Quarta-feira, 15 de Novembro de 2017

INSIGNES QUINTAS COM NOME DE ÁRVORES

A mui antiga freguesia  Nossa Senhora de Belém em Rio de Mouro, erecta por vontade dos frades da ordem de São Jerónimo do Convento da Penha Longa, donos e senhores da maior parte das terras da região, foram ao longo dos séculos aforando e vendendo propriedades depois transformadas em opulentas quintas pelos seus  proprietários.

Até criação das freguesias de Algueirão Mem Martins e Agualva Cacém, década de 50 do século XX, Rio de Mouro foi a mais povoada e rica de todas as freguesias do termo da Vila de Sintra.

O território de Rio de Mouro fértil, coberto de valiosas florestas, além da beleza forneciam lenha indispensável ao dia a dia dos moradores.

Um prova ficou na toponímia em Rio de Mouro as quintas mais ricas ostentavam e algumas ainda ostentam nomes de árvores e vegetação: Quinta das Sobralas, Quinta do Olival, Quinta do Ulmeiro, Quinta do Pinheiro, Quinta do Zambujal,Quinta de Fetares (hoje Fitares), Quinta de Entre-Vinhas e outras que porventura existem e não lembro.

Rio de Mouro é um belo sítio para viver, mal grado opinião de ilustres  "novos ricos",  além do dinheiro nada podem revelar. "Deus os ajude e a nós que não nos desampare ", sentença sábia da nossa querida avó materna.

 

Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 14:42
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Quinta-feira, 9 de Novembro de 2017

TOPONÍMIA SINTRENSE - GIGARÓS

Quando se demanda antiga Vila de Colares, utilizando a denominada estrada velha de Sintra que sepenteia a falda da serra, borjando quintas vizinhas do parque de Monserrate, por altura do sitio da Eugaria, deparamo-nos com rua ostentando placa informando direcção: GIGARÓS.

O topónimo deve ser único em Portugal, por isso desde há muito investigamos no sentido de decifrar  significado. Percorremos encostas e várzeas das cercanias, finalmente conseguimos solução.

Sabido a aptidão das terras colarejas para produção de frutas e vinho. O transporte e acondicionamento daqueles produtos agrícolas (maçãs, limões e uvas), fazia-se desde época recuada em canastras ou gigas, normalmente redondas ou rectangulares, feitas de tiras de castanheiro, ou vimes.

O castanheiro abundava nas encostas da serra de Sintra, no termo da Vila de Colares, ainda hoje no sítio da Urca é possível, observar vestígios dos antigos soutos. O vime encontra-se nos terrenos adjacentes ao Rio das Maçãs.

 Em GIGARÓS confeccionavam GIGAS, vocábulo significa, localidade onde se faziam aqueles utensílios,e habitavam artesãos que os elaboravam.

Conseguimos objectivo sem ser necessário "arrear a giga".

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Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 16:31
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Sexta-feira, 3 de Novembro de 2017

FEIRA DAS MERCÊS: TEMPO DA "VIDAIRADA "

A Feira de 2017, já lá vai, decorreu com animação a contento de quem demandou o velho terreiro "pombalino", bem  organizada pela Câmara Municipal de Sintra, secundada pelas Juntas de Freguesia de Rio de Mouro e Algueirão Mem Martins.

No programa paralelo da "feira" tive ensejo dia 21 de Outubro por volta das quatro da tarde, proferir  despretensiosa "palestra" relativa a aspectos pouco conhecidos da história do secular evento. Satisfeito tive  prazer  falar para  audiência, atenta  em número razoável, neste tipo de "função".

A narrativa realçou o carácter peculiar da feira no âmbito concelhio e região de Lisboa. Durante décadas a frequência do "certame", numerosa,  abertura do Caminho de ferro na década de oitenta século XIX, possibilitou levar ao planalto dezenas de milhares de pessoas.

Gente das classes populares,onde se misturavam, pedintes,saltimbancos, circo pobre,prostitutas "acampadas no pinhal do escoto", carteiristas, como celebre "faquir" de alcunha, com cabra amestrada, que subia um escadote, originando concentração de "otários" alguns dos quais deixava sem as carteiras.

Petisco da feira "carne de porco as Mercês", servido em caçoila de barro, em vez da suína procedência, certas ocasiões, era de burro. Bebia-se agua pé, "marada", vinho proveniente de Torres Vedras, e redondezas, principalmente do Zambujal, Cacém da propriedade do republicano Ribeiro de Carvalho, bebedeiras de monta ocasionavam "arraial" de pancadaria.

Jogavam a "laranjinha" a dinheiro, consultavam-se cartomantes, namoro no muro do derrete, podia acabar em casamento...

Feira dos saloios, arreigada na tradição do lugar, resistiu a tentativa do Marquês de Pombal, também Conde de Oeiras, pretendeu passá-la para a sede do condado.

No conjunto das romarias da região alfacinha, Atalaia no Montijo, Senhora da Rocha Linda-a-Pastora, Nossa Senhora do Cabo Espichel Sesimbra, as Mercês assumiu sempre cunho popular remediado e Republicano a partir do final do século XIX.

Leal da Câmara fixou na tela traços pitorescos e rudes da feira, satirizando  saloios, a quem apelidava "esses animais nossos irmãos em São Francisco". O figurino actual, próprio para visita de famílias, na pacatez e arrumação do espaço podem tranquilamente "feirar", oxalá continue por muito tempo.

Feira das Mercês na verdade deveria ser Feira de Rio de Mouro, nasceu prosperou, quase findou nesta freguesia. Até para o ano se Deus quiser,na capelinha de Nossa senhora das Mercês, ou no pátio da Senhora Marquesa.

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Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 12:19
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