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Tudo de novo a Ocidente

A FEIRA DE AGUALVA NO CONCELHO DE SINTRA AUTORIZADA EM 1853

Temos acompanhado a polémica sobre a mudança do evento em título para um local diferente do que hoje ocupa. Sem querer "armar barraca" em qualquer terreiro resolvemos escrever  um pouco sobre a história da feira, para trazer para o debate elementos que talvez ajudem a reflectir sobre uma eventual decisão.

No ano de 1853 um grupo de moradores da Agualva apresentou ao Governador Civil de Civil de Lisboa uma petição do teor seguinte:

 

"Mui Exmº Snr.

 Dizem os abaixo assignados habitantes do logar d`Agualva - fregª -e concelho de Bellas que tendo-se concedido um  Mercado franco em Bellas todos os 1ºs Domingos dos mezes,para assim poderem ter mais extracção as suas fructas,e promoverem muitas transacções sobre gados não pode progredir talvez por cauza da localidade.

Vem os suplicantes exporem estas circunstâncias,e pedirem a mudança do dito  Mercado para o logar d`Agualva,persoadindo-se ser localidade mais própria para poder ter augmento, e resultar mais vantagem aos habitantes do concelho,principalmente aos lavradores portanto expressão e P.a V.Exª se lhes conceda a mudança da localidade atendendo aos motivos que alegão; e a ser no último Domingo do mez.

 

Agualva 17 de Janeiro de 1853"

 

O despacho do Governador Civil foi o de que nos termos do artº 123 do Código Administrativo de 1842 deveriam requerer à  respectiva Câmara. De facto, aquele artigo estipulava: "A Câmara delibera, sobre o estabelecimento ,supressão ou mudança de feiras e mercados"

Pelo que apuramos o pedido foi deferido.Está assim provado que o mercado da Agualva foi instituído por iniciativa dos seus moradores;faz parte do património e da tradicção da localidade devendo por isso permanecer em Agualva. A designação mais apropriada seria FEIRA  e não mercado, aliás o termo feira tem um toque mais "IN,veja-se a feira de Carcavelos ou a de S.Pedro. Mudar a Feira para a zona do Polis Cacém seria como transferir a Feira do Relógio em Lisboa para o Parque das Nações.

Para honrarmos a memória dos subscritores da petição, cujo o primeiro era Francisco José Thomas da Costa, a Feira deve continuar em Agualva e não ser deslocada para outro sítio fora da Freguesia.Deixamos cópia do Documento com o apelo de que se considere o passado dum sítio como um "bem" de natureza inalianável. Se algo está errado corriga-se, mas não se acabe com quase 160 anos duma realização que existe por vontade do POVO, e como diz a canção ELE é quem mais ordena .O bom senso e o Direito estamos certos irão prevalecer sobre quaiquer outros interesses. O concelho de Belas foi extinto em 1855 e a maioria do seu território incorporado no concelho de "Cintra" com então se escrevia. Este acontecimento não originou, como já vimos, o fim do mercado talvez porque já estaria arreigado nos hábitos dos moradores da AGUALVA. 

 

       

O RURAL E O URBANO...

Hoje é o dia que se convencionou para: "DIA INTERNACIONAL DOS MONUMENTOS E SÍTIOS".

Este ano com especial atenção ao património rural e Paisagens Culturais, deixando um pouco de lado estas últimas, e como em Portugal quando se refere o âmbito rural , se pensa  nos recônditos lugares do interior do território Pátrio, ocorreu-nos apontar um caso em que o rural e o urbano coexistem confirmando que em Portugal devido as extraordinárias migrações dos anos 60 do século passado, os que transitaram do campo para a cidade não romperam definitivamente a ligação afectiva e cultural com as terras de onde vieram. Deste modo é possível encontrar em zonas densamente urbanizadas, "sítios com genuíno património rural". Está neste caso um moinho de vento, recuperado pela autarquia local da Freguesia de Mira-Sintra no concelho do mesmo nome. Além de ser um elemento valorizador da paisagem tem também uma função cultural, pois permite observar como o moleiro utilizava o engenho para produzir a farinha moendo o grão. Já agora tentando "levar a água ao moinho" deixamos aqui uma sugestão e uma pergunta: A Câmara Municipal de Sintra não poderia promover a recuperação de alguns dos moinhos de vento que existem ao longo da estrada Sintra Ericeira? Seria assim possível criar uma atracção turística a que poderíamos chamar "ROTA DOS MOINHOS DO OCIDENTE"...

Por hoje deixamos a imagem dum moínho que  representa um caso exemplar de recuperação de património rural em meio urbano. 

 

TEMPO DE PÁSCOA E SUA RELAÇÃO COM A NATUREZA

O período Pascal pode ser motivo para diversas reflexões,conforme o significado que lhe seja atribuído. Na nossa civilização "judaico -cristã" a Páscoa está relacionada com o Equininócio, quer dizer igualdade de luz e trevas, porque nesta ocasião a parte clara do dia é idêntica a parte escura. Segundo os ensinamentos transmitidos ao longo de gerações todos nós só dispomos na nossa vida de um dia dividido em vinte e quatro horas. Deste modo a unidade de tempo que define a vida é a HORA ,daí dizer-se :chegou a hora ,em boa hora ou há horas para tudo.

A Páscoa ou melhor o Domingo de Páscoa por ser a primeira festa móvel regula todas que se seguem, entre as quais a de Quinta Feira de Ascensão, dia em que segundo as escrituras Jesus teria subido ao céu. Para não se confundir com a Páscoa judaica a Igreja Católica celebra o Domingo de Páscoa, no primeiro Domingo depois do quatrozeno da Lua de Março, ou seja aquele que se segue à Lua Cheia mais próxima do equinócio da Primavera a 21 de Março. Deste modo a Páscoa não pode deixar de ocorrer no espaço compreendido entre 22 de Março e 25 de Abril.

Apesar do cariz sagrado a ela atribuído, a relação com o ritmo da natureza está demonstrada. Na maioria dos casos calha em Abril

que deriva do latim "aperire" porque parece que a terra se começa a abrir para dar novas produções, a Páscoa é o tempo de passagem para uma nova realidade.Todavia a Páscoa também simboliza o meio, o lugar da virtude, porque antes decorrem os quarenta dias da Quaresma e após começam a contar os quarenta dias para a Ascensão. Curiosamente na região agricola que circunda Lisboa a Quinta -Feira de Ascensão é o dia do Feriado Municipal de: Alenquer, Arruda dos Vinhos, Azambuja, Mafra, Sobral de Monte Agraço, Vila Franca de Xira, Benavente e Cartaxo. É um dia santificado muito importante e está relacionado com a preparação da colheita dos cereais.

A Páscoa na nossa região é a ocasião em que florescem as "pascoínhas" de  que deixamos uma imagem recolhida perto de Sintra.

 

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