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Tudo de novo a Ocidente

Com Porta ou Sem Porta. O mosquito entra sempre!

Neste espaço já referimos a  herdade da Comporta, manifestamos perplexidade perante uma muito bem urdida campanha publicitária fazendo crer sem dúvidas ser a propriedade  sítio impar para investimento e residência. A acção humana por mais perfeita e determinada não altera as condições naturais.

Nas cartas elementares de Portugal Barros Gomes acerca da região onde se situa a Comporta escreveu: "A grande evaporação estival, que eleva a produção das marinhas do sado muito acima de todas as mais do paíz, estrilisa a seu turno as areias das chãs e chapadas convizinhas, submetidas a seu turno de inverno a uma grande humidade costeira. A falta de terras altas confinantes traduz-se na completa ausência das virações frescas serranas, e na deficiência da condensação dos vapores atmosphericos, durante a estação calmosa. O estagnamento do ar, que nenhuns acidentes orográficos perturbam, produz nas noites serenas de inverno fortes geadas, abrangendo grandes areas e castigando a vegetação dos brejos mais mimosos de cultura".

A promoção feita em torno desta região, foi agressiva com auxilio da imprensa e televisão, oxalá  quem acreditou, não sofra desilusão. Neste como em outros negócios promovidos pelo grupo económico dono destas terras, vendeu-se quem sabe "gato por lebre".

A construção de um hotel de luxo no coração da "costa do mosquito", parou dificilmente será retomada, tudo se conjuga os ermos solitários, sem viva alma, característica dos concelhos de Alcácer do Sal e Grândola,com de centenas de quilómetros quadrados superfície voltarão a ser "reis e senhores", desta região. Será possível controlar a mosquitagem recorrendo a insecticidas dispendiosos, no entanto não se pode modificar a topografia natural origem da insalubridade. A Comporta continuará o que sempre foi: doentia e remota paragem apropriada para edificar local de punição (presídio de Pinheiro da Cruz), cultivar extensos arrozais, proliferar mosquitos, ser estância de turismo de luxo!?.Na foto tipo de antigas habitações na herdade.

 

 

Maravilhas da Costa do Mosquito.Porto Palafítico.

Escrevemos a algum tempo, um apontamento acerca da praia e região da Comporta das suas condições de salubridade, local propício à proliferação de mosquitos, como consequência da existência de grandes arrozais na zona. Desejamos referir, outra particularidade interessante relacionada com a herdade. O acesso rodoviário, à povoação da Comporta fazia-se a partir da vila de Grândola, concelho em que está integrada. Esta situação manteve-se até ao inicio da urbanização de Tróia, promovido pela empresa Torralta, no começo dos anos 70 do século XX.

Uma das primeiras decisões foi a completar a ligação do lado de Alcácer do Sal, que findava junto à povoação da Carrasqueira, onde chegam os limites da Herdade da Comporta. Parecia pretender-se fazer  da propriedade uma espécie de rincão inacessível, ao comum dos cidadãos.

Rasgado o traçado da rodovia da Carrasqueira à Comporta ,o acesso a partir de Alcácer, tornou-se o mais utilizado. Este facto possibilitou melhor conhecimento de uma das maravilhas destas paragens:O PORTO PALAFÍTICO da Carrasqueira, conjunto de estacas que suportam um passadiço, permitindo caminhar sobre a água,até ao sítio de amarração dos barcos. Local idílico de beleza singular fruto não só das condições naturais mas também da acção dos pescadores do rio Sado, cujo engenho e argúcia, para vencer as marés do rio deu origem á construção dum ancoradouro, exemplo de património cultural, único em Portugal. Descer o Sado até à cidade de Setúbal de barco com os pescadores, é uma experiência inolvidável.

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