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Tudo de novo a Ocidente

VOLTANDO AO AQUEDUTO DA MATA

Retomando a temática deste empreendimento, tributário do canal principal do aqueduto das aguas livres, já referido neste espaço,vou lembrar hoje,mais características desta obra,

Depois de receber as aguas das  nascentes da chamuscada e do molhapão,o aqueduto antes da aldeia da Venda Seca, aduzia precioso liquido,vindo do poço da quinta do grajal.

Esta nascente vertia agua de excelente qualidade,que foi também aproveitada para outros fins. Famosa agua da fonte do cedro, era base de  deliciosa laranjada designada  "fonte do cedro",durante muito tempo vendida em lojas da area da grande Lisboa.

Mais tarde cerveja com a marca "cergal", seria laborada com a mesma agua,sendo bebida  de muito boa qualidade.As aguas da nascente foram contaminadas com infiltração de efluentes prejudiciais que devem ter tido origem em qualquer obra levada a cabo nas imediações. 

Prosseguindo ao longo do traçado, passada Venda Seca, depois de atravessar a estrada de Belas a Mafra,pela serra da carregueira,engrossava caudal do aqueduto agua vinda por conduta própria do Casal do Broco, alturas da quinta da fonteeireira.

Finalmente o aqueduto da mata  ligava com denominado das Aguas Livres,no sitio do Casal do Pelão,abaixo da quinta das Aguas livres.

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OS VEADOS FUGIRAM DO RIO

Investigar significa busca permanente na busca de um melhor conhecimento acerca das coisas e dos factos; algumas vezes aquilo em determinado momento achamos ser o mais azado, vem a revelar-se com decorrer da busca incorrecto.

Vem a propósito toda esta temática,de ao texto que escrevemos neste sitio,relativo a sitio maravilhoso da Freguesia de Rio de Mouro, concelho de Sintra, conhecido pelo rio dos Veados.

Na altura,escrevi que a origem do topónimo deriva da existência de veados ou gamos. No entanto, igualmente referi no local existem muitos vestígios de antigos "passadouros" para possibilitar passagem a vau, com caudal reduzido a pessoas e carros de tracção animal.

Hoje pela manhã voltei ao local e fiquei com a certeza, o rio ali tem o nome de VIADOS, e não de Veados.

Viado é um caminho, trajecto, viador dizemos referindo-nos a quem vai de viajem, caminhante,transeunte, alguém que peregrina.

Deste modo os locais onde onde viador transpõe a pé um curso de agua a vau, são os VIADOS. Daqui provem igualmente o termo viaduto.

Veados são outra coisa. Assim está tudo certo e perfeito.

PATRIMÓNIO ESCONDIDO - AQUEDUTO DA MATA

O aqueduto das Aguas Livres,emblemática obra de engenharia , mandada construir pelo Magnânimo rei D.João V de Portugal, o qual gastou os recursos do erario publico, até a exaustão,de tal sorte, quando faleceu seria necessário contrair emprestimo para lhe fazerem as exéquias.

O aqueduto capta as principais nascentes no território hoje Município de Sintra sendo a principal no Olival do Santíssimo;foi preciso encontrar mais agua ao longo do percurso, para garantir um caudal suficiente para mitigar a sede aos lisboetas,já que no século XVIII, para lavar as ruas da cidade imundas e fétidas, com suínos a solta pelas calçadas,não havia agua suficiente.

Para o efeito foram construidos aquedutos secundários tributários do principal; um deles é o da Mata, denominado assim porque tem origem no sitio da Mata, junto da ribeira de Vale de Lobos,  pouco adiante da localidade do Telhal.

Para reforçar caudal de agua aduzido,foram feitas captações por meio de poços no aquífero subterraneo, o primeiro dos quais da Chamuscada, continua, actualmente,  ser utilizado.O segundo era o do Grajal junto da aldeia  Venda Seca.

O aqueduto da Mata, entronca com ramo principal ,vindo da banda das terras de Dona Maria, no casal do Pelão, perto da quinta das Aguas Livres.O traçado desta obra é quase totalmente enterrado, no entanto junto a quinta do Molhapão é visível pequena parte da arcaria.

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SITIO QUE JÁ FOI UMBROSO

Parece algumas vezes por ocorrências trágicas que se vão verificado amiúde, determinados sítios,são cobertos por assombramento.

Na antiga estrada Lisboa Sintra, adiante da paragem do Alto do Forte,entre Rio de Mouro e Ranholas,diversos factos de final infeliz ali verficados,contribuíram para dar má fama aquele, durante seculos, um ermo.

O primeiro desses eventos , falecimento súbito de uma senhora viajante; sentiu-se mal, devido a solidão do lugar não foi possível socorro; seus filhos em memória desse infausto acontecimento, mandaram erigir  cruzeiro que ainda lá existe.

No livro Mistério da Estrada de Sintra, de Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão, colocam inicio do enredo a " meia distancia do caminho entre S.Pedro de Sintra e o Cacém,  num ponto que não sabemos o nome (...), sitio deserto como todo caminho através da charneca".Sem dúvida no trecho do caminho que identificamos.

Na década de 1930, acidente de automóvel perto do local onde funcionou durante muito tempo a estalagem " A Toca ", vitimou  jovem e talentoso escultor Roque Gameiro, e sua esposa. Este artista natural da Amadora era filho do celebre aguarelista do mesmo apelido.

No romance de José Cardoso Pires " A Balada da Praia dos Cães", o crime que serve de temática da obra, foi prepertado também por estas bandas.

Não sabemos  assombração já terá  passado; que dá que pensar lá isso dá... 

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MEDRONHEIRO EM FLOR PARQUE URBANO DA RINCHOA

A  flora do parque urbano da Rinchoa, Rio de Mouro , Sintra, tem características que indiciam estarmos na zona de transição do Portugal do Sul vincadamente mediterrâneo, seco, e o do Norte Atlântico e húmido.

Uma das espécies que polvilham o espaço do parque, é o medronheiro, arbusto perene de madeira dura folhas coriáceas, flores brancas e frutos  de cor alaranjada ou também vermelha-viva. Desses frutos depois de fermentados se faz  aguardente de gosto peculiar.

O medronheiro,em algumas regiões de Portugal,denomina-se  ervideiro,ervado ou érvedo.

Este medronheiro que fotografei, tem muitas dezenas de anos, avaliar pelo tronco e altura. Neste momento tem abundante floração e os frutos vão ganhando coloração.

Atendendo a época do ano,parece estranha esta situação. Neste Mundo em que vivemos tudo é estranho.

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ÁGUA CLARA DA CORRENTE

As abundantes águas novas caídas nos últimos dias recarregaram as nascentes aqui por estas ocidentais paragens da grande Olisipo.

Nas antigas terras do prazo de Meleças, mais tarde Quinta Grande, no exacto local onde a Ribeira de Vale de Lobos toma a designação de Fitares, na ponte que une a Rua da Quinta Grande com a Avenida das Nogueiras, na Rinchoa o caudal do curso de água apresenta agora  ar que lhe proporciona a origem do precioso liquido quando brota de nascente.

Para tornar ainda mais idílico o repousante o quadro, o leito da ribeira foi recentemente limpo e despojado da vegetação inútil que entrava  livre caminho das águas; enfim, tudo parece justo e perfeito.

É tudo por agora desde este encantado rincão de Sintra que é a Rinchoa, na freguesia de Rio de Mouro, onde fará para o ano meio século habito com muito gosto e sentimento de pertença.

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SÍTIO PERDIDO DA CHAMUSCADA

Na linha divisória das freguesias de Algueirão Mem-Martins, e de Rio de Mouro, Município de Sintra, na rotunda área comercial do Alto das Mercês,deparamos com uma artéria denominada : Rua da Chamuscada.

Seguindo a direcção indicada pela seta,verifiquei,a via termina junto a estaleiro de materiais de construção,e seguindo-se terrenos de matos e arvoredo.

No entanto até a pouco mais de um século,não seria assim; no espaço hoje ocupado por quintas e construção de moradias; até ao Recoveiro, Baratã, e Pexilgais,existia um dos grandes olivais dos arrabaldes de Lisboa, celebre OLIVAL DA CHAMUSCADA.

Por estas bandas abundava e abundam aguas subterrâneas,amiúde brotando a superfície,como a famosa fonte  do Pinhal do Escoto.

Na Chamuscada,seria aberto profundo poço cuja agua através de canalização subterrânea servia para alimentar o aqueduto da Mata, que por sua vez transportava o precioso liquido para o Aqueduto das Aguas Livres destinado mitigar a sede aos Lisboetas.

Tão abundante era a nascente daquele poço que nem durante a grande estiagem de 1856 secou.

Recordando a Chamuscada resta placa toponímia, e agora este apontamento porque até as cartas geográficas editadas pelos serviços da Camara Municipal de Sintra, indicam erradamente  "chamusca " no lugar do verdadeiro topónimo.

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CASA-MUSEU LEAL DA CAMARA - 65 ANIVERSÁRIO

No já distante 1957,dia 2 de Junho, seria inaugurada com pompa e circunstancia a instituição que serve de titulo a este apontamento.

Estiveram presentes,o Ministro da Educação , Dr. Leite Pinto o presidente e vice presidente da Camara Municipal de Sintra,respectivamente Dr. César Moreira Baptista e Capitão Américo Santos,alem do vereador do pelouro municipal da cultura e grande dinamizador da obra,o Professor Doutor Joaquim Fontes; claro a viúva de Leal da Camara Dona Júlia e muitos outras individualidades, nomeadamente o visconde de Asseca.

A noticia do Diário de Lisboa, remetida telefonicamente para a redacção, refere justamente carácter pitoresco da nossa singular Rinchoa.

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ESTABELECIMENTO COMERCIAL DECANO DE IGUARIA

Em tempo escrevi neste espaço acerca do ARCO - ÍRIS restaurante emblemático de Rio de Mouro e do Município de Sintra.

Situado na Avenida Infante D. Henrique nº1, imediações da estação ferroviária de Rio de Mouro-Rinchoa, desculpem se não concordam , para mim será sempre assim...

O restaurante,irá cumprir no próximo 2023, 60 anos de laboração,sendo por isso o mais antigo poiso, dedicado a confecção dos mais saborosos pregos e bitoques,que conheço.

Por algum tempo, a iguaria,passou aqui, por período menos bom , actualmente,voltou ao antigo esplendor de sabor e apresentação, está óptimo.

Trabalhando neste local, ganharam experiência alguns que abriram estabelecimentos similares, depois por todo lado surgiram imitações, no entanto ninguém suplantou ainda o Arco-Íris.

 Neste poiso comensal, podemos apreciar os melhores pregos e bitoques de toda Republica Portuguesa, Se duvidam experimentem. Longa vida aos seus proprietários e colaboradores; venham outros 60.

Bom apetite! ilustração do bitoque que degustei  passado Domingo,claro no Arco-Íris.

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RUÍNAS DA AZENHA - CASAL DOS ALMARGENS, RIO DE MOURO - SINTRA

Referi neste espaço a importância da propriedade tema deste apontamento,e já dissertei acerca da azenha, a propósito da rua com mesmo nome.

Pude observar agora o edifício da moenda,construido no século XVIII,que o actual proprietário está a recuperar. 

Estamos perante edificação sem duvida construida por pessoas dispondo poder económico  para realização da obra; destinada a albergar diversas pedras moendo grandes quantidades de cereal.

Podemos observar,contrariamente as pobres e humildes azenhas aldeãs, normalmente com um piso térreo, esta possuía primeiro piso alto, destinado morada do moleiro.

A roda motriz, colocada no tardoz num amplo espaço cavado no solo em profundidade possibilitava  instalação de peça de grande diâmetro permitindo movimentar quatro mós.

Estou contente porque investigação de  simples" historiador", permitiu este encontro com vestígio testemunhando, indubitavelmente, a importância social e económica de Rio de Mouro , não só no Município de Sintra, mas também no conjunto do País.

Azenhas como esta não existiram muitas por ai fora.

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