Quinta-feira, 21 de Janeiro de 2010

TOPONIMIA SINTRENSE : RIO DE MOURO

 

O nome das localidades é difícil de decifrar, em alguns casos quando não há certezas recorre-se à "lenda" ou à "tradição" para justificar o que é duvidoso. Vejamos um exemplo: Rio DE MOURO no Concelho de Sintra. 

Uma das hipóteses inserida no "Memorial Histórico ou Colecção de Memórias Sobre Oeiras", vai no sentido seguinte:"Rio de Oeiras nasce acima do pequeno Lugar de Fanares, aqui lhe chamam rio das enguias, à saída da Quinta do Basto entra em uma ponte de boa cantaria por cima da qual passa a Estrada Real de Sintra. Aqui tem o nome de Rio DO Mouro, que o transmite a este lugar, onde segundo a tradição morreu o Mouro Albaráque Governador do Castelo de Sintra ou Cyntia, fugindo na ocasião da sua conquista por D.Afonso Henriques. Outros dizem que o dito Mouro, fora morto no Lugar que tem o nome de ALBARRAQUE e o enterraram nas margens deste Rio".

Para reforçar a "tradição" o autor alterou: Rio de Mouro para Rio do Mouro. Continuando: "Quase a chegar ao Sítio de Asfamil lhe dão o nome de Rio dos Veados. Passa pelo Lugar da Laje  e correndo com  nome de Oeiras...ele se mistura no Oceano".

A nossa versão,alicerçada no estudo da região onde corre o  curso de água demonstra que aqui, os topónimos Mouro e Mourão coexistem. Mourão deriva de "parede" "muro grande" e também de lajes de pedra que se colocavam verticalmente em redor das eiras para proteger o cereal do vento e dos animais. Essas pedras designam-se Mouros ,sendo utilizadas  nas vinhas para suportar as varas da empa das vides.

No caso do nosso Rio, desde tempos recuados os proprietários dos terrenos adjacentes, no troço compreendido entre a quinta da Preza e Francos, desviaram o curso obrigando o rio a correr entre Mouros ou Mourões de lajes e mais tarde entre muros  para aproveitarem as terras férteis de aluvião.

Esta obra hidraulica ainda hoje se pode observar:ver imagem. Deste modo, RIO DE MOURO  significa: RIO QUE CORRE ENTRE MOUROS ou MUROS ALTOS. A lenda não é mais forte que a evidência,só por falta de estudo se tem mantido. 

Neste caso, a lenda, como justificamos, é uma fantasia.  

 

sinto-me:
Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 00:19
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1 comentário:
De Luis Miguel a 31 de Março de 2011 às 23:41
Boa explicação !
Não deixa de ser curioso como a presença almoada, aparentemente, marcou muito mais a tradição oral do que a presença romana.
Qualquer história antiga, a voz popular remete-a para "o tempo dos mouros". Invariáveis são também as conversões das mouras apaixonadas por cavaleiros cristãos. Tudo ao melhor gosto dos romances de cavalaria.
A origem do nome "Rio de Mouro" insere-se um pouco nesses "contos de cavalaria", onde se exalta o feito cristão em expulsar e aniquilar o "infiel". A verdade é que os "mouros" acabaram por gozar de uma certa indulgência após a reconquista, permintindo-se-lhes o seu estabelecimento fora de portas, dedicando-se à agricultura. Maçãs e morangos constam que são algumas das espécies que, consta,terem sido por eles introduzidas e aprimoradas.

O que seria da região sintrense sem as maças e os morangos do "mouro infiel" ? Sem a indulgência ao "infiel" não haveriam çahroi para Leal da Câmara imortalizar...

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