Terça-feira, 19 de Setembro de 2017

GUARDIÃO DA ALDEIA

Alcandroada no cimo de uma lomba onde avistamos  panorama deslumbrante,concelho de Mafra, freguesia  de Cheleiros distrito de Lisboa, o resto da aldeia das Broas vai paulatinamente avançando rumo a ruína total. Quando chegamos ocorre questionar, às portas da capital, aldeias ficaram desertas sem moradores, porque estranham no interior do País se verifiquem idênticas situações?

Silencioso lugar, batido pelo vento, suscita-nos melancólica ternura, paredes de edifícios outrora utilizados vão derruindo. Se actos de vandalismo houve, não notamos.

Parece permanecer invisível segurança, zelando para tudo terminar no tempo adequado, sem pressa nem afã. Não há viva alma, largo principal do povoado, gigantesco freixo, por ventura centenário, rodeado de vestígios antigo banco de pedra, construção circular onde moradores  conviviam.

Freixo, segunda antigas crenças de povos germânicos, símbolo de perenidade da vida, indestrutível afugenta as serpentes e todos maleficios, é o guardião da aldeia. Enquanto durar nada de mau vai suceder naquele lugar.

Pensava tudo isto na curva do caminho de regresso, quando olhei a "freixial silhueta", quem sabe ?  pela última vez.

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Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 11:37
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Quarta-feira, 27 de Maio de 2015

AS LINHAS DE TORRES INCLUIAM O CONCELHO DE SINTRA.

Para impedir a um exercito invasor por via terrestre chegar facilmente a cidade de Lisboa foi idealizado um projecto defensivo, denominado Linhas de Torres Vedras, que consistia no aproveitamento das serranias a norte da capital portuguesa compreendidas entre margem esquerda do rio Tejo em Alhandra até ao oceano atlântico e construir nos seus cumes e colinas  fortes redutos trincheiras, caminhos "desenfiados" e sistema de comunicações adequado centralizado na Serra do Socorro, extrema dos concelhos de Torres e Mafra. O nome linhas de Torres Vedras foi atribuído porque aquela povoação era a mais importante da área abrangida, e possibilitava fácil acesso a frota fundeada ao largo.Nela se construiu uma importante edificação  do complexo militar, o Forte de São Vicente, também conhecido por "obra grande de Torres Vedras".

Quem inicialmente percorreu as região e reparou na aptidão militar do terreno, onde viriam a ser construídas as linhas foi o engenheiro francês Vicent, que acompanhava Junot na primeira invasão francesa. O reconhecimento aprofundado e levantamento topográfico de todos os locais onde viriam a ser erguidos os obstáculos a progressão bélica, realizou-o o Major engenheiro do exército português  José Maria das Neves Costa. A escolha das posições destinadas a fortificação coube ao Duque de Wellington, mais tarde também,conde do Vimeiro marques de Torres Vedras, duque da Vitória. Finalmente o director responsável, pela execução das obras nos locais escolhidos pelo Duque foi o engenheiro inglês Fletcher. Como se refere no magnifico livro do coronel Professor J. Custódio Madaleno Geraldo, dedicado as linhas de Torres (1807-1811).

Segundo Neves Costa os engenheiros britânicos , por falta de tempo, extinção dos meios de execução que podiam dispor , foram obrigados a terminar em Mafra os trabalhos das fortificações.Se assim não tivesse sucedido estavam previstos trabalhos no concelho de Sintra:

Neves Costa indicava diversas posições susceptíveis  serem fortificadas, especificando: "a  6ª posição é a do Sabugo,  esta e aquelas que se seguem até Lisboa, não oferecem grandes obstáculos naturais, e devem antes ser consideradas, como favorecendo uma retirada, ou uma batalha que fossemos obrigados a não poder evitar, do que posições capazes de assegurar a resistência de tropas muito inferiores que nos atacarem. A esquerda esta posição, pode ser postada nas pequenas alturas do Casal da Granja, as quais não oferecem grandes dificuldades no seu ataque. O apoio pode ser encontrado no cerro de Almornos onde se podem defender com vantagem os caminhos difíceis que sobem da parte de Almargem do Bispo.Deste lado a posição pode ser rodeada pelo caminho que de Santa Eulália e Albogas Velhas , vai ao Aruil e D.Maria onde o acesso ao cerro de Almornos e muito praticável, e  pelo qual o inimigo ameaçaria  penetrar até  Loures ou Caneças. A esquerda  a posição pode ser rodeada pelo caminho que da quinta da granja vai a Meleças onde o inimigo se dirigiria ao revês da posição pela  quinta do Molhapão ou pela Venda Seca a Belas.".Neves costa escreve depois acerca da posição de Belas, e alturas do Suimo, hoje Quartel da Carregueira, e cita o alto dos casais do Machado e quinta dos marqueses.

Por esta pequena resenha,faz sentido que o Município de Sintra passe a integrar o conjunto das Municipalidades, que constituíram a rota histórica das linhas de Torres, seja colocada sinalização e se preparem os locais e caminhos, no projecto da obra militar incluídos no território sintrense, para permitir a visita e motivar interesse das caminhadas , "hobby" frequente dos moradores desta zona densamente habitada.As colinas da foto , são os cumes do Sabugo. 

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Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 22:04
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Quinta-feira, 18 de Setembro de 2014

Os nomes "tecendo " a história de uma aldeia Sabugo-Sintra

Algumas vezes por feliz acaso a toponímia das artérias duma povoação,é fonte preciosa de informação para se desvendarem aspectos relevantes da sua história.

A aldeia do Sabugo,integrada na associação de freguesias de Almargem do Bispo ,Montelavar e Pêro Pinheiro,  no municipio português de Sintra,situada junto á antiga estrada real de Lisboa a Mafra,passando por Belas,mantem importantes vestígios do casario primitivo,caracterista que faz desta povoação uma das mais pitorescas da região saloia.A actividade agricola foi predominante durante séculos, reflexo disso, ainda existe no Sabugo um posto de venda de produtos agricolas,propriedade da Cooperativa Agrícola do Concelho.Porque era ponto de passagem os almocreves e viajantes, aproveitariam para descansavam as suas montadas na aldeia, razão  pela qual a vereação da Câmara Municipal de Sintra, deliberou mandar construir no ano de 1782, fonte e bebedouro aproveitando uma copiosa nascente.

A água alimentava também o tanque de um lavadouro onde as mulheres aldeãs lavam roupa, sua e dos fregueses de Lisboa clientes das "lavadeiras" do Sabugo.Esta faina foi o ganha pão de gerações. Curiosamente o rancho folclórico da aldeia denominava-se "lavadeiras do Sabugo".Para transporte da roupa de e para Lisboa utilizavam-se carros puxados por gado muar, mais a miúde os rústicos "burros saloios" que mestre Roque Gameiro imortalizou nas suas aguarelas.Para acondicionar a carga os jericos eram "equipados" com albarda,ou seja uma cobertura cheia de palha que se colocava no dorso das bestas de carga,tipo de sela grosseira geralmente de estopa. Os artesãos frabricantes  deste utensílio eram conhecidos por "albardeiros".No Sabugo este ofício deveria ser importante.Na localidade deparamos com "Travessa dos Albardeiros".A necessidade desta profissão resultaria do elevado numero de animais de carga a albardar.Um bom exemplo da utilidade dos topónimos para investigar as comunidades rurais.

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Quinta-feira, 29 de Maio de 2014

Quinta Feira da Espiga

Volvidos quarenta dias, após a Páscoa,periodo simbólicamente necessário à preparação expiação e espera. Jesus Cristo ascendeu à Casa do Pai. Efeméride das mais respeitadas pelas comunidades rurais cristãs na era pre-industrial. Em Portugal neste dia é feriado municipal em trinta municipios de norte a sul do país, os distritos com mais feriados estavam englobados na antiga província da Estremadura, em zonas de boa produção ceralífera, distritos de Lisboa e Santarém.

Tradicionalmente fazem as pessoas ramos juntando espigas de trigo rama de oliveira e papoilas. Mistura do sagrado e profano, anúncio da colheita próxima, mesmo tempo lembrança que para se conseguir qualquer "graça" é indispensável sofrimento e renúncia. Dia fundamental do calendário eclesial católico.

Além de ser a haste terminal do centeio, trigo, milho e demais gramineas onde se encontram os grãos, espiga significa algo enfadonho, maçada, contratempo, prejuízo. Deste modo atendendo à situação com qual estamos confrontados em 2014 quinta feira da espiga, é também... uma grande "espiga". Na antiguidade clássica em Maio celebravam-se as "rosalias", com arranjos de rosas porque Maio, ainda hoje é associado aquelas flores, deixamos uma...

 

 

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Segunda-feira, 19 de Maio de 2014

Uma "epifania" Sintrense - Sacotes

Sacotes aldeia da Freguesia de Algueirão Mem-Martins no município de Sintra tem fascínio especial, não só pela situação geográfica, alcandroada num penhasco onde nasce um perene curso de agua e brotam nascentes, sortidoras da fonte, construída no sopé do lugar mas também vestígios de antigas construções de cunho rústico, além dos arredores onde se econtravam: moínhos, pastagens, "cavaleiras", matas e outros meios necessários ao quotidiano dos habitantes e mantê-los afastados do contacto com outras povoações, protegidos do olhar indiscreto de visitas indesejadas, seria sítio onde se desenvolvia sigilosa actividade. Estas particularidades contribuíram para que Sacotes tivesse durante séculos a fisionomia dum lugar fechado.

Caminhando pelas artérias do burgo, suscitou atenção a designação que ostentam. Fomos carreando elementos úteis à compreensão do significado do topónimo. O prefixo SAC, entra na formação de inúmeras palavras como: saco, sacar, sacrotear, sacrário, etc. Sacar significa: extrair, tirar, furtar. Seguindo esta pista alertados pela existencia duma rua dos ourives baseados nas nossas investigações apuramos, até pelo menos ao século XVIII habitaram na aldeia mestres que ensinavam as artes de canteiro e ourives (do ouro), para se distinguirem dos que trabalhavam a prata. Diversos aprendizes,participaram na obra do convento de Mafra. Donde provinha o ouro? Persistente e pacientemente fomos "lendo" a paisagem circundante; encontramos um topónimo "GORGULHAS", cujo significado pode ser: "conjunto de fragmentos de rocha, entre os quais se encontra o ouro". Os indivíduos garimpeiros do ouro os "sacotes" faziam desmonte das rochas para extrair ou sacar o precioso metal, trabalho esforçado pouco apetecível,quem sabe com recurso a mão de obra escrava!?   O negócio do ouro exigia comunicação fácil com os compradores sem suscitar atenções. Na aldeia existiiu um pombal destinado a esse efeito. Daquela azáfama restam rua e largo dos ourives e peculiar atmosfera enigmática transmintindo sensação de lonjura que envolve o povoado, reminiscências das antiquissimas actividades da extracção e metalurgia do ouro, esgotado o filão, continuou a artesania do precioso metal, durante séculos fonte de rendimento de algumas famílias moradoras.

 

 

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Domingo, 19 de Janeiro de 2014

A Propósito do dia de São Sebastião

 Vinte de janeiro é o dia consagrado no calendário litúrgico ao mártir S.Sebastião,ao qual povo recorria pedindo protecção para fomes pestes e guerras.Em algumas terras de Portugal,ainda hoje se realizam cerimónias,onde em complemento das actividades relacionadas com a devoção  ,se distribuem "bodos" de pão ,ou fogaças,reminiscências do culto para afugentar a penúria alimentar.Neste dia nasceu D.Sebastião Rei de Portugal, por essa razão foi baptizado com o nome do mártir.

D.Sebastião cognominado o "Desejado", veio ao mundo já depois da morte de seu pai o príncipe D.João,o nascimento era ansiosamente aguardado para se garantir a sucessão dinástica.Foi grande devoto do Santo, mandou que na maioria das povoações do Reino se edificassem á saída daquelas ,ermidas em honra do seu patrono.

No concelho de Sintra existiam diversas,uma das quais na Terrugem junto á antiga estrada de Sintra para Mafra.Uma bela "orada" de estilo quinhentista,referência apropriada,para assinalarmos este dia.

 

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Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 23:40
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Sexta-feira, 27 de Dezembro de 2013

A veneranda imagem de Nossa Senhora da Piedade da Serra

Voltamos de novo à ermida de Nossa Senhora da Piedade da serra edificada perto da aldeia do Sabugo, freguesia de Almargem do Bispo, para completar o "post" de 4 de Abril de 2008.

Nos fins de semana, celebrações  de casamentos continuam aumentado. Não só a beleza, dignidade do templo facilidade de acesssos e estacionamento, paisagem grandiosa abrangendo simultaneamente Serra de Sintra e oceano atlântico; mas também recinto destinado a eventos próximo, podem explicar este facto. Á Senhora da Piedade aflue gente de toda a área da grande Lisboa. Durante muitos anos foi uma "orada", onde acorriam as populações unicamente da região saloia, residentes nos concelhos de Sintra, Loures, Cascais e Mafra.

A devoção a Nossa Senhora da Piedade, genuinamente popular arreigada nas classes mais desfavorecidas. Tal particularidade, explica a concorrida romaria realizada anualmente em Agosto. A feira franca de tempos idos, decorria em conjunto com a festa religiosa.

A situação geográfica, no coração do concelho de Sintra, rodeada pelas freguesias de Rio de Mouro, S. Pedro de Penaferrim, S. Martinho e Santa Maria e S. Miguel contribuia para facilitar a comparência de muita gente.

O local de culto, tem dimensões superiores a capela, no entanto inferiores as de uma igreja; decoração e recheio "sacro" denotam procupação de marcar diferença relativamente, as ermidas circundantes.

As imagens do templo parecem seguir aquele objectivo. A veneranda imagem de Nossa Senhora da Piedade; réplica digna e simples da "Pietá". Talvez obra dum santeiro da região. O conjunto reflecte sentimentos nobres recatados e crédulos das populações que no século XVIII, decidiram construir o templo. Esta obra singular do património religioso sintrense, merece uma visita.

 

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Quinta-feira, 27 de Junho de 2013

O HOTEL SANATÓRIO DO PARQUE DA PENA-SERRA DE SINTRA

No periodo conturbado do ínicio da 1ª República, no seguimento da Revolução de 5 de Outubro de 1910, surgiram várias iniciativas com origem nos poderosos interesses instalados, com objectivo de concretizarem projectos, aproveitando a situação complexa que então se vivia. Um deles dizia respeito à construcção do empreendimento citado em título. Este facto deu origem a um movimento generalizado de repúdio, concretizado por várias iniciativas, uma das quais uma carta dirigida ao Ministro do Interior onde os signatários: "Vem respeitosamente significar a V.Xª quanto lhes é penosa a ideia, pela qual sabem que se trabalha de construir dentro do Parque da Pena um Hotel-Sanatório", assinavam figuras ilustres da cultura, tais como Raul Lino, Henrique Trindade Coelho, Columbano Bordalo Pinheiro, Afonso Lopes Vieira, J.Câmara Pestana e José de Figueiredo entre outros.

Quando o assunto foi discutido no Senado,aproveitando a presença do Ministro do Fomento(António Maria da Silva), o ilustre senador sintrense Dr. Brandão de Vasconcelos,interveio de forma brilhante na sessão de 20/1/1913, tendo afirmado:

"Não posso deixar de falar sobre a pretendida cessão do Parque da Pena a um particular, eu resido no concelho de Cintra há muitos anos... mas acima dos interesses do concelho, ponho os interesses nacionais" esclarecemos que a Cãmara Municipal apoiava o projecto. Continuando, o Dr. B. Vasconcelos dizia "V.Xª sabe quanto custou ao Estado este Parque? Quatrocentos contos de réis, o que é que esse particular vem pedir? Um parque arborizado, quando tem na serra uma extensão enorme sem arborização que pode arborizar à  vontade, mas não; querem o que está feito, é que o Estado ceda  grande parte duma propriedade que vale 600:000$000 réis. O parque tem 250 hectares e pedem-se 150 pelo menos! O projecto está habilidosamente feito e quem o apresentou... não conhecia a extensão do que era pedido. Dizia-se que o Estado cedia a esta sociedade a parte oeste. Quer dizer, desde que se deixasse um metro quadrado do lado nascente, podia levar todo o resto. Conservar o jardim? Não senhor, os doentes podiam passear no jardim mas o Estado é que conservava esse jardim. Mas independentemente da especulação, há uma circunstância a ponderar, é que o parque está debaixo da direcção dos serviços florestais e muito mais bem conservado que no tempo da monarquia e que nos últimos tempos do Sr. D. Fernando (...) Estou convencido de que o Sr. Ministro não virá dizer que este projecto é viável, estou certo que o Governo há-de pôr entraves por todas as formas a que seja feita  esta expoliação ao país."

Em resposta o Ministro António Maria da Silva disse: "Pelo que diz respeito ao parque da Pena,posso afirmar desde já que me hei-de opor, quanto em minhas atribuições caiba a que possa ir por diante o que se pretende. Já em tempo uma senhora Lima Mayer tinha pedido a concessão do parque da Pena, para instalar um Hotel-Casino, da parte porém, dos funcionários,que tiveram interferência no caso, houve acentuada repulsão desse pedido. E devo dizer que este parque é hoje considerado, pelos botânicos estrangeiros e touristes, como um dos primeiros arvoredos da Europa".

O Parque da Pena teve sempre grandes e valorosos defensores e contráriamente ao que muitos pensam, esta maravilha não veio para o património do Estado por confisco ou nacionalização mas por compra aos herdeiros do Senhor D. Fernando II, com o dinheiro dos contribuintes, é portanto pertença de todos os Portugueses.

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Terça-feira, 21 de Maio de 2013

O CARRO DE BOIS E CAMINHOS DE CARRETAGEM NA REGIÃO SALOIA

O carro de bois,constituiu o meio de transporte,mais utilizado em Portugal ao longo de vários séculos.Os seus pormenores construtivos,adaptavam-se ás diversas regiões onde a utilidade da sua contribuição era necessária ao transporte de produtos agricolas e mercadorias.Deste modo pela geografia do territóro português circulavam carros de vários tipos que foram estudados,de forma exaustiva e competente por Virgilio Correia(1922), e Fernando Galhano.Este último,escreveu "O Carro de Bois Em Portugal"publicado em 1973,com uma extensa análise ao "carro saloio"afirmando ser este tipo o mais usado no distrito de Lisboa,onde se integra o concelho de Sintra; na sua execução usava-se a madeira das árvores abundantes na região,no caso do território sintrense, de freixo e carvalho.Segundo o autor o carro de bois saloio "caracterizava-se pela forma rectangular do leito, e pela grande altura a que ele se situa e pela própria roda"para aumentar a capacidade de transporte,designadamente de trigo e feno o carro tinha um acessório,a chalma, colocada sobre o leito.Nos séculos XIX e XX existiriam na área citada milhares de juntas de bois, além do carrego eram utilizados, na lavra das terras puxando o arado.O concelho de Sintra estava dotado duma densa rede de caminhos e estradas para transito dos carros de bois.Nos locais onde se transpunham as linhas de água existiam pontes,normalmente,constituídas por lages de pedra calcária assentes em suporte de face afilada para resistir as correntes mais violentas.Deste tipo é uma ponte,situada na Ribeira da Jarda,junto de Meleças, freguesia de Rio de Mouro,termo de Sintra. Falta uma das pedras,não sabemos se foi destruída pelo tempo ou furtada para outro uso.Mesmo com esta "mazela"é um curioso exemplar de arquitectura rústica.

O carro de bois saloio segundo Galhano era formado pelo "cabeçalho"onde se atrelavam os animais que puxavam o carro,as "cadeias"barrotes que suportavam o leito e o ligavam ao cabeçalho,pelas "mesas" nas quais, juntamente com os "cócões" e as "amarradeiras" funcionava o eixo,para ligar o leito as "mesas",possuiam uma peça as "estroncas".As  rodas tinham particularidades que por ora deixamos.Resta referir que  na extremidade dianteira do carro se aplicava a "canga"...  

 

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Quinta-feira, 21 de Março de 2013

FRUTOS DO OCIDENTE-NO DIA DA ÁRVORE

A parte ocidental do municipio olisiponense, na época do dominio romano, tinha fama como produtor de citrinos com relevancia para os limões. Esta particularidade foi mantida ao longo dos séculos, e chegou ao nosso tempo, a aptidão para produzir este fruto no território sintrense.

Vem a propósito lembrar que segundo fontes históricas credíveis D. João V, rei de Portugal que mandou construir o convento de Mafra, quando estava no Palácio Real anexo ao Convento, habitava a ala oriental do mesmo, a rainha a ala contrária. Quando sua Majestade desejava exercer os  deveres conjugais enviava por intermédio dum lacaio, uma salva de prata com limões, que era a declaração dos seus reais desejos. Aceite pela rainha o pedido, seguia o rei com séquito e luminárias, pelo longo corredor que ligava os aposentos. Esta "procissão" era visível do exterior através das janelas, ficando o povo a saber que nessa noite suas Magestades teriam sexo.

Nos tempos que vão correndo as "alimárias" que dirigem a Europa, tiveram a supina ideia de aplicar num País da "desunião": Chipre, uma receita para colmatar o desiquilibrio das finanças públicas, que não lembra ao demo: roubar as economias de cidadãos e empresas depositadas nos bancos. Claro que os cipriotas recusaram, aquela ilha Cyprus, cujo nome deriva de citrinos, é grande produtora de limões, os seus habitantes deviam seguir o exemplo de D. João V e enviar aos senhores de Bruxelas uma encomenda de limões manifestando o desejo de em vez do Euro restaurarem o Ecu ou melhor tomar de novo no dito, como diria, um ex-governante "gasparino". Quanto a nós temos, de fugir do Euro como o diabo da Cruz, porque já Mestre Leal da Câmara dizia acerca dos que prometiam, e depois não cumpriam:" estes tipos são uns limonadas"...

 

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Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 13:03
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