dos melhores de Portugal, sem exagero conhecemos o "tema", este "estatuto" é alcançado graças a arte e engenho da chefe da cozinha, sábia senhora com talento culinário. A iguaria chega directamente de Penacova terra dos proprietários, os vinhos do Dão incluídos numa carta bem sortida são únicos e provem igualmente da região natal dos senhores da casa. Os preços das refeições tem relação adequada com a qualidade dos alimentos.

Aconselhamos em dias determinados, cozido à portuguesa servido com abundância, o bife à casa sempre disponível é de se tirar o "chapéu". Estão ai outra vez  caracóis, motivo acrescido para "pousarmos" no restaurante "O VICTOR". Sem perder o fulgor da juventude entrou na idade adulta para deleite dos comensais e prestígio da cozinha Sintrense onde ocupa lugar cimeiro. Gastronomicamente aqui é sempre tempo estival, o calor da simpatia para quem chega está garantido.

Ninguém fica encalorado, o local tem ar condicionado.

 

O

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Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 10:08
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Segunda-feira, 2 de Junho de 2014

Moinho da Oca

Quem viaja no comboio de Lisboa para Sintra, passada a estação ferroviária da cidade de Agualva-Cacém no cruzamento da linha, quando uma via diverge para Mira Sintra Meleças e outra para Rio de Mouro através das amplas janelas da carruagem, poderá contemplar à esquerda na margem da ribeira da jardas, antiga quinta dos frades Loios, onde dependurada num arco alongado imitando rustíco campanário, sineta singela assinala o lugar da capela. Em plano superior destacando-se no matorral da charneca a silhueta cilindrica de um moinho de vento, o moinho da oca. Acerca deste engenho Leal da Câmara escreveu em setembro de 1944, na comunicação apresentada no Congresso da Rinchoa: "moinho sem velas nem capacete e que deixara de ser, há longos anos já, o árbitro do cantar e do sibilar dos ventos para se transformar, coitado!... em simples marco geodésico indicado nas cartas do estado maior com um pontinho especial que marcava o último apoio das linhas estratégicas de Torres"

A simpliciade duma construção que mirada de passageiro atento alcança, extinta a função inicial de moer o pão passou a "talefe" ou picoto base das coordenadas para elaboração de mapas e talvez testemunha silenciosa de acontecimentos relevantes ocorridos durante a guerra peninsular. Está apresentado, futuramente será visto com outros olhos?

 

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Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 12:10
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