Sábado, 22 de Janeiro de 2011

UM ANTIGO "DIA DA NEVE" EM SINTRA

A memória dos Povos abrange periodos de tempo de amplitude reduzida, quando comparados com o decorrer dos séculos. Vem isto a propósito dos fenómenos climatéricos que quotidianamente nos são apresentados pelos meios de comunicação social. É frequente ouvirmos expressões do tipo: "Agora o tempo está mudado", "Não me lembro de tanta chuva e tanto frio", "Isto é por causa das alterações climáticas", etc.  Sem pretendermos suscitar polémicas, devemos dar as coisas o sua devida importância porque, nem sempre o que parece é.

Hoje 22 de Janeiro de 2011, está aqui por Sintra um "frio de rachar" como é hábito afirmar-se quando a temperatura do ar desce para valores pouco habituais.Vulgarmente pode pensar-se que isto nunca ocorreu. Nada mais falso , curiosamente, chegou até nós uma informação antiga, do teor seguinte:

 

 " Neste dia 23 de Janeiro de 1758,segunda feira,aqui na Freguesia de Nossa Senhora de Belém ,Pratriarcado de Lisboa e Arciprestado de Sintra,choveu muita neve de que tudo ficou branco; e por dez noites seguintes "cahio" muita geada com tempo muito frio e seco".

 

Esta efeméride ficou conhecida como "DIA DA NEVE". Noutras ocasiôes nevou de novo em Sintra. Parece que nesta época do ano as condições meteorológicas são propícias à queda de neve por estas bandas. Oxalá voltasse a verificar-se amanhã, porque sendo dia de eleições, uma grande participação significa uma afirmação da CIDADANIA, que tal como a neve deve ser sempre um motivo de encanto e beleza.

 

 Deixamos como ilustração não uma foto porque ainda não nevou, mas um execerto  do belíssimo poema de Augusto Gil, a BALADA DA NEVE:

 

Batem leve, levemente

como quem chama por mim,

Será chuva? Será gente?

Gente não é certamente

e a chuva não bate assim.

 

É talvez a ventania,

mas há pouco, há poucochinho,

nem uma agulha bulia

na quieta melancolia

dos pinheiros do caminho...

 

Quem bate,assim,levemente,

com tão estranha leveza,

que mal se ouve,mal se sente?

Não é chuva, nem é gente,

nem é vento com certeza,

                                                                                                                                                                  

Fui ver, a neve caía.

do azul cinzento do céu

branca e leve, branca e fria...

Há quanto tempo a não via !

E que saudades, Deus meu.

 

Olho através da vidraça

Pôs tudo da cor do linho

Passa gente quando passa,

os passos imprime e traça

na brancura do caminho

( ... )

 

 

 Como não há uma sem duas, quem sabe se virá outro DIA DA NEVE idêntico ao de 1758?. Seria bonito!

 

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Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 19:19
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