Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Tudo de novo a Ocidente

BODAS DIAMANTE DA INAUGURAÇÃO TEMPLO CATÓLICO NO CONCELHO DE SINTRA

No já distante 1944 século passado, dia 18 do então tórrido mês de Junho; Sua Eminência Senhor Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Manuel Gonçalves Cerejeira, benzeu e celebrou  primeira missa, na capela do Orfanato-Escola Santa Isabel, " cidade dos rapazes" porque destinado exclusivamente a utentes do sexo masculino, situado na aldeia de Albarraque, freguesia de Rio de Mouro, Município de Sintra .

O acto revestiu-se de pompa e circunstância, e afirmação de grandeza da obra assistencial fundada 17 anos antes pelo Reverendo Padre, franciscano, Agostinho da Mota. Assistiram a sagração do templo, o director geral da Assistência  Dr.Guilherme Possolo,  Presidente da Câmara Municipal de Sintra Coronel Círiaco José da Cunha, director do Orfanato Sr. Álvaro Vilela, e o benemérito principal da instituição Sr. Manuel do Espírito Santo Silva, presidente do Banco com seu nome.

A guarda de honra, prestada pelos bombeiros voluntários de Queluz, Sintra, São Pedro de Sintra, Belas, Barcarena e Paço de Arcos, abrilhantou  a banda Filarmónica de Rio de Mouro.

Sua Eminência chegou  às 10 horas e 45 minutos, de seguida processionalmente, deu volta ao edifício da igreja benzendo-o, transportaram o palio Irmãos das Irmandades do Santíssimo e  Senhor dos Passos da Graça ambas de Lisboa. 

A celebração da missa, a que assistiram além dos internados muito povo das redondezas, foi acompanhada pelo coro do Orfanato, composto por  25 amigos da instituição.

Um dia memorável para o concelho e freguesia,  aqui recordado porque merece ser devidamente comemorado.

 A notícia 

P2287297.JPG

Projecto do templo

acapela.jpg

 

EM BUSCA DA CAPELA "PERDIDA" DA RINCHOA - SINTRA

Recordo a antiga cantilena que ouvia nos idos tempos da meninice: "fraca é uma terra que não tem sino nem capela nem Padre que diga Missa nem sacristão que ajude a ela". A propósito intrigava-me o facto da povoação onde moro, há dilatado tempo, não haver em época recuada orada para os crentes  rezarem e escutarem a "palavra da Salvação". Conhecia um local de culto, entre 1970 e 1992, na cercania da estação ferroviária de Rio de Mouro-Rinchoa, edificado onde se colocou  busto  homenageando o Padre Alberto Neto.

Antes disso, a localidade não dispunha de um edifício destinado ao culto? Investiguei e finalmente obtive resposta, lendo a noticia publicada no Jornal de Sintra nº863 de 6 Agosto 1950:

allto.jpg

Ficava por decifrar o sítio onde se localizava o templo, umas as artérias da urbe, ostenta o nome:

P2207277.JPG

A designação teve origem no facto da capela se situar no termino da rua, no cruzamento com a do Vale,  na Vivenda Filomena, propriedade dos beneméritos construtores da mesma, que faleceram sem deixar filhos, herdeiros directos. Venderam o terreno, casa, capela e anexos a um "promotor imobiliário", que mandou demolir tudo, com a complacência dos órgãos Autárquicos.

A capela da Rinchoa estava aberta ao culto da população, recolhi memória de uma senhora, cujo casamento se realizou na desaparecida capelinha, a qual tendo honras de inauguração e bênção cardinalicías  acabou, inopinadamente derrubada pelo camartelo da ambição e ignorância de responsáveis do poder local.

 

Prometo voltar ao assunto.

A "NOVA" MARGEM DA RIBEIRA DAS ENGUIAS

Segundo o "Memorial de Oeiras" obra de autor desconhecido do seculo XVIII: "o Rio de Oeiras tem o seu nascimento em um pego de água nativa, que está acima do pequeno lugar de Fanares, ao sul da Serra das Mercês, termo de Cintra, três léguas distante da sua foz, de cuja nascente correndo para o sul lhe chamam rio das enguias. Recebe a vertente da fonte de Nossa Senhora das Mercês que é do povo, não obstante estar no terreno e dentro dos muros da quinta do Marquês de Pombal (...) Depois de recebidas as nascentes dos montes que lhe ficam próximos, entra na quinta do Bastos, que é no lugar de Rio de Mouro, havendo antes desta quinta uma ponte rústica, que dá passagem  no caminho que vem de Rio de Mouro para as Mercês. A saída da quinta do Bastos entra em uma ponte de boa cantaria  e de um só arco por cima da qual passa a estrada real de Cintra. Aqui tem o nome de Rio de Mouro ".

Neste tramo da corrente fluvial está em curso uma obra de requalificarão fundamental para permitir a população fruir de espaço, até há pouco ocupado com hortas clandestinas, sem qualquer "arrumação",  polvilhadas de "barracos", tubagens, bidons, "benfeitorias" irrigadas por bombagem ilegal de água da ribeira, descaracterizando a paisagem e usurpando o bem colectivo.

A Câmara Municipal de Sintra, em estreita cooperação com as Juntas de Freguesia de Rio de Mouro e Algueirão Mem Martins, mandou elaborar projecto, abriu concurso e hoje podemos constatar  a modificação radical da paisagem. Quando em breve estiver concluído será caso singular na Área Metropolitana de Lisboa, mais valia na qualidade e fruição ambiental dos Munícipes  Sintrenses.

A limpeza das margens permite contemplar freixos centenários e toda espécie de vegetação ribeirinha anteriormente ocultada pela anárquica ocupação.

P2067259.JPG

P2067258.JPG

Aves aquáticas: patos bravos galinholas, garças e outras regressaram ao habitat, está executada via pedonal de piso adequado a caminhadas com conforto e segurança, construiu-se auditório ao ar livre, plantaram-se centenas de árvores apropriadas, lançaram ponte, ligação pedonal das margens, contributo para consolidar urbanisticamente Rio de Mouro, Serras das Minas, Mercês e Mem-Martins enfim, que fará ressurgir a cidade! Caso para dizer que enguias difíceis de pescar, são óptimo petisco culinário, o melhoramento ora proporcionado, simbolicamente é de igual jaez.  A RIBEIRA DAS ENGUIAS, voltou pertencer à população. Dentro em breve o concelho de Sintra, no território de maior densidade populacional, proporcionará aos moradores uma ímpar e merecida qualidade de vida sem paralelo em toda Grande Lisboa.

E não é utopia, basta vir confirmar... 

P2067260.JPG

P2057256 - Cópia.JPG

P2067257.JPG

 

TOPONÍMIA SINTRENSE - OLELAS

O significado do nome de lugares sítios e povoações, é campo fértil onde alguns por incúria e falta de investigação cuidada "semeiam" desconcertantes soluções.

Um dia no mês passado, com os meus amigos e alunos da instituição de "ensino" sénior onde todas as terças-feiras passo agradáveis e enriquecedoras horas, falando da história do Património,  visitamos uma  igreja do concelho de Sintra, sobre a qual escrevi anterior apontamento. Nessa ocasião troquei algumas palavras com um acólito da paroquia que juntamente com o reverendo pároco, tiveram amabilidade de nos  acompanhar na visita.

A propósito do "post" que inseri com significado do nome de Aruil, povoação da antiga freguesia de Almargem do Bispo do Município de Sintra, indagou se sabia  significado de Olelas. Respondi ainda não havia estudado, e não sabia.

Solicito interlocutor, informou que já ouvira a versão segundo a qual "em tempos antigos vivia no povoado, ermitão, pessoa "letrada" que ensinava a ler e escrever, fundou uma "aula" para o efeito, no entanto, porque os alunos eram muito poucos, o povo dizia que não era "aula" e sim uma " aulela",  pequena sem importância". Fiquei boquiaberto com a explicação, disse-lhe: não concordar. E para mim prometi estudar,  daí resultou : 

A povoação está situada numa encosta, quase cume da serra do Sabugo, de onde se desfruta  grandiosa e fantástica panorâmica sobre a Serra de Sintra, a meio caminho entre aldeia de Sabugo e  sede da paróquia São Pedro Apostolo. Geograficamente Olelas fica na extrema das antigas vintanas do Sabugo e Almargem do Bispo, dessa particularidade adveio o topónimo. Ao longo de séculos, vemos grafia de oullelas e oulella.

José Alfredo da Costa Azevedo, no  livro "Velharias de Sintra IV" na página 159, transcreve a memória paroquial elaborada pelo pároco da Igreja Matriz e Real Colegiada de São Martinho da Vila de Sintra em 1758, onde o reverendo na vintana do Sabugo, refere "OURELLA".

Esta informação foi decisiva no sentido da solução. Ourela, é espaço situado no contorno externo imediato de algo, aquilo que serve de acabamento a um tecido, margem ou beira, parte final,limite remate. Olelas, é corruptela de ourela, que significa extrema, sitio onde se demarcavam propriedades e juridições. 

Estamos esclarecidos, espero que ninguém considere este texto uma "aulella" pelo contrário pretende ser a separação entre  empírico e o fundamentado. 

P1307247.JPG

P1307248.JPG

 

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Links

Curiosidades sobre o autor

Comentários - Alvor de Sintra

Quadros para crianças

Sites e Blogs de Interesse

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2007
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D