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Tudo de novo a Ocidente

MORADA DO GUERRILHEIRO

A toponímia e microtoponímia  e atenta "leitura " da paisagem  são  preciosas para conhecer, evolução social económica e política de determinada região acerca da qual não dispomos, outras  modos de informação.

A freguesia de São João das Lampas concelho de Sintra, cujo litoral serviu  para pesca  baleeira , e "fojo" de corsários,conserva topónimos que possibilitaram conhecimento abalizado da sua história.

A Samarra marítima, ancoradouro abrigado e seguro ,foi alavanca para  desenvolvimento da região durante séculos.

O esteio penetrava mais pela terra dentro do actualmente podemos observar.Sem duvida no medievo e antes, pequenos barcos procuravam ali acostagem. Corsários deviam utilizar o sitio assiduamente.

 Consequência ambiente belicoso do quotidiano da "costa dos piratas das Lampas",instalaram-se guerrilheiros que faziam da emboscada e rapina, modo de vida.Conhecidos por Almogávares, acometiam contra  mouros e piratas, sobretudo "argelinos" cujos navios fustigavam a costa  da Peninsula Ibérica.A tropa de Almogávares, designava-se Almogavaria.Destes vocábulos provém ALMOGRAVE,  curiosamente perto da Samarra encontramos o casal de Almograve,lugarejo, outrora "camuflado"em denso matagal e arvoredo, morada dos cavaleiros que atacavam quem utilizava a praia da Samarra para os aniquilar e também reaverem, produto das pilhagens  levado para as embarcações; significado, agora, não suscita dúvida. 

A toponímia é  campo fascinante de descoberta e conhecimento

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A FLORA DA RINCHOA DURANTE SÉCULOS FOI ASSIM

Quando iniciamos este blog, no distante dia 2 de Julho de 2007,explicamos  significado do topónimo .Terminamos com a conclusão seguinte:

"Rinchoa é em lato senso terra de pereiras, mata de rinchoeiros ou pereiras bravas,que produziam rinchões, ou quando o fruto era mais pequeno rinchoas".

Encontramos pessoas nascidas e criadas na freguesia de Rio de Mouro, hoje na casa dos 50 anos que contaram terem saboreado muitas vezes as pequenas rinchoas ou peras bravas,produzidas por rinchoeiros , abundantes nos terrenos onde está actualmente o busto do senhor Padre  Alberto Neto , e barreiras da linha de caminho de ferro do ramal de Sintra, a seguir a estação ferroviária de um lado e do outro da via

A urbanização galopante destruiu tudo, deixo imagem captei onde ainda podemos encontrar rinchoeiros em Portugal, em plena fase da produção. A rinchoa durante séculos foi assim

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TOPONÍMIA SINTRENSE - PRAIA DA SAMARRA

Praia da Samarra pitoresca e abrigada situa-se no litoral da freguesia de São João das Lampas, Município de Sintra adiante da aldeia de Cortezia,não muito distante da povoação da Assafora, uma das mais populosas da paróquia.

A praia forma espécie de ancoradouro natural abrigado e afastado do mar aberto;condições adequadas a desembarque dos corsários que durante séculos frequentaram este trecho da costa marítima de Portugal.

A origem do nome baseia-se na designação "samarra"  atribuída  porção de mar vai terra dentro  entre terreno declivoso de encosta proporcionando abrigo confortável aos mareantes , como era caso.

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ALMORQUIM A TERRA DO " HOMEM SANTO "

Aldeia do concelho de Sintra, freguesia de Terrugem, edificada perto da antiga estrada carreteira de Sintra para Mafra, ostenta topónimo único. O significado deveras interessante consumiu algum do tempo que dedico ao estudo da toponímia na região arrabalde da cidade de Lisboa.

Antigamente o sitio densamente arborizado, com floresta de carvalhos e faias. Local propicio a meditação e busca dos sinais espirituais da mãe natureza.

Aqui residiu alguém "ALMO" vocábulo quer dizer: que alenta que alimenta, benigno, vivificante, puro, santo, ilustre, respeitado, venerável.

Confirmando que escrevi acerca de Alfaquiques, Almorquim seria morada de um clérigo moçarabe, clérigo na nomenclatura arábica há séculos, também se designava ALFAQUIM, deste modo surgiu ALMOFAQUIM, pela "fala" quotidiana originou ALMORQUIM ou seja onde habitava um "homem santo" no tempo que os muçulmanos dominaram a região, e depois no período da consolidação do poder dos cristãos vencedores.

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TOPONÍMIA SINTRENSE - ALFAQUIQUES

No território do município de Sintra, encontramos diversas localidades cujo nome teve origem no tempo da dominação árabe. Alguns topónimos desta espécie são singulares, únicos  em Portugal, um deles: ALFAQUIQUES, povoação da Freguesia de São João das Lampas. A explicação do significado usualmente aceite é derivar do vocábulo: Alfaqui com o qual muçulmanos designam: clérigo ou jurista, doutor, sábio..

Investigando com cuidado, a nossa versão é diferente. Alfaquiques, corruptela de Alfaqueque que significa correio portador de noticias emissário, individuo encarregue de proceder a libertação de cativos, prisioneiros de guerra.

Curiosamente segundo as memórias paroquiais 1758, os habitantes da freguesia das "lampas",  "tem   o privilégio de se não fazerem soldados, pelo trabalho que tem de fazerem vigia ao mar". Neste trecho da costa marítima portuguesa actividade dos corsários era intensa durante séculos. Sítio de guerra quase permanente.

Alfaquiques situada num cume, do qual a vista alcança ampla porção de oceano, é apropriado a permanência de vigilante, depois iria levar a alcáçova de Sintra noticias do avistado mar dentro.

Alfaqueque, consequência do pouco cuidado da escrita passou a Alfaquique originando confusão, Alfaquiques ,devia ser ALFAQUEQUES, terra do correio,ou melhor do carteiro castrense, não a que o vulgo adoptou.

A  fonte da localidade fomos "beber" inspiração para chegar a nossa conclusão.

 

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TOPONIMIA SINTRENSE - ALDEIA DO MUSEU

No percurso rodoviário de Sintra à Ericeira, praticamente a meio caminho, num importante cruzamento viário surge Odrinhas, progressiva localidade, com sinais de dinamismo económico e habitacional que dentro de pouco tempo será mais populosa e importante que sede de Freguesia São João das Lampas, à qual pertence.

Aqui encontramos o Museu Arqueológico de São Miguel de Odrinhas, dos mais representativos na temática de epigrafia romana. Sempre senti certo fascínio por Odrinhas, algumas vezes cogitei acerca do significado do topónimo.

Odrinhas parece derivar de "odre": vasilha de pele de caprino, antigamente utilizada no transporte, líquidos, principalmente azeite e vinho. Seria fácil, se estamos a ver que é assim, está errado. Emile Durkheim, ensinava  devemos fugir das evidencias, nada é simples, aparências iludem

O território  de Odrinhas, durante séculos serviu de pasto ao gado, povoado geograficamente, colocação excelente a estrada sempre aqui passou. Sintra durante séculos, famosa pela manteiga  do seu termo. O leite para confeccionar, provinha em boa parte do planalto de São João dos Porqueiros, mais tarde mudado para "Lampas" cultivava-se: cevada, destinada a alimentação animal.

O sitio de Odrinhas, os ganadeiros levavam  gado, ovino e bovino, para  ordenha ou mugição de leite para manteiga e queijo, tradição ancestral do fabrico de lacticinios foi razão porque há 60 anos se instalou na aldeia  fábrica de processamento de leite e derivados.

O acto de tirar leite dos animais designa-se ordenha, no entanto na linguagem popular ouvimos ordinha, e ordinhar.  As ordinhas modelo antigo das modernas salas de ordenha, conduzia-se gado para tirar leite, em diversos locais do País, os donos ainda levam animais para "ordinhar". Na região referencias a leite são frequentes perto existe, Peroleite. Odrinhas é corruptela de ORDINHAS, modo simplificado podemos afirmar ODRINHAS, inicialmente ORDINHAS modificado por razão de pronuncia quer dizer local para mugir ou "ordinhar"  gado, "ordinhas".  

Mais um topónimo explicado.

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