Segunda-feira, 7 de Abril de 2014

Moinhos de vento de água e de sangue

No rotineiro costume de comemorar o dia de... tivemos no pretérito fim de semana, e supomos igualmente hoje, chamada de atenção para os moinhos referindo os aspectos económicos culturais e paisagísticos de tais engenhos.

Os moinhos são compostos por duas mós sobrepostas, movidas pelo vento, água electricidade e força do braço humano. O primeiro denomina-se moinho de vento está conotado com as aventuras delirantes de D. Quixote de la mancha, magistral criação de D. Miguel de Cervantes. As eólicas moendas adornam o cimo de cerros e colinas onde o sopro dele é intenso. Existe exemplar deste tipo bem perto no sítio de Mira Sintra.

O moinho de água no norte e centro de Portugal onde o domínio romano foi vincado é tocado por rodízio de madeira provido de palhetas onde bate a água,conduzida por intermédio dum cano normalmente recebendo água duma levada, no sul de Portugal as mós são accionados por uma roda exterior movida pelo peso da água, aqui o moinho toma a designação de azenha. No município de Sintra existe um moinho de água na praia da samarra.

Outro modelo de moinhos de água são chamados de maré, impulsionados pela alternancia da baixa e praia-mar. Encontramos esta forma de engenhos no concelho do Seixal, margem esquerda do rio Tejo defronte a Lisboa, e Lagoa no Algarve sítio das fontes, margem esquerda do rio Arade a montante da cidade de Portimão.

O antigo moinho de "sangue"  utilizava-se no Algarve movido por braço humano daí o nome, ainda se econtra nas aldeias do Atlas magrebino, este moinho estroçoava o milho, para  alimentação permitindo confecionar, papas de milho(carolos) e "xerém".

Os moinhos motivaram lendas e provérbios cuja origem radica em tempos antigos no vocabulário quotidiano as referencias ao acto moer são frequentes: "as dificuldades do dia a dia moem-nos o coração sem descanso", moer significa também: amassar, calcar, pisar, machucar. Que tipo de moinho será este que nos mói de dor e desesperança,neste molestoso ano de 2014?

 

sinto-me:
Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 18:37
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Quarta-feira, 3 de Abril de 2013

LUGARES DE DEGREDO

As ordenações régias e posteriormente o código penal, previam uma punição: a pena de degredo que consistia na obrigação de passar um determinado período de tempo, em locais para tal escolhidos nas possessões de além-mar (Brasil  e África), ou no interior de Portugal. O sitio mais usado desde o século XV, foi Castro Marim, situado no Algarve onde passaram muitos dos condenados pelo tribunal da inquisição e tribunais comuns.

No século XIX, depois da independência do Brasil fora do reino o degredo na maioria dos casos era para Angola. No interior, Castro Marim continuava  "couto" preferido.Todavia El-Rei D.Miguel, por decreto de três de Outubro de 1831, promulgado no Palácio de Queluz ordenou:

"...Tendo melhorado muito a Villa de Castro Marim, os juízes quasi já não condemnão Réos alguns em Degredos para alli, mas são mandados para fóra do Reino muitos, que bem podião expiar as suas culpas em Degredos dentro delle, se houvessem designados Lugares para isso aproriados, resultando daqui o inconveniente, de que,augmentando-se o numero de Degredados para o Ultramar, se faz mais difícil a sua remessa aos Lugares, para onde são destinados; E querendo Eu a isso obviar: sou servido que dora em diante, em lugar da Villa de Castro Marim, os Juízes condemnem a Degredos para a cidade de Miranda na Província de Trás-os-Montes, e para a Villa de Sagres, no Reino do Algarve".

Este documento, assinado em Queluz, tem informação relevante, permitindo constatar que na escolha dos lugares de degredo, no interior do País, um dos critérios era  tratar-se dum sítio, onde faltava quase tudo para tornar mais penosa a permanência dos condenados. Assim, Miranda do Douro e Sagres seriam nos anos de oitocentos, localidades, carenciadas de gente e haveres.


sinto-me:
Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 20:01
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Quarta-feira, 16 de Dezembro de 2009

UMA ÁRVORE QUE PODEMOS OBSERVAR COMPLETA...

Quando deparamos com uma árvore que nos chama atenção, os aspectos que valorizamos são os visíveis acima do solo: caule ramagens e a amplitude da copa. Se a planta é um exemplar notável, imaginamos como deve ter raízes profundas. Normalmente a raiz duma árvore está mergulhada no solo, e o quanto mais antiga mais fundas devem estar não só para reforço da sua seiva, mas também para a segurarem com firmeza contra a força dos elementos naturais. A raiz duma planta faz parte do seu lado oculto, todavia a natureza parece não ter limite para nos surpreender. Vejamos o caso dum pinheiro manso  plantado em terreno, sujeito uma incidência inclemente dos raios solares, que queimam o solo, daí o seu tom avermelhado porque vegeta num recôndito local do Algarve onde a chuva escasseia, as raízes desenvolveram-se em contacto com o ar livre, para absorverem qualquer réstia de frescura nem que seja do simples orvalho.

 

A planta adaptou-se as dificuldades climáticas e as suas ramadas cresceram para o lado, deste modo, com a sua sombra protegem as raízes, estas parecem uma grossa corda enrolada, consequência da secura  que têm suportado. A casca do pinheiro devido as razões apontadas é também mais espessa do que habitual.

Pela sua implantação sobre um talude bem acima do solo, o seu aspecto incomum permitindo observar ao mesmo tempo a copa o tronco e as raízes este pinheiro manso é uma "escultura" viva, felizmente, escapando há muitos anos á destruição. Oxalá se mantenha assim e possa morrer de pé como é próprio de todas as árvores...

    

sinto-me:
Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 21:40
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Sexta-feira, 7 de Dezembro de 2007

AS VINHAS DO ALGARVE NO OUTONO

Quem diria…

A ocidente as novidades não cessam de nos surpreender…

 

O senso comum associa certas imagens a um determinado contexto geográfico. Em Portugal, se pensarmos no Outono e nos vinhedos, o pensamento dirige-se para o Douro, Bairrada e Alentejo, onde se encontram, a maioria das vinhas do país. É uma apreciação redutora das cores do Outono matizado pelas folhas das videiras.

No Algarve, que significa “Ocidente" em Árabe, porque era o oeste do Andaluz medieval, o Outono também origina paisagens de grande beleza, onde as parras vão mudando de cor e enfraquecendo até que os ventos fortes do Inverno as lancem ao chão.

O Algarve é uma região adequada à produção do vinho, infelizmente, durante séculos as suas vinhas foram perecendo até que em meados do século XX com a constituição de adegas cooperativas, se iniciou um lento mas consolidado processo de recuperação dos vinhos algarvios.

Nos nossos dias, as áreas de Lagos, Portimão, Guia e sobretudo em Lagoa, é possível encontrar explorações agrícolas que laboram vinhos de qualidade. Uma das melhores vinhas do Algarve propriedade de um conhecido cantor pop inglês está plantada, na freguesia da Guia, concelho de Albufeira produzindo os vinhos para a adega do cantor.

É uma vinha com dezenas de hectares disposta numa colina, virada ao oceano, além de bom vinho oferece-nos um quadro outonal que muitos não imaginam possível no Algarve.

Sob o luminoso e azul céu algarvio o Outono é também uma estação esplendorosa.

Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 23:12
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