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Tudo de novo a Ocidente

Rusticidade Sintrense - Vestígios duma Cegonha.

A geologia do território do município sintrense é formada por diversos afloramentos rochosos, desde o granito da serra ao calcário e argilas, predominantes em muitos sítios da geografia do concelho. Os solos calcários dos planaltos das freguesias de S. João das Lampas - Terrugem, e Almargem do Bispo, Montelavar Pêro Pinheiro, caracterizam-se por índices elevados de secura dos terrenos, razão pela qual a obtenção de água para rega e consumo, foi difícil até ao surgimento da tecnologia de perfuração e captação de água por intermédio de bombagem eléctrica.

Antigamente um dos métodos mais utilizados eram as noras e as cegonhas, estes últimos engenhos de elevar água dos poços,utilizados em situações de escassez de água. Quase sempre obtida em nascentes pouco profundas, as vezes simples "poças" para irrigar pequenos hortejos, pertença de gente de fracos recursos sem meios para construir noras nem animais de tiro para as fazer girar.

A designação de cegonha provinha do engenho possuir uma vara comprida, semelhante ao pescoço da ave. Na extremidade colocava-se o recipiente "balde", para tirar água do poço. A vara pendia de um longo tronco rodando num eixo de ferro, suportado por grossa forquilha de madeira cravada no solo.Na retaguarda do tronco existia um contrapeso normalmente, pedra toscamente atada naquele, para facilitar a operação de içar o balde cheio.

Deparámos com indícios duma cegonha na proximidade de  Cortegaça, aldeia do concelho de Sintra. Estamos na presença de vestígios que atestam o carácter primitivo da "bimbarra" outro dos nomes do engenho: a água era vertida num tosco recipiente escavado no calcário, depois lançada na levada de rega. Um exemplo da capacidade de adaptação dos nossos antepassados as dificuldades do meio envolvente. O poste de cimento, substituto da forquilha, testemunho, que a cegonha ou "burra" funcionaria ainda não há muito tempo.

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