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Tudo de novo a Ocidente

UMA PLACA TOPONÍMICA "TRÁGICA"

O largo principal aldeia de Albarraque, freguesia de Nossa Senhora de Belém em Rio de Mouro, município de Sintra, ostenta designação de:

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Simples recordatória de alguém, na qual não foi colocada qualquer informação acessória, ajudando  identificar porquê da homenagem. Infelizmente por detrás da atribuição do nome está motivo trágico e muito triste, no seu tempo comoveu Portugal Inteiro.

No dia 16 de Outubro de 1966, um domingo, realizou-se na Praça do Campo em Lisboa, uma corrida de touros, organizada por iniciativa do grande aficionado, João de Castro, cujo produto revertia a favor do Orfanato Escola Santa Isabel, sediado em Albarraque.

O cartaz da corrida,  composto por figuras destacadas do universo tauromático, entre elas  novilheiro espanhol, famoso Paco Camino.

Um  cavaleiro do cartel,  Joaquim José Correia, popularmente conhecido por "QUIMZÉ", natural de Évora, residente na Cova da Piedade, no entanto, vivia também no concelho de Sintra, onde os pais possuíam propriedades, nas quais os seus cavalos eram assistidos, sob orientação de um amigo.  conhecida personagem do mundo taurino.

Na corrida "Quimzé" montou o melhor cavalo da sua "quadra" denominado  de:Tirol.

Quando lidava um touro "Rio Frio", cavalo resvalou na areia da praça, molhada pela chuva e o cavaleiro caiu sob a montada, sendo depois colhido, brutalmente, pelo novilho, ficou inanimado. Conduzido ao Hospital de São José não resistiu às lesões; faleceu cerca das oito horas da noite, no dia que completava vinte e um anos de idade. Foi grande comoção em todo País, o corpo seria velado por milhares de pessoas na Basílica da Estrela.

A Câmara Municipal de Sintra, por proposta da Junta de freguesia de Rio de Mouro, deliberou atribuir  nome do desditoso cavaleiro ao largo "grande" de Albarraque.

Na singeleza da placa toponímica, não se vislumbra a tragédia que serviu de pretexto à sua colocação, fica aqui a sua "explicação".

OBRA DO ARQUITECTO ANTÓNIO LINO NA FREGUESIA DE RIO DE MOURO/SINTRA

António Lino, ilustre arquitecto natural de Lisboa, nasceu em 1909 e faleceu em 1961 na mesma cidade, concluiu  o curso de arquitectura na Escola Superior de Belas Artes, igualmente em Lisboa.

De sua autoria diversos projectos relevantes, como por exemplo: a colunata do Monumento de Cristo Rei em Almada, a igreja de São João de Deus no município de Sintra, segundo dados dos serviços camarários são da sua responsabilidade, obras de beneficiação no palácio da Quinta da Regaleira, uma moradia unifamilar em Galamares e a colónia de férias para os filhos dos empregados da CUF, em Almoçageme.

De acordo com elementos obtidos na minha investigação, que divulguei publicamente pela primeira vez, na Sessão Extraordinária da Assembleia de Freguesia de Rio de Mouro do último  29 de Março p.p. no período antes da ordem do dia,  também é de sua "lavra" o projecto das instalações do Orfanato Escola Santa Isabel em Albarraque, freguesia de Rio de Mouro inauguradas em 1942-1943, e respectiva capela aberta ao culto em 1944, cujo alçado principal podemos apreciar. Notam-se algumas semelhanças com a fachada principal da Igreja de São João Deus, na lisboeta Praça de Londres.

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O nome do autor do projecto, é visível numa das peças desenhadas  dos edifícios do Orfanato Santa Isabel de Albarraque, António Lino aproveitaria a mesma ideia para aplicar na colónia de férias da Cuf.

 

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Importa também referir que António Lino, pertenceu ao MRAR: movimento de renovação da arte religiosa, onde entre outros se integraram os arquitectos: Nuno Teotónio Pereira, Braula Reis, José Maia e Jorge Viana este último autor do projecto da Igreja da Sagrada Família, edificada no Bairro da Tabaqueira. 

 

 

 

BODAS DIAMANTE DA INAUGURAÇÃO TEMPLO CATÓLICO NO CONCELHO DE SINTRA

No já distante 1944 século passado, dia 18 do então tórrido mês de Junho; Sua Eminência Senhor Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Manuel Gonçalves Cerejeira, benzeu e celebrou  primeira missa, na capela do Orfanato-Escola Santa Isabel, " cidade dos rapazes" porque destinado exclusivamente a utentes do sexo masculino, situado na aldeia de Albarraque, freguesia de Rio de Mouro, Município de Sintra .

O acto revestiu-se de pompa e circunstância, e afirmação de grandeza da obra assistencial fundada 17 anos antes pelo Reverendo Padre, franciscano, Agostinho da Mota. Assistiram a sagração do templo, o director geral da Assistência  Dr.Guilherme Possolo,  Presidente da Câmara Municipal de Sintra Coronel Círiaco José da Cunha, director do Orfanato Sr. Álvaro Vilela, e o benemérito principal da instituição Sr. Manuel do Espírito Santo Silva, presidente do Banco com seu nome.

A guarda de honra, prestada pelos bombeiros voluntários de Queluz, Sintra, São Pedro de Sintra, Belas, Barcarena e Paço de Arcos, abrilhantou  a banda Filarmónica de Rio de Mouro.

Sua Eminência chegou  às 10 horas e 45 minutos, de seguida processionalmente, deu volta ao edifício da igreja benzendo-o, transportaram o palio Irmãos das Irmandades do Santíssimo e  Senhor dos Passos da Graça ambas de Lisboa. 

A celebração da missa, a que assistiram além dos internados muito povo das redondezas, foi acompanhada pelo coro do Orfanato, composto por  25 amigos da instituição.

Um dia memorável para o concelho e freguesia,  aqui recordado porque merece ser devidamente comemorado.

 A notícia 

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Projecto do templo

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NA BUSCA DA FÁBRICA "PERDIDA " DE ALBARRAQUE

O meu estudo acerca da fábrica setecentista de estamparia, laborou no sítio de Rio de Mouro,hoje dito "velho" para diferenciar do que surguiu no "rescaldo " da pressão urbanistica em redor da estação ferroviária, "Rio de Mouro -Rinchoa", construida no século XIX ,é  único testemunho relativo aquela fábrica.

A tarefa de investigar a História, dita  " local " a qual  dedico z algum tempo, com gosto, guiado pela ideia  quanto mais souber relativamente a uma localidade ou região melhor conhecerei a História do Povo,   que dizer da Pátria,

Descobri,como atesta fragmento do testemunho escrito que ilustra este texto,  existência no final do século XVIII, de uma fábrica de "Xitas", no lugar de Albarraque, cuja direcção seria assegurada por "mestres" italianos.Não sei mais nada relativamente a esta nova achega demonstrativa da antiga importância industrial, da freguesia de Nossa Senhora de Belém, em Rio de Mouro.

 Continuarei a "busca" quem sabe consiga decifrar o "enigma",? por agora tive sorte...

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HORTA DA CERA DE SINTRA

A toponímia é manancial de informações valiosos, a compreensão e descoberta do significado daquelas, possibilita conhecimento fidedigno, dos factos históricos.

 Existência  no Município de Sintra da quinta  "horta da cera " e  via de acesso ostentar a designação "rua horta da cera", suscitou  curiosidade.No âmbito das investigações,encontrei na cidade de Lisboa,  "travessa da horta da cera", liga a Avenida da Liberdade ,junto ao cinema São Jorge a Rua do Salitre.consegui apurar no século XIX,  seria rua extensa  ia desde o vale do pereiro a rua direita de Santa Marta.

Em 1813, a irmandade do Santíssimo Sacramento da Freguesia lisboeta, do Sagrado Coração de Jesus,queria alugar casas suas ,situadas na rua horta da cera, incumbiu o tesoureiro Manuel António Figueiredo, de mostrar aos interessados.

O irmão tesoureiro CIREIRO, da Casa Real ,  residia  na horta da cera;  ocupava-se da comercialização e transformação da cera,encontrei a chave para decifrar este "enigma".Cireiro fabricava velas, tochas ,círios, ex-votos e outros objectos de cera das abelhas.Apurei actividade permitia algum lucro significativo,tornando os cireiros  pessoas de posses, descendentes dos de Albarraque são ainda donos de apreciavel património  

  Horta da cera, porque horta não só designa  terreno para produção agrícola, mas também, casal, local onde se consegue qualquer lucro, permitia comprar alimentos, onde alguém exercia  profissão ou possuia um engenho , "horta da nora" horta da ferraria"... Aqui, laborava-se  cera, havia estabelecimento de fabrico e espremedor , para retirar  mel residual. 

A horta da cera de Sintra, ficava na Freguesia de Rio de Mouro, lugar de Albarraque,junto a  curso de água caudaloso no Inverno, possibilitando mover azenhas, e pisões,  edificar  lagar de cera.

Topónimo singular,deu muito trabalho a decifrar,  posso dizer estou satisfeito,  não "fiz cera", o resultado pode ler-se...

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"AGUA DE ALBARRAQUE"

Em 22 de Abril de 1918, Albert Beauvalet requereu licença para explorar a nascente de água minero-medicinal, situada na freguesia de Rio de Mouro, concelho de Sintra a qual atribuiu a designação que serve de titulo ao nosso apontamento.

A pretensão foi colocada à discussão pública, e convidavam-se todas as pessoas a quem a referida concessão pudesse prejudicar, apresentarem as suas reclamações no Ministério do Trabalho, dentro do prazo de sessenta dias a contar daquela data.

Curiosamente o Edital era assinado, pelo Chefe de Repartição, Manuel Roldan y Pego. Os protagonistas do facto tinham ambos apelidos estrangeiros, será que já ao tempo os "nacionais" andavam distraídos quanto as riquezas naturais de Portugal?!...

Não sabemos ao certo se o projecto resultou, nem em que local seria a fonte, Albert Beauvalet, era engenheiro de nacionalidade francesa, entusiasta do automobilismo, sócio e dirigente do ACP (Automóvel Clube de Portugal), também piloto de corridas. Ao seu dinamismo como empresário ficou a dever-se a construção duma das primeiras grandes garagens para automóveis, em Lisboa na Praça dos Restauradores no sitio que  hoje é o hotel Eden e onde foram as cavalariças dos Condes de Castelo Melhor. Podemos afirmar que em termos de curiosidades esta nascente foi um "manancial".

UM BELO TESTEMUNHO DE ARTE SACRA EM ALBARRAQUE-SINTRA

Albarraque é um lugar da Freguesia de Rio de Mouro no Município de Sintra. Tem o encanto das antigas Aldeias rurais e o seu centro histórico, de acordo com o regulamento do Plano Director Municipal em vigor, deve ser preservado. No casco antigo está a interessante ermida dedicada hoje em dia a Santa Margarida; todavia não terá sido sempre assim.

 Segundo Pinho Leal (1879)..."A formossíma aldeia de Albarraque a 3km de Rio de Mouro é povoação antiquíssima, tem uma nascente de águas férrea à qual se atribuem muitas virtudes terapêuticas. Não só por esta circunstância mas para gozarem os ares puros e a amenidade deste sítio vêm aqui passar a estação calmosa muitas famílias ricas de Lisboa. Nesta aldeia está...a capela de N.S.dos Aflitos a cuja padroeira se faz todos os anos uma festa sumptuosíssima.

A sagrada imagem do crucificado é de primorosa escultura e de um valor artístico inexcedível e os povos deste sítio lhe consagram grande devoção".  É uma bela representação de Cristo Crucificado executada em marfim sobre uma cruz de madeira, talvez de cedro, porque sendo daquela espécie nunca apodrece nem se corrompe. A escultura impressiona pela perfeição e profunda religiosidade que dela emana, à esquerda com o seu manto vermelho está a imagem do orago Santa Margarida. Todo o conjunto é um valioso exemplo do património da nossa Terra.

 

 

 

 

MAIO DE 1927: I VOLTA A PORTUGAL EM BICICLETA

A terra onde nascemos depende de factores diversos, costuma dizer-se que poucos se podem gabar de terem nascido em local previamente escolhido. Já o a localidade onde moramos resulta quase sempre duma escolha, como consequência, com o decorrer do tempo a "nossa terra" é o sítio onde vivemos e desse modo passamos a ter um sentimento de pertença a esse lugar. Somos dos que se englobam nesse grupo, embora não tendo nascido em Sintra, assumimos a qualidade de sintrenses e temos orgulho  nessa qualidade. Deste modo, tudo o que os nossos conterrâneos fizeram de notável para dar brilho e tornar mais famosa a terra que nos adoptou,  interessa-nos.

Em Maio de 1927 realizou-se a "I VOLTA CICLISTA DE PORTUGAL". O vencedor foi um Sintrense. Como curiosidade queremos partilhar com todos um extracto da Acta da sessão da Câmara de Sintra de 19 de Maio de 1927, cujo teor parcial é o seguinte:

No Domingo findo quinze do corrente, chegou ao seu termo a prova desportiva mais formidável até hoje realizada. Como vossas Excelências bem sabem esse empreendimento deve-se ao jornal DIÁRIO DE NOTÍCIAS (...). A primeira volta em bicicleta em torno de Portugal trouxe-lhe novo título de glória - Dessa glória partilhamos também nós Sintrenses pois coube-nos a honra da vitória na pessoa dum nosso conterrâneo ANTÓNIO AUGUSTO DE CARVALHO, NATURAL de ALBARRAQUE (freguesia de Rio de Mouro ), deste concelho.

Fica o texto completo para memória.

Em Sintra sempre tivemos gente com "pedalada" para vencer grandes desafios, como demonstra o feito deste "patrício", basta seguir o seu exemplo para com determinação e eficácia resolvermos os problemas que se nos deparam.

Tendo nascido em ALBARRAQUE talvez Augusto Carvalho tenha dado graças a DEUS pela sua vitória na Capelinha de Santa Margarida Padroeira da Aldeia e cuja imagem deixamos...

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