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Tudo de novo a Ocidente

O QUARTEL DA VILA DE BELAS

O aboletamento,era uma acção que obrigava a alojar em casas particulares os militares, nas povoações onde não existissem instalações para o efeito, porque Belas fica situada num importante entroncamento de estradas, por onde transitavam amiúde contingentes de soldados, era frequente pernoitarem na Vila pelo que os habitantes eram chamados ao dever de os aboletar, o que causava incómodos de toda a espécie.

Quando foi extinto o concelho de Belas em 1855, a Câmara municipal de Sintra, para desonerar os habitantes daquele encargo, deliberou mandar disponibilizar instalações para o efeito. No entanto por falta de manutenção, em 1880 fazia-se eco;

"a casa que serve de quartel para a tropa que transita por Bellas, se acha em péssimo estado, e que estão também inteiramente arruinados os utensílios e as enxergas que por conta da câmara de Cintra ali foram colocados". As câmaras municipais não tinham obrigação de preparar aquartelamentos para as tropas em transito. Por isso: "Como o quartel que a câmara de Cintra estabeleceu em Bellas não tem as condições necessárias para o aquartelamento da tropa há de esta ser aboletada". Uma medida correcta que talvez por falta de meios acabou ingloriamente. Os recursos financeiros dos municípios foram sempre parcos. O municipalismo português teve sempre muitas competências,e pouco dinheiro para as exercer.Mais uma prova de que os governos do tempo actual não inovaram muito porque seguem os "tiques" do liberalismo do século XIX.

Não sabemos se a Câmara Municipal tomou alguma medida. O quartel estava situado no largo central de Belas onde hoje está o edifício da Junta de Freguesia. Pelo marco quilométrico da foto verificamos que Belas ficava, sensivelmente a idêntica distancia de Lisboa, Mafra, dizemos nós, também de Sintra.

 

 

 

 

UMA PARCERIA PUBLICO PRIVADA EM 1835

Diariamente falam escrevem comentam e... lamentam-se grupos de egrégios cidadãos, sobre os malefícios das designadas parcerias público-privadas, apontando os erros de tal método, considerando-o um expediente "inventado" pelos governantes dos tempos actuais, para enriquecerem escandalosamente, argumentando depois com uma desfaçatez inaudita que as condições desgraçadas que impõem aqueles que infelizmente governam, se devem ao facto dos pobres portugueses terem vivido acima das suas possibilidades. Dentro do "estatuto editorial" que livremente escolhemos para este blog queremos partilhar, a propósito do que para aí se diz; alguns parágrafos da intervenção dum ilustre deputado no parlamento da Nação em 1835:

"Hoje vou apresentar uma outra indicação, como já disse em que proponho uma associação para consertar a estrada LISBOA a CINTRA. Proponho que o governo (...) faça público que ele está disposto a receber qualquer proposta que lhe seja feita, para o concerto da estrada que vai de Lisboa para Cintra, concedendo ao empreendedor ou empreendedores que quiserem tomar esta empresa um direito sobre as carruagens, cavalgaduras e carros que seguirem esta estrada, devendo esta paga ser proporcionalmente maior para as carruagens visto que o seu excessivo peso permite que uma maior imposição pese sobre elas. Aos empreendedores será concedido o privilégio de ter uma diligência entre CINTRA e LISBOA, bem como mudas para as viagens que quiserem correr nas suas próprias carruagens. Isto pelo mesmo número de anos pelo que lhe for concedido os direitos de barreira. O ministro da fazenda, SILVA CARVALHO, concordou, porque principalmente agora  o governo está tratando com maior assiduidade empresas semelhantes". O presidente do ministério era o Duque de Palmela. Estávamos em pleno período de "privatização"  dos bens do clero e do começo daquilo que depois se designou "comer á mesa do orçamento". Fizeram-se fortunas colossais e o  povo vivia na mais negra miséria.

Aqueles que  vão alternando no poder aprenderam todos pela mesma cartilha sob o lema: Quem vai para ministro fará "pilhagem legal" se para isso tiver oportunidade. Tem sido sempre assim desde o começo do liberalismo em Portugal. Uma das primeiras parcerias público privadas, que se rubricaram, teve como motivo a reparação da estrada Lisboa a Cintra. Ainda há quem diga: a história não se repete... Note-se que o empreendorismo era já um "must" como actualmente. A estrada em causa começava em Benfica, e seguia depois pela Venda Nova Porcalhota, Carenque, Queluz, Tascoa, descida do Papel, ponte da Agualva, alto do Cacém, Rio de Mouro, Ranholhas, S.Pedro, S.Sebastião, Rio do Porto e Cintra. A via foi reparada, infelizmente aquela onde circula o quotidiano dos Portugueses tem cada vez mais buracos,provocados  por quem não sofre incómodos pois desloca-se de" helicóptero", e vive em condomínios fechados.

 

AFINAL A AMADORA NUNCA FOI " PORCALHOTA"

Em alguns casos  a falta de investigação adequada ajuda a propalar, ideias e conceitos, sem fundamento. A origem do nome da cidade da Amadora é um deles. Normalmente afirma-se que aquele nome surgiu porque a população não gostava de habitar numa terra conhecida por Porcalhota.

A verdade é simples de explicar, basta ler com atenção o decreto de 28 de Outubro de 1907, publicado no diário do governo nº218 de 6 de novembro de 1907, cujo texto é o seguinte:

"Nos termos do artigo 3º, 4º e nº1 do Código Administrativo, e conformando-me com a consulta do Supremo Tribunal Administrativo: hei por bem determinar que a povoação constituída pelos lugares da PORCALHOTA, AMADORA e VENTEIRA da Freguesia de Benfica, do Concelho de Oeiras, fique tendo a denominação comum de AMADORA.

O Presidente  do Conselho de Ministros e Secretário dos Negócios do Reino, assim o tenha entendido e faça executar. Paço em 28 de Outubro de 1907= REI = João Ferreira Franco Pinto Castelo Branco".

No dicionário geográfico do Padre Luís Cardoso, editado em 1751,aparecem os lugares da Porcalhota e Venteira, referidos como localidades  diferentes. Não há dúvida que durante muitas décadas a Porcalhota por ficar junto á estrada para Sintra e Colares, assumia a categoria de lugar mais importante, no entanto, os outros estavam   dela separados e ostentavam topónimos próprios. O sítio da Amadora deve ter surgido nos princípios do século XIX,e tal qual a venteira, igualmente isolado do da Porcalhota. A Amadora  desenvolveu-se urbanística e economicamente, a ponto de suscitar o decreto acima transcrito. O lugar da Amadora sempre foi conhecido por essa designação, assim é correcto o que escrevemos no título.

Comprovando o que afirmamos, em 1906, um ano antes do decreto citado, foi aprovado pelo Governo incluir no número de estradas municipais de 2ªclasse a estrada da Amadora á estação da Porcalhota.uma prova que eram povoados distintos. Convém lembrar que a Amadora actualmente é uma das mais importantes cidades não só do distrito de Lisboa, mas também de Portugal.

 

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