Quinta-feira, 8 de Setembro de 2016

"ANTIGAMENTE HAVIA MAIS RESPEITO PELAS COISAS E PESSOAS"

O titulo é idêntico a frase que inúmeras ocasiões ouvimos, quando alguém se refere a algo que causa estranheza e repulsa. Pretende-se afirmar os tempos hoje são menos propícios ao cumprimento da lei, regras da civilidade e convivência, há menos respeito pela propriedade etc.

Antigamente é que era bom.

São afirmações empíricas, não "resistem" a estudo ainda que pouco aprofundado da história. Quem investiga e segue metodologia adequada, deve fugir das "evidências", são sempre enganadoras.

Na segunda década do século XX, Mário Azevedo Gomes, insigne democrata republicano, professor catedrático no Instituto Superior de Agronomia,situado na tapada da Ajuda em Lisboa, grande estudioso da arboricultura horticula e silvicula, admirador de Sintra, nomeadamente do Parque da Pena, acerca do qual deu estampa monografia relevante, igualmente publicou em 1916 pequeno livro, incluído na colecção "os livros do povo" destinado a difundir conhecimentos úteis sobre várias temáticas no seio das classes populares.

Esse livrinho, intitulado "A UTILIDADE DAS ÁRVORES", contem na introdução relato de um episódio que o Professor Azevedo Gomes, presenciou na Freguesia de Colares, Concelho de Sintra, escreveu o "mestre": "Eu estava aqui há uns anos, no verão, em Colares-que é uma pequena povoação perto de Lisboa afamada pelo vinho e pela boa fruta, especialmente pecegos, que a região produz-quando ali foram um dia muitos indivíduos da capital, empregados do comércio creio eu, e talvez operários, para se divertirem; pois essa gente que por viver em Lisboa devia ser mais educada e respeitadora, não teve dúvida em andar lá por aqueles pomares, que quase não tem defesa, apanhando fruta aqui e além, como se ela lhe pertencesse; e, se já isto é um mal que todos percebem, ainda se fez pior: que foi, com a pressa de colher os frutos, partir ramos inteiros e esgarrar árvores novas, e portanto fracas, em termos de se estragar fruta naquele ano e de se colher menos, também, no futuro."

Elucidativo texto não necessita comentários. A nós quase todos os anos "apanham " cerejas produzidas por árvores que plantei na minha terra natal. Quem procede assim não são pessoas, é gente, a populaça só acata algo quando sente repressão. Ouvimos "eu tenho os meus direitos",é verdade e deveres ?  Essa gente danifica  jardins públicos, parques infantis, deixam os dejectos do cão no passeio e relvados, não colocam os sacos do lixos nos contentores, grafitam paredes de prédios acabados de pintar , sabe Deus com que sacrificio dos proprietários. etc... 

Afinal sempre foi apanágio  da gentalha, não respeitar nada e ninguém, só existe um caminho vigiar punir e educar.Não se diga no meu tempo era melhor ,porque... era mesma coisa, ou pior que actualmente, a natureza humana sem o afago da civilização é rude tosca propensa á rapina...

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Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 18:31
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Terça-feira, 10 de Maio de 2016

SONETO A SUA MAJESTADE O REI DE PORTUGAL DOM JOSÉ PRIMEIRO

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Na celebração festiva quando foi colocada na Praça do Comércio em Lisboa  estátua equestre de D.José I. Domingos Maximiniano Torres, poeta talentoso e consagrado, natural de Rio de Mouro termo da vila de Sintra, escreveu a propósito, um SONETO:

 

O Soberbo Padrão esclarecido

Que a vós , sublime Rei, gratos erguemos

É sombra escassa do que n`alma temos

aos vossos benefícios erigido.

 

Não de mármore ou bronze construído

Mas das Reais virtudes, que em vós vemos

Coração justo, e amante sem extremos,

Por ódio, ou por afecto não torcido.

 

Cresce assim mais vossa memória

semeada por nós no Mundo inteiro

servindo-nos de honrosa e eterna História.

 

E ainda no futuro derradeiro

lembrará com inveja , e nossa glória 

o Pai da Pátria O GRÃO JOSÉ PRIMEIRO.

 

Belíssimo poema, autoria do Bacharel Domingos Maximiniano Torres: "Á inauguração da Estatua Equestre do Fidelíssimo Monarca D. José I - o Magnânimo Nosso Senhor, no dia 6 de Junho de 1775  "certamente agradou a sua Majestade, pouco depois o "vate" seria nomeado funcionário da Alfandega de Lisboa.

Rio de Mouro, sítio de Tradição Pombalina, Maio, ano de Nosso Senhor Jesus Cristo de 2016.

 

Júlio Cortez Fernandes

                                                     

                                              

 

                                              

 

                                                 

                                                

                                               

                                                     

Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 12:00
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Quarta-feira, 27 de Janeiro de 2016

Património Local Recuperado: "Pedra de distância"

A antiga estrada real Lisboa a Sintra iniciava-se onde hoje é a Praça de Espanha bem no centro da capital portuguesa; prolongava-se pela estrada de Benfica até às Portas daquele nome, cruzava:  Amadora, Queluz, Tascoa, Casal de Massamá. Transposto o sitio onde mais tarde seria a passagem de nível do Papel na linha ferroviária do oeste chegava ao alto do Cacém, Ranholas, Chão de Meninos e finalmente Sintra.

Devido ao grande desenvolvimento da Fábrica de estamparia de Filipe José da luz foi bifurcada e um dos "tramos" passou a servir o aglomerado populacional de Rio de Mouro. Na berma da estrada foi colocado, encastrado na parede de uma das quinta que ladeia a via, marco quilométrico indicando  até Lisboa a distância de 20 quilómetros.

A memória rodoviária, elemento do património identitário do local permaneceu esquecida, sujeita a  desaparecer por vandalismo ou acidente de tráfego. Diversas ocasiões nas Assembleias que participava, Municipal de Sintra e Freguesia de Rio de Mouro chamei à atenção para a situação. Ninguém fez nada para "salvar" o marco quilométrico.

Um dia destes tive uma epifania desloquei-me a "Rio de Mouro Velho", constatei que o marco havia sido cuidadosamente retirado da perigosa "estância" onde se encontrava e colocado dignamente no centro da "urbe" perto da Igreja Matriz de Nossa Senhora de Belém,  fronteiro à Sociedade Recreativa. Entregue a cuidada da recuperação pelas mãos de hábil artífice formado na Escola de Recuperação do Património de Sintra, situada junto ao Museu Municipal de Arqueologia em Odrinhas. Concluído o trabalho a peça  será elemento enriquecedor do património local.

Acção meritória do actual executivo da Junta de Freguesia de Rio de Mouro, principalmente do Presidente Bruno Parreira, natural de Rio de Mouro paladino da defesa das tradições e história do território sob tutela da autarquia. No final de ano dealbar de 2016, acontecimentos como este contribuem para  ter esperança em dias menos tristes, enquanto existirem pessoas a respeitar e preservar legados do passado, por mais simples, poderemos aspirar a futuro onde a cidadania permita quotidiano fraterno  e solidário.

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Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 11:18
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Segunda-feira, 18 de Janeiro de 2016

ALTIVA PALMEIRA DA RINCHOA QUE RESISTE A VENTOS E PRAGAS

A palmeira  árvore de ramagem sempre verde simboliza a vitória e ascensão, e  crença na imortalidade.

Na Rinchoa freguesia de Rio de Mouro no antiquadíssimo termo da vila de Sintra, área metropolitana de Lisboa, deparamos um dia destes com uma palmeira da variedade "washingtonia fifiesa".A árvore deve ser quase secular, cresce no interior da quinta,  denominada "quinta do Mota", um pouco acima da outrora apelidada "cova da onça". Era difícil reparar na imponente palmeira até os últimos temporais, provocarem  derrube de um muro de suporte da casa da quinta. A protecção civil municipal , por motivo de segurança efectuou a demolição do prédio, bastante degradado.Assim a altiva palmeira ficou mais visível e despertou a minha atenção. Apurei que a árvore já existia quando  o grande ciclone de 1941  devastou Portugal.

Talvez a palmeira de caule mais elevado que podemos encontrar no Município de Sintra, não temos a certeza, sem dúvida  uma bela árvore que resistiu a ventos e pragas ; outro motivo para considerar a Rinchoa, sítio singular. Graças a benignidade do clima e  fertilidade da terra onde está plantada atingiu porte magnifico. Comparando com o poste de  iluminação da Calçada da Rinchoa , e visível na foto, a altura da "altiva palmeira" será cerca de 20 metros , máxima que esta espécie alcança.

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Sábado, 21 de Novembro de 2015

Visconde de Massamá

O título não deve ser entendido como verrinada, nada disso, é indício que no âmbito de "serviço público" que pretendemos prestar com os conteúdos deste espaço, partilhamos o que investigamos e descobrimos, assim vamos publicar novos elementos acerca do personagem que em vida ostentou aquele titulo nobiliárquico.

Massamá, populoso "bairro" do município de Sintra, e muito conhecido em todo o Portugal, durante séculos foi território de extensas e produtivas propriedades pertencentes a conventos, burgueses e nobres, alguns da vetusta classe e da novíssima elite "criada" após triunfo da revolução liberal portuguesa de 1820. Quem era o Visconde de Massamá?

Nuno José Severo Ribeiro de Carvalho, teve como progenitores, Pedro Ribeiro de Carvalho, e Vitória Margarida, neto paterno de Luís Ribeiro de Carvalho e Dona Maria Rita, materno Francisco Mendes Pena e Roza Maria, nasceu na freguesia da Ajuda, concelho de Belém, sendo baptizado, na igreja paroquial em 26 de Junho de 1824, foram padrinhos o Marquês de Loulé D. Nuno José Severo de Mendonça Rolim Moura Barreto e Nossa Senhora do Cabo. Curiosamente o padrinho atribuiu ao baptizando o  próprio nome de baptismo, o Marquês, depois  Duque de Loulé  detentor de avultadíssima fortuna, protegeria o afilhado  toda a vida.O pai de Nuno Carvalho  trabalhava no paço por isso acompanhou a família real para o Brasil, casou em idade serôdia com Dona Vitória muito mais nova, no dia 2 de Setembro de 1823, o casal teve um único filho.

Nuno Severo concluiu o curso de medicina na Escola Médica de Lisboa. Ingressou na função pública, pertenceu ao quadro de pessoal do Hospital de São José, atingiu o cargo de cirurgião chefe. Desenvolveu trabalho político sendo aderente do partido político liderado pelo padrinho, o qual como é sabido, exerceu vários cargos ministeriais, foi primeiro  ministro,  presidente do ministério, designação do cargo na época. O Duque de Loulé presidia ao ministério quando se construiu a cargo das obras públicas do reino, o chafariz  de Massamá (1863), água que ainda hoje corre nas bicas, nascia numa propriedade do futuro Visconde que graciosamente permitiu a captação.

Vereador da Câmara Municipal de Lisboa, teve responsabilidade do pelouro dos cemitérios e arborização das ruas, contribuiu para a  consolidação do cemitério ocidental de Lisboa (alto de s.joão), mandou plantar os primeiros jacarandás em algumas artérias da capital portuguesa. Eleito deputado teve acção parlamentar relevante.

Estas actividades e amizade do padrinho permitiram constituir apreciável património, no qual se incluíam extensas propriedades em Massamá e Carenque. Casou duas vezes não teve descendência. O titulo de Visconde de Massamá, concedido a D. Nuno Severo José Ribeiro de Carvalho, pelo Rei Dom Luís por decreto de 29 de Janeiro de 1885. Faleceu em 28 de Outubro de 1885, às nove horas da noite numa quinta situada no lugar da Buligueira freguesia de Dois Portos, Concelho de Torres Vedras. Residia habitualmente na freguesia de São José, concelho de Lisboa. O caixão seria depositado em jazigo próprio no cemitério ocidental de Lisboa.

Ironia do destino o titulo de Visconde de Massamá, durou menos de um ano, com a morte de D. Nuno José Severo Ribeiro de Carvalho, extinguiu-se. Esclarecemos este apelido Ribeiro de Carvalho não está relacionado com outro semelhante relativo ao ilustre republicano que viveu no Cacém igualmente concelho de Sintra.

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Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 16:29
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Sexta-feira, 10 de Abril de 2015

SÍTIO DE CARÁCTER SAGRADO

Há locais que pela situação geográfica características topográficas coberto vegetal e ambiente, são propícios a  recolhimento e a meditação. Durante séculos tais "paragens" serviram de guarida a romeiros que  as visitavam na crença de comunicar com o além, e obter  protecção divina.

A vegetação abundante e frondosa,assumiu sempre enorme fascínio nas populações.Leite de Vasconcelos 1905, pg. 108 escreveu: "Entrar num bosque, rico de árvores seculares e gigantescas, onde a grandeza dos vegetais causa espanto e as próprias sombras infundem mistério, era para os antigos...fonte de ensinamento religioso."

Um local com as características enumeradas podemos encontrá-lo, na antiga extrema dos concelhos de Sintra e Loures a poucos quilómetros do centro de Lisboa: a capela dedicada a Nossa Senhora dos Enfermos. Segundo as  memórias paroquiais elaboradas em 1758 e referentes a Almargem do Bispo "a ermida de N. Senhora dos Enfermos, santa muito milagrosa, está na quinta do secretário de estado Tomé Joaquim da Costa Corte Real". Acerca deste personagem coligimos alguns elementos: havia sido nomeado em 1756 para a secretaria de estado da Marinha e Ultramar, substituindo Diogo Mendonça Corte -Real, destituído por decreto do rei D. José I de Portugal, acusado de conspirar contra Sebastião José de Carvalho e Melo,Ministro do Reino, foi degredado para Mazagão no norte de África e depois encarcerado na fortaleza das Berlengas, vindo a falecer no convento de São Bernardino dos Franciscanos de Peniche, para onde D. José comovido com a sua sorte autorizou a  transferência.

Na actualidade a presença de um cruzeiro na entrada da povoação, simboliza a religião cristã praticada no santuário.No entanto carvalhos seculares a mata das cercanias, e a fonte de água com propriedades terapêuticas,e o vale aberto em cujo fundão se edificou a capela,seriam motivo de atração de índole religiosa, antes de surgir a romaria muito concorrida, e onde  peregrinavam anualmente  habitantes de Lisboa que para o efeito formaram um "círio".

Na quinta viveu Francisco de Olanda,figura impar do renascimento em Portugal; sem dúvida paragem singular onde podemos detectar o carácter sagrado que no decurso dos séculos os habitantes de território dilatado, atribuíram ao "Sítio".

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Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 15:42
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UM RELÓGIO DE SOL "AVARIADO"

O Sol, simboliza a luz do conhecimento, e poderosa fonte de energia. Durante séculos a sombra da sua claridade projectada sobre um "mostrador" de pedra, indicava as horas do dia, marcando o ritmo dos trabalhos quotidianos.

A beira dos caminhos no umbral das casa solarengas ou das rústicas oradas o relógio solar era apropriado para as pessoas saberem " a quantas andavam". A evolução ciência e da técnica fez declinar a importância dos relógios solares.

Actualmente deparamos de vez em quando com algum exemplar esquecido num ermo qualquer. Neste  a haste metálica cuja sombra indicava as horas desapareceu, e deste modo o "medidor" do tempo da insigne quinta, onde resiste erecto, está avariado apesar de ostentar símbolo nobiliárquico, serve unicamente para tema de um pequeno apontamento e quem sabe para alguma reflexão de quem "passa" por aqui.

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Segunda-feira, 8 de Dezembro de 2014

TOPONÍMIA SINTRENSE - PALMEIROS

Na antiga estrada real de Lisboa a Mafra, passando por Belas, actualmente denominada estrada nacional 117, entre as povoações de Sabugo e Morelena, deparamos com o sítio  de Palmeiros.O que resta do primitivo povoado, fica pouco afastado da estrada junto ao caminho vindo do lado da aldeia de Cortegaça. Esta via corresponde a um antigo trajecto que ligava Sintra a Palmeiros. Quem circula na E.N.117 não repara nem relaciona, este "descampado", com as suas reminiscências jacobeias.

Palmeiro,quer dizer: pessoa que vai em romagem ,peregrino, romeiro. No percurso das peregrinações durante a idade média existiam albergarias ou pousadas para descanso do peregrinos, cujo funcionamento estava a cargo de indivíduos chamados "albergueiros" ou membros de instituições religiosas, as confrarias. Esta albergarias destinavam-se a repouso e alimentação dos romeiros pobres, principalmente aqueles que dirigiam para Santiago de Compostela, grande centro de romagem ao longo da idade média europeia.

Na região oeste de Portugal há notícia de albergarias em Mafra, Cheleiros, Alcainça, Azueira, S.Pedro da Cadeira, Enxara do  Bispo, Sapataria etc. No concelho de Sintra, Palmeiros e Fonte da Aranha, perto da ermida de Nossa Senhora da Piedade da Serra, no cimo do Vale de Lobos. A zona antiga da aldeia de Palmeiros dispõe duma fonte junto a um regato que corre quase todo ano, deveria ser por aí a localização do albergue. Nas Caldas da Rainha por determinação da rainha Dona Leonor, os romeiros a  São Tiago podiam descansar uma noite no Hospital que ali fundou.

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Palmeiros significa local onde os peregrinos podiam descansar recuperando forças para prosseguirem a jornada da sua devoção, quase sempre, para Compostela. A toponímia é repositório de belas e evocativas memórias e um "caminho", para conhecimento e descoberta que o símbolo do peregrino a Compostela: o bordão a vieira e  cabaça, sintetizam perfeitamente.

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Segunda-feira, 17 de Novembro de 2014

NOVIDADES ACERCA DE CABRA FIGA

Escrevemos no "post", publicado em Maio de 2014 que desconhecíamos, onde ficaria a outra aldeia, também referida como sendo "Cabra Figa". A informação que consta, no "Dicionário Geográfico" de 1751 tem o teor seguinte:

"aldeia no termo da vila de Sintra, freguesia de N.S. da Purificação de Montelavar". Decidimos investigar e deparamos, na povoação de Morelena, arredores de Pêro Pinheiro, um largo denominado "Cabra Figa". Este largo termina num penhasco, hoje coberto de vegetação constituída por carrascos e zambujos. O penhasco é o pequeno cabril ou cabra que deu o nome ao sítio tal qual ocorreu com a outra aldeia de idêntico nome assunto do "post" referido. O desaparecimento do lugar, deve ter sido consequência do surto de desenvolvimento que sofreu a aldeia de "Mourilena" nome de antigamente. Em consequência processo de transformação da zona,potenciado pela extracção de pedra,Cabra Figa entrou em declínio e, acabou fazendo parte integrante da povoação mais importante. Com o decorrer do tempo ficou, unicamente, ténue memória do sítio do qual a placa toponímica é testemunho. No decorrer do século XVII, nos registos paroquiais aparece amiúde "lugar de Cabra Figa". Este território está integrado há séculos na freguesia de Montelavar concelho de Sintra, distrito administrativo de Lisboa.

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Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 12:38
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Quinta-feira, 18 de Setembro de 2014

Os nomes "tecendo " a história de uma aldeia Sabugo-Sintra

Algumas vezes por feliz acaso a toponímia das artérias duma povoação,é fonte preciosa de informação para se desvendarem aspectos relevantes da sua história.

A aldeia do Sabugo,integrada na associação de freguesias de Almargem do Bispo ,Montelavar e Pêro Pinheiro,  no municipio português de Sintra,situada junto á antiga estrada real de Lisboa a Mafra,passando por Belas,mantem importantes vestígios do casario primitivo,caracterista que faz desta povoação uma das mais pitorescas da região saloia.A actividade agricola foi predominante durante séculos, reflexo disso, ainda existe no Sabugo um posto de venda de produtos agricolas,propriedade da Cooperativa Agrícola do Concelho.Porque era ponto de passagem os almocreves e viajantes, aproveitariam para descansavam as suas montadas na aldeia, razão  pela qual a vereação da Câmara Municipal de Sintra, deliberou mandar construir no ano de 1782, fonte e bebedouro aproveitando uma copiosa nascente.

A água alimentava também o tanque de um lavadouro onde as mulheres aldeãs lavam roupa, sua e dos fregueses de Lisboa clientes das "lavadeiras" do Sabugo.Esta faina foi o ganha pão de gerações. Curiosamente o rancho folclórico da aldeia denominava-se "lavadeiras do Sabugo".Para transporte da roupa de e para Lisboa utilizavam-se carros puxados por gado muar, mais a miúde os rústicos "burros saloios" que mestre Roque Gameiro imortalizou nas suas aguarelas.Para acondicionar a carga os jericos eram "equipados" com albarda,ou seja uma cobertura cheia de palha que se colocava no dorso das bestas de carga,tipo de sela grosseira geralmente de estopa. Os artesãos frabricantes  deste utensílio eram conhecidos por "albardeiros".No Sabugo este ofício deveria ser importante.Na localidade deparamos com "Travessa dos Albardeiros".A necessidade desta profissão resultaria do elevado numero de animais de carga a albardar.Um bom exemplo da utilidade dos topónimos para investigar as comunidades rurais.

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Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 16:56
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