Terça-feira, 15 de Setembro de 2015

Praias da Comporta - A Costa do mosquito em Portugal- O mosquito Outra vez

Confesso! não queria escrever sobre isto, no entanto, tomei conhecimento pela "net" das declarações de uma Senhora, cujo nome desconheço, que teria afirmado, qualquer coisa do género: "vou para a Comporta, para brincar aos pobrezinhos". Soube mais tarde que a Senhora se retatrou considerando infelizes as declarações e pediu desculpa: assim bem. Sobre esta região, conheço um pouco da sua história,e características intressantes e resolvi partilhar:

No decurso da minha actividade profissional, quando exercia a função de técnico de electricidade, fui responsável pela electrificação da herdade da Comporta. Coordenamos a construção e montagem dos postos de transformação da Comporta, Torre e Carvalhal, tudo sítios pertença da herdade cuja  área é de cerca 20.000 hectares. Isto foi antes de Abril de 1974, o material ido de Lisboa era transportado para a Comporta via Grândola, por uma estrada de terra batida. A actual estrada vinda de Alcacer do Sal, terminava na Carrasqueira. A de Tróia, já chegava à povoação da Comporta,  estava alcatroada, porque se haviam iniciado as obras do empreendimento da Torralta.

Nesse tempo a designação da Comporta era: "Atlantic Company", no entanto já pertencia, aos actuais proprietários. A administração, exercida por um homem notável, distinto velejador, membro da família donatária. O metodo de gestão agricola da herdade, baseava-se em preocupações sociais, avançadas para a época. Os proprietários faziam "vista grossa" à construção, no interior da herdade, de novas habitaçoes de madeira cobertas  de colmo. Só na altura da electrificação,cujos encargos foram suportados integramente,pela "The Atlantic Company" se fez o levantamento das casas existentes, para impedir o aparecimento de mais,  instalarem-se contadores,todavia opreço da energia seria suportado pela empresa, gratuito para os moradores. A entidade responsável pela distribuição da electricidade a U.E.P, união eléctrica portuguesa foi integrada na EDP, na sequência da nacionalização do sector energético.

Na aldeia da Comporta, existiam escolas, fábrica de descasque de arroz, estabelecimento comercial para abastecer moradores duma extensa zona, e também, um aérodromo. Isto serve de preâmbulo, para manifestar a nossa preplexidade, pelo facto de gente endinheirada ter resolvido construir mansões, na Comporta e arredores, uma das regiões mais doentias de Portugal, sujeita a pragas de mosquitos em qualquer altura do ano. Não é possível permanecer ao ar livre à noite sem ser picado por insectos. Nas  "Cartas Elementares de Portugal", Bernardino Barros Gomes (1839-1910) escreveu: "o mau esgoto das águas junto à costa produz os pantanos da Comporta e uma forte tendência para a cultura de arrosaes, nas poucas baixas onde alfluem as águas mantendo com ella a insalubridade local".

Em face do descrito a Comporta é sítio para brincar mas... á  caça do mosquito.Este problema da proliferação de mosquitos não só aqui, mas também noutras regiões do País deve ser encarado com grande empenho e determinação pelas autoridades sanitárias, senão voltaremos a ter paludismo em Portugal, irradicado graças ao trabalho da estação para o controle da doença, instalada na povoação de Águas de Moura, situada,a exemplo da Comporta no distrito de Setúbal. O texto acima foi publicado aqui em Agosto de 2013. Hoje a imprensa falada e escrita, informa "testes laboratoriais confirmam virus  do Nilo no Algarve, revelou a Direcção Geral de Saúde (D.G.S.)." E no Vale do Sado ? Lançamos o alerta, o assunto é sério., não tenho o habito de escrever acerca do que não sei.Deixem de tretas do "um bloguer anónimo".A estupidez essa felizmente tem nome "soberba". 

@imagem de: pigsgetfedhogsgetslaughtered.blogspot.com

sinto-me:
Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 10:50
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