Terça-feira, 29 de Julho de 2014

O PINHEIRO DA FONTE

Foi um acaso de repente encontrei bordejando o antigo caminho da fonte, hoje seca, um majestoso centenário pinheiro manso, fazendo fé das informações dos vizinhos do lugar de Paiões, freguesia de Rio deMouro termo da vila de Sintra. Um deles afirmou que tendo nascido em 1938, sempre se lembrava do "pinheiro manso", já grande. Resistiu ao ciclone de 1941 as vetustas raízes regadas pela água da mina que alimentava a fonte, explicam o vigor e grossura do fuste e ampla copa sob a qual descansavam as moças nas idas à bica.

A artéria onde vegeta e serve de poiso a colónias de rolas que debicam nas pinhas os pinhões tem pouco movimento,  só os moradores sabiam da existência desta bela árvore, considerada símbolo da imortalidade devido a folha persistente e resina que segrega ser de incorruptibilidade conhecida.

O epíteto de "pinheiro da fonte" será a  referência identitária. Oxalá continue com exuberância vegetativa e resistência as intempéries para continuarmos a admirá-lo, parte integrante do passado da aldeia singular onde cresceu sem cuidados especiais e livre em espaço de todos. Monumento vivo prova  de amor  e bondade de Deus que se manifesta no carácter misterioso e divino dos prodígios da natureza desde a pequenina folha a mais imponente das montanhas.

 

 

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Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 14:57
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Segunda-feira, 21 de Julho de 2014

Cultura Popular:Um exemplo

O conceito de cultura popular em  abordagem simples, é a forma como uma comunidade se adapta ao meio envolvente. Seguindo esta perspectiva, deparamos no Município de Sintra, entre as povoações de Bolelas e Amoreira um caso relacionado com a necessidade de resolver  problemática relativa ao aproveitamento de água  e método seguido pelos habitantes a solucionar. A questão relacionava-se com  utilização da água para fins diversos. O manancial brota numa encosta declivosa. A obra revela  engenho e capacidade de aproveitar as condições naturais e edificar conjunto integrado multifuncional.

A fonte empreendimento da Câmara Municipal de "CINTRA" ostenta a data de 1922, inicio da função da "bica" "dar de beber a quem tem sede ". Água escorre para amplo receptáculo feito de cantaria ladeado duas lajes que servem de bancos seguidamente por efeito gravítico  vertida  num tanque destinado a bebedouro do gado. A cota do terreno permitiu encaminhar, por idêntica "facilidade" da natureza, o elemento líquido a lavadouro coberto utilizado pelas aldeãs das redondezas não só para lavagem da roupa mas também para colocarem a conversa em dia,sentadas em rude banco de pedra aguardando quem sabe a vez se iniciar a "faina"?! As sobras da água deste sistema encaminhadas através de "levada" talhada em pedra regavam e ainda regam os campos junto ao vale. Três funções para melhor render a água escassa. A arquitectura atesta a harmonia entre o que se desejava obter de benefício preservando a rusticidade do sítio à beira do caminho em íngreme lomba. Um bom exemplo de cultura popular.

 

 

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Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 14:41
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Sábado, 19 de Julho de 2014

AUTORIDADE REGULADORA DA MENDICIDADE I

Em sintonia com medidas de austeridade os governantes deveriam  ter em consideração o acelerado empobrecimento de estratos diversificados da população impelidos para situação de pré-mendicidade.O poder vigente será de cariz liberal.Parece-nos adequado desta ponta ocidental da Pátria relembrar as preocupações  sobre a penúria, do governo igualmente liberal  de 1822, medidas preconizadas por Silva Carvalho. Podem ser inspiradoras face as dificuldades  da maioria do Povo. Deixamos á consideração aquilo que o estadista propunha quanto aos "mendigos"

                                       & 1º. A nenhum indíviduo se permitirá mendigar sem licença da autoridade policial da sua residência,perante a qual terá de justificar a impossibilidade de ganhar o sustento,por motivo atendível,como doença.idade,ou outros aceitáveis. 

                                                

                                            

 

                                            2º.Nenhum mendigo exercerá este ofício fora dum perímetro vinte e cinco quilómetros,ao redor da terra da residência,na licença,será declarada esta clausula.As autoridades,obrigarão os contaventores a saírem do local onde residem. 

                                                 

                                                 

 

                                              3ºEm consequência do determinado no & 1º,todo o mendigo deverá obter uma licença para mendigar  na terra a que chegar.

Qualquer rendimento por questões de equidade e justiça social,deve ser declarado ao fisco, a entidade reguladora da actividade promulgará medidas consideradas necessárias ao   cumprimento  desta obrigação.Antes do  estado de miserablismo é necessário garantir o da pobreza mitigada.Os pobres causam a ruína dos ricos quando vivem acima das suas possibilidades,não há crime mais hediondo devem ser punidos quando isso ocorra.

 

 

Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 15:52
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Quarta-feira, 16 de Julho de 2014

Uma árvore insigne

No livro de Domingos Maximiano Torres proeminente elemento da arcádia Lusitana, poeta cultor dos estilos sonetos e odes em que escreveu dos mais belos exemplos da língua Portuguesa, está inserta uma referência a Rio de Mouro denominada terra de: "insignes quintas". 

Uma dessas quintas a da Ponte grande propriedade do século XVIII, posteriormente desmembrada por partilhas e doações deu origem as quintas da estrangeira do Cupertino e quinta de Santo António. Na última detectamos plátano possuidor de caule de grande dimensão sem dúvida apresentando maior "grossura" que o plátano declarado de interesse público existente no parque da liberdade na Vila de Sintra. Idade aproximada segundo fontes locais será de 250 anos. O plátano"vilão" cresce em espaço público e quanto a insigne árvore de Rio de Mouro termo de Sintra vegeta em terrenos privados a possibilidade da sua contemplação no âmbito deste blogue é "privilégio" gostosamente oferecido a quem nos visitar.

 

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Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 16:37
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Quinta-feira, 10 de Julho de 2014

A Fabrica da Tinta

A incipiente industrialização do Portugal oitocentista a nível nacional,teve todavia, no concelho de Sintra alguma expressão graças a diversos capitalistas dinâmicos surgiram estabelecimentos fabris de razoável dimensão cuja actividade influenciou a vida económica e social do município.

Uma dessas unidades industriais a Tinturaria Cambournac, sediada no sítio da Ribeira do Papel, território da Freguesia de Rio de Mouro até criação da autarquia de Agualva-Cacém a 15 de Maio de 1953,local escolhido não só devido á relativa abundância de água,e também mão de obra especializada no ramo da tinturaria, perto em Rio de Mouro funcionava desde o final do séculoXVIII  uma tinturaria e estamparia de chitas.A cambournac encerrou no rescaldo do período conturbado seguinte a Revolução de 25 de Abril de 1974.Principiou laboração em 1846, funcionou sempre no sítio referido o atendimento da clientela tinha lugar em Lisboa no Largo da Anunciada, junto à Avenida da Liberdade. Os proprietários, de visão empresarial moderna iniciaram em 1876 o processo de limpeza a seco de fatos e tecidos. Inovação introduzida mantendo a actividade de tingir "toda a qualidade de fazenda nova e usada, fio de seda, lã, algodão juta, palha, etc". Fabricavam também tinta para escrever, enfim "tinturaria" completa.

Deveria ser um negócio próspero, o "clã" familiar residia junto à fábrica em ampla e confortável habitação onde nasceram filhos aos quais proporcionaram educação adequada, alguns guindaram-se a posição de relevo na sociedade. Um deles Desidério Cambournac, nascido em cinco de Abril de 1874, militar médico conceituado sempre disponível em favor dos mais carenciados e das causas da salubridade pública, em  homenagem foi erigido por subscrição popular um busto de bronze colocado na Vila de Sintra na avenida homónima.Nome de baptismo escolhido pela família em consideração à avó  paterna D. Maria Desidéria Cambournac, casada com o fundador da empresa Pedro Roque Estáquio Cambournac. Desidério Cambournac solteiro e sem filhos faleceu em 1936. Reflexo de relevância social e politica concelhia o cortejo fúnebre saiu do edifício dos Paços do Concelho de Sintra para o cemitério de S. Marçal com grande acompanhamento de pessoas representativas dos estratos sociais da região devido ao prestígio e carácter bondoso do finado. O "solar da família Cambournac, foi berço de outros descendentes ilustres.

 

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Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 16:20
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Sexta-feira, 4 de Julho de 2014

"Sons de sino"

As alterações sociais verificadas nos últimos trinta anos a urbanização acelerada dos aglomerados, com influencia no aumento dos delitos contra a propriedade, roubos e vandalismo, motivou tomada de medidas preventivas para defender os bens patrimoniais da rapina dos larápios. O acervo de imagens sacras das igrejas algumas de grande valor monetário e incalculável "afecto" dos fiéis, tem sido presa dos gatunos. Recentemente os artigos metálicos desaparecem furtados por gangs que as autoridades diligentemente procuram desmantelar.  Amiúde subtraído dos campanários o sino acaba vendido inteiro ou derretido.

Na vida das populações, o som marcava o ritmo do quotidiano, espécie de instrumento utilizado no chamamento divino e cívico, daí a sua relevância paroquial e eclesial. No decurso da ditadura do Estado-Novo salazarista (1934-1974), numa lição do livro único da  primeira classe do ensino básico ou primário, procurava incutir-se nas crianças respeito pelas mensagens veiculadas pelo toque do sino. Na página 88  pode ler-se: "Obedientes à voz do sino, homens mulheres e crianças acodem à igreja para assistirem á missa".No começo e findar o dia  tocavam trindades ou avés maria, falecia alguém,o sino do templo anunciava o infausto acontecimento, dando os "sinais". Tocava a rebate em caso de incêndio desastre ou tumulto. As reuniões camarárias conhecias o povo quando soava o sino privativo dos paços do concelho. daí o termo: reunir a "toque de sino". Os regimes autoritários aproveitavam, como forma de inculcar ideologia, o carácter de "mando" infelizmente ligado ao tanger sineiro.Presente no imaginário aldeão,o genial Fernando Pessoa,num dos seus poemas ,designou o sino de um os templos do sítio Lisboeta do Chiado,"sino da minha aldeia". 

Apesar da mudança ainda existem comunidades onde o sino alcandorado no arco campaniço, toca para assinalar os actos litúrgicos, o da imagem antigo de dois séculos "reside" algures no Concelho de Sintra, distrito de Lisboa Portugal . Oxalá não seja necessário retirara-lo para evitar furto. Continue a tocar e a "voz" produzida pelo badalo no bronze estabeleça ,simbolicamente, comunicação entre o céu e a terra.

 

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Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 12:53
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Quarta-feira, 2 de Julho de 2014

Sete anos do blogue.

Dia dois de Julho de 2007 iniciamos a publicação deste blogue,o nosso objectivo continua a ser o mesmo:divulgar o património em todos  seus aspectos, convocando a atenção de quem lê o que escrevemos acerca de "relíquias"e factos desconhecidos da generalidade das pessoas.Publicamos duzentos e noventa e quatro "posts",tivemos mais de 168.000 vizualizações com tempo médio de 1,5 minutos de duração registamos 111.200 visitas, tempo de "estadia" idêntico ao anterior.Vamos continuar.Os leitores deram ânimo brindaram-nos com centenas de comentários não queremos desiludir, obrigado pela "força". Apesar de estarmos a ocidente não é tempo de ocaso.

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Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 00:59
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