Sábado, 28 de Maio de 2016

Depois do "golpe"Regresso a Casa dos Revoltosos

A revolta militar de 28 de Maio 1926,instaurou uma ditadura, depois "transformada " com a Constituição Politica de 1933,no regime totalitário do Estado Novo, liderado por António de Oliveira Salazar, professor da Universidade de Coimbra.

 Causas da rebelião, a grave crise económica e política do regime parlamentar, e também  "ameaça" do programa de governo de Álvaro de Castro , que pretendia reduzir o efectivo do exército, com intuito de diminuir drasticamente a despesa do Estado.A medida não poderia ser aceite pelos militares, receosos de caírem no desemprego que grassava por todo o País.

Com origem na conservadora e católica cidade de Braga, "Roma portuguesa", a rebelião teve desde  inicio  apoio incondicional do clero e  hierarquia da Igreja.

Completada a tarefa de derrubar  regime democraticamente eleito, mas sem apoio firme da população que sofria grandes carências,os militares regressaram ao Minho.

A estação onde se concentrou o material e tropas , foi a do Cacém linha do Oeste, e concelho de Sintra.

Na imagem observar-se moinho de vento , que  "laborava" no alto do Cotão. Curiosamente o "chalé Palmeira" já existia, preservado no âmbito do programa "Cacém Polis", continua a emoldurar  a baixa do Cacém.

 Tropas e material de guerra, seguiram através da ferrovia até a estação da Pampilhosa, depois pelas linhas do norte e Minho, voltaram aos quartéis. 

O povo português nesta data passou a ver a democracia por um "canudo". Outros militares em 25 de Abril de 1974,restauraram o regime democrático. Diga-se em abono da verdade , a República implantada em 5 de Outubro de 1910, nunca esteve em causa. Os rebeldes do 28 Maio eram antidemocráticos, mas sem dúvida republicanos.

PT-TT-EPJS-SF-001-001-0003-0994A_derivada.jpg

 

Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 17:48
Link do post | Comentar
Quarta-feira, 18 de Maio de 2016

QUANDO O CABO DA ROCA, ERA - ESQUINA DE LUZ - PORTA DA BARBARIE

mulheres as joias que lhes enfeitam as orelhas e o pescoço, tornam este espectaculo verdadeiramente hediondo. Chega-se a crer que estajamos a milhares de léguas de gente civilizada. Não parece  que estejamos na Europa e no séculoXIX. Não descreio dos tribunaes deste paiz, mas não descubro meio algum pelo qual possam tornar effectiva a responsabilidade de crimes similhantes. A multidão que ataca os navios é uma multidão anonyma de centenas e milhares de pessoas. Verificar a identidade dos criminosos é impossível. Faltam as testemunhas, porque as testemunhas são também actores nestas scenas tristíssimas (...). Mandar construir um pharol em Aveiro, é o unico meio que se me figura efficaz para avisar os navegantes e os acautellar do perigo que correm, aproximando-se da costa".

na barra de Aveiro. Assim o exige a sua posição, a grande extensão da sua praia, e sobretudo as condições especiaes em que esta se encontra. De feito, a praia de Aveiro tem a extensão pouco mais ou menos de 60 milhas,e é de tal modo baixa, que as primeiras elevações apenas se apresentam a 6 ou 8 leguas de distancia.

O farol do Cabo da Roca é um dos mais antigos e importantes da costa portuguesa; no século XIX, a frente marítima de Portugal a norte daquele cabo, carecia de pontos luminosos  para orientação dos navios. O problema era de tal forma grave que o Deputado Pires de Lima, na sessão da Câmara dos Deputados de 5 de Abril de 1878, produziu uma intervenção, cujo teor reproduzimos em parte, mantendo a grafia:

"Peço licença a V.xª e à câmara, para conversar placidamente com o Sr.Ministro das Obras Públicas, alguns poucos minutos sobre a necessidade de proceder á construcção de um pharol na barra de Aveiro. Não é isto negócio de campanário, mas uma questão de humanidade. Tratando-a, não tenho por fim conquistar ou alargar sympatias políticas ou eleitoraes. O meu fim é mais levantado. Não tive ainda, nem aspiro ter, a honra de ser eleito pelo círculo de Aveiro. As portas desta casa foram-mo abertas pelo círculo da Feira, e a Feira nenhum lucro immediato ou directo terá da construcção da obra de que vou falar (...).

A nossa costa marítima, desde a foz do rio Minho até à do Guadiana, é approximadamente de 400 milhas. Ora,para que esta costa maritima seja allumiada convenientemente, precisam-se pelo menos tres pharoes de 1ªordem collocados de 100 em 1oo milhas, que é a distancia media que ha na collocação dos pharoes da Hespanha, França e Inglaterra.

Na opinião dos homens competentes, estes tres pharoes deveriam ser colocados, um no cabo de S.Vicente, outro no cabo da Roca e o terceiro no cabo Mondego mas, como cabo Mondego já tem um pharol de 2ªordem, o terceiro deve ser construído

Alem disso a atmosphera do litoral está ali muitas vezes toldada pelos vapores emanados das marinhas do sal e da imensa bacia hydraulica, que tem 45 kilometros de extensão, e que se chama ria de Aveiro. De maneira que, quando sopra o vento do lado do mar no Inverno, é facilimo aos navegantes, irem se aproximando da costa e naufragarem irremissivel e desastradamente. É raro passar um anno,sem haver na praia de Aveiro pelo menos um naufragio.

Em Lisboa não se calculam as vidas roubadas à humanidade pelos naufragios e nem ainda os horrores por que passam os pobres naufragos, que logram salvar a existência. É necessario viver na localidade e presenciar esses espectaculos vergonhosissimos para o paiz e vergonhosissimos para a civilisação, para se avaliar devidamente tão grande calamidade.

Em geral os pescadores, que são uma classe imprevidente, gastam num dia aquilo que nesse mesmo dia ganham ,sem se lembrarem nunca do dia seguinte. Vem o Inverno, o mar fechado para a pesca, e os pescadores têem de lutar com a fome e com a miseria.

Nestas circunstancias, que são as condições habituaes do seu viver, quando descobrem que algum navio se approxima da praia, e desconfiam que elle pode naufragar, bem longe de se entristecerem, alegram-se. E alegram-se, porque a sua convicção é que o navio naufragado é um presente,que a Providencia lhes envia para os indemnisar da falta de pesca,presente de que eles vão apossar-se,como se fora propriedade indisputavel e legitima, com toda a tranquillidade de espirito, sem sombra  de escrupulo nem de remorso.

Os horrores que então se praticam são verdadeiramente indescriptiveis. Como preveni-los? Como evitá-los? Como castigá-los? Eu sr.presidente, não descubro, entre aquelles que o governo tem actualmente à sua disposição, nenhum meio efficaz (...). Podia-se ainda esperar alguma cousa das autoridadesl locaes, da sua força moral e do deu prestígio. Mas, doloroso é confessa-lo, muitas vezes as autoridades locaes estão conluiadas com os assaltantes dos navios, e têem quinhão nos despojos dos naufragos.Note-se que não  acuso as auctoridades actuaes só, ou as anteriores,accuso as de todos os tempos. Sei que ha execepções, mas infelizmente raras (...). Os actos de selvageria,que se praticam por occasião dos naufragios, difficilmente se descevem. A furia com que lançam os machados ao costado do navio, a soffreguidão com que roubam tudo o que elle contém, a impudencia com que despojam os pobres naufragos das suas vestes, e a violencia com que arrancam às

Como sabemos, o farol construído, na barra de Aveiro, ainda existe, é um dos mais imponentes "faros" da nossa costa, e que contribuiu para que as situações descritas pelo ilustre deputado tenham acabado. No século XIX, em pleno período democrático da Monarquia Constitucional a norte do Cabo da Roca, uma orla marítima sem sinalização,foi um verdadeiro buraco negro, onde pereceram milhares de pessoas, não só afogadas, mas também, chacinadas por hordas de salteadores. Cada um deve tirar as suas conclusões,  não há dúvida que a distância entre a civilização e a barbárie é muito curta. Neste como noutros casos, o que está na origem de todos os males é a falta de LUZ.

A foto que deixamos do padrão do Cabo da Roca, obtida sem vivalma no local, representa na solidão do momento, uma sentida homenagem a quantos ao longo dos tempos tiveram como última e luminosa referência, no mar, o clarão, do farol mais ocidental do continente Europeu. Ontem 17 de Maio de 2016, visitei o farol do cabo  da Roca,com alunos da Universidade senior de Massamá, no ambito da disciplina da História do Património Local.Lembrei este post e considero util voltar a "editar". 

sinto-me:
Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 11:29
Link do post | Comentar
Segunda-feira, 17 de Março de 2014

Património: obra premiada esquecida

Um prémio de arquitectura demonstra apreço relativamente à obra premiada e ao seu autor, distinguir algo e alguém, significa a sociedade civil assumir compromisso no sentido de preservar o património galardoado.

Esta reflexão vem a propósito da unidade industrial destinada ao fabrico de artigos de plástico, existente na quinta grande de Meleças, freguesia de Rio de mouro concelho de Sintra distrito de Lisboa, Portugal.

Construção concluída em 1963, período  de expansão da economia nacional, resultante do eclodir da guerra nas colónias portuguesas de África e adesão de Portugal a Associação Europeia de Comércio Livre na designação inglesa (EFTA). O local onde se implantou a fábrica tem fácil acesso rodo  e ferroviário, inserido no eixo da linha do Oeste, estações de Agualva-Cacem Meleças Sabugo onde se estabeleceram várias fábricas,origem de polos industriais importantes,agora em declínio.

O arquitecto incumbido de projectar a fábrica de Meleças foi Bartolomeu da Costa Cabral, autor de relevantes realizações: edifício da Sociedade Portuguesa de Autores, Avenida Duque de Loulé, Lisboa, Polo 1 da universidade da beira interior Covilhã, Universidade do Minho- núcleo de Guimarães, Estação da Quinta das Conchas do metropolitano de Lisboa, Bloco de prédios das "Águas Livres" em Lisboa de parceria com Teotónio Pereira. No Município de Sintra são também de sua autoria: Edifício da agencia da caixa geral de depósitos na vila, faculdade de engenharia da universidade católica, "campus" de rio de mouro, plano de recuperação bairro do pego longo. Pequena resenha do labor de Bartolomeu Costa Cabral, nascido em 1929 felizmente, continua a exercer a sua paixão pela arquitectura.

O projecto no equilíbrio do seu traçado e  modernidade da  concepção, exemplifica que um estabelecimento fabril  mesmo, implantado num descampado, pode transformar-se num motivo para uma visita,porque a as obras  de arte são fonte de encantamento.

Na III exposição de artes plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian1986, Bartolomeu da Costa Cabral por este projecto recebeu o prémio Raul Lino.

O edifício continua a desempenhar a função económica original, o aspecto denota algum abandono por falta de conservação. Seria possível a Câmara de Sintra em dialogo com os proprietários, ouvindo  o arquitecto Costa Cabral, recuperar o imóvel considera-lo de interesse concelhio, a exemplo do que fez a Câmara de Lisboa com o bloco "aguas livres"? Costa Cabral merece, os sintrenses também...

sinto-me:
Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 13:31
Link do post | Comentar

Mais sobre mim


ver perfil

seguir perfil

. 6 seguidores

Pesquisar neste blog

Novembro 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
16
17
18
19
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Posts recentes

Depois do "golpe"Regresso...

QUANDO O CABO DA ROCA, ER...

Património: obra premiada...

Arquivos

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Julho 2007

tags

todas as tags

Favoritos

RESOLVER "ENIGMA" RELACIO...

BEM FADADO OU MAL FADAD...

Links sobre o autor

Fotografia do Cabo da Roca: Jason Weaver
blogs SAPO

subscrever feeds