Quarta-feira, 5 de Agosto de 2015

SINGELO CRUZEIRO CENTENÁRIO "ESQUECIDO" NA BERMA DO CAMINHO

Um dia não muito distante, larguei o carro, e decidi calcorrear a pé o caminho de Almornos e Almargem do Bispo, localidades situadas no extremo norte do Município de Sintra, na área Metropolitana de Lisboa, em Portugal.

Era um final de tarde soalheiro e calmo com temperatura agradável propicia á marcha, a paisagem do sítio de cariz campestre, bordeando o caminho renques de sobreiros, vestígios da vegetação outrora dominante, que  sucessivas arroteias necessárias a preparação de terras para cultivo ou pastagem, reduziram drasticamente.

A meio do percurso, deparamos na berma da estrada uma pedra trabalhada tendo na face virada para a faixa de rodagem, esculpida uma singela cruz. Curiosamente preservada, apesar de estar depositada sobre o chão não foi removida ou furtada do local. Será certamente uma pedra de "peso".

P7073409.JPG

Humilde e centenário Cruzeiro perpetuando facto digno ser recordado, ocorrido naquela "solidão". A pedra ostenta gravada a efeméride 8/9/1905, e apela a um P. A. (pai nosso e avé maria) por intenção de alguém que neste ermo terá entregue a alma ao Criador. Os danos causados por accão das intempéries, o "cotão" que cobre o bloco não deixam ver claramente  a inscrição.

Talvez as autoridades autárquicas, responsáveis pelo o conjunto das Freguesias de Almargem do Bispo, Montelavar e Pero Pinheiro, decidam mandar restaurar esta "memória". Essa operação, tornando-a mais visivel, facilmente despertaria  a  atenção de quem passa. A importância dos monumentos não se mede aos "palmos". Enquanto a situação nao se alterar a "companhia" quotidiana será o sobreiro plantado  no outro lado da estrada, que "mitiga " o olvido.

P7073414.JPG

 

Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 15:37
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Segunda-feira, 28 de Dezembro de 2009

O CRUZEIRO DE RIO DE MOURO, JUNTO A ANTIGA ESTRADA PARA SINTRA

 

No sítio do Alto do Forte, num do lados da rotunda  existe um Cruzeiro que passa despercebido aos apressados condutores que ali  circulam. Segundo o Dicionário Houassis da Língua Portuguesa: "Cruzeiro é um substantivo masculino que designa uma grande cruz erguida  em certos adros de igrejas, estradas, praças (...)."

Estamos perante um exemplar, cuja colocação neste local teve como causa um episódio curioso. Esteves Pereira (1913) relata-o desta forma: "Á beira da estrada antiga de Lisboa a Cintra e ao lado dela vê-se o cruzeiro de Rio de Moiro (sic). Composto de base rectangular de 1m de altura, 2 degraus de uns 15 cm e uma cruz de 2m de alto de haste e braços cilíndricos com uma espécie de grinalda, colocada diagonalmente no ponto do cruzamento dos braços. É de pedra lioz lavrada sarabulhenta tendo apenas a frente da base lisa e na qual se lê em letra variada:

 

Aqui Chamou Deus D esta Vida Huma Boa

Mãe! Orae Pela Sua Alma. Em Saudosa

Memória Erigiram Seus Filhos Esta Cruz.

 

O mesmo autor refere que, a senhora  ia de Lisboa para Sintra de sege e morreu de repente deixando os filhos em grande consternação, por ser então aquele sítio um perfeito ermo. O cruzeiro deve ter sido colocado em meados do século XIX.

No ano de 1977, durante trabalhos realizados no local uma máquina escavadora com o braço, partiu um dos lados da Cruz  que por algum tempo ficou amputada. O presidente da Junta de Freguesia ao tempo, o Sr. Clemente Freire, mandou reparar o cruzeiro dando satisfação um pedido que então fizemos.

A antiga estrada de Lisboa a Sintra foi atribuído o nome de Rua Elias Garcia, em homenagem a José Elias Garcia, que faleceu em 1891 deputado Republicano durante a monarquia, vereador da Câmara de Lisboa e Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano da Maçonaria Portuguesa. A rua Elias Garcia é mais extensa de Portugal, pois vai das Portas de Benfica em Lisboa até Sintra.

O cruzeiro de Rio de Mouro devia ter uma envolvente mais de acordo com a sua  singularidade. As árvores que o adornam: Palmeiras, não seriam as mais apropriadas. Como os últimos temporais derrubaram um arbusto ornamental que estava perto do monumento, porque não substituí-lo por um cipreste com algum porte? O cipreste simbolizava a imortalidade, como está sempre verde oferece um aspecto idêntico em qualquer estação do ano. Para que o Cruzeiro não passe despercebido de noite deveria ter iluminação adequada.

Oxalá estas sugestões tenham eco...  

sinto-me:
Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 21:48
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Segunda-feira, 18 de Fevereiro de 2008

O CULTO A NOSSA SENHORA PELA MOCIDADE PORTUGUESA FEMININA

A Mocidade Portuguesa Feminina era uma organização instituída na vigência do regime salazarista do chamado "Estado Novo" (1926-1974).O seu objectivo era educar as jovens das classes dirigentes para serem boas donas de casa, esposas carinhosas e católicas devotas   amigas dos pobrezinhos.

A M.P.F. para realizar os seus fins, assumia-se como sendo para jovens "nacionalistas" e da classe dirigente. Promovia diversas acções uma das quais era a edificação de "nichos"  com a imagem de Nossa Senhora normalmente colocados no cruzamentos dos caminhos  como eram antigamente as "alminhas e cruzeiros" a M.P.F. cultivava um tradicionalismo de índole  ruralista presente em toda a ideologia do regime. As filiadas da Mocidade consideravam-se donzelas de  Nossa Senhora

 

Com  o golpe de estado de 25 de Abril de 1974 a Mocidade foi   extinta e muitos dos "nichos" foram destruídos, praticando-se um verdadeiro atentado contra um facto da nossa história recente, que deveria ser preservado para conhecimento dos vindouros sem preconceitos... Das muitas centenas que existiam por todo o País o que se encontra na Rinchoa no final da Avenida dos Carvalhos no cruzamento da Rua das Casuarinas é dos poucos existentes. Merece ser conservado como testemunho dum tempo que marcou o quotidiano de milhares de portugueses  do qual sem paixões devemos cada vez  mais conhecer os factos. É de realçar o cunho tradicional e elitista  da citação em latim. 

O estudo da M.P.F e a sua influencia  na educação das "meninas e moças"  do Portugal da ditadura foi objecto dum magnifico trabalho da Doutora Irene Flunser Pimentel  galardoada com o Prémio Pessoa de 2007.

 

Mais um dos motivos de interesse de Sintra e da Rinchoa.

                                                                                                                          

Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 13:27
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