Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Tudo de novo a Ocidente

TOPONÍMIA SINTRENSE - ALFOUVAR

Situado no centro da antiga freguesia de Almargem do Bispo, o lugar de Alfouvar é  rincão fertilíssimo na produção de  horticolas, e " poiso " de antenas para recepção de comunicações via satélite.

A raridade do topónimo, despertou a minha curiosidade. A aptidão agrícola, parecia indicar  origem óbvia. Alfouvar teria surgido do vocábulo, " alfobre ", que significa : canteiro,viveiro onde se criam plantas,lugar onde se produz grande quantidade de qualquer coisa. se era evidente,fiquei de pé atrás e decidi aprofundar estudo.Ainda bem.

Há pouco num documento , relativo aos bens da igreja matriz de Santa Maria de Loures, deparei informação segundo a qual ao priorado daquela igreja, pertencia  prédio rústico,denominado casal de Alfavaiar, ou Alfouvar , sito nos limites da freguesia de Almargem do Bispo, concelho de Sintra.

O documento é de inicio do seculo XX, Alfouvar , é conhecido pelo nome actual desde século XVII, sendo assim designação Alfavaiar é anterior; deve ter sido essa a inicial,

Alfavaiar, provem de Alfavaca, erva, utilizada para confeccionar licores, e usada na medicina com fins terapêuticos pelas suas propriedades estimulantes e antiespasmódicas; na cozinha é apreciado condimento,a alfavaca, não é nem mais nem menos  que  " SEGURELHA ".

Assim, Alfouvar é corruptela de alfavaiar,  como demonstrei, em " lato senso" campo de segurelha.Feito... 

 

P7227555.JPG

 

 

 

RASTO LUMINOSO DO " MONTEIRO DOS MILHÕES " NO PALÁCIO DE QUELUZ

A Quinta e palácio da Regaleira, situados na Vila  de Sintra, são as referencias  ocorrem rapidamente , quando falamos do Dr. Carvalho Monteiro.Onde se admira belíssima e singular capela.

P3287309.JPG

 

Todavia no Município de Sintra, deparamos com outro património ,igualmente relevante , que chegou aos nossos dias graças aquele filantropo e culto capitalista.

Em carta de 27 Março 1947 remetida ao Director Geral da Fazenda Pública, o Conservador do Palácio Nacional de Queluz, informava o lustre de Veneza, ultimamente adquirido por essa Direcção Geral,foi ontem transportado para este palácio , e já se encontra  montado na sala das Açafatas.

Relembro o Palácio Nacional de Queluz , foi destruído parcialmente,por pavoroso incêndio a 4 de Outubro de 1934. De imediato dado inicio a recuperação do monumento ,  ao longo dos anos o Estado adquiriu, obras de arte e mobiliário para completar o recheio, que também recebeu valiosas doações de particulares.

Em 25 de Novembro pelo visto data muito profícua da nossa história recente, no distante 1946,um comerciante de Lisboa,em carta ao Director Geral da Fazenda Publica,informava: 

" sou proprietário de riquíssimo lustre de Veneza, autentica peça de museu, único em Portugal, que pertenceu ao Exmº Sr. Dr. Carvalho Monteiro ( Milhões ) E de um efeito deslumbrante , completamente colorido. Tem 14 braços de iluminação ". Propunha a venda da peça , pela quantia de 65.000$00,por considerar  poderia interessar para um palácio do Estado.

Mandado avaliar o lustre, além de concordância relativamente a beleza e raridade,fizeram contra proposta de compra por 45.000$00, que viria a ser aceite pelo vendedor.Inicialmente os serviços estatais,pretenderam  instalar o lustre no Palácio das Laranjeiras, recentemente adquirido.

felizmente venceu a ideia de colocar no Palácio Nacional de Queluz. Quem visitar o magnifico monumento, poderá admirar na sala das Açafatas da Rainha. o lustre veneziano " rasto Luminoso " do senhor da Regaleira , António Carvalho Monteiro, popularmente citado em função da sua opulenta fortuna, " Monteiro dos Milhões ".

 

 

A SOMBRA DO RELÓGIO DE SOL

Numa urbanização no Município de Sintra, concretizada na década de 80 da anterior centúria, desejaram os promotores, idealizar uma praça na qual se instalou um medidor de tempo, aproveitando a luz solar e sombra por ela desenhada.

Talvez a ideia principal tivesse sido colocá-lo no centro do empreendimento e ficar como marco para memória futura dos seus moradores, lembrando importância do tempo na vida humana. Pretendia-se "medir" para realçar a qualidade finita do tempo humano, que se conta em séculos,  e o divino na eternidade.

Santo Agostinho definiu tempo como: "imagem móvel da imóvel eternidade". Talvez estas congeminações fossem possíveis se o projecto do relógio de sol, não tivesse ficado "tolhido" na sombra dos  altos prédios circundantes da praça. Neste caso, falou mais "alto"  o lucro da obra do que o regalo do espírito.

Assim sem sol o "medidor do tempo" parece a vela de imaginário veleiro, encalhado num mar sem água nem porto.

P7087519.JPG

 

 

 

SABORES DA ROTA DO PREGO E DO BITOQUE

Já demonstrei a origem sintrense do petisco culinário "prego".

Esta particularidade permite desde há um século que o Município de Sintra, possa ser considerado território onde os pregos e bitoques são servidos e confeccionados com esmero inquestionável.

Desde o "primeiro" Arco-Íris em Rio de Mouro, foram surgindo disseminados por toda a geografia de Sintra, estabelecimentos onde a degustação dos pregos e bitoques é igualmente possível, com a mesma qualidade e proveito.

O  "Rui dos Pregos" estabelecido em Rio de Mouro, no Cacém, em Odrinhas e até nas  docas de Lisboa, é conjunto de "balcões" onde saborear o sintrense petisco é regalo para a vista e para o paladar.

Sou assíduo cliente no "Rui dos Pregos" do Cacém, aliás mais próximo de Rio de Mouro que do centro da vizinha freguesia. O serviço é sempre impecável, os empregados atenciosos e cordiais, permitem que semanalmente cumpra o ritual de saborear "pregos" qual  "faquir".

Bom proveito!

P7077515.JPG

P7077516.JPG

 

 

JANELA DISCRETA

Diversa da " cinéfila " esta é uma discreta " ventana " adorna a parede de solarenga construção no remanso de pacata povoação do alfoz sintrense.

O ferro forjado protege , portadas de madeira centenárias que garantem a privacidade do interior.

A burguesia e nobreza de antanho,com quintas e moradas " nos saloios ",eram ciosas das suas propriedades e defendiam-nas da indiscrição dos caminhantes,  daí abundarem exemplos como da imagem.

P7077512.JPG

 

PEREIRAS BRAVAS VOLTAM A RINCHOA

Em apontamento publicado neste "blog" no dia 2 de Julho de 2007, escrevi acerca da origem do topónimo Rinchoa. A natureza quando não condicionada pelo ímpeto modelador da acção humana, tende a conservar ou recuperar "territórios" e particularidades, que caracterizaram desde sempre os sítios.

O processo de ocupação urbanística desregrada modificou o aspecto da fauna e flora de grande parte do Município de Sintra. No entanto, bastou um hiato, uma travagem inesperada na "gula" dos especuladores imobiliários, e eis que lentamente, vão "ressurgindo" muitas singularidades que se julgavam perdidas para sempre.

Na Rinchoa as pereiras bravas, origem do topónimo do lugar, lenta e seguramente estão de volta à terra de onde as pretenderam erradicar.

Deixo foto de uma pereira brava carregada de "rinchoas", que nasceu espontaneamente nas traseiras de  prédio em plena encosta.

P6217496.JPG

 

REQUIEM POR ÁRVORE CENTENÁRIA

Em 20 de Junho de 2008, publiquei, um post com titulado: "As Magnificas Tílias da Rua do Juncal na Rinchoa", o texto era ilustrado com a foto de duas tílias, uma delas pelas características e porte era centenária. Uma década volvida e a tília centenária, acabou assim...

P6217498.JPG

Árvore sem doença conhecida,  aparentemente sem causar dano algum. Um néscio deve ter movido influencias e a tília foi derrubada. Mais palavras para quê? Fico triste e manifesto a minha repulsa por tão injustificado arboricídio.

DESTA ÁGUA NÃO BEBEREIS

Durante séculos o abastecimento de águas as populações rurais de Portugal, foi deficiente , sendo por isso frequentes  epidemias de febre tifóide.

O concelho de Sintra , malgrado ser próximo da capital, apresentava o mesmo nível de carências. Em 1865, grassou grave epidemia. cujas causas foram atribuídas a insalubridade de águas para beber; procedeu-se a inquérito do qual resultou informação interessante : 
" Na Azoia, a caminho do Cabo da Roca,o povo usa as águas de uma ribeira, que passa no meio da povoação, carregada de imundices; no Algueirão a fonte pública fica inferior a estrumeiras que inquinam a água ao ponto  de que no Verão se lhe nota a cor, cheiro e gosto de estrume; na Abrunheira fica igualmente a fonte inferior ao tanque das lavadeiras o que dá azo a que durante o estio se corrompa " 

" Nas povoações acima indicadas há nos pateos das casa grandes estrumeiras, e nas ruas delas charcos e pântanos , e que estas causas reunidas concorrem para o desenvolvimento das febres tifóide que ultimamente ali apareceram."

Foi ordenado a Câmara municipal de Sintra para fazer construir chafarizes ou fontes nestas e noutras povoações .E se proibissem estrumeiras dentro dos povoados.

Foram construidas algumas fontes, diversas de " chafurdo " ,e a problemáticas das febres tifóde recorrentes, manteve-se até não há muito tempo, sobretudo em pequenas aldeias do campo " saloio".

Em várias procedeu-se a abertura de poços de onde a água era extraída através de bombas manuais, de restam exemplares como o da foto, e que coroa  poço já seco.

A questão do abastecimento de água de qualidade a todo o Município de Sintra e concelhos circunvizinhos só ficou resolvida com as alterações sociais e políticas da Revolução de 25 Abril 1974.

P6177483.JPG

 

MARAVILHAS DOCES DE PORTUGAL

Amiúde surgem iniciativas para encontrar no "terrunho" pátrio maravilhas disto e daquilo, agora decorre para "encher" tempo estival de antena de estação televisiva, uma destinada a divulgar especialidades ditas "doces" em cada distrito que pelos visto não foram ainda extintos como já deveriam ter sido, acompanhando os "defuntos" governos civis.
Na Grande  Lisboa, além das propaladas "gulosices" pastelares, há alguns doces pouco referidos, no entanto, dignos de figurarem na galeria dos maravilhosos doces de Portugal.

Refiro-me a uma pérola do universo "docelar" ,  antigo e muito delicioso de seu nome "Fofo de Belas", esse mesmo, orgulho da antiga e nobre vila de Belas, no Município de Sintra. Sou apreciador da iguaria, fabricada segundo bem guardada receita, desde 1850  tempo em que ainda existia o concelho "Belanense".

Acompanhado com cálice de vinho moscatel o "fofo" assume ainda sabor mais requintado. Continuem  pesquisar e elaborar a lista de doces maravilha, este doce Sintrense, não deixará lugar cimeiro onde se encontra, assumindo sem qualquer contestação  cognome: "Fofo de Belas, Marquês de Todos os Bolos da Casa Lusitana".

P6257502.JPG

 

ANTIGAMENTE NO COMBOIO de SINTRA HAVIA SEGURANÇA E RESPEITO

Ouvimos com frequência afirmações do tipo: "antigamente havia mais segurança e respeito no comboio da linha de Sintra". No entanto estudamos a problemática e constatamos, não era bem assim.

Deixando de lado as condições de transporte com passageiros dependurados nas portas, e outras situações de "aperto", no interior das carruagens, deparávamos quotidianamente situações como a relatada no "Jornal de Sintra" precisamente, em Julho de 1968.

Apesar da censura vigente saiu, texto da local, cada um retire as ilações que quiser, porque neste como em outros aspectos nem ontem era "paraíso" nem hoje é  "inferno". Meditemos pois... 

acpcasino.jpg

 

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Links

Curiosidades sobre o autor

Comentários - Alvor de Sintra

Quadros para crianças

Sites e Blogs de Interesse

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2007
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D