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Tudo de novo a Ocidente

TOPONÍMIA SINTRENSE - CASAL DO REBOLO

O sitio que titula este meu apontamento está situado na antiga freguesia de Almargem do Bispo, concelho de Sintra, área Metropolitana de Lisboa.

 Povoamento do local. segundo vestígios encontrados , iniciou-se em época remota.  ilustres e sábios  arqueólogos,face aos resultados dos trabalhos de escavações, defendem aqui existiu durante o império Romano ,propriedade agrícola,importante, domínio denominado "Vila".

Esteve programado edificação no Casal, da casa das Selecções da Federação Portuguesa de  Futebol,cujo terreno seria cedido pela Junta de Freguesia de Almargem do Bispo.A intenção gorou-se, como é publico tal "casa", foi construida junto ao Estado Nacional do Vale do Jamor , concelho de Oeiras.

A origem do topónimo ,despertava nossa curiosidade há muito ;visitei algumas vezes o local,  prestei atenção ao território circundante.Sabemos Almargem quer dizer prado,onde cresce erva que tem ser ceifada para servir de alimento aos animais, quando escasseia o " verde".Não muito distante existe  "casal carniceiro".Tanto a tarefa de ceifar como  abate de rezes necessitam de instrumentos de corte , facas foices gadanhas, e outros, que devem estar devidamente afiados, para ser utilizados.

Rebolo,entre outros tem significado: pedra para afiar instrumentos cortantes, e também local onde se faziam chocalhos e habitava o artesão que os executava "reboleiro".Casal do rebolo, de modo abreviado seria morada de afiador de alfaias agrícolas, e fabricante de grandes chocalhos.Finalmente, ainda hoje no casal do rebolo,pastam manadas de gado bovino...

ALEXANDRE MATEUS - POETA DE ALMOÇAGEME

Alexandre José Mateus, é figura grada da história e cultura da aldeia de Almoçageme, freguesia de Colares, Município de Sintra.No ano de 1908,encontrava-se, tudo indica como emigrante, a bordo do navio "ARAGUAYA",da companhia mala real inglesa,barco fazia a rota , Southampton, Buenos Aires, com escala em Cherburgo, norte de França, Vigo , Lisboa,Pernambuco, Baía,Rio de Janeiro, Santos no Brasil , Montevideu capital do Uruguai.

Este navio transportou desde  final do século XIX, até 1926, milhares de emigrantes portugueses com destino a América do Sul.Numa dessas viagens Alexandre Mateus,compôs poesia, datado da era citada, somente publicado,em Junho de 1917, no periódico " A CANÇÃO DE PORTUGAL : Fado Publicação Literária e Ilustrada ". Poema intitulado "Longe da Pátria ";  testemunho de saudade e apego ao torrão natal.  reza assim :

 

Ó pátria distante e linda 

ó meu querido Portugal

ó minha terra natal

como te quero e amo ainda!

Acaso a saudade finda

quando a todos instantes,

me lembram as soluçantes

palavras de despedida

amigos e pátria q`rida

oh! como ficam distantes.

 

Já não vejo esses trigais

matizados de papoulas

nem ouço cantar as rolas

na ramagem dos pinhais

Quem pode esquecer jamais

em noites de luas cheias

as estranhas melopeias

que se escutam a beira-mar

quando a onda vem beijar

praias de brancas areias

 

Mas, avisto altas palmeiras

e por bombordo uma praia;

a proa do «Araguaya»

corta as águas brasileiras

Adeus serras altaneiras

e regatos murmurantes

adeus dias radiantes

da infância vou lembrando,

co`amigos rindo e saltando 

sobre os montes verdejantes.

 

E o teu arco ! e teus penedos !

Ó encantadora ADRAGA

a enorme e altiva vaga

se despedaça em teus rochedos

E as vinhas e os arvoredos

onde o rouxinol gorgeias

 e tu , ó CINTRA, que ateias

em mim tamanha saudade,

por isso esquecer quem ha-de

as lusitanas aldeias

 

Almoçageme

Alexandre José Mateus

 

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FREIXIAL DA RINCHOA

No antigo e desaparecido sitio da Cova da Onça, freguesia de Rio de Mouro, Município de Sintra, deparamos  corrego normalmente levando agua, no tempo invernal,alimentado pelas nascentes dos montes próximos,  segundo o "Memorial de Oeiras"escrito por volta do ano 1860, a corrente  "entrava na Quinta do Bastos, existindo antes desta quinta, ponte rústica, que dá passagem ao caminho que vai de Rio de Mouro para as Mercês".Esta situação verificava-se onde actualmente é a "Presa", integrada no "bairro" da Serra das Minas.

Na margem da regueira onde termina , Rua da Quinta das Rosas, na Rinchoa, há renque de Freixos,viçosos e vetustos.Simbolicamente o Freixo por apresentar aspecto sempre verdejante é associado a perenidade. Na região de Lisboa é árvore frequente, ladeia ainda muitas estradas recordando tempos em  que a sombra era consolo de viajantes e animais de tracção.Encontramos algumas povoações de topónimo "Freixial", junto a Bucelas no Concelho de Loures, em localidade com aquele nome, iniciou-se nos anos 1960,  produção de "frangos do dia", primórdio da proliferação das churrasqueiras para assar o galináceo.

O freixial da Rinchoa, para ser fruído pela população, deveria ser objecto de desmatação , abertura de caminho,  está em terrenos desde tempos imemoriais de domínio publico, não podendo ser vedado  acesso.

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NASCER E DESCANSAR NUM LOCAL SINGULAR

O Município de Sintra,é um  território de muitos e variados motivos de interesse,paisagísticos,geológicos, botânicos históricos,  que sei eu, inumeráveis .

Na freguesia de Nossa Senhora de Belém de Rio de Mouro,encontra-se  lugar de Serradas, antigamente Cerradas,porque as propriedades do sítio, foram quintas e terras "tapadas", com muros de pedra "cerrando" limites e desse modo  evitar, eventuais apropriações por vizinhos mais afoitos,  pouco respeitadores do "alheio",esta particularidade deu nome a aldeia.

Nas Serradas nasceu o ilustre e respeitado missionário da Companhia de Jesus,Padre Diogo Vidal,  calcorreou em trabalho de evangelização  terras da Índia e China.A nossa investigação, permite afirmar ter sido a Quinta das Serradas, local exacto onde nasceu.Nesta Quinta veraneou anos a fio  grande Português Almirante Gago Coutinho,que na companhia de Sacadura Cabral , ligou pela primeira vez por via aérea Lisboa e Rio de Janeiro no Brasil.Na Quinta da Fonte Nova viveu no século XVIII  juiz de fora da Vila de Sintra, a cujo termo pertence Rio de Mouro. Curiosamente Serradas até  final do século XIX, esteve integrada no alfoz da Vila de Cascais.

Quinta das Serradas actualmente arruinada,resultado do decorrer do tempo ,e desmandos de "furiosos revolucionários "  no período  seguir a 25 de Abril de 1974, ocuparam a quinta, instituíram uma "escola do povo",  deram sumiço ao mobiliário e azulejos;da antiga relevância, pouco resta,  é pena. Chegou  existir capela onde se celebrava  missa dominical.

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ELEMENTO DECORATIVO E DOCUMENTO HISTÓRICO VALIOSO

Na frontaria de casa meio arruinada, situada no  desaparecido lugar da Cova da Onça, freguesia de Rio de Mouro, Sintra nas imediações do recinto da Feira das Mercês encontrei, pequeno painel de azulejos, representando cena da vida campestre,no caso  faina da vindima.

Analisei com atenção toda a composição "azulejar",  o que pareciam figuras vulgares, colocadas ali como decoração, revelou-se "documento" importante para conhecer a actividade agrícola da região de Rio de Mouro , na primeira metade do século XX.

O traje dos tipos humanos era usual na charneca saloia,  carro de bois,tem pormenores construtivos idênticos aos que Fernando Galhano, designou ser "carro saloio ",cujo detalhes, omito para não  alongar o texto.A composição pictórica,reporta-se indubitavelmente a zona saloia.

Este "documento" confirma a riqueza vinícola do termo de Sintra, particularmente, das terras de Rio de Mouro,onde aliás viveu,na quinta do Zambujal  ilustre republicano Ribeiro de Carvalho, conhecido também como grande produtor de vinho,as vinhas ocupavam  encostas do casal dos porqueiros e  quinta da barroca;na quinta da Ponte  Rio de Mouro "antigo", há pouco tive ocasião de visitar vetusto lagar de esmagar uvas, ao lado do qual cobertas de pó e teias de aranha, apodrecem duas pipas de 1000 litros de capacidade.

A casa um dia destes ,vai ruir , assim se perderá  documento histórico valioso, não será possível, retirar o painel de azulejo ,a tempo? Oxalá

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VOLTEI DE NOVO JUNTO DA VELHA ÁRVORE

Cumpri de novo  desejo iniciado há cinco anos quando reparei neste centenário "roble",  mantém-se firme e viçoso, nos terrenos da antiga quinta grande, junto a estação de Meleças.

Tem cada vez mais "lenha" seca na copa, no entanto,  aspecto geral é saudável, vai durar ainda muitos anos se não for "derrubado".Seria conveniente,alguém com poder e meios, mandasse cortar os ramos "mortos" , ficava mais vistoso.

 Sem dúvida  carvalho, de mais idade existente na área urbana do Município Sintrense.Longa vida "velhinho amigo".Como referi em anterior apontamento,  idade da árvore rondará 400 anos.

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