Sábado, 9 de Agosto de 2014

Amados Choupos.

Quando surge oportunidade retorno ao pequeno choupal onde em diversas ocasiões largava o fiel amigo cão companheiro de passeatas, que infelizmente morreu.

Adoro o bosquete composto de choupos altivos que sobrevivem no município português de Sintra, no meio de zona densamente povoada. Resistiram as arremetidas da nortada, os troncos mostram a inclinação provocada com a força do sopro de "eolo". No amargurado quotidiano português ao entardecer o renque das arvores alinhadas, contribue para proporcionar sensação dum tempo crepuscular, pressentida mas inexplicável. Simbolicamente árvore ligada ao declínio e a morte, segundo várias correntes iniciáticas a madeira do caixão de Jesus Cristo seria de choupo. Na mitologia grega  do choupo obtinha-se a única lenha apropriada aos sacrifícios oferecidos a zeus. Relativamente ao porvir acuidade é porventura maior se contemplamos um choupo, o escuro das folhas, em vez de esperança remete-nos para as recordações. O triunfo do capital desbragado e corruptor, abriu caminho a colocação em cargos de decisão, de índividuos detentores de credenciações concedidas não por mérito mas por traficância mercantil. Alcandroados em postos de mando não sabem  que fazer dessa inépcia resultam angústia, desespero e  miséria, envolvendo  o "orbe" qual pandemia.

Amados choupos austeros inspiradores, já não há esperança? A dor sacríficio e lágrimas, as quais os deuses vos associaram estão aí, caminhamos no meio da ulmácea alameda a luz do sol filtrada na ramaria que vento sacode, repete reflexos luminosos na erva seca do chão. O pensamento leva-nos as palavras de R. Tagore "Meu PAI permite que a minha Pátria acorde"se despertar, talvez, o pesadelo termine.

 

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Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 11:40
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Sexta-feira, 2 de Maio de 2014

As Nove Árvores da Memória

Uma das facetas da personalidade de Leal da Câmara, manifestava-se pela sua persistente preocupação em congregar vontades cultivar o convívio entre pessoas e entidades, interessadas no progresso da Rinchoa sítio escolhido para viver o tempo final da vida. Na localidade deixou obra cada vez mais valorizada e compreendida, tarefa difícil. O rumo traçado na concretização dos seus objectivos, passou por aglutinar em torno da "ideia" um conjunto de indivíduos com interesses ligados a Rinchoa, organizados numa estrutura denominada Comissão de Iniciativas e de Melhoramentos da Rinchoa-Mercês. A Comissão "Composta sempre dos mesmos, um verdadeiro bloco cimentado, por já velha e mútua amizade e até grande familiaridade, á qual se vêm juntar novos prosélitos... que substituirão o pequeno número de fundadores, verdadeiro senado desta instituição a que estas duas povoações devem o seu desenvolvimento e propaganda "Era a opinião do mestre sobre a comissão à qual presidiu até ao falecimento.

O trabalho da Comissão, frutificou a urbanização da Quinta Grande entre a Rinchoa e Meleças, é actualmente um exemplo de urbanismo de qualidade no concelho de Sintra. A "fantasia" do mestre concretizou-se, as marcas do seu pensamento e acção ficaram "impressas" na paisagem, o simbolismo das artérias da urbe, a rotunda octogonal que assinala o centro da urbanização, "grito de Alma" de Leal Da Câmara só foi possível com a "cumplicidade dos seus "irmãos" da Comissão.

Os membros da da Comissão eram nove, elegeram sempre Leal da Câmara para presidente;por isso considerava-se: "Mestre Eleito dos Nove". O que remete para o nono grau do rito escocês da maçonaria a que Leal pertenceu, naquele grau é feita a apologia da democracia e direito dos povos escolherem os seus governantes.

Para perpetuar a amizade dos nove com o seu eleito, plantaram nove árvores no pátio da antiga escola primária, edifício construído graças ao empenho da comissão. As árvores são "memória" lembrando a fraternidade, igualmente sinal inequívoco do amor pela liberdade e democracia num tempo de opressão autoritária, característica do Portugal salazarista. Local emblemático e simbólico do "estado livre da Rinchoa" como apelidou o "mestre eleito" Leal da Câmara.

 

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Quarta-feira, 19 de Março de 2014

Proscritos e Prescritos

Na Casa Lusitana, denominação atribuída a Portugal por um professor que recordo, homem quesilento, pronto para distribuir castigos ,admirador convicto da situação,o outro nome da ditadura do estado novo, as singularidades abundam, cada dia mais bizarras.

Pertenço á legião dos proscritos,a quem o governo ,os mercados ,e outras "pias" instituições,já levaram parte significativa do vencimento ou da pensão,não satisfeitos, aumentam os impostos considerando-nos titulares de (rendimentos) afinal cortados, agravam o IMI,reavaliando os imóveis, qual boom imobiliário a contraciclo da realidade,aumentam água, luz,gaz, tudo o  necessário ao viver quotidiano.Enfim numa inequivoca demonstração,que estão convencidos: a malta "aguenta" "aguenta", apertar o cinto não se aplica,aos esbulhadores, geralmente usam suspensórios. Os cortes tolerados pelo tribunal zelador da Constituição,por serem provisórios ,afinal serão definitivos.

Lembro,o tempo quando tentaram fazer de mim um bom cidadão obediente venerador e obrigado, e não conseguiram.Nessa época a minha avó,rezava todas as noites uma oração em que pedia á Mãe de Céu,protecção para as agruras da vida "A VÓS  bradamos os degredados,filhos de eva...suspiramos  gemendo e chorando neste vale de lágrimas".Soava aquilo tão medonho,que na minha compreeesão infanto-juvenil,acreditava  ser um exagero.Engano, o vale de lágrimas existe... para os proscritos.

No outro lado da montanha ,cantando e rindo como na canção dos lusitos da casa lusitana ,estão os prescritos,tendo os títulos e o  dinheiro a bom recato,quando por "burrice" se deixam elear nos meandros da justiça,não se amedrontam recorrem recorrem sempre ,para todas as instancias do "universo" até que o tempo lhe proporcione a prescrição dos processos instaurados.Poupam milhões,são gente grada,podem não ser respeitáveis mas tem de ser respeitados ,como sempre sucedeu.

 O numero de pobres deve aumentar para que recebendo esmolas dos prescritos os ajudem a ganhar o paraíso celestial,o fiscal está garantido.

Para uns a justiça é um fardo ,para outros uma farra.resta acreditar na justiça divina "Bem aventurados os que têm fome e sede de justiça porque serão saciados".Proscritos deste vale de lágrimas, "não há bem que sempre dure nem mal que não acabe".Será mesmo assim?Volto a D.Miguel de Unamuno ,meu mestre.Cristo nosso,Cristo nosso!Porque nos abandonastes?

 

 

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Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 01:43
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Sábado, 21 de Dezembro de 2013

Adeus Rua da Fábrica

A notícia apareceu,outra a adicionar a identicas de igual teor.Anuncia-se uma restruturação,efemismo de possível encerramento,relativos a fábrica de transformadores,existente há muitas décadas no Sabugo,freguesia de Almargem do Bispo ,concelho de Sintra.Duzentos postos de trabalho  em risco.Unidade fabril, do parque industrial do Sabugo,no qual laboravam diversas fábricas que foram fechando. Unidades destinadas a fabrico de fogões esquentadores,fundição,metalúrgicas,etc.Os operários afluiam diariamente, movimentando a estação de caminhos de ferro da aldeia.Os estabelecimentos fabris escolheram localizar-se onde fosse possível encontrar mão de obra barata e "dócil", porque muitos eram também agricultores a tempo parcial.Auferindo salários razoáveis,apareceu uma "aristocracia operária",com certo nível de conforto ,permitindo  proporcionar aos descendentes acesso instrucção diferente dos progenitores.As fábricas entraram no imaginario das povoações. Sucederam-lhe os filhos, depois alguns netos ,a fábrica  tinha vindo para ficar , justificava-se "eternizá-la",na toponímia.

As autarquias receptivas á vontade popular delibraram atribuir,á via de acesso ao local de trabalho,RUA DA FÁBRICA.

Com  o desaparecimento daquela o nome terá pouco significado.O fomento industrial do salazarismo irrompeu  nestas terras do oeste português ,na sequência da  adesão de Portugal em 1959 á Associação Europeia de Comércio Livre,EFTA, na designação inglesa.As particularidades referidas e  mercado protegido foram  "chamariz" que atraíu a Portugal, numero considerável de empresas,a maioria  já abandonou o País.No entanto venceu a ideia  dum movimento irreversível,as pessoas acreditaram.Não passava de quimera  Portugal rural,anafabeto obediente ao "chefe", evoluiu conforme esperado. Ouvimos  de novo "loas " ao trabalho agrícola e  virtudes da vida no campo.Para  bem e para  mal este é  tempo das cidades,da cultura urbana. Falta "demolir" as paredes que o Estado Novo ergeu. Entre  tradição e modernidade a agonia de Portugal continua.Adeus Rua da fábrica.Terminou o teu tempo?...

 

Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 16:12
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Domingo, 5 de Maio de 2013

UMA ALDEIA "PERDIDA"

O interior do território português é referido de amiúde por causa da sua crescente desertificação humana,e também, porque as aldeias vão definhando. Algumas já não existem, outras estão em risco disso. Contudo, este fenómeno também se verifica no litoral, onde, igualmente, podemos encontrar exemplos de povoações, desaparecidas. Com o decorrer do tempo deram origem a lendas e quimeras.

No concelho de Sintra detectamos uma situação cujo conhecimento poderá interessar a alguns dos que nos visitam. Os factos são: No antigo termo de Sintra, fronteira com o extinto concelho de Belas, existiu um povoado com alguma importância. Acerca dele têm sido publicados vários estudos, atribuindo às ruínas no local, origem remota,com mais insistência,do período da dominação romana. Não contestamos essa possibilidade, porque não somos "especialistas" na matéria. Alertamos para o facto de em Portugal, ser costume afirmar, normalmente, algo antigo é romano ou do tempo dos "mouros".

Estas reflexões ocorrem-nos a propósito de Rocanes, topónimo de singularidade encantadora, hoje transformado numa pedreira e ponto de referência em cartas cartográficas, assinalado entre Massamá Norte e o Casal de Colaride no território Sintrense. Rocanes, em 1610 era uma Aldeia, referida como tal em documentos da época. Os moradores cultivavam as terras desde o cume do monte, encosta abaixo, até a Ribeira do Papel, onde ficava a Azenha de Rocanes funcionando,talvez, no Inverno, quando o caudal de água, era suficiente. No restante tempo do ano, os habitantes utilizavam o moinho de vento do povoado,"o moinho velho de Rocanes".

Rocanes sofreu grande destruição com o terramoto de 1755, além disso por sucessivas aquisições das propriedades circundantes os Rocanenses,tiveram de procurar outras paragens, os novos senhores não permitiriam a sua presença. Rocanes desapareceu, os vestígios que vão surgindo devem representar vários períodos históricos, no entanto, uma coisa é certa: Rocanes, uma aldeia como tantas outras, sofreu as consequências das vicissitudes do tempo, caindo no olvido. Por momentos deixou de ser uma aldeia perdida, devido a este singelo apontamento....

 

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Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 17:31
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Quarta-feira, 3 de Abril de 2013

LUGARES DE DEGREDO

As ordenações régias e posteriormente o código penal, previam uma punição: a pena de degredo que consistia na obrigação de passar um determinado período de tempo, em locais para tal escolhidos nas possessões de além-mar (Brasil  e África), ou no interior de Portugal. O sitio mais usado desde o século XV, foi Castro Marim, situado no Algarve onde passaram muitos dos condenados pelo tribunal da inquisição e tribunais comuns.

No século XIX, depois da independência do Brasil fora do reino o degredo na maioria dos casos era para Angola. No interior, Castro Marim continuava  "couto" preferido.Todavia El-Rei D.Miguel, por decreto de três de Outubro de 1831, promulgado no Palácio de Queluz ordenou:

"...Tendo melhorado muito a Villa de Castro Marim, os juízes quasi já não condemnão Réos alguns em Degredos para alli, mas são mandados para fóra do Reino muitos, que bem podião expiar as suas culpas em Degredos dentro delle, se houvessem designados Lugares para isso aproriados, resultando daqui o inconveniente, de que,augmentando-se o numero de Degredados para o Ultramar, se faz mais difícil a sua remessa aos Lugares, para onde são destinados; E querendo Eu a isso obviar: sou servido que dora em diante, em lugar da Villa de Castro Marim, os Juízes condemnem a Degredos para a cidade de Miranda na Província de Trás-os-Montes, e para a Villa de Sagres, no Reino do Algarve".

Este documento, assinado em Queluz, tem informação relevante, permitindo constatar que na escolha dos lugares de degredo, no interior do País, um dos critérios era  tratar-se dum sítio, onde faltava quase tudo para tornar mais penosa a permanência dos condenados. Assim, Miranda do Douro e Sagres seriam nos anos de oitocentos, localidades, carenciadas de gente e haveres.


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Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 20:01
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Segunda-feira, 15 de Outubro de 2012

CARTA DO OCIDENTE NO DIA EM QUE O PAÍS VAI CONHECER OS TERMOS DO SEU DEFINHAMENTO

Não dizemos nada, não vale a pena, segundo a imprensa e televisão bandos de abutres atacam de noite os rebanhos, nas planuras da Beira onde se ergue a Capela de Nossa Senhora do Almourtão, e devem voar para a capital qual quarta invasão, maldita. Os outros espécimes daqui já devem ter emigrado os seus capitais, para paraísos fiscais. Para a maioria que vive dos seus parcos salários e pensões está programada uma  lenta e atroz agonia. No entanto antes que nos fuzilem com a extorsão do nosso sustento, deixamos para que meditem um texto de Manuuel Laranjeira, enviado a D. Miguel de Unamuno em 1908.

"Em Portugal (veja a profundidade do nosso mal!) há almas tão sucumbidas que dizem que - tanto faz morrer dum modo como doutro. Esta insensibilidade moral é pior do que a morte, não é verdade?

Ás vezes, em horas de desânimo, chego a crer que esta tristeza negra que nos sobe da alma aos olhos; e, então, tenho a impressão intolerável e louca de que em Portugal todos trazemos os olhos vestidos de luto por nós mesmos.

É claro eu sou português e portanto filho dum povo que atravessa uma hora indecisa e crepuscular do seu destino (...) Será o crepusculo que precede o dia e a vida, ou crepusculo que antecede à noite e á morte?". 

Acreditamos que é aquele que precede a vida. Iremos afastar os abutres, "porque nem bispos nem pitonisas" têm poder para suster a nossa indignação,que é um direito de CIDADANIA.

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Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 16:11
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Quarta-feira, 22 de Junho de 2011

A PROPÓSITO DA POSSE DO GOVERNO SEM MINISTRO DA CULTURA

Dia 21 de Junho foi o solstício do Verão, gostaria de partilhar com quem lê os meus despretensiosos apontamentos e a propósito do enunciado no título, excerto duma carta de Manuel Laranjeira, escritor e médico que nasceu em 1877 na Vila da Feira, e se suicidou em 1912 em Espinho, remetida a Miguel de Unamuno, filósofo e professor catedrático da Universidade de Salamanca, grande conhecedor e amigo de Portugal, anti -franquista que nasceu em 1864 na cidade de Bilbau e faleceu em 1936 na "Salamanca (que) apascenta as raízes da minha alma". O texto epistolar é o seguinte :

 

..."O mal da minha terra,amigo, não é a demagogia: é a inépcia. Em Portugal não há demagogia: falta-nos fanatismo cívico para isso. Em Portugal o que há é uma inverosímil colecção de idiotas. A demagogia é um mal, como tudo o que é sectarismo; mas é um mal que pode ser combatido e destruído. A imbecilidade, essa é que é um inimigo invencível. Fez-se a revolução. Foi uma verdadeira revolução? Não, foi apenas um povo que mudou de traje. Por dentro estamos na mesma. O nosso grande mal é pensar como aqueles indivíduos que se  julgam hipercivilisados, só porque andam vestidos pela última moda de Paris.

A revolução política para ser fecunda tinha de ser acompanhada dum revolução intelectual que não se fez, nem há indícios de fazer-se. O povo português apresenta-se ao mundo civilisado por fora, e o que é preciso fazer, o que é urgente fazer, é civilizá-lo por dentro. Mas nisso ninguém pensa, tão convictos estão todos de que para civilizar um povo basta fazer-lhe mudar de gravata.

Eis precisamente o nosso mal: é ninguém sentir necessidade de fazer CULTURA, é ninguém compreender que a inteligência é o grande capital dos povos

modernos e a CULTURA a mais fecunda das revoluções. Somos incultos, mas esse não é o mal irremediável: o mal irremediável é a inépcia, é ninguém ter a compreensão (ou o pressentimento sequer) do que seja-a CULTURA. O terrível é não sentirmos o desejo de ser civilizados e contentarmo-nos só em parecê-lo.

E senão veja o governo da República acaba por exemplo de decretar a fundação de mais duas Universidades, uma em Lisboa, outra no Porto, quando o que havia a fazer, antes de tudo, era demolir aquela que existe. Três Universidades numa terra onde mal se podem arranjar professores para uma só!

Um dos flagelos de Portugal era o analfabetismo do povo: agora chove-nos mais esta praga - o analfabetismo dos doutores. E é assim que a inépcia desta gente confunde CULTURA com diploma e julga  que para civilisar o povo basta infectar o país de diplomados. Quanto á inteligência, essa em Portugal continua a valer o mesmo - nada"

Esta carta é datada de 1911, decorridos 100 anos parece que pouco mudou. Sem comentários cada um fará o seu juízo. Quando me ocorreu escrever este "post" à sombra dum florido castanheiro da quinta grande de Meleças, pensei terminá-lo com uma citação de Unamuno:

"Cristo nosso, Cristo nosso! Porque nos abandonastes."

 

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Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 12:51
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Sábado, 7 de Maio de 2011

POEMA COM ÁRVORES

O  pinheiro e a romanzeira

 

 

 

« Foi-te bem grata a sorte

quando se dignou pôr-te,

Arbusto,ao pé de mim»

 

Dizia, altivo, assim

um pinheiro elevado

a uma romanzeira,

 

que vegetava tímida a seu lado

e concluía a árvore altaneira :

                                                                    

-«Por mais que brama o furacão horrendo

tu não tens que temer:eu te defendo»

 

-«É certo respondeu-lhe o humilde arbusto

que me defendes, ó pinheiro augusto

algumas vezes contra as ventanias

porém tiras-me o sol,todos os dias».

 

Assim talvez,um protector sublime

sob a aparência de favor - oprime.

 

                                                                                                                              

Este poema está incluído no livro, Relâmpagos, publicado em 1888 por Fernando Leal "soldado e poeta"natural de Margão, na antiga Índia Portuguesa, nasceu em19 de Outubro de 1846, e faleceu em 10 de Junho de 1910.Era tio pelo lado materno, de Leal da Câmara, o grande impulsionador do desenvolvimento da Rinchoa, e que legou a Sintra a Casa Museu com o seu nome. No momento em que tanto se fala de "ajuda" a Portugal, o poema dá que pensar.Deixamos à consideração de quem nos lê...                                                          

                                                                     

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Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 15:19
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Domingo, 7 de Março de 2010

TOPONIMIA SINTRENSE - GALAMARES

No seguimento do que temos referido em anteriores apontamentos decifrar o significado e origem dos topónimos, é  tarefa que requer, não só estudo mas também a observação do local. Nem sempre esse procedimento é seguido  pelo que as explicações encontradas carecem de fundamento. Assim, atribui-se à lenda ou a outras fantasiosas ocorrências o aparecimento do nome dum sítio, sem preocupação de questionar o facto, vejamos o caso de GALAMARES perto de Sintra.

O Visconde de Juromenha, no seu livro "Cintra Pinturesca" refere: "pretendem que o nome de Gallamares seja vocábulo corrupto de Alaga-Mares por chegar antigamente a maré a este sítio e alagar-se na sua enchente o vale". O  autor escreveu "pretendem", sinal evidente das suas dúvidas. Seguindo a metodologia proposta, a nossa interpretação é a seguinte:

Desde tempos imemoriais em Sintra e no seu termo  abundava   caça, nomeadamente, cervos, uma das antigas  designações para os   veados. Em Portugal, vulgarmente, aqueles eram conhecidos por Corços ou gamos. Os especimes mais pequenos, conforme o Dicionário Houaiss, têm o nome de gamela (pequena corça). Estes animais viviam nos bosques e alimentavam-se nos prados circundantes. Em Sintra habitavam na serra, descendo para varzea de Galamares onde dispunham de pasto e água. A  caça ao corço era feita a cavalo, dificil nas penedias serranas pelo teria de realizar-se em terreno menos acidentado,no sopé da montanha. Ainda de acordo com o livro citado, no foral de Sintra de 1154 aparece o rio Gallomar, o vocábulo galamar deriva de "gamelar", antes da fixação da tradição oral num texto escrito a pronuncia do LÊ e do MÊ por serem identicas modificou algumas  palavras, durante muito tempo simplesmemte "ditas". São conhecidos topónimos relacionados com a abundancia de  animais para caçar: coelhal, raposeira, lebres, vale das porcas, vale de lobos vale das rolas, cerveira, etc. Nos gamolares ou gamelares caçavam-se  gamos e corços. O rio gallomar era o Rio dos Gamos ou dos veados.

No concelho de Sintra encontramos topónimos de origem arabe com o prefixo AL, nesta perspectiva teremos de admitir a possilidade de galamares ser  ALGAMARES isto é o sítio dos gamos. Deste modo Galamares significa local onde  abundam gamelas ou corças ; um gamelar ou melhor os gamelares da vila.

Saudemos o Rio dos Gamos,  deixemos de lado qualquer alagamento, ainda por cima se a água do mar chegasse alii, teria  tornado a terra estéril por causa do sal, felizmente, o solo desta região sempre foi conhecido pela sua fertilidade. 

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Publicado por Júlio Cortez Fernandes às 17:01
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