Domingo, 12 de Março de 2017

TOPONÍMIA SINTRENSE - SIGNIFICADO DO NOME CACÉM

Após porfiados trabalhos finalizei a difícil tarefa,mas gratificante de esclarecer origem do topónimo CACÉM, actualmente integrado na cidade Agualva-Cacém, Município de Sintra Portugal. Até década 50 do século XX Cacém fez parte da Freguesia de Rio de Mouro, igualmente do concelho de Sintra.  Agualva pertenceu ao município de Belas,extinto em 1855.

Segundo investigações antigas Cacém significa "que divide " ou "repartidor". Partindo deste pressuposto desenvolvemos as pesquisas.O lugar do Cacém não seria de fundação coeva, porque em Janeiro de 1509, Dom Manuel I rei de Portugal, mandou publicar "carta de coutada de Lisboa, desde a porta de S.Vicente pelo caminho de Sintra, à ponte de Agualva e pela ribeira de Barcarena até ao mar, onde era proibido matar lebres e perdizes, sob certas penas".

Nesta época Cacem se existisse seria insignificante, não é citado no documento. O território desta região abundante em caça e nomeadamente de perdizes, como aconteceu até ser construido o "tagus park" junto da estrada Cacém Paço de Arcos.

Aquela determinação régia estipulava "nom CACEM perdizes nem perdigões do derradeiro dia de mayo ate primeiro dia de Agosto".

Assim definitivamente Cacém quer dizer couto onde é proibido caçar sem autorização. Couto era igualmente nome de medida antiga, equivalente ao côvado, como sabemos medida serve para repartir. Sem dúvida Cacém significa,"lato sensu" coutada, extrema, sítio onde se dividem propriedades e "jurisdições".Curiosamente está situado a igual distancia de Lisboa e, da sede do concelho,Sintra.

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Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 13:24
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Segunda-feira, 2 de Junho de 2014

Moinho da Oca

Quem viaja no comboio de Lisboa para Sintra, passada a estação ferroviária da cidade de Agualva-Cacém no cruzamento da linha, quando uma via diverge para Mira Sintra Meleças e outra para Rio de Mouro através das amplas janelas da carruagem, poderá contemplar à esquerda na margem da ribeira da jardas, antiga quinta dos frades Loios, onde dependurada num arco alongado imitando rustíco campanário, sineta singela assinala o lugar da capela. Em plano superior destacando-se no matorral da charneca a silhueta cilindrica de um moinho de vento, o moinho da oca. Acerca deste engenho Leal da Câmara escreveu em setembro de 1944, na comunicação apresentada no Congresso da Rinchoa: "moinho sem velas nem capacete e que deixara de ser, há longos anos já, o árbitro do cantar e do sibilar dos ventos para se transformar, coitado!... em simples marco geodésico indicado nas cartas do estado maior com um pontinho especial que marcava o último apoio das linhas estratégicas de Torres"

A simpliciade duma construção que mirada de passageiro atento alcança, extinta a função inicial de moer o pão passou a "talefe" ou picoto base das coordenadas para elaboração de mapas e talvez testemunha silenciosa de acontecimentos relevantes ocorridos durante a guerra peninsular. Está apresentado, futuramente será visto com outros olhos?

 

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Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 12:10
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Segunda-feira, 27 de Maio de 2013

Memórias da Rinchoa: a Quinta de Fitares

Fitares sitio actualmente integrado na localidade, designada por Rinchoa. Uma das mais populosas do Concelho de Sintra,durante séculos, foi uma importante quinta. Nos anos 80 do século XX, o proprietário transformou parte dela num loteamento, origem da urbanização, existente. Antes de ter o fim citado Fitares, topónimo derivado de Fetares, como já explicamos noutra ocasião, teve vários donos, sendo uma extensa e rica propriedade. Em 1828, o jornal Gazeta de Lisboa, inseria o seguinte anuncio: "Em o dia 3 de Setembro, se há-de proceder na Praça Pública do Depósito Geral, depois das três horas na arrematação de uma quinta denominada dos Fitares, no termo da vila de Cintra, avaliada na quantia liquida de foro, em 7.900$00 réis, e mais um casal no mesmo sítio, junto à mesma quinta avaliado em 580$00 réis, e mais um moinho de vento, alvoeiro no sítio da serra do carrajéal, avaliado em 320$00. Casas pomar e árvores de fruto de espinho e caroço, terras, matos, olivais, azenha no sítio da ribeira da jarda". Estes bens tinham ficado como resultado do falecimento de Francisco da Silva, o encarregado da arrematação era o escrivão Isidoro Xavier de Paiva Monteiro do Couto,morador na travessa da Assumpção nº8 2º andar, Lisboa.

O moinho de vento alvoeiro, significava que tinha uma mó destinada a moer sómente trigo, cuja farinha dava o pão "alvo" daí "alvoeiro". Pela localização o moinho ficaria  no grajal, ao cimo da Agualva. A casa dos senhores da propriedade, situava-se onde é o Complexo Desportivo Municipal o acesso era pelo CAMINHO DE FITARES. O casal, seria o casal da serra, sítio dos actuais reservatórios de água dos serviços municipalizados de Sintra, no alto da Rinchoa. Grosso modo a quinta incluía o espaço do bairro de Mira Sintra, edificado em terrenos que pertencem ao Estado, e ao tempo da construção administrados pelo Fundo de Fomento da Habitação, parte do grajal, todo espaço ao longo da ribeira da jarda, desde a quinta dos Lóios, à quinta grande de Meleças, e a encosta até a ribeira da lage, incluindo todos os terrenos, onde mais tarde se construiu a estação ferroviária de Rio de Mouro-Rinchoa, a Escola Leal da Câmara,etc.. uma "herdade" com centenas de hectares, desmembrada por partilhas, venda, e execuções fiscais....Enfim! Uma longa história. 

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Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 20:49
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Segunda-feira, 26 de Abril de 2010

A FEIRA DE AGUALVA NO CONCELHO DE SINTRA AUTORIZADA EM 1853

Temos acompanhado a polémica sobre a mudança do evento em título para um local diferente do que hoje ocupa. Sem querer "armar barraca" em qualquer terreiro resolvemos escrever  um pouco sobre a história da feira, para trazer para o debate elementos que talvez ajudem a reflectir sobre uma eventual decisão.

No ano de 1853 um grupo de moradores da Agualva apresentou ao Governador Civil de Civil de Lisboa uma petição do teor seguinte:

 

"Mui Exmº Snr.

 Dizem os abaixo assignados habitantes do logar d`Agualva - fregª -e concelho de Bellas que tendo-se concedido um  Mercado franco em Bellas todos os 1ºs Domingos dos mezes,para assim poderem ter mais extracção as suas fructas,e promoverem muitas transacções sobre gados não pode progredir talvez por cauza da localidade.

Vem os suplicantes exporem estas circunstâncias,e pedirem a mudança do dito  Mercado para o logar d`Agualva,persoadindo-se ser localidade mais própria para poder ter augmento, e resultar mais vantagem aos habitantes do concelho,principalmente aos lavradores portanto expressão e P.a V.Exª se lhes conceda a mudança da localidade atendendo aos motivos que alegão; e a ser no último Domingo do mez.

 

Agualva 17 de Janeiro de 1853"

 

O despacho do Governador Civil foi o de que nos termos do artº 123 do Código Administrativo de 1842 deveriam requerer à  respectiva Câmara. De facto, aquele artigo estipulava: "A Câmara delibera, sobre o estabelecimento ,supressão ou mudança de feiras e mercados"

Pelo que apuramos o pedido foi deferido.Está assim provado que o mercado da Agualva foi instituído por iniciativa dos seus moradores;faz parte do património e da tradicção da localidade devendo por isso permanecer em Agualva. A designação mais apropriada seria FEIRA  e não mercado, aliás o termo feira tem um toque mais "IN,veja-se a feira de Carcavelos ou a de S.Pedro. Mudar a Feira para a zona do Polis Cacém seria como transferir a Feira do Relógio em Lisboa para o Parque das Nações.

Para honrarmos a memória dos subscritores da petição, cujo o primeiro era Francisco José Thomas da Costa, a Feira deve continuar em Agualva e não ser deslocada para outro sítio fora da Freguesia.Deixamos cópia do Documento com o apelo de que se considere o passado dum sítio como um "bem" de natureza inalianável. Se algo está errado corriga-se, mas não se acabe com quase 160 anos duma realização que existe por vontade do POVO, e como diz a canção ELE é quem mais ordena .O bom senso e o Direito estamos certos irão prevalecer sobre quaiquer outros interesses. O concelho de Belas foi extinto em 1855 e a maioria do seu território incorporado no concelho de "Cintra" com então se escrevia. Este acontecimento não originou, como já vimos, o fim do mercado talvez porque já estaria arreigado nos hábitos dos moradores da AGUALVA. 

 

       

sinto-me:
Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 00:43
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