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Tudo de novo a Ocidente

DIÁRIO DE "QUARENTENADO" - 70º ANIVERSÁRIO DA INAUGURAÇÃO - CAPELA DE NOSSA SENHORA DE FÁTIMA

RINCHOA

No dia 16 de Março de 2019 publiquei neste espaço um apontamento acerca da capela da Rinchoa, inaugurada em 1950 pelo Senhor Cardeal Patriarca de Lisboa Dom Manuel Cerejeira, e demolida por incúria camarária e ambição desmedida de promotor imobiliário em data desconhecida. Na altura prometi voltar ao assunto e o prometido é devido!

Este foi projecto do arquitecto Braula Reis, membro do movimento renovador da arquitectura religiosa, em Portugal, a capela da Rinchoa, seria construida em estrutura de betão armado, com paredes exteriores de blocos de tijolo, portas em madeira de carvalho, bancos para os fiéis em castanho, altar e mesa da comunhão em mármore negro de Mem-Martins.

Interior apresentava aspecto seguinte :

acap1.jpg

Braula Reis, teve colaboração na realização do templo, do escultor Jorge Vieira, autor da imagem de Nossa Senhora de Fátima, orago da capela, executada em cimento e colocada no lado exterior da orada.

aimag.jpg

Além de Jorge Vieira, também Sá Nogueira colaborou, desenhando 10 vitrais para decoração, 6 com símbolos de Nossa Senhora e 4 com símbolos dos evangelistas destinados à capela-mor:

aenv.jpg

O autor do projecto, manifestou uma preocupação dominante: conseguir tirar partido da localização do edifício e obter "uma obra pura - uma capela calma e acolhedora".  Observando vista  exterior do templo, Braula Reis sem dúvida, conseguiu o intento.

Infelizmente nada resta da "obra pura"  ignorância e cupidez destruíram tudo.

Fica neste espaço, comemorando ano do septuagenário da sua inauguração, singela lembrança.

acap3.jpg

CAPELA DE SÃO ROMÃO - TERMO DE SINTRA, RUÍNAS CENTENÁRIAS

A capela de São Romão,templo situado no termo da vila de Sintra, no território actualmente integrado na freguesia de Algueirão Mem- Martins área do moinho da Cavaleira. Antes da criação desta Autarquia na década de 1950 do século XX,  lugar de São Romão e a capela do orago, pertenceram a Freguesia de S. Pedro de Sintra.

O ilustre investigador Alves Pereira, em artigo publicado  "  O Archeologo Português ", pagina 215, (1927 ); escreveu " se dirigir ao local apontado , na carta de Lisboa e seus arredores, de 1909,( ...) já não se lhe deparará um edifício religioso, senão uma ruína ao desamparo ".

A ruína desamparada tudo indica já o seria antes da implantação da República em 5 Outubro de 1910.No seguimento daquela alteração política, foram arroldados bens eclesiásticos; acerca de São Romão, apuramos auto do teor seguinte :

" Aos vinte e cinco dias do mês de Junho de 1911, neste lugar de São Romão freguesia de São Pedro concelho de Sintra, em conformidade com o disposto no artigo 67. da lei de 20 Abril ultimo (...) representante da entidade administrativa ordenou se principiasse o competente arrolamento , pela forma seguinte .

Verba nº1- Uma capela em ruínas tendo junto casa para o ermitão, também em ruínas, que tudo confronta com baldios.

Verba nº2- um cerrado e seu logradouro que confronta com baldios, não havendo nesta capela nada mais a arrolar se deu por findo este arrolamento "

O estado decrepitude do templo já se verificava no tempo da Monarquia, sendo por isso infundadas  acusações feitas ao regime Republicano,  atribuindo a revolução de 1910, a responsabilidade naquele facto.

A capela de São Romão edificada numa zona de estremas foi abandonada porque na verdade não se sabia em determinada época a quem pertencia de jure e facto.

São Romão era protector divino contra cães vadios propagadores dos malefícios  da raiva, horror da população; caso para escrever até dá raiva verificar ao que chegou o singelo e muito antigo ermitério do alfoz Sintrense.

lemos no auto do arrolamento a capela confrontava por todos lados com baldios,tempo  mais tarde alguém se arrogou afirmar capela estava dentro de sua propriedade ?!...Nenhum baldio pode ser objecto de apropriação;assim acto coducente a constituição de direito de propriedade parece  não ser possível...Será? 

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