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Tudo de novo a Ocidente

SINTRA NO "BRUMÁRIO"

 

Quando pretenderam alterar os nomes dos meses do ano, os revolucionários na França, do século XVIII atribuíram a Novembro o nome de Brumário, porque, Novembro à latitude de Paris marca geralmente um tempo de nevoeiro e neblinas. Em Sintra pelo contrário, corresponde a uma época de temperaturas suaves matizando-se a paisagem de diversas tonalidades.

De qualquer um dos miradouros de Sintra o arvoredo do Outono proporciona enquadramentos visuais de beleza sempre renovados em cada ano.

O horizonte onde em todos os ângulos se perfilam os esguios fustes das araucárias, oferece a quem tranquilamente observa, àrvores cujas folhas parecem ter sido misteriosamente polvilhadas, quem sabe por um dos seres mitológicos, que supostamente deambulam na "Serra da Lua".

As lendas são um alimento do nosso imaginário, ainda assim, é possível em Sintra ter diante do nosso olhar um continuo vegetal sem vislumbrar o casario.

Estamos por isso num sítio onde se pode aplicar sem controvérsia o antigo provérbio.

 

 

 

Com água, e com sol, Deus é criador...

     

A ACÁCIA DA IDANHA...PRÓXIMO DE BELAS

Belas, sendo hoje uma simples freguesia do Concelho de Sintra, foi cabeça de um Município até 1855. Pertenceu à Casa dos Marqueses de Belas, no seu termo ainda é possível observar diversas quintas onde a aristocracia lisboeta costumava veranear.

Belas, possui um conjunto de características que lhe dão um cunho de mistério e distinção, próprio dos lugares de eleição. O vale onde se situa, e as encostas adjacentes, que a construção ainda não ocupou, estão revestidos de frondoso arvoredo que no Verão proporcionam um ambiente de agradável frescura. Como curiosidade referira-se, a existência na Quinta do Senhor da Serra, de duas alamedas uma com 120 "BUXUS SEMPERVIRENS" e outra com 15 PLÁTANOS que foram declaradas de interesse público em 2001.

No entanto, o nosso apontamento tem como objectivo chamar a atenção para uma majestosa árvore situada no sítio da Idanha, no cruzamento da Avenida Veiga da Cunha com a estrada para a Agualva e a Venda Seca. Trata-se duma Acácia com um aspecto vegetativo vigoroso e com um tronco denotando ser um exemplar de idade avançada. O local apesar de ter transito intenso está dotado de um pequeno recanto para lazer, perto da acácia.

Porventura poucos se interessam na árvore, por isso seria útil identificá-la, assim talvez fosse, admirada como merece.

Desconhecemos quem terá mandado plantá-la, deverá ter um qualquer significado, porque segundo Chevalier e Gheerbrant (1982): "por toda a parte se pode ver, portanto, a acácia ligada a valores religiosos, como uma espécie de suporte do divino, no seu aspecto solar e triunfante".

Sendo uma árvore notável, a acácia da Idanha merece a nossa atenção, já agora porque não declara-la de interesse público? Outros elementos sobre as acácias constam do nosso "post" de 8 Fevº p.p.

Doravante esta ACÁCIA poderá ser conhecida, como é devido, não só por quem passar  no local mas também observando aqui a sua imagem.

 

 

 

UM PINHAL "URBANO"

É habitual para tornar os aglomerados urbanos mais aprazíveis plantar árvores e ajardinar com relva e flores os espaços exteriores para fruição dos moradores. As urbanizações que foram surgindo na periferia das grandes cidades, como Lisboa nos anos 60 do século XX, careciam de todo o tipo de equipamento, incluindo algumas árvores nos passeios.

Os primeiros habitantes oriundos dos meios rurais, aqueles que nas palavras de Pio XII: "Deixando as regiões onde dominava uma vida austera afluíam constantemente á cidade homens cheios de saúde e ardor ricos de experiência gerações laboriosas, daquelas de que a Nação necessita para as tarefas difíceis e para o exemplo do seu povo."

Muitas das apreciações  de teor depreciativo que se fazem sobre a "qualidade" das construções edificadas naquela época, não podem esquecer que muitos dos que as vieram ocupar provinham de zonas de Portugal onde não existiam, abastecimento de água domiciliário, electricidade. Em 1950 somente 10% das habitações das áreas rurais dispunham de casa de banho. Para esta gente foi uma mudança radical a vinda para a cidade.

O concelho de Sintra de 1960 a 1970, passou de 80.000 para 127.000 habitantes. Esta referência ilustra a força da corrente migratória, e como era difícil aos moradores preocuparem-se com outras coisas para além da casa e do trabalho.

Paulatinamente a mudança está em curso, as pessoas na maioria dos casos melhoram o seu nível de vida e têm outro grau de exigência e esperam que os que governam nas autarquias e no governo promovam medidas que melhorem o espaço público factor indispensável ao convívio e lazer.

Felizmente na voragem das modificações verificadas restam vestígios do que seria o coberto vegetal dos sítios antes da fase dos loteamentos. Exemplo disso é um denso conjunto de pinheiros mansos, ainda hoje existente na beira da Avenida que dá acesso á estação de Meleças. Formando um local agradável serve de poiso a uma numerosa colónia de rolas as quais os pinhões dão  alimento. Nos termos do PDM estes pinheiros estão protegidos

e ainda bem: são um factor de embelezamento duma zona densamente povoada. Têm mais de 50 anos, nasceram espontaneamente sendo, ainda mais dignos da nossa admiração pois formam um verdadeiro pinhal "urbano".  

A ÁRVORE - ORNAMENTO E DISTINÇÃO

É comum  associar as árvores à produção de madeira frutos e a retemperadora sombra. Se outros atributos não tivessem, estes seriam suficientes para cuidarmos da sua conservação e respeitarmos quem contribui para nos alegrar a vista e purificar o ar que respiramos.

De vez em quando, deparamos com exemplares plantados em locais e situações que suscitam, imaginários pensamentos, sobre o porquê de tais ocorrências. Isto leva-nos para outro dos aspectos ligados as árvores: o mágico e o simbólico. Vem tudo a propósito de dois magníficos FREIXOS que ladeiam a entrada duma formosa quinta, situada próximo de Paiões na Freguesia de Rio de Mouro no Concelho de Sintra. Esta freguesia é a par da vila  sede aquela onde encontramos mais quintas.

Observando os freixos, podemos constatar serem de idade avançada visto os seus troncos se  apresentarem com o interior oco, como se pode notar no sopé.

A quinta é do século XVIII, devendo remontar aquela época, o plantio das árvores, cujos os fustes, quase iguais, permitem concluir terem idade semelhante. A quinta já teve vários proprietários na actualidade pertence a um estrangeiro.

Quando o seu primitivo dono plantou os freixos, parece ter tido a preocupação de os colocar  em posição de "guardiães " da entrada, e escolheu uma espécie de folhas sempre verdes, desse modo ideal para embelezar o acesso da sua propriedade.

Por ouro lado o freixo, simbolicamente representa, a perenidade da vida que nada pode destruir. A preocupação humana de deixar uma marca para além da passagem por esta vida. Como os freixos segundo antigas crenças servem para afugentar as serpentes, talvez se pretendesse resguardar a quinta dos perigos e  invejas. Quem sabe?

Uma coisa é certa estas duas árvores formam um conjunto distinto e ornamental que passa despercebido, para evitar isso, fica a imagem.   

UM LAVADOURO SINGULAR NO MUNICIPIO DE SINTRA

Na Ribeira da Lage, entre os muros da Quinta do Pinheiro, encontramos um antigo lavadouro construído para servir as populações das aldeias das redondezas: Covas, Paiões, Serradas, Albarraque e os diversos Casais circundantes. Aproveitando as águas da ribeira que para o efeito eram sustidas por um pequeno açude provido duma comporta.

O local para a lavagem, está em patamares que ladeiam a represa, onde foram colocadas as pedras sobre as quais se  ensaboava a roupa, ao lado de cada uma está uma cavidade  para colocar o sabão.

O conjunto forma um pitoresco exemplo dum local onde, até aos anos 70 do século XX, as mulheres desta região lavavam a roupa com os pés mergulhados na fria água da corrente. Hoje poucos se lembram das dificuldades que a realização das chamadas tarefas domésticas implicavam, incluindo o simples cuidado com a limpeza das roupas. Imaginamos as "donas de casa", percorrendo longos caminhos com carregos à cabeça na ida e volta do lavadouro, cansadas entoando, quem sabe, alguma cantiga para aliviar as suas fadigas.

Este património singular devia ser preservado e assinalado, possibilitando o seu conhecimento porque exemplos como este não são frequentes. O estado de conservação é excelente, pelo que devidamente protegido e classificado, pode transformar-se num ponto de visita até porque se situa a menos de 20 quilómetros do centro de Lisboa.

O concelho de Sintra e a Freguesia de Rio de Mouro, albergam um rico património em parte desconhecido como este caso ilustra. Dispondo de 6 pedras seria também, por isso, um ponto de encontro e convívio onde as frequentadoras actualizavam as novidades da vizinhança. 

 

 

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