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Tudo de novo a Ocidente

UM DOS SENHORES DAS TERRAS DE MASSAMÁ

O conjunto urbano da Freguesia de Massamá no Concelho de Sintra, está edificado sobre terrenos de grande aptidão agrícola, que a construcção imobiliária, infelizmente destruiu. Durante séculos este pedaço da grande Lisboa, foi zona de quintas,uma das quais a QUINTA DO PORTO, pertenceu no século XIX ao Visconde de Azarujinha. No perímetro do "porto" existiam as propriedades do "cerrado do galego, almarjão de cima, almarjão do brejo, terra da carapuça, terra da barraca, terra da mata". Além destas detinha a "terra da gorda" no sítio da barota (actual Massamá norte).

Não se pense que estes prédios rústicos eram do Visconde da Azarujinha desde tempos imemoriais, nada disso, os bens vieram à sua posse na qualidade de herdeiro universal de sua mãe Dona Libania Carlota de Freitas que os comprou a António Gonçalves Lobato, conforme  escritura de 26 de Novembro de 1870.

O visconde de Azarujinha de seu nome António Augusto Dias de Freitas, nasceu a 15 de Fevereiro de 1830, em Lisboa, filho dum abastado comerciante, António Dias de Freitas e da Senhora acima citada. O titulo de visconde foi mercê de EL-REI D. Luís dada em 2 de Agosto de 1870, mais tarde seria Conde com o mesmo título. Foi  prospero empresário e proprietário. Membro da Câmara dos Pares do Reino, teve foro de fidalgo cavaleiro da Casa Real, por alvará de D.Luís,assinado em 30 de Setembro de 1862. Ao ser empossado  membro da Câmara dos Pares Do Reino foi elaborado

o seguinte registo:

Nome:Visconde de Azarujinha

Idade:40 anos

Estado: casado

Emprego ou profissão: proprietário

Morada: Largo Conde de Pombeiro  Lisboa

Contribuição paga:150$862 Réis 

A contribuição paga correspondia a cerca de 10% de um  rendimento colectável,ou seja um milhão e quinhentos mil réis, uma fabulosa fortuna para altura.

Massamá estava integrado na Freguesia de Nossa Senhora da Misericórdia da Vila de Belas. O senhor Lobato deve ter adquirido as terras quando da venda dos bens dos Conventos extintos pelo regime Liberal, durante séculos os donos destas herdades foram os monges do Convento de Santos-o-Novo da cidade de Lisboa. Gonçalves Lobato era também um rico comerciante, e proprietário de grandes domínios no Alentejo. A especulação fundiária que antecedeu o "boom"urbanístico no concelho de Sintra, beneficiou maioritariamente os "novos ricos" que o liberalismo fomentou, os comerciantes que dispunham de liquidez, realizaram óptimos negócios. Isto das "privatizações" foi sempre uma mina, para alguns. A Quinta do Porto, ficava ao cimo da "urbanização da quinta das flores",  incluia quase tudo o que hoje se designa "Massamá" com exepção do Casal do Olival. 

QUINTA DO MOLHAPÃO

Uma das mais distintas e solarengas propriedades  do concelho de Sintra é a denominada quinta do Molhapão situada na Freguesia de Belas, no lugar da Tala, perto da estação ferroviária de Mira Sintra- Meleças.Trata-se duma herdade com séculos de história, e sobre a qual se tem escrito alguma, prosa com o seu quê de fantasioso. Relacionado com a quinta apuramos que tinha bons pomares e dava bastante trigo.

No ano de 1822, a fruta produzida: limões, peras, figos e laranjas era vendida na Rua das Portas de Santo Antão nº106 em Lisboa. Domicilio hoje, de um conhecido restaurante. Nesta rua, fica o palácio que foi dos senhores da quinta, o chamado palácio Alverca, na actualidade, edifício sede da Casa do Alentejo.

A quinta do Molhapão abundava em água, que esteve para ser aproveitada e canalizada directamente ao aqueduto das Águas Livres construído entre Belas e Lisboa. No subsolo  e em todo o vale da Ribeira de Vale de Lobos existe a grande profundidade um dos maiores lençóis aquíferos de Portugal. Quase no  final da Monarquia (1905) o Visconde de Alverca, requereu que a sua propriedade fosse sujeita ao regime florestal, o que foi concedido. Contigua à quinta ficava a herdade do Minhoto; a Rua  que existe na Tala com esse nome indicava o caminho. A quinta do Molhapão e o Minhoto em conjunto tinham uma área de 288 hectares, 100 dos quais eram de pinhal, 100 de cultura e 88 de charneca. Estes últimos o dono obrigava-se a arborizá-los no prazo de 20 anos. Era uma medida acertada porque sendo Meleças centro produtor de cal e onde laborava um forno, que necessitava de significativas quantidades de lenha, fazia todo o sentido. No entanto, as vicissitudes da História, alteraram tudo.

Em 1914, já na vigência do regime Republicano, José de Sá Pais do Amaral, Visconde de Alverca solicitou que fosse retirada do regime florestal aquele seu imóvel, o que foi concedido, conforme decreto nº340, publicado no Diário do Governo ñº 29 de 28 de Fevereiro do citado ano. A Quinta do Molhapão está classificada como imóvel de interesse concelhio nos termos do regulamento do PDM de Sintra em vigor.Por agora vamos,  molhar pão noutro azeite,como quem diz:terminamos.Oxalá tenhamos dado "novidades".Acerca da origem do topónimo voltaremos a escrever.

 

 

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