Domingo, 30 de Setembro de 2012

O QUARTEL DA VILA DE BELAS

O aboletamento,era uma acção que obrigava a alojar em casas particulares os militares, nas povoações onde não existissem instalações para o efeito, porque Belas fica situada num importante entroncamento de estradas, por onde transitavam amiúde contingentes de soldados, era frequente pernoitarem na Vila pelo que os habitantes eram chamados ao dever de os aboletar, o que causava incómodos de toda a espécie.

Quando foi extinto o concelho de Belas em 1855, a Câmara municipal de Sintra, para desonerar os habitantes daquele encargo, deliberou mandar disponibilizar instalações para o efeito. No entanto por falta de manutenção, em 1880 fazia-se eco;

"a casa que serve de quartel para a tropa que transita por Bellas, se acha em péssimo estado, e que estão também inteiramente arruinados os utensílios e as enxergas que por conta da câmara de Cintra ali foram colocados". As câmaras municipais não tinham obrigação de preparar aquartelamentos para as tropas em transito. Por isso: "Como o quartel que a câmara de Cintra estabeleceu em Bellas não tem as condições necessárias para o aquartelamento da tropa há de esta ser aboletada". Uma medida correcta que talvez por falta de meios acabou ingloriamente. Os recursos financeiros dos municípios foram sempre parcos. O municipalismo português teve sempre muitas competências,e pouco dinheiro para as exercer.Mais uma prova de que os governos do tempo actual não inovaram muito porque seguem os "tiques" do liberalismo do século XIX.

Não sabemos se a Câmara Municipal tomou alguma medida. O quartel estava situado no largo central de Belas onde hoje está o edifício da Junta de Freguesia. Pelo marco quilométrico da foto verificamos que Belas ficava, sensivelmente a idêntica distancia de Lisboa, Mafra, dizemos nós, também de Sintra.

 

 

 

 

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Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 15:40
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Domingo, 26 de Agosto de 2012

"Ó VIVA DA COSTA" - PREGÃO DAS SARDINHEIRAS

Poderíamos começar este apontamento, como se fosse uma antiga crónica: neste ano da graça de 2012, de acordo com os dados do organismo responsável pelo acompanhamento da situação meteorológica, grande parte do território de Portugal, encontra-se em situação de seca severa. Não admira a maioria dos Portugueses já se tinha apercebido que devido à incompetência e inépcia das apelidadas "elites" dirigentes, estamos como se diz na gíria "NUMA SECA". Vai daí e para amenizar o entorno resolvemos escrever sobre um facto do passado da nossa região quase inédito: a importância piscatória do litoral de Sintra.

Quando 2007 iniciamos este nosso diálogo com os  leitores, deparamos com comentários, um pouco entre o jocoso e o condescendente, augurando falta de interesse de eventuais visitantes e  depressa iríamos "desaparecer", no entanto, tal não sucedeu este "sítio", vai acrescentando factos menos conhecidos sobre a ponta mais ocidental da Europa,que esperamos sejam do agrado,de quem nos lê. 

Além da reconhecida aptidão agrícola do solo,a região de Sintra, em finais do século XIX princípios do XX, albergava nas águas do Oceano Atlântico que banha a sua costa, abundantes cardumes de espécies piscatórias, nomeadamente sardinhas. A pesca fazia-se instalando armações, com copo "à valenciana". Este método constava de um aparelho fixo formado por um conjunto de redes, cabos  ferros e embarcações de uso  do mesmo aparelho. As armações começavam a faina em 20 de Abril, o levantamento efectuava-se até 30 de Setembro. A colocação destes aparelhos era feita a 4000 metros de terra, em águas de profundidade até 15 braças, cerca de 30 metros, deviam dispor de sinalização adequada, em dias de nevoeiro à sinalética habitual deveria acrescentar-se a sonora através de buzina, de noite era obrigatória a utilização  de luminárias, tudo para impedir o abalroamento por embarcações.

Na região de Sintra/Cascais existiam,em1904, duas armações, cujas distâncias angulares em terra,necessárias á sua localização, eram para a primeira: Farol da Roca à Peninha, Peninha à Bateria Alta, Peninha à Bateria do Guincho, enfiada da igreja da Areia á Peninha, um pouco á direita do grupo de casas da Figueira do Guincho. A descrição corresponde á zona do Cabo Raso ao Cabo da Roca.Estava concessionada á sociedade Galambas & Pessoa. A segunda tinha como pontos de referência em terra S. Julião. O Cabo da Roca, e enfiamento com o Palácio da Pena. Ou seja,entre o Cabo da Roca, Foz do Lizandro;propriedade da Companhia de Pescaria Ericeirense.

A pesca era abundante; os fortes das Azenhas do Mar e do Magoito, funcionavam como entrepostos fiscais da actividade (lotas). Os pesqueiros estavam próximos dos consumidores quando as"varinas" poisavam as canastras para a venda, a sardinha apresentava o aspecto reluzente da pesca recente, o pregão das vendedeiras na região da grande Lisboa foi durante décadas "SARDINHA Ó VIVA DA COSTA". Na verdade, era mesmo capturada na costa. Em pouco mais de cem anos a sardinha quase desapareceu do nosso mar. Ainda no recente período dos Santos Populares, atingiu preços proibitivos. Um peixe que os nossos trisavôs practicamente, apanhavam à mão nas praias entre o Guincho e a Ericeira. Alguma coisa se passou aqui, dá que pensar... No entanto, em questão de novidades, tivemos uma boa pescaria!? Oxalá.

 

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Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 20:01
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Domingo, 18 de Abril de 2010

O RURAL E O URBANO...

Hoje é o dia que se convencionou para: "DIA INTERNACIONAL DOS MONUMENTOS E SÍTIOS".

Este ano com especial atenção ao património rural e Paisagens Culturais, deixando um pouco de lado estas últimas, e como em Portugal quando se refere o âmbito rural , se pensa  nos recônditos lugares do interior do território Pátrio, ocorreu-nos apontar um caso em que o rural e o urbano coexistem confirmando que em Portugal devido as extraordinárias migrações dos anos 60 do século passado, os que transitaram do campo para a cidade não romperam definitivamente a ligação afectiva e cultural com as terras de onde vieram. Deste modo é possível encontrar em zonas densamente urbanizadas, "sítios com genuíno património rural". Está neste caso um moinho de vento, recuperado pela autarquia local da Freguesia de Mira-Sintra no concelho do mesmo nome. Além de ser um elemento valorizador da paisagem tem também uma função cultural, pois permite observar como o moleiro utilizava o engenho para produzir a farinha moendo o grão. Já agora tentando "levar a água ao moinho" deixamos aqui uma sugestão e uma pergunta: A Câmara Municipal de Sintra não poderia promover a recuperação de alguns dos moinhos de vento que existem ao longo da estrada Sintra Ericeira? Seria assim possível criar uma atracção turística a que poderíamos chamar "ROTA DOS MOINHOS DO OCIDENTE"...

Por hoje deixamos a imagem dum moínho que  representa um caso exemplar de recuperação de património rural em meio urbano. 

 

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Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 23:57
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