Domingo, 15 de Fevereiro de 2015

O HOSPITAL AMADORA - SINTRA, NÃO EXISTE

O hospital que serve os municípios de Sintra e Amadora, construído como corolário do projecto do Hospital Ocidental de Lisboa, cuja implantação deveria ser nos terrenos do Parque Florestal de Monsanto e que chegou a ser adjudicado  pouco tempo antes da Revolução de 25 de Abril de 1974, na sequência das alterações sociais e políticas que se seguiram, o processo parou. Retomado mais tarde, foi construído no local onde hoje está em terrenos pertencentes ao Estado Português.

A unidade hospitalar é vulgarmente designada por incúria ou preconceito, hospital Amadora-Sintra, contrariamente a hospitais semelhantes, por exemplo o Garcia de Orta nunca ouvimos referir por "hospital Almada-Seixal". Acintoso hábito, talvez, com a intenção de lançar o labéu de descriminação injustificada da região servida pela unidade  hospitar, e também porque aqueles que se autoproclamam "comissão disto e daquilo ", desejam que o desconforto e a animosidade perante o "anonimato ", conduzam as populações a um sentimento de rebeldia conducente a garantia do voto de protesto em actos eleitorais.

No presente caso omitir o nome do patrono do hospital, é acto de incultura e ingratidão porque a homenagem que se pretendeu perpetuar é merecida.

O professor Doutor Fernando da Conceição Fonseca, ilustre médico, catedrático da Faculdade de Medicina de Lisboa, cidade onde nasceu em 1895, e igualmente faleceu em Julho de 1974.

Investigador de renome mundial na área da bacteriologia e no controle do colesterol.Participou na primeira guerra mundial, integrado no serviço de saúde militar. Depois do conflito concluiu o doutoramento em medicina na Universidade de Berlim. Durante a segunda guerra mundial (1939-1945), aprofunda os seus estudos e é nomeado através de concurso público, docente na Universidade de Lisboa. Por essa altura, conheceu o Senhor Calouste Gulbenkian aquele magnata chegou a Portugal gravemente doente, o Professor Fonseca, chamado para observar curou a enfermidade.Este facto proporcionou o desenvolvimento de uma grande amizade entre ambos.Em 1947, participou numa reunião do MUD, movimento de unidade democrática de oposição á ditadura Salazarista. Nessa ocasião proferiu um violento discurso onde denunciou o estado de atraso lamentável do serviço de saúde em Portugal.Claro foi demitido da função pública e impedido da docência universitária. O seu amigo Professor Gentil Martins, salazarista convicto, conhecedor da competência científica de Fernando da Fonseca, mandou instalar no IPO de Lisboa um laboratório onde aquele pudesse continuar as suas investigações, e informou Salazar da decisão. O ditador que dedicava grande admiração ao Professor Gentil teve de se resignar. Mais tarde não quis  ser readmitido no serviço do Estado.

Terminada a segunda guerra mundial o senhor Gulbenkian pensou partir para os Estados Unidos da América, todavia somente iria se o Professor Fernando Fonseca o acompanhasse. O médico recusou o convite e o milionário decidiu ficar em Portugal até ao fim, porque só confiava a sua saúde aquele clínico. Calouste Gulbenkian resolveu criar a fundação que tem o seu nome, pediu a colaboração do Professor este, apresentou-lhe o advogado, Azeredo Perdigão a quem o milionário encarregou de redigir os estatutos da instituição.

O Professor Fernando Fonseca por vontade do patrono da instituição,foi nomeado administrador vitalício A existência da Fundação Gulbenkian,ficou a dever-se em grande medida,ao sábio e competente médico, porque se tivesse aceite a proposta de acompanhar Gulbenkian não teríamos a fundação que tantos e tão relevantes serviços tem prestado a Portugal e aos Portugueses.

 É de elementar justiça, citar sempre o hospital pelo nome do seu patrono, para que a memória de quem honrou a ciência a Pátria e a democracia se não perca. Viva o HOSPITAL FERNANDO FONSECA, abaixo o "Amadora-Sintra"..PIM: 

PB272788.JPG

PB272791.JPG

 

 

sinto-me:
Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 15:19
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