Quarta-feira, 19 de Janeiro de 2011

A "VELHINHA" AZENHA DE FITARES

A água da ribeira das Jardas acerca  da qual escrevemos alguns "posts" anteriormente, fazia mover várias azenhas construídas em diversos locais das suas margens. Como se sabe as pedras de moer das azenhas eram accionadas por uma grande roda exterior à casa  da moagem. Essa roda normalmente de madeira girava por força da água que caía de determinada altura sobre as pás. Para formar essa queda construíam-se represas e canais.

Hoje irei falar sobre a Azenha de Fitares. Onde ficava? A procura duma resposta a esta pergunta permitiu que fizessemos uma descoberta: a Ponte Medieval da Rinchoa além de possibilitar a passagem era utilizada como represa através da colocação de comportas, suportadas por ranhuras feitas nas paredes laterais da ponte como se pode verificar observando com atenção o local. Deste modo obtinha-se o caudal necessário ao funcionamento do moinho.

A azenha situava-se um pouco abaixo onde termina o Caminho de Fitares, que desce da Rinchoa e ladeia o edifício do Complexo de Piscinas da Câmara Municipal de Sintra. Os documentos que encontrámos indicam que em Abril de 1705, residiam na Azenha de Fitares, João Gomes e sua mulher Ana Francisca. A queda de água que podemos ver na foto é um testemunho das  obras  executadas para a construção da "moenda".

Quem passar no local, depois de ler este apontamento, por certo, vai achá-lo ainda mais encantador. Esta nossa terra tem muito para descobrir...      

 

 

sinto-me:
Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 10:21
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Domingo, 11 de Janeiro de 2009

O CAMINHO PARA AZENHA DA RIBEIRA DA LAGE

O carácter rural que durante séculos caracterizou as cercanias de Lisboa, deixou na toponímia marcas irrefutáveis. A pouco mais de 15 km do centro da capital, é possível encontrar sítios com relação directa a tarefas decorrentes da actividade agricola. No concelho de Sintra, junto a antiga estrada nacional, um pouco adiante da conhecida curva da CASA DOS VASOS, encontramos a direita um caminho com a designação SERVENTIA DA AZENHA.

Esta via permitia o acesso a uma das várias AZENHAS movidas pelas águas da Ribeira da Lage. Este engenho tinha uma mó, e a água motora da roda da azenha era conduzida através duma levada, construída ao longo da ribeira desde uma represa existente na Quinta da Presa (ou represa), situada no caminho entre RIO DE MOURO e as MERCÊS. É uma distância considerável, por isso a queda proporcionava uma força motriz, suficiente para movimentar a AZENHA mesmo com caudais reduzidos.

Como o trigo abundava na região a AZENHA deveria ser muito utilizada.

Ainda hoje  observando o carreiro não é difícil imaginar o moleiro tocando o burro carregando os sacos de "pão" para moer... 

É curioso notar que o termo Azenha é mais utilizado na zona sul de Portugal, no norte normalmente emprega-se o vocábulo MOÍNHO, como demonstrou o ilustre Professor L.CINTRA. Mais um motivo de interesse, porque deste modo estamos num local de transição entre o NORTE e o SUL de PORTUGAL. OUTRA singularidade deste, OCIDENTE. 

sinto-me:
Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 00:40
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Quinta-feira, 27 de Março de 2008

A ORIGEM DO NOME QUELUZ - UM NOVO SIGNIFICADO

Queluz...

...é uma cidade do concelho de Sintra, que engloba as freguesias de Queluz, Massamá e Monte Abraão, foi elevada  à categoria de cidade nos anos noventa do século XX.

No preambulo do documento que lhe dá aquela distinção, são feitas algumas referências às possíveis origens do nome de Queluz; e afirma-se o que é conhecido, Queluz, segundo David Lopes e José Pedro Machado resulta da junção dos vocabulos arabes câ-vale, e Llûa-amendoeira, daí Queluz seria " O Vale das Amendoeiras".

É também referida a possibilidade de que Queluz derivaria, de montanha da luz -hoje Monte Abraão, hipotético lugar de adoração ao sol.

São conjecturas com um cunho erudito, fantasiosas demais, para serem facilmente aceites, deste modo, tem se gerado controversia sobre isso.

A toponimia,e a microtoponimia, exigem um estudo apurado de cada local, para se evitarem generalizações, e afirmações lendárias, porque a resposta está no terreno, e cada sitio é um caso...  

"Vale da Amendoeira" é um nome, bonito sem dúvida, mas, se fosse verosímel esta hipotese, deveria existir, amendoal, almendroal, amêndoa... próximo do vale, e não se verificando, é dificil de entender.

 

 

As outras possibilidades, de luz e relação com o culto solar, são demasiado abrangentes, porque existem, muitos locais onde isso se verificava, e o toponimo do sítio, não está relacionado. É dificil de provar, pode ser que tenha sido, mas é outra lenda.

É possível que, a origem do nome, seja mais prosaica, e entendível, se for tido em conta, o meio envolvente, onde Queluz se situava.

Queluz, foi sempre um local, de grande beleza, e ameno clima. Exercendo algum fascinio, sobre os nobres da Corte, que nela foram edificando as suas quintas ao longo dos séculos.

Na Quinta confiscada ao Marquês de Castelo Rodrigo, foi construído o Palácio Real de Queluz, onde D. Maria e sobretudo D. João VI, gostavam de permanecer. D. João, Regente do Reino, adorava Queluz, e tinha decidido elevar a aldeia a vila, com o nome de "Vila Nova do Principe da Beira", o que não se concretizou, por causa das invasões francesas, e consequente retirada da Familia Real para o Brasil.

No Palácio de Queluz nasceu D. Pedro que foi Imperador do Brasil e Rei de Portugal, curiosamente morreu no quarto onde nasceu...

Queluz ficava como hoje, no caminho de Lisboa para Sintra, cujo trajecto era das Portas de Benfica, Amadora, Queluz, Agualva, Rio de Mouro e Ramalhão.

Antes de se alcançar Queluz, durante séculos, ficava um local insalubre e miseravel, "Porcalhota", que era uma espécie de "burrieira" isto é local de paragem dos burros, que transportavam cargas para a capital. Porcalhota era de facto uma terra, objecto de todas as "chacotas", de aspecto sujo e paupérrimo.

Como contrapartida a isto, passada a Porcalhota, deparava-se ao caminhante um sítio limpo e arejado, cheio de cor, atravessado por uma ribeira de águas cristalinas (o jamor), bordejada de hortas e azenhas e, as encostas das margens cobertas de sobreiros e carvalhos de que resta a pequena amostra da "matinha ", casas e quintas  solarengas, enfim um local onde tudo luzía, daí dizer-se que era ali  "que luz", isto é, se distinguia, que fazia muita vista, vistoso, de grande importância,  por contraponto à "Porcalhota", nasceu o sítio que luzía...QUELUZ.

Esta deve ser a origem deste topónimo único na nossa Toponimia. E passados séculos se transformou na progressiva urbe de Queluz. 

 

Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 23:34
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