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Tudo de novo a Ocidente

A Iluminação pública eléctrica quando chegou não era para todos

A hegemonia de tipo "feudal" que caracteriza o relacionamento da "Vila" de Sintra com os demais aglomerados populacionais do território concelhio, tem assumido no decorrer do tempo várias facetas,no entanto,todas demonstrativas de alguma sobranceria,da parte do poder municipal,para com os munícipes contribuintes, residentes no termo dela.

Um exemplo ilustrativo do que dissemos, está relacionado com a iluminação pública. Este melhoramento chegou à sede do concelho, ainda no final da monarquia, cerca de 1908, todavia às diversas povoações, para além de Sintra só aconteceu algumas décadas depois. Foi o caso da Rinchoa segundo o Jornal de Sintra: "no dia 25 de Outubro de 1936 inaugurou-se a luz eléctrica naquela localidade". Quase trinta anos depois da "vila". Curiosamente ainda se encontram ao "serviço", diversos postes utilizados desde então para suporte dos condutores eléctricos, cujo traçado ainda aéreo como há cerca de 75 anos, se observa em várias zonas da urbe, um testemunho é o poste colocado a meio da  rua da Capela. Muito boa gente continua a pugnar denodamente pelo centralismo municipal, saudosa do senhor D. Miguel I, mesmo depois de comemorado o primeiro centenário da República Portuguesa. Temos Luz, isso é que importa!

 

O HOSPITAL MILITAR DE RIO DE MOURO NO SEC:XVIII

Na última década do século XVIII, Portugal esteve envolvido em conflitos bélicos motivados pela ameaça invasão da França e de Espanha. Para defender o nosso Pais a Inglaterra, enviou ajuda militar, que incluía regimentos de Franceses emigrados que tinham combatido a República, proclamada em França em 1789 e por esse motivo obrigados a abandonar o seu País.

Um desses agrupamentos o "Loyal Emigrant", que compreendia os regimentos do Duque de Castries e do Marquês de Mortemart, vieram a soldo dos ingleses, para Portugal ficando o regimento de Mortemart aquartelado em Oeiras, com a incumbência, de entre outras, a de guarnecer o Forte de Rio de Mouro, defesa importante dos Palácios de Sintra e Queluz. Este forte ficava onde é hoje a Rua do Jornal de Sintra em Rio de Mouro, um dos seus pontos de vigia seria o "Alto do Forte" sítio que actualmente ainda existe.

Para apoio ao regimento de Mortemart, estabeleceu-se um hospital militar em Rio de Mouro. Há noticia de alguns soldados que faleceram nesse hospital e sepultados na Igreja de Nossa Senhora de Belém. No interior eram enterrados os  católicos, os luteranos no adro.

Onde ficaria o hospital? Esta pergunta fizemo-la algumas ocasiões sem encontrar resposta. No entanto como diz o povo "quem porfia sempre alcança", e um destes dias apurámos que António M. Mesquita em  artigo publicado no jornal A República de 1 de Outubro de 1949, e citado por Sousa (1984,p.121) escreveu  que séculos atrás, a Casa Museu Leal da Câmara na Calçada da Rinchoa "fora hospital militar durante as invasões francesas e pertenceu outrora ao Marquês de Pombal". Eis a solução para a pergunta, estamos em condições de afirmar que foi hospital para militares franceses, mas antes das invasões, porque estas só ocorreram a partir de 1807. Os regimentos de emigrados permaneceram em Portugal, desde 1793  até 1801.

Mais um motivo para uma visita à Casa Museu Leal da Câmara, não só pelo seu rico acervo, mas também, com o aliciante de podermos imaginar o que seria a casa transformada em hospital para os soldados do regimento do Marquês de Mortemart, nos finais do século XVII. 

  

MEMÓRIAS DA RINCHOA " Termo da Vila de SINTRA"

As velhas povoações merecem consideração porque fazem parte da História do Povo que as habitou, percorreu os seu caminhos cultivou as suas terras, construiu as suas casas e viveu em comunidade ao longo de muitas gerações. Algumas  pessoas  por  descohecimento, incultura e malidiscência, falam desses Lugares, como se fossem produto de modernas "urbanizações", imaginadas por "empreendedores" e construídas em espaços sem "alma". Deste modo, aqueles que o ciclo geracional permitiu serem hoje os seus habitantes devem dentro das suas capacidades fazer o que puderem para tornar conhecido o passado da terra onde a sua vida decorre. Vem isto a propósito da RINCHOA - uma "aldeia" do Concelho de Sintra e Freguesia de Nossa Senhora de Belém de Rio de Mouro, que muitos pensam ser de fundação recente, e de facto não o é.

A origem deve situar-se no começo da Nacionalidade Portuguesa, a sua importância social e económica era já relevante no século XVI como  pode verificar-se pelo assento de baptismo que transcrevemos:

 

"Aos 20 de Março de 622 eu António Pinho paroco nesta igreja de N.Srª de Bethlem de Riodemouro, baptizei Juliana filha de P.Luis e de sua molher Juliana Luis moradores na RINCHOA. Foram padrinhos Braz Carrasco de FITARES, e Ana Alvares da Baratã, e por ser verdade assinei aqui"

 

Decorria o ano de 1622 no periodo em que PORTUGAL estava dominado pelos Espanhóis, curiosamente o documento refere Fitares que tal como hoje existia juntamente com a Rinchoa. A "nossa Terra" é antiga e ao provarmos isso todos que na actualidade somos  seus "vizinhos", exigimos que a respeitem, porque gostamos de morar aqui. 

Sintra e o seu termo é um território consolidado ao longo de séculos, pelo desenvolvimento dos sítios, os quais merecem o respeito devido ás coisas "venerandas". 

 

ARTE EM ESPAÇO PÚBLICO - UM CASO PARA MEDITAR...

Quando procedeu á remodelação da estação ferroviária de Rio de Mouro - Rinchoa, a CP encomendou à Pintora Graça Morais uma obra para oferecer ao Munícipio de Sintra, e que seria colocada na Freguesia de Rio de Mouro para ser fruída pela população. Certo é passada quase uma década, o belissimo painel de azulejo continua a não ser admirado como deve, porque a Autarquia que devia zelar por isso, nada fez.

Em 23 de Março de 2007 na Assembleia Municipal referi o estado pouco cuidado da envolvência do painel, todos estiveram de acordo com os reparos e sugestões que formulamos ..e nada foi feito para melhorarar a situação...

A cidade de Bragança tem um Centro de Arte Moderna com o nome de Graça Morais como justo reconhecimento ao talento e trabalho desta

artista de renome mundial. Actualmente está patente naquele Centro uma importante exposição do grande Pintor Júlio Pomar.

Seria uma boa altura para a Camara Municipal de Sintra dignificar esta magnífica obra de arte, colocada em espaço público, e  que por isso deveria merecer os cuidados que permitissem a quem passa admirar a beleza do painel,e saber quem o idealizou. O conhecimento é parte integrante da cidadania. 

As imagens que deixamos falam por si: Colunas de iluminação, sinais de trânsito, paineis publicitários tudo permanece como se estivessem

a rodear um muro forrado de azulejo e não uma criação artística! Esta panóplia de obstáculos impede visualizar na sua plenitude, a composição pictória de cunho mágico e esplendorosamente solar, que Graça Morais criou...É uma dor de alma.

  

 

 

CAZAL DO ROUXINOL...

Em pleno centro da Rinchoa, um "bairro" de Sintra soalheiro e com uma vista deslumbrante para a Serra, encontra-se um EUCALIPTO, uma frondosa árvore com cerca de 20 metros de altura. Cresce numa propriedade cujo nome é: CAZAL DO ROUXINOL, conforme um azulejo colocado no muro onde se pode ver a data 1940. Não será errado atribuir o plantio do eucalipto por essa altura. Tem já uma provecta idade...

Estando no interior do casal e protegido pelos muros que a envolvem não sucederá a este eucalipto, o mesmo que vem num texto do livro de leituras do antigo ensino primário (hoje ensino básico) onde se lê:

"Era meia noite, quando um velho  eucalipto plantado à beira de uma estrada foi desassossegado no seu sono tranquilo por uma machadada no tronco, vibrada com alma por um camponês" (1958).

O eucalipto apesar de originário da Austrália tem uma grande difusão em Portugal desde o século XIX,quando começou a ser plantado.

O "cazal do rouxinol", confronta com a Rua da Capela assim denominada por ser onde ficava a capela da Rinchoa entretanto desaparecida.O nome do "cazal" presta tributo a uma ave frequente na região: o rouxinol, esta ave tem um canto melodioso que convida à vígilia noturna e faz esquecer o perigo que pode representar o dia. Na Rinchoa existem vários locais que referem directamente o seu nome como a "FONTE DO ROUXINOL".

Há uma quadra popular que lembra o carácter vigilante do pássaro: 

                                        

Nossa senhora disse disse disse

         Enquanto o "gavião" da videira subisse

     Que não dormisse que não dormisse

 

E esta cantilena, tenta reproduzir o cantar do pássaro...

 

AS MAGNIFICAS TILIAS DA RUA DO JUNCAL NA RINCHOA

Antes de surgir a empresa "Realizadora" constituída por Leal da Câmara, e outros seus amigos para lotear a RINCHOA e parte da Quinta Grande, existiam na localidade algumas casas importantes implantadas em Quintas. Estas propriedades foram desaparecendo com o desenvolvimento do processo urbanístico, hoje só resta a memória ténue da sua grandeza. Como eram na sua maioria para recreio e repouso dos seus proprietários, tinham muitas árvores, quer de fruto quer de sombra das quais ainda é possível encontrar nos quintais de algumas vivendas, nomeadamente, carvalhos, castanheiros, pereiras , tílias...

As quintas pertenciam a gente importante de Lisboa ligada ao comércio e a actividade forense. Um conhecido advogado, vendeu à cerca de 30 anos, a um construtor a  chamada "Casa do Pinhal", situada entre a Avenida dos Plátanos e a Estrada Marquês de Pombal. Como era de esperar o passo seguinte foi o de fazer o seu loteamento.

Esta quinta tinha uma bela entrada ladeada  de tílias de restam poucos exemplares. O loteamento deu origem a várias vivendas e a um arruamento ao qual foi dado o nome de Rua do Juncal, por sorte duas das árvores ficaram no passeio da rua e foram poupadas ao abate. São exemplares imponentes que na época da floração servem de local de trabalho a centenas de abelhas e exalam um aroma muito agradável.

 

Uma das Tílias, a primeira a esquerda da foto, tem um tronco com um perímetro a altura do peito de 2,85 metros sendo a sua idade provável UM SÉCULO!

As magnificas tilias da Rua do Juncal estão em espaço público e podem ser admiradas por todos os sentem que as velhas árvores merecem o carinho e respeito devidos aos MONUMENTOS. Seria conveniente declará-las de interesse público. Para aqueles que unicamente tentam denegrir a nossa terra, e quem cá vive, duas sugestões: cultivem-se, e já agora, tomem chá de tília...

OS RINCHOEIROS VOLTAM A CRESCER NA RINCHOA

Escrevi sobre o verdadeiro significado do topónimo "RINCHOA", "nos anos 60 os professores J.Amaral e M.L.Rocha detectaram exemplares de pereiras bravas junto da estrada 249 na Abrunheira. Ficou assim demonstrado que as pereiras bravas se dão nesta região". Já depois de ter publicado o resultado da minha pesquisa, diversas pessoas habitantes da nossa terra, há muitos anos, deram-me razão, afirmando ser vulgar nos seus tempos de criança encontrarem-se pereiras bravas em algumas encostas.

Para mim não restavam duvidas sobre este facto e, da verdade sobre o que quer dizer Rinchoa. Quem investiga nunca pode parar as suas buscas! Tinha a convicção de vir a descobrir mais Rinchoeiros, para além do existente junto a uma vivenda em obras na Avenida D.João II, entretanto derrubado pelo proprietário do terreno. Assim sucedeu, num dos habituais passeios pela Rinchoa, na encosta do Alto da Rinchoa onde situam os reservatórios de água dos Serviços Municipalizados de Água de Sintra (SMAS), encontrei entre carvalhos e sobreiros um conjunto de três Rinchoeiros.

 

 

Como se pode observar, têm um bom aspecto vegetativo ; pelo aprumo dos caules é fácil compreender a utilização que  era dada, antigamente, como cabos de ferramentas agricolas, o que muito contribuia para o seu abate.

Mas a vegetação tende a ocupar os solos onde melhor se desenvolve e por isso os rinchoeiros estão de volta ao seu habitat de sempre, e se os protegermos dentro de poucos anos existirá um pequeno bosque destas árvores e a Rinchoa voltará a ter mais  plantas como as que lhe deram o nome. Para mim, este foi um achado gratificante,  espero, alegre todos os RINCHOENSES e os amigos da NOSSA TERRA.

AS ÁRVORES MORREM DE PÉ E A CULPA MORRE SOLTEIRA...

Começaram a chegar à RINCHOA as primeiras andorinhas deste ano, se estiver certo o presságio a Primavera chegou. É um motivo de jubilo a volta destas pequenas "mensageiras" que anunciam o inicio dum ciclo que anualmente se repete.

É um momento de alegria e reflexão sobre a magia e desígnios da Natureza...
Isto vem a propósito dum outro facto que ocorreu aqui, e, que infelizmente não se trata dum recomeço mas dum fim que não deveria ter acontecido.
A história é curta e merece ser contada...
Na Praceta do Rouxinol, junto à Rua do Casal da Serra, existiam dois pinheiros mansos de grande porte, um dos quais tinha crescido com uma acentuada inclinação o que tornava ainda mais relevante o seu robusto tronco. Estes pinheiros eram poiso de rolas e outros pássaros, e sob as suas copas as crianças recolhiam os pinhões que as  árvores largavam e na queda das pinhas cobriam o chão.
Um dia alguém, para mostrar obra, resolveu remodelar o espaço envolvente e  desse "projecto" resultou terem sido colocadas lajetas de betão para cobrir o chão de terra que existia. Resultado…  
Os pinheiros privados de água nas raízes, porque as lajetas IMPERMEABILIZARAM o solo SECARAM...  

    


O que tinha o tronco inclinado já foi cortado restando um "coto" com um diâmetro de 85 cm. O outro está ainda de pé mirrado e seco à mingua de água. É uma árvore com um perímetro à altura do peito de 2,35 metros e uma altura de cerca de 7 metros.


Com estas dimensões eram exemplares com mais de 100 anos. Ironicamente no local os autores deste "genocídio" florestal colocaram uma placa pedindo respeito para o jardim. Mas os belos e antigos pinheiros porque não os respeitaram?


A incúria é a fonte de todos os males. As andorinhas voltaram mas os pinheiros elementos do quotidiano dos habitantes da Rinchoa e que tinham sido poupados pela urbanização já não voltam a largar pinhas nem a proporcionar sombra no Estio.
Foi um acto lamentável, o que podemos fazer é deixar aqui para memória futura nota deste facto.
AS ÁRVORES MORREM DE PÉ mas a incúria de quem as liquidou continuará activa, quem sabe para dar próximas provas.
Um episódio triste que os NOSSOS AMIGOS PINHEIROS E A RINCHOA  NÃO MERECIAM...
 

MISTÉRIOS DA RINCHOA II

A Rinchoa, como todas as povoações que se desenvolveram rapidamente, é citada, algumas vezes, de "forma depreciativa" por pessoas que nunca visitaram a nossa terra, e, se permitem emitir juízos de valor que são no mínimo produto dum "incompreensível desconhecimento".

A Rinchoa, apresenta problemas comuns das cidades populosas. Com mais de 20.000 habitantes, tem uma importância social e económica superior à maioria das sedes de concelho de Portugal.

Dispondo de três farmácias cinco agências bancárias, dez caixas multibanco, cinemas, ginásios, escolas básicas, primárias e secundárias, restaurantes, supermercados, etc, etc...

Se alguma coisa falta, são equipamentos que o Estado, deve construir. A sociedade civil, neste como em outros locais do País, é mais dinâmica, que o "Estado Arcaico" que nos tutela...

A Rinchoa têm uma localização impar, sendo em todo o concelho o sitio onde melhor se pode observar a Serra de Sintra.

A urbanização idealizada por Leal da Câmara teve em atenção o valor paisagístico daquela montanha pois algumas das suas ruas foram traçadas para permitir visualizar a Serra.

Em vários locais da urbe, os nossos olhos encontram o "Monte da Lua" coroada pelo Palácio da Pena.

A atmosfera luminosa da Rinchoa, os seus amplos, que alcançam o oceano, são mais um dos seus mistérios encantadores que merecem ser divulgados. 

RINCHOA, SÍTIO E MEMÓRIAS...

Há quem sem cuidar no que diz, afirme que as localidades objecto de uma urbanização intensa, perdem a sua "memória", passam a ser simples nomes sem qualquer ligação à história ou ao meio onde se situam.

Não é assim com a Rinchoa. Aqui há particularidades que atestam o passado e o viver dos seus habitantes ao longo dos séculos. Coisas interessantes que só é possível encontrar em aldeias do interior "profundo" de Portugal.

A Rua da Capela, onde se situava a ermida da povoação, cujo culto, era ainda citado no século XIX. A Estrada do Marques, que ligava a Quinta de Oeiras com a Granja de Sintra, ambas da Casa Pombal.

Curiosa é a antiga fonte de "chafurdo" que brota junto à sobreira centenária, referida num nosso anterior apontamento.

É a denominada Fonte do Rouxinol, recuperada em 1963. É exemplo dum modo de fornecimento de água às populações muito comum no nosso País até ao início dos anos setenta do século XX.

Quem  quiser conhecer como milhares de portugueses se abasteciam de água pode vir aqui admirar esta encantadora fonte, descansando um pouco nos bancos que existem junto à mesma, e constatar que mesmo no meio da urbe movimentada encontra o ambiente bucólico de tempos idos.

O nome Rouxinol, é vulgar na Rinchoa porque na Primavera e no Verão é possível de madrugada ouvir aqui o canto dessa ave encantadora...

Mais mistérios da Rinchoa, mas há mais... 

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