Foi por esta altura no já distante 1979, que apresentei uma proposta para colocação da placa recordatória , no padrão do Cabo da Roca, com a genial frase de Luís de Camões " Aqui ... onde a terra acaba e o mar começa". Contendo além disso, indicação da latitude e longitude do lugar, atestando inequivocamente, ali está o extremo Oeste do continente europeu.
Formulei aquela, durante o mandato como vereador da Camara Municipal de Sintra, entre 1978 e 1982, com objectivo de valorizar, simbolicamente, o ponto mais ocidental da Europa continental, associando-o a herança literária e cultural portuguesa.
Mais tarde o senhor Vereador brigadeiro Machado de Souza,confirmando que a ideia partira do vereador Cortez Fernandes, concretizou deliberação camarária, consultando o Instituto Hidrográfico, para validar as coordenadas geográficas de latitude e longitude e também altitude acima do nível médio das aguas do Oceano Atlântico.
Resultou desta minha ideia criação de marco icónico, no Cabo da Roca, unindo geografia, história e identidade nacionais.E também um contributo para a valorização cultural do concelho de Sintra.
A preocupação do sr. vereador Machado de Souza, com a exactidão das coordenadas, teve todo cabimento; muita gente e até autoridades oficiais afirmavam seria o Cabo Finisterra na Galiza o local mais a ocidente do território europeu, não insular.
Estavam errados fizeram rigorosas medições, hoje quem for a "Fisterra", pode verificar na placa informativa ali colocada a longitude do nosso cabo está um pouco mais a Oeste, como sempre sustentámos.
Já agora proponho, mandem executar cópia da placa existente colocando-a na face oposta do padrão no Cabo da Roca; sendo aquela memória dos objectos mais fotografados do Mundo, seria ainda mais impressivo as fotos passem mostrar o Oceano , coisa que agora não sucede; quem faz o "boneco" está de costas para o Atlântico.
Oxalá tenha cabimento este alvitre, porque como diriam amigos muito queridos " faz todo sentido ".
Na falésia grandiosa da costa litoral sintrense, no tramo entre Cabo da Roca e a estrema com vizinho concelho de Cascais, ficava um forte militar integrado no sistema defensivo da barra do Rio Tejo.
Dissemos ficava porque no sitio da Direcção Geral do Património lemos : " Na actualidadeapenas se conservam alguns troços e parte da abóbada, e do paiol elementos por demais escassos de uma tão importante fortificação da nossa costa a ocidente de Lisboa ".
O que resta da antiga construção foi declarado imóvel de interesse publico, por decreto-lei nº 28/82 D.R. 1ª serie nº47 Este documento altera anterior designação de " Fonte da Roca " como erradamente se chamava, para " Forte da Roca ", fixando definitivamente o nome actual.
A edificação inicial é do seculo dezassete. Numa ocasião calcorreei caminho com intenção de visitar o sitio, segui vereda a partir da aldeia da Azóia ; ia só estava muito vento retrocedi; talvez ainda lá irei um dia ; quem Sabe ?
Num antigo mapa deparei com indicação do forte.
Planta original do forte guardada no Arquivo Nacional da Torre do Tombo
Decorria 1943 fase mais aguda do ultimo conflito bélico a nível mundial. Portugal mal grado a "neutralidade colaborante" do governo do Professor Oliveira Salazar, conheceu em diversas ocasiões na sua área de jurisdição territorial e marítima agruras da guerra.
No mês de Maio daquele ano ,numa segunda -feira dia dez, o navio pesqueiro "CABO DE SÃO VICENTE", com arqueação bruta de cem toneladas, tripulação constituída por 18 homens, e propriedade da Sociedade Comercial Marítima, quando se encontrava na faina da pesca, foi sobrevoado por aeronave, segundo a imprensa "de nacionalidade desconhecida", aquela dirigiu rajada de metralhadora sobre a traineira, em clara atitude agressiva e aviso. O capitão do barco deu ordem de abandonar o barco .Pouco depois quando salva vidas já se afastara do navio, o avião largou duas bombas no convés, o navio afundou-se rapidamente.
Os elementos da tripulação recolhidos , por outro pesqueiro da mesma empresa que se encontrava perto, foram transportados para Lisboa, sãos e salvos. A noticia do Diário de Lisboa revela receio do governo português, não fomentar na população animosidade contra os alemães. Sabemos agora o bombardeiro protagonista da ação foi um "Focke-Wulf", da força aérea alemã, estacionado na base aérea Bordéus-Merignac, sueste de França, este tipo de avião considerado pelos aliados "o flagelo do Atlântico", era quadrimotor equipado com motores BMW, podia voar até 6000, metros de altitude , e o raio de ação alcançava 4400, quilómetros, á velocidade média de 350 Km/h.
Os factos ocorreram na área do mar sintrense a 23 milhas da Ericeira no paralelo do Cabo da Roca. A segunda guerra mundial também tocou o "nosso" cantinho.
O Cabo da Roca, a ponta mais ocidental do continente europeu proporciona sempre imagens de grande beleza em qualquer ocasião. Durante o Inverno, quando o vento sul impele as ondas do mar contra as escarpas e o céu coberto de nuvens, acentuam o perfil da montanha da qual faz parte. O barrão como as gentes de Sintra designam a: "roca " que quase sempre assinala o horizonte do promontório, nestas circunstâncias é ainda mais visível. Esta particularidade é a origem do nome do Cabo da "Roca".
Com os votos de Boas Festas, deixamos uma perspectiva do mesmo, visto da Praia do Guincho no dia 19 do corrente.
Há gente com jóias da natureza e não as sabe cuidar. Num mundo globalizado a singularidade tem valor acrescentado, por isso, deve ser valorizada e divulgada para fomentar nas pessoas sentimentos de partilha e pertença dando a essa particularidade o devido destaque.
No território sintrense, há um local,cuja envolvente encantadora não tem sido devidamente cuidada. O Cabo da Roca: sendo sem dúvida, o ponto mais a oeste do continente europeu, devia ter o adjectivo de FINIS TERRA, pois está a uma longitude superior há do Cabo Galego com aquele nome. O "Cabo do Monte da Lua" como antigamente se chamava era muito extenso, dizia-se ser o seu comprimento de 10 quilómetros, mar adentro. Como consequência dum mega sismo a terra foi submersa e resultou a "testa do cabo". A profundidade média em frente do Cabo ao longo de várias milhas é por isso de só 10 mts.
O Cabo da Roca devia ser considerado como um Santuário Natural. Batido pelos ventos oceânicos, sem vegetação de grande porte, quem visita o Cabo ao aproximar-se do cruzeiro no topo da falésia sente estar perante um FIM DO MUNDO.
É um lugar de longura e fascínio. Infelizmente os fios eléctricos e os postes de iluminação inadequados conspurcam uma atmosfera que deveria ser unicamente céu e mar.
Urge acabar com esta situação, que degrada o ambiente. E porque não promover um concurso de ideias, de modo a tornar o Cabo da Roca na grande PORTA do OCIDENTE e fomentar ainda mais a visita de turistas? Estamos perante uma atracção de grandepotencial.
O nome do cabo deriva do halo de nuvens visível do mar e que quase sempre cobre o seu dorso e Roca é aquilo que o povo chama o "barrão".
Aqui finda a Terra da Europa, entendida como um espaço "do Atlântico aos Urais " frase celébre dum grande Europeu, o General De Gaulle. Devemos contribuir para seja um sítio de comunhão plena entre o Homem e a Natureza. Há poucos lugares no Mundocom tanto mistério e magia como este.