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Tudo de novo a Ocidente

"Ó VIVA DA COSTA" - PREGÃO DAS SARDINHEIRAS

Poderíamos começar este apontamento, como se fosse uma antiga crónica: neste ano da graça de 2012, de acordo com os dados do organismo responsável pelo acompanhamento da situação meteorológica, grande parte do território de Portugal, encontra-se em situação de seca severa. Não admira a maioria dos Portugueses já se tinha apercebido que devido à incompetência e inépcia das apelidadas "elites" dirigentes, estamos como se diz na gíria "NUMA SECA". Vai daí e para amenizar o entorno resolvemos escrever sobre um facto do passado da nossa região quase inédito: a importância piscatória do litoral de Sintra.

Quando 2007 iniciamos este nosso diálogo com os  leitores, deparamos com comentários, um pouco entre o jocoso e o condescendente, augurando falta de interesse de eventuais visitantes e  depressa iríamos "desaparecer", no entanto, tal não sucedeu este "sítio", vai acrescentando factos menos conhecidos sobre a ponta mais ocidental da Europa,que esperamos sejam do agrado,de quem nos lê. 

Além da reconhecida aptidão agrícola do solo,a região de Sintra, em finais do século XIX princípios do XX, albergava nas águas do Oceano Atlântico que banha a sua costa, abundantes cardumes de espécies piscatórias, nomeadamente sardinhas. A pesca fazia-se instalando armações, com copo "à valenciana". Este método constava de um aparelho fixo formado por um conjunto de redes, cabos  ferros e embarcações de uso  do mesmo aparelho. As armações começavam a faina em 20 de Abril, o levantamento efectuava-se até 30 de Setembro. A colocação destes aparelhos era feita a 4000 metros de terra, em águas de profundidade até 15 braças, cerca de 30 metros, deviam dispor de sinalização adequada, em dias de nevoeiro à sinalética habitual deveria acrescentar-se a sonora através de buzina, de noite era obrigatória a utilização  de luminárias, tudo para impedir o abalroamento por embarcações.

Na região de Sintra/Cascais existiam,em1904, duas armações, cujas distâncias angulares em terra,necessárias á sua localização, eram para a primeira: Farol da Roca à Peninha, Peninha à Bateria Alta, Peninha à Bateria do Guincho, enfiada da igreja da Areia á Peninha, um pouco á direita do grupo de casas da Figueira do Guincho. A descrição corresponde á zona do Cabo Raso ao Cabo da Roca.Estava concessionada á sociedade Galambas & Pessoa. A segunda tinha como pontos de referência em terra S. Julião. O Cabo da Roca, e enfiamento com o Palácio da Pena. Ou seja,entre o Cabo da Roca, Foz do Lizandro;propriedade da Companhia de Pescaria Ericeirense.

A pesca era abundante; os fortes das Azenhas do Mar e do Magoito, funcionavam como entrepostos fiscais da actividade (lotas). Os pesqueiros estavam próximos dos consumidores quando as"varinas" poisavam as canastras para a venda, a sardinha apresentava o aspecto reluzente da pesca recente, o pregão das vendedeiras na região da grande Lisboa foi durante décadas "SARDINHA Ó VIVA DA COSTA". Na verdade, era mesmo capturada na costa. Em pouco mais de cem anos a sardinha quase desapareceu do nosso mar. Ainda no recente período dos Santos Populares, atingiu preços proibitivos. Um peixe que os nossos trisavôs practicamente, apanhavam à mão nas praias entre o Guincho e a Ericeira. Alguma coisa se passou aqui, dá que pensar... No entanto, em questão de novidades, tivemos uma boa pescaria!? Oxalá.

 

OS CENTENÁRIOS PLÁTANOS DA VOLTA DO DUCHE NA VILA DE SINTRA

O meu querido amigo e ilustre sintrense José Alfredo da Costa Azevedo, escreveu no seu livro a Vila Velha (ronda pelo passado) e relativo a Sintra: "a volta do Duche". Já aparece referida num documento de 19 de Junho de 1888, com a designação de "Estrada Nacional nº88 que desta vila segue para Mafra".     

No entanto segundo outro de 1868, para a construção do lanço da estrada de "Cintra àVila Estephania" foi expropriada, pelo Ministério das Obras Públicas do Reino, uma parte da quinta denominada do "DOUCHE"pertencente a José Carlos O`Neil, sita na freguesia de S. Pedro, Concelho de Sintra.

Parece deduzir-se destes elementos que primitivamente a volta do duche foi aberta para ligar a Vila, ao seu "subúrbio" da Estefânia, como se dizia na altura, só mais tarde integrada na estrada 88, que durante o consulado salazarista, passou a designar-se EN.249.

Assim os plátanos que crescem na da volta do duche, no espaço que vai da actual fonte mourisca, e o local  de paragem dos autocarros de turismo, devem ter sido plantados por essa época, são pois centenários. A grossura dos  troncos impressiona. Temos escutado comentários do tipo"que idade terão?"

Atendendo ao numero de visitantes que passam junto às árvores, seria útil com uma informação sucinta em diversos idiomas, chamar a atenção para a provecta idade dos plátanos, e assim adicionar um motivo para admirar mais uma singularidade de Sintra.

Curiosamente o marco quilométrico da citada EN249, colocado na berma, um pouco antes da entrada para o jardim "PARQUE DA LIBERDADE", tem numa face a indicação Sintra (Estefânia) 1Km. A volta do duche surgiu para permitir acesso fácil entre Sintra e o seu novo "bairro" extra-muros, só mais tarde foi integrada numa estrada nacional, todavia agora pertence ao património Camarário.

 

O MAR TAMBÉM É MENSAGEIRO - EPÍLOGO

No seguimento  do "post" de 26 de Fevereiro de 2011,   quando descrevemos o episódio do "achamento"  na Praia Grande, conhecido local do litoral sintrense - "paraíso" dos praticantes de "bodyboard" duma garrafa solidamente capsulada, trazida por uma onda ao  areal, guardando uma mensagem   solicitando a quem  encontrasse devolvesse o original para a morada indicada na mesma. Ficou a promessa de mais tarde contarmos o epílogo. Um leitor, simpaticamente, lembrou-nos do prometido, e aqui está.

Foi atirada ao mar pelo capitão dum navio porta contentores. O endereço citado correspondia ao seu domicílio na cidade de EMDEN porto alemão no mar do norte junto à fronteira da Holanda com a Alemanha, como se observa no mapa que ilustra o texto. Passados quinze dias, recebemos um bilhete postal, escrito em inglês, assinado por uma senhora agradecendo o envio da mensagem, além disso, informava ser  autor da mesma  seu marido, entretanto falecido na sequência de enfarte, em Novembro de 2010. Concluía dizendo: teria ficado muito feliz, se tivesse tido o ensejo de saber que alguém a havia encontrado.

Como de depreende do relato, quando recolhemos a mensagem, já o seu autor falecera. Paz à sua alma.

Quem sabe que pensamentos "povoariam" a mente do marinheiro alemão ao realizar aquele gesto, quando navegava no oceano atlântico, golfo da biscaia, paralelo do porto francês de LORIENT, rumando a FLEIXSTONE, perto de IPSWICH, cem quilómetros a nordeste de LONDRES!? No entanto, graças a isso, ainda hoje o recordamos porque é tema deste nosso "encontro". A verdadeira morte é o esquecimento definitivo.

A FONTE DO PINHAL DO ESCOTO-RENASCER DAS CINZAS É POSSÍVEL

A quadra de Augusto Gil, que faz parte do seu poema "canção da mãe" :          

Iremos por esses montes

Altos e azuis como os céus...

que onde há "árvores" e onde há fontes

Está a mesa de Deus

Sugere-nos,algumas reflexões, a propósito, dum local do concelho de Sintra, que pela sua amenidade e encanto foi destino e pousada de milhares de pessoas desejosas de  disfrutar da sombra do pinhal e da frescura da água que corria duma bica existente bem no coração do pequeno bosque.

Ainda hoje na lembrança de muita e muita gente devem estar guardados, os momentos que tardes de domingueiros "pic-nics", proporcionaram. Não era só gente das proximidades, mas também outra vinda de longe até de Lisboa.

Falamos da fonte e do pinhal do escoto ou scoto, que ficava um pouco abaixo onde hoje está uma estação de serviço, na estrada entre a Rinchoa e o Algueirão .Dizemos ficava porque o pinhal ardeu, a fonte construída nos anos 30 do século XX por iniciativa da população, aproveitando a nascente que sempre existiu, foi abandonada e vandalizada.

O incêndio pode ter sido fortuito, mas a degradação da fonte deve-se à incúria e desleixo de quem deveria cuidar daquilo que faz parte da tradição e  vivência do povo, formando a "alma" dos lugares.

Já sabemos que a desculpa é a costumeira, "está em propriedade privada" etc. No entanto durante décadas a Fonte do Escoto de água fresca e cristalina saciou a sede de muitos cidadãos e permitiu o seu  convívio. Está transformada numa ruína, a água que brota, originou um charco insalubre e fétido .Uma informação dos SMAS de Sintra avisa "água não controlada". Pouca coisa! Aquela entidade tem  em execução uma importante obra para reforço do abastecimento de água ao Concelho, cujos trabalhos decorrem perto, porque não restaura-la e desse modo, demonstrar que as palavras de Augusto Gil tem razão de ser!? A despesa seria uma ninharia, no conjunto dos milhões de euros que irá custar a nova e necessária conduta. A fonte do pinhal do escoto era um "ícone"recordado com saudade. Ficava bem associar o renascer  da fonte com a obra referida. Mais água para Sintra, e mais cuidado com a protecção do património natural e histórico concelhio. A vila de Sintra teve sempre um termo ou arrabalde no qual a fonte se situa, mais um motivo para se agir. Fica a imagem e o apelo, oxalá nos vejam e ouçam.

 

 

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