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Tudo de novo a Ocidente

OBRA DO ARQUITECTO ANTÓNIO LINO NA FREGUESIA DE RIO DE MOURO/SINTRA

António Lino, ilustre arquitecto natural de Lisboa, nasceu em 1909 e faleceu em 1961 na mesma cidade, concluiu  o curso de arquitectura na Escola Superior de Belas Artes, igualmente em Lisboa.

De sua autoria diversos projectos relevantes, como por exemplo: a colunata do Monumento de Cristo Rei em Almada, a igreja de São João de Deus no município de Sintra, segundo dados dos serviços camarários são da sua responsabilidade, obras de beneficiação no palácio da Quinta da Regaleira, uma moradia unifamilar em Galamares e a colónia de férias para os filhos dos empregados da CUF, em Almoçageme.

De acordo com elementos obtidos na minha investigação, que divulguei publicamente pela primeira vez, na Sessão Extraordinária da Assembleia de Freguesia de Rio de Mouro do último  29 de Março p.p. no período antes da ordem do dia,  também é de sua "lavra" o projecto das instalações do Orfanato Escola Santa Isabel em Albarraque, freguesia de Rio de Mouro inauguradas em 1942-1943, e respectiva capela aberta ao culto em 1944, cujo alçado principal podemos apreciar. Notam-se algumas semelhanças com a fachada principal da Igreja de São João Deus, na lisboeta Praça de Londres.

acapela.jpg

 

O nome do autor do projecto, é visível numa das peças desenhadas  dos edifícios do Orfanato Santa Isabel de Albarraque, António Lino aproveitaria a mesma ideia para aplicar na colónia de férias da Cuf.

 

al.jpg

Importa também referir que António Lino, pertenceu ao MRAR: movimento de renovação da arte religiosa, onde entre outros se integraram os arquitectos: Nuno Teotónio Pereira, Braula Reis, José Maia e Jorge Viana este último autor do projecto da Igreja da Sagrada Família, edificada no Bairro da Tabaqueira. 

 

 

 

ALEXANDRE MATEUS - POETA DE ALMOÇAGEME

Alexandre José Mateus, é figura grada da história e cultura da aldeia de Almoçageme, freguesia de Colares, Município de Sintra.No ano de 1908,encontrava-se, tudo indica como emigrante, a bordo do navio "ARAGUAYA",da companhia mala real inglesa,barco fazia a rota , Southampton, Buenos Aires, com escala em Cherburgo, norte de França, Vigo , Lisboa,Pernambuco, Baía,Rio de Janeiro, Santos no Brasil , Montevideu capital do Uruguai.

Este navio transportou desde  final do século XIX, até 1926, milhares de emigrantes portugueses com destino a América do Sul.Numa dessas viagens Alexandre Mateus,compôs poesia, datado da era citada, somente publicado,em Junho de 1917, no periódico " A CANÇÃO DE PORTUGAL : Fado Publicação Literária e Ilustrada ". Poema intitulado "Longe da Pátria ";  testemunho de saudade e apego ao torrão natal.  reza assim :

 

Ó pátria distante e linda 

ó meu querido Portugal

ó minha terra natal

como te quero e amo ainda!

Acaso a saudade finda

quando a todos instantes,

me lembram as soluçantes

palavras de despedida

amigos e pátria q`rida

oh! como ficam distantes.

 

Já não vejo esses trigais

matizados de papoulas

nem ouço cantar as rolas

na ramagem dos pinhais

Quem pode esquecer jamais

em noites de luas cheias

as estranhas melopeias

que se escutam a beira-mar

quando a onda vem beijar

praias de brancas areias

 

Mas, avisto altas palmeiras

e por bombordo uma praia;

a proa do «Araguaya»

corta as águas brasileiras

Adeus serras altaneiras

e regatos murmurantes

adeus dias radiantes

da infância vou lembrando,

co`amigos rindo e saltando 

sobre os montes verdejantes.

 

E o teu arco ! e teus penedos !

Ó encantadora ADRAGA

a enorme e altiva vaga

se despedaça em teus rochedos

E as vinhas e os arvoredos

onde o rouxinol gorgeias

 e tu , ó CINTRA, que ateias

em mim tamanha saudade,

por isso esquecer quem ha-de

as lusitanas aldeias

 

Almoçageme

Alexandre José Mateus

 

P4304176.JPG

 

 

 

 

VERGADOS PELA NORTADA

No tempo invernoso o vento sopra com intensidade,surgem os avisos meteorológicos amarelos ou vermelhos,conforme grau de perigo, somos aconselhados a tomar precauções, quase sempre referem possibilidade de queda de árvores na via pública.

Parece que há árvores desde a plantação lançaram raízes bem fundas, agarram-se ao chão, denotando intento de resistirem a ventos e marés.

Na estrada da Várzea de Colares, concelho de Sintra pela encosta segue em direcção de Almoçageme, encontramos por altura da "quinta dos pisões" renque de plátanos, devem ter sido plantados para sombrear a via, na década de 1940. Fustigados pela nortada ou pelos alíseos do oeste, adquiriram posição obliqua que os fustes apresentam.

Podemos afirmar, vergaram, não tombaram quando possível, a terra ajuda as árvores, assim em algumas ocasiões acabam por morrer, não na vertical contudo, sempre de pé.

Belo trecho da natureza.

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O INDUSTRIAL QUE ADORAVA SINTRA

O território do antigo município sintrense, de ameno clima, frescas sombras no estio e aconchegado tempo invernal,foi procurado ao longo de séculos,para repouso e vilegiatura de gente com posses e gosto pela calma e placidez dos lugares.

Da ribeira da jarda ao oceano atlântico, a nobreza e burguesia lisboeta endinheiradas, seguindo o gosto precursor de bispos e frades, foi edificando insignes quintas, algumas das quais ainda existem.Derrubada a monarquia, na sede do concelho os espaços deixados  "vazios", pela corte , foram adquiridos pela nova classe possidente enriquecida pela tardia revolução industrial "lusa", desejosa de acrescentar a "aristocracia monetária" alguns "pergaminhos"da antiga "aristocracia de sangue" .

Personagem que melhor exemplifica esta tendência é Alfredo da Silva. Industrial, banqueiro armador, grande proprietário, considerado o mais audacioso empreendedor da península ibérica do seu tempo, nasceu em Lisboa a 30 de Junho de 1871, faleceu na sua casa de Sintra a 22 de Agosto de 1942.Alfredo da Silva ficaria órfão de pai aos 14 anos, nascido no seio de família abastada,dotado de raras capacidades de trabalho e inteligência , frequentou e concluiu curso superior de comércio em 1890 sendo o melhor do curso, laureado com o primeiro prémio instituído pela Associação Comercial de Lisboa, destinado ao aluno mais aplicado.

Com pequeno lote de acções deixado pelo progenitor,graças a rara intuição negocial conseguiu, conquistar posição de controlo na Companhia União Fabril , fundada em 1865 pelo visconde da junqueira,José Dias Leite de Sampaio,renovou e refundou a empresa que seria nome emblemático de conglomerado empresarial.

Alfredo da Silva adorava Sintra, dizia só ali podia dormir tranquilamente. No ocaso da vida fazia trajecto dos escritórios da Companhia a estação do Rossio, de automóvel, seguia depois de comboio a Sintra. Da estação a casa; Palácio dos Ribafrias,utilizava igualmente o carro.A "tabaqueira" fundada em 1927 ,iria dispor de  novo complexo fabril , em Albarraque Freguesia de Rio de Mouro , termo de Sintra.

A família conhecia a predilecção de Alfredo da Silva pelas paragens sintrenses. A modelar colónia de férias para os filhos dos empregados do grupo CUF , foi construída em Almoçageme , freguesia de Colares.

O funeral realizou-se no Cemitério do Alto de São João em Lisboa. no entanto  cumprindo desejo expresso do industrial ,os restos mortais seriam transladados em 1944, para mausoléu edificado no cemitério do Barreiro.

 Testemunho do apego a Sintra e homenagem a sua capacidade realizadora,estátua de bronze,erigida em sua honra   a 19 de Abril de 1965, da autoria do escultor Leopoldo de Almeida, colocada em Albarraque,na rotunda fronteira a entrada principal da "Tabaqueira" e, arruamento de acesso ao bairro dos funcionários  da empresa.

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