Domingo, 31 de Janeiro de 2010

O CRUZEIRO DE SACOTES - SINTRA

Sacotes é uma localidade da Freguesia de Algueirão Mem-Martins, no concelho de Sintra. Situa-se numa colina sobranceira ao Algueirão (pântano), que depois de drenado permitiu a construção da Base Aérea nº1. Os terrenos desta infra-estrutura aeronáutica faziam parte  da Granja do Marquês e onde esteve instalada a Escola Agrícola de Sintra. Alguns dos habitantes de Sacotes eram trabalhadores  naquela propriedade, que pertenceu ao Marquês de Pombal. Sacotes é povoação antiga, no século XVIII, segundo a "CINTRA PINTURESCA" tinha 11 fogos.

Até 1974, o aspecto da aldeia seria idêntico ao de muitas povoações similares do interior do País, apesar de Sacotes ficar a 20 quilómetros de Lisboa, "as casas térreas ainda em muitos casos mostravam a pedra à vista, com um cunho de ruralidade que o tempo alterou devido à construção de muitas habitações "modernas". Do tempo em que Sacotes era um sítio de agricultores e pastores, resta um humilde CRUZEIRO, cujo despojamento  confere um encanto propício à meditação no Sagrado.

Sobre um bloco de mármore toscamente aparelhado, de cor ligeiramente rosácea, está uma singela cruz de pedra, o conjunto foi colocado no largo da povoação desprovido  duma envolvência que o cruzeiro merecia. Sem  artefactos alterando a rusticidade dos materiais  estamos perante um símbolo, místico, sem ostentação, singelo enfim, com a grandeza sublime das coisas SIMPLES.

O cruzeiro de Sacotes é um dos encantos desta Sintra onde temos o privilégio de habitar. Os que denigrem a nossa terra  fazem-no por despeito ou desconhecimento das singularidades que desfrutamos.

 

sinto-me:
Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 18:36
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8 comentários:
De viviana a 4 de Fevereiro de 2010 às 10:22
'Olá, Júlio

Descobri o seu blogue há momentos, quando pesquisava sobre a Ribeira das Jardas.
Fiquei encantada e agradávelmente surpreendida , por ver como aprecia e valoriza a nossa Sintra e arredores.
Moro em Mira-Sintra há mais de trinta anos.
Deixei um longo comentário no seu pos sobre a Ribeira das Jardas.
Quanto ao seu post de hoje, acho muito lindo e muito interessante.Faz em poucas palavras, toda uma descrição sobre Sacotes. Gostei de ler e de saber.

Quanto ao tom róseo da pedra, eu creio poder tratar-se de um tipo de ,mármore que existe na zona de Morelena, onde há ainda uma exploração de uma pedreira dessa pedra. Tenho pena de não me recordar do nome, porque eu sei como se chama.
Na casa onde moraram os meus Saudosos pais, em Maceira - Pero pinheiro, temos alguns objectos feitos dessa pedra.

Desculpe o tamanho do comentário.

Desejo-lhe um lindo dia

um abraço

viviana
De Júlio Cortez Fernandes a 4 de Fevereiro de 2010 às 12:10
Cara Viviana
O seu comentário é muito gentil gosto de partilhar o que fui aprendendo e fico satisfeito quando alguém diz que isso foi conseguido .Sobre o mármore ,a sua observação é correcta .Conheço a história do chamado, mármore rosa de Pero Pinheiro ; tenho a preocupação de deixar aos meus leitores o ensejo de descobrirem o que não está explicito.Asim é mais interessante
com estima e consideraçao
Júlio
De Rui Olveira a 20 de Julho de 2010 às 22:22
Meu Caro, sobre Sacotes e o seu vetusto "cruzeiro" aconselho-o a "fazer os trabalhos de casa". Felizmente que sacotes é bem mais antigo que o século XVIII e o seu "cruzeiro" bem mais complicado, em termos históricos, do que julga. Falar de História Local, está muito para além da leitura e pesquisa livresca, temos de falar com o povo, ouvir a lição dos documentos antigos e ainda assim trabalhar na pesquisa!!!

RUI Oliveira
De Júlio Cortez Fernandes a 25 de Julho de 2010 às 18:45
Quem foi que disse que Sacotes é do sec.XVIII ?
Quanto aos outros comentários nem comento...
De João Almeida a 7 de Agosto de 2016 às 23:11
Boa noite Sr. Rui Oliveira
Pelo que hoje sabemos Sacotes é, na verdade, bem mais antiga que o Século XVIII: foram feitos achados em campanha arqueológica que serão datados do neolítico final e calcolítico; o plinto do cruzeiro terá sido parte de um monumento funerário romano (apesar de existirem dúvidas sobre se não foi trazido de outro local); a sua base, antes da intervenção recente, era com certeza dessa época; existirão referências a Sacotes em documentos dos séculos XIV e XVII... Mas, a avaliar pelo seu comentário saberá muito mais sobre Sacotes e, quiçá, sobre a região de Algueirão.
Quererá partilhar connosco o seu saber e as suas referências?
Obrigado
João Almeida
De Júlio Cortez Fernandes a 8 de Agosto de 2016 às 23:21
Embora não seja destinatário do "comentário" se pretender pode consultar texto , que publiquei neste "sítio" em 2014 , relativo a outras particularidades de Sacotes.
Cumprimentos
Julio Cortez Fernandes
De Alfredo Ramos Anciães a 18 de Fevereiro de 2014 às 14:29
Caríssimo prof. Júlio Cortez

Fotografei hoje o dito cruzeiro. Vale pela simplicidade e pelo bloco de mármore local representante de tantas outras pedras que hoje figuram em monumentos de interesse concelhio e, quiçá, nacional. Também visitei a pedreira de Sacotes onde hoje pastam cabras e num pequeno lago existem, creio que, patos bravos desfrutando do silêncio que ali reina após a cessação da extração de pedra.
De Júlio Cortez Fernandes a 19 de Fevereiro de 2014 às 15:10
Amigo Alfredo Anciães
Sacotes, concordando com as suas observações é lugar
onde sentimos uma "atmosfera" especial.
Um abraço
J: Cortez Fernandes

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