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Tudo de novo a Ocidente

O QUARTEL DA VILA DE BELAS

O aboletamento,era uma acção que obrigava a alojar em casas particulares os militares, nas povoações onde não existissem instalações para o efeito, porque Belas fica situada num importante entroncamento de estradas, por onde transitavam amiúde contingentes de soldados, era frequente pernoitarem na Vila pelo que os habitantes eram chamados ao dever de os aboletar, o que causava incómodos de toda a espécie.

Quando foi extinto o concelho de Belas em 1855, a Câmara municipal de Sintra, para desonerar os habitantes daquele encargo, deliberou mandar disponibilizar instalações para o efeito. No entanto por falta de manutenção, em 1880 fazia-se eco;

"a casa que serve de quartel para a tropa que transita por Bellas, se acha em péssimo estado, e que estão também inteiramente arruinados os utensílios e as enxergas que por conta da câmara de Cintra ali foram colocados". As câmaras municipais não tinham obrigação de preparar aquartelamentos para as tropas em transito. Por isso: "Como o quartel que a câmara de Cintra estabeleceu em Bellas não tem as condições necessárias para o aquartelamento da tropa há de esta ser aboletada". Uma medida correcta que talvez por falta de meios acabou ingloriamente. Os recursos financeiros dos municípios foram sempre parcos. O municipalismo português teve sempre muitas competências,e pouco dinheiro para as exercer.Mais uma prova de que os governos do tempo actual não inovaram muito porque seguem os "tiques" do liberalismo do século XIX.

Não sabemos se a Câmara Municipal tomou alguma medida. O quartel estava situado no largo central de Belas onde hoje está o edifício da Junta de Freguesia. Pelo marco quilométrico da foto verificamos que Belas ficava, sensivelmente a idêntica distancia de Lisboa, Mafra, dizemos nós, também de Sintra.

 

 

 

 

A PONTE DE CANTARIA SITUADA PRÓXIMO DA TALA NA ESTRADA BELAS -SINTRA

A antiga estrada(EN 250-1) que liga Belas à sede do Concelho de Sintra, foi traçada atravessando a Serra da Carregueira. Um pouco adiante do Quartel do Regimento de Infantaria nº1, passando a curva da Tapada dos Coelhos, rectificada para se abrir a auto-estrada A16,  a estrada torna-se  estreita, porque surge uma ponte, construída para permitir o atravessamento da regueira da Tala, cuja  nascente ocorre no interior da Quinta do Molhapão, percorrendo depois um pequeno curso até   desaguar na Ribeira da Jarda, junto à ponte medieval da Rinchoa, nas imediações da estação ferroviária  de Mira-Sintra Meleças. Centenas de automobilistas circulam diariamente pelo local desconhecendo o facto de transitarem sobre uma elegante construção, que resultou num belo trabalho de cantaria. O bom estado de conservação, advêm do projecto ter sido bem executado. Foi construída no inicio do século XIX, sobre ela passaram e passam, pessoas e mercadorias, de importância relevante para o desenvolvimento da região. Por ter sido pensada para um determinado tipo de tráfego, só possibilita a passagem de um veículo de cada vez, ainda bem assim o esforço sobre a ponte atenua-se. Nem pensem alargá-la; uma obra de arte como esta deve ser preservada porque faz parte do património sintrense. Deixamos as fotos para ser ver tal como está, assim quando passarmos no local e tiveremos de parar, cumprindo as regras da circulação não  encaremos o facto como contratempo, mas sim um contributo para a PONTE DA TALA continuar de boa "saúde" por muitos anos. Vindo do lado de Meleças, fica depois do semáforo existente na via, designada Avenida Dr. António Nabais, fundador dum prestigiado colégio situado nas proximidades.   

 

 

 

TOPÓNIMOS SINGULARES: A-DA-BEJA

Aldeia de A-da-Beja, na actualidade integrada no Concelho de Amadora, no distrito de Lisboa pertenceu ao Concelho de Belas até 1855, quando este foi extinto, em resultado da reforma administrativa promulgada por Passos Manuel. Depois dessa data, foi anexada ao concelho de Sintra, do qual foi separada em 1979 ao ser criado o municipio Amadorense. A aldeia está implantada num local, de onde se disfruta amplo panorama, que abarca grande parte da cidade de Lisboa e arredores, incluindo o estuário do rio Tejo,e a Serra da Arrábida na margem sul do mesmo rio. 

Os terrenos circundantes eram apropriados para a cultura de cereais. Como consequência da abundancia  de água, existiam quintas bastante produtivas de hortaliças e frutos. Lembrando este aspecto, ainda hoje deparamos na rendondeza com nomes realacionados com o precioso líquido: Fonte das Avencas, Fonte Santa entre outros. A aldeia, sendo uma povoação que tinha limites, com a Freguesia de Benfica, termo de Lisboa suscitou durante séculos a cobiça de alguns poderosos, que tentaram, por vezes incluir o sítio na lista dos seus domínios; para vincar  a quem devia ser atribuia a posse, o nome do povoado surgiu como afirmação de pertença. Os factos são os seguintes:

A Infanta D. Brites, mãe de D. Manuel I, Duque de Beja deixou algumas das suas propriedades as freiras do Convento de Nossa Senhora da Conceição daquela cidade alentejana, entre elas o rendimento da Igreja Matriz da Vila de Belas, e as terras onde surgiu a Aldeia objecto deste apontamento. Sempre que era referido primeiro o casal e depois a aldeia, era costume dizer: "é das de Beja", significando que pertencia as monjas do citado convento. Com o andar do tempo ficou A-da-beja, que diga-se de passagem deve ser único em Portugal. 

 

AS MINAS DO MONTE SUÍMO

Na Freguesia de Belas, concelho de Sintra, existe um sítio onde desde tempos imemoriais e segundo a tradição, se tem procedido a trabalhos de pesquisa e extracção de minerais preciosos. O local denomina-se Monte Suímo, a sua situação é a que consta no mapa que ilustra este texto.

De acordo com uma descrição do seculo XVIII (1741), um pouco da sua história é a seguinte:

"No termo desta vila (Belas), há um monte minado por baixo chamado comummente as Minas do Suímo; é bastantemente cavado; entrando-se nele com luz,com o reflexo dela parece que está a gruta armada, e guarnecida de galões de ouro, que forma uma vista muito agradável". No século XVI as minas eram propriedade  da mãe do Rei D. Manuel, a Infanta D.Brites,que as deixou por herança aquele Monarca.

Actualmente o Monte Suímo está integrado no perímetro militar da Serra da Carregueira, deste modo a visita ao sítio não é possível. As lendas que se contam acerca das minas, são suficientes para despertarem o interesse de muita gente, que adoraria poder frequentar o local. Quem sabe se devidamente desentulhado, com acompanhamento de guias qualificados e salvaguardando o carácter castrense do Monte, talvez pudesse surgir ali uma atracção turística, susceptível de gerar receitas que por certo, ajudariam à manutenção dos aquartelamentos e do campo de tiro da Carregueira? Além disso como a altitude desta elevação é de cerca de 290mts, do cume deve avistar-se um magnifico panorama, sobre a Serra de Sintra e o mar.

Na impossibilidade duma observação "in loco", oxalá consiguamos despertar a curiosidade dos leitores.

 

GENTE DO POVO NO CONCELHO DE SINTRA NO COMEÇO DA REPÚBLICA

No final da Monarquia, o Povo em Portugal vivia em em condições de tal modo precárias, que estavamos muito abaixo de qualquer País Europeu da época.

Na revista ILUSTRAÇÃO PORTUGUESA nº335 de 22 de Julho de 1912, a propósito duma reportagem sobre um episódio conspirativo contra o novo regime implantado em 5 de Outubro de 1910, pode ler-se que "No Casal da Carregueira perto de Belas foram apreendidas armas e alguns conspiradores". A reportagem é ilustrada com diversas fotos uma das quais retrata os caseiros da dita propriedade.
É um documento elucidativo do que seria a vida no campo em Portugal. Notemos que estas pessoas viviam as portas de Lisboa. Aqui aplica-se sem contestação o princípio: Uma imagem vale por mil palavras...

 

 

Foto de: Empresa Pública do Jornal O Século, Joshua Benoliel, lote 02, cx. 01, negativo 06 

A ACÁCIA DA IDANHA...PRÓXIMO DE BELAS

Belas, sendo hoje uma simples freguesia do Concelho de Sintra, foi cabeça de um Município até 1855. Pertenceu à Casa dos Marqueses de Belas, no seu termo ainda é possível observar diversas quintas onde a aristocracia lisboeta costumava veranear.

Belas, possui um conjunto de características que lhe dão um cunho de mistério e distinção, próprio dos lugares de eleição. O vale onde se situa, e as encostas adjacentes, que a construção ainda não ocupou, estão revestidos de frondoso arvoredo que no Verão proporcionam um ambiente de agradável frescura. Como curiosidade referira-se, a existência na Quinta do Senhor da Serra, de duas alamedas uma com 120 "BUXUS SEMPERVIRENS" e outra com 15 PLÁTANOS que foram declaradas de interesse público em 2001.

No entanto, o nosso apontamento tem como objectivo chamar a atenção para uma majestosa árvore situada no sítio da Idanha, no cruzamento da Avenida Veiga da Cunha com a estrada para a Agualva e a Venda Seca. Trata-se duma Acácia com um aspecto vegetativo vigoroso e com um tronco denotando ser um exemplar de idade avançada. O local apesar de ter transito intenso está dotado de um pequeno recanto para lazer, perto da acácia.

Porventura poucos se interessam na árvore, por isso seria útil identificá-la, assim talvez fosse, admirada como merece.

Desconhecemos quem terá mandado plantá-la, deverá ter um qualquer significado, porque segundo Chevalier e Gheerbrant (1982): "por toda a parte se pode ver, portanto, a acácia ligada a valores religiosos, como uma espécie de suporte do divino, no seu aspecto solar e triunfante".

Sendo uma árvore notável, a acácia da Idanha merece a nossa atenção, já agora porque não declara-la de interesse público? Outros elementos sobre as acácias constam do nosso "post" de 8 Fevº p.p.

Doravante esta ACÁCIA poderá ser conhecida, como é devido, não só por quem passar  no local mas também observando aqui a sua imagem.

 

 

 

AS ÁRVORES COMO ORIGEM DAS POVOAÇÕES- UM EXEMPLO

A flora tem tido uma grande importância na designação do nome dos sítios, como já referimos em diversos apontamentos. No território sintrense deparamos com um exemplo apropriado para ilustrar o fundamento de que o arvoredo foi também um factor de povoamento. Nos limites das actuais freguesias de Algueirão/ Mem-Martins, Belas e Almargem do Bispo no seguimento do Belas Clube de Campo, existiu há vários séculos um  bosque extenso, uma  MATA como então se dizia .


Essa MATA era formada por milhares de SOBREIROS e CARVALHOS. Para explorar a riqueza florestal os povoadores fundaram junto a ribeira um casal - O CASAL DA MATA, para melhor aproveitarem o arvoredo construíram uma SERRAÇÃO. A ribeira do Casal da Mata corria num fojo de feras abrigados na floresta VALE DE LOBOS. A existência de argila ou barro nas proximidades e de lenha para os fornos possibilitou o fabrico de telha surgindo assim o TELHAL.

A utilização final da serração foi a de serrar pedra porque como era de esperar a exploração intensiva do bosque levou ao seu esgotamento. Restam um pouco adiante da passagem de nível do Telhal uns dispersos espécimes do coberto arbóreo primitivo. Um exemplo mais de com as árvores são presença assídua na paisagem e na memória das nossa VIDAS.

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