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Tudo de novo a Ocidente

UM SINGELO SINO DE " ALDEIA "

No livro de leituras da primeira classe do ensino primário, do período do Estado Novo durante décadas 1950 e 1960 ,na pagina 88 havia lição intitulada, "O DIA DO SENHOR" no texto faziam elegia do valor simbólico do sino, e sua relação com  pratica religiosa, referindo:  "Obedientes a voz do sino, homens ,mulheres e crianças, acodem ao templo, para assistirem a missa "

Algumas vezes veio a memória este texto, quando visito  capela, de São Marcos, situada no coração da antiga aldeia, durante séculos, pertenceu, a Freguesia de Nossa Senhora de Belém de Rio de Mouro, antes de passar a de Agualva-Cacém, no inicio dos anos 50 do século passado.

A capela tem singelo campanário, de rústica beleza,felizmente ainda é possível, aqui, manter o sino colocado no seu poiso, contrariamente a muitas aldeias, despovoadas do interior do País, onde com receio dos roubos os sinos foram retirados dos campanários.

No Portugal cavernícola do Salazarismo, tudo andava a toque de sino, fosse a rebate, para assinalar perigo,as trindades, e missa para rezar, a dobrar a finados anunciando a morte de alguém,ou repicar demonstrando contentamento quando se tratava de casamentos ou baptizados.

Gosto de vez enquanto visitar aldeia de São Marcos,admirando o sino da capela, relembrar a posição do badalo ,evoca tudo que está suspenso, entre a terra e o céu, e por isso  som da campânula estabelece comunicação entre os dois.

A semelhança de Fernando Pessoa, que considerava o sino da igreja dos Mártires no Chiado, em Lisboa,  sino da sua aldeia; por mim adoptei com a mesma intenção  simbólica o sino da velha urbe de São Marcos, no concelho de Sintra.

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CONSELHOS DE MÉDICO SINTRENSE CONTRA PANDEMIA EM 1918

Ouvimos amiude comentadores sanitários enxameiam órgãos de comunicação social,designadamente a televisão quando opinam acerca da actual crise sanitária "estamos perante uma situação totalmente nova, não havia conhecimento como actuar. para debelar contágios ".

Sem qualquer comentário,lembro recomendações do médico Hermano Neves, natural de Alvares, concelho de Góis, distrito de Coimbra,no entanto  sendo filho dos professores do ensino básico Joaquim Neves, ( mestre Neves ). e Maria Emília Neves e Silva, exerciam o magistério no concelho de Sintra , residindo numa vivenda no Cacém, por isso, Hermano cresceu em Sintra, até idade adulta. 

Frequentou o curso de Medicina , na Universidade de Berlim, onde se deslocou indo de Lisboa a capital Alemã pilotando uma bicicleta, feito notável para aquele tempo, inicio do seculo XX.

Faleceu com pouco mais de quarenta anos,está sepultado no Cemitério de São Marçal em jazigo de família.Um dos seus filhos Mario Neves,distinto jornalista, primeiro embaixador de Portugal na ex União Soviética, depois de Abril 1974.A exemplo do pai democrata republicano opositor do regime ditatorial do Estado Novo.

Perante a gravidade do surto da gripe pneumónica, Hermano Neves, sugeria no jornal a Capital de que era director,conduta social para travar propagação.

A gripe deve tratar-se desde que aparece , antes com exagero de precauções do que deficiência de cuidados.

Já vimos muitas pessoas de ter passado a gripe de pé. É uma atitude que se em regra revela mais ignorância do que coragem.

Aos primeiros sintomas de influenza, metam-se na cama. resguardem-se e chamem o médico.Nunca se perca de vista uma noção fundamental a convalescença da gripe é sempre longa, e as recaídas terríveis.

Não se visitem doentes, que devem ser o mais possível isolados, porque se esse acto. aliás piedoso, não for prejudicial ao visitante, pode ser fatal a terceiras pessoas com quem depois entre em contacto .

Os meios terapêuticos, para debelar a doença eram muito menos eficazes dos de agora, a metodologia de travar contágio mantém-se útil e eficaz.

Medidas tomadas em 1918,na primeira vaga, depois em 1919, na segunda, podem ser consultadas está tudo publicado. 

Parece neste como em outras ocasiões aquilo continua ser evidente, é falta de conhecimento do passado.

CARTAZ DE CINEMAS NO MUNICÍPIO DE SINTRA ...1980

No malfadado tempo de pandemia, confinamento e chatice, manuseando alguns dos amarelecidos papeis do arquivo pessoal, encontrei informação reputo com  interesse, decidi, por isso, publicar.

Curiosamente , querido amigo, sintrense de longa data, ligou a TV num canal de noticias, onde estava no ar reportagem, de incêndio florestal , nas serranias da minha Pampilhosa natal, e  resolveu telefonar- me,

Fiquei contente, há muito,não falava com estimado e querido companheiro de momentos marcantes da vida.

Resido no Município de Sintra desde 1973,sou  sintrense de adopção e coração.

As salas de cinema preenchem o cartaz , já todas desapareceram, no entanto , em todas elas, assisti a cinema. Recordar é viver, quem visite este sitio, talvez sinta nostalgia reconfortadora; e, concordando comigo, possa dizer : apesar de tudo ainda estamos cá, para lembrar.

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CURIOSIDADES: ACTIVIDADE DA ASSOCIAÇÃO DE BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DE AGUALVA- CACÉM - 1950

Na anarquia "produtiva" do meu arquivo  encontrei,  inserida no Jornal de Sintra  nº891 datado de 18 Fevereiro 1951 curioso apontamento:

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Nesta data a localidade do Cacém, fazia parte da freguesia de Rio de Mouro e a de  Agualva, da freguesia de Belas.

A freguesia de Agualva-Cacém seria instituída pelo decreto - Lei nº 39210 de 15 Maio 1953. A análise da estatística é interessante porque permite aquilatar as mudanças verificadas na actividade da prestimosa instituição, ao longo de setenta anos,

 

SABORES DA ROTA DO PREGO E DO BITOQUE

Já demonstrei a origem sintrense do petisco culinário "prego".

Esta particularidade permite desde há um século que o Município de Sintra, possa ser considerado território onde os pregos e bitoques são servidos e confeccionados com esmero inquestionável.

Desde o "primeiro" Arco-Íris em Rio de Mouro, foram surgindo disseminados por toda a geografia de Sintra, estabelecimentos onde a degustação dos pregos e bitoques é igualmente possível, com a mesma qualidade e proveito.

O  "Rui dos Pregos" estabelecido em Rio de Mouro, no Cacém, em Odrinhas e até nas  docas de Lisboa, é conjunto de "balcões" onde saborear o sintrense petisco é regalo para a vista e para o paladar.

Sou assíduo cliente no "Rui dos Pregos" do Cacém, aliás mais próximo de Rio de Mouro que do centro da vizinha freguesia. O serviço é sempre impecável, os empregados atenciosos e cordiais, permitem que semanalmente cumpra o ritual de saborear "pregos" qual  "faquir".

Bom proveito!

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O COLÉGIO DO MENINO JESUS ESCOLA MISTA DO CACÉM SÉCULO XIX

A freguesia de Rio de Mouro, Sintra,devido desenvolvimento industrial que patenteava e também  a  riqueza agrícola e "ganadeira",nas décadas finais de 1800.possuía diversas escolas para ensino primário, duas  promovidas pelas igrejas católica Romana, e Igreja Lusitana.

O Cacem pertenceu até década de 50 do século XX, á paroquia de Rio de Mouro.Na localidade existiu escola mista de ensino primário,onde se realizaram exames publico em Outubro, 1874, na presença do Administrador do Concelho de Sintra, Delegado do Procurador Régio, na Comarca, regedor da Paróquia; e reverendo Padre da Freguesia  Miguel António de Barros Saraiva.

Os exames incidiam nas seguintes matérias: leitura Bíblica,rudimentos exemplificados de gramática,história, corografia,aritmética, e doutrina cristã. Os resultados, agradaram bastante, e sobremaneira ao júri presidido ,pelos professores Dona Ludovina Martins,Eloy José de Carvalho, este ultimo professor público em Odivelas.Além das matérias alunas apresentaram bordados, em ponto "crivo" causaram boa impressão. sobressaindo véu  de mais de um metro ,bordado com  uma imagem da Virgem Os examinados foram todos aprovados.

Onde ficaria  Colegio do Menino Jesus, escola mista do ensino primário do Cacém na Freguesia de Nossa Senhora de Belém de Rio de Mouro.?Gostava saber, talvez consiga...

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PREGOS "UP TO DATE" SEMPRE UM PITÉU

Demonstramos a inequívoca "naturalidade" sintrense do petisco "prego". Felizmente a par da preocupação com origem e qualidade da carne, existe aqui na "zona demarcada do prego e do bitoque", situada no território concelhio de Sintra,  freguesias de Cacém e Rio de Mouro, preocupação em inovar a confecção sem esquecer  sabor e apresentação do mesmo.

Na estrada Marquês de Pombal, artéria onde podemos encontrar numero significativo de locais para "degustação" do prego, nessa rua junto ao centro comercial de Fitares: o restaurante "O Marquês".

Tive grata e agradabilíssima surpresa de "manjar" prego variante "no prato", servido além das "fritas", acompanhado, também de molho com diversas "texturas": molho verde, de cogumelos, à café e mais outros dois cuja composição não recordo.

Justiça se faça, Mónica dona da comensal paragem, teve feliz ideia, não "abastarda" o sabor delicioso da carne, e dá toque de modernidade ao "centenário" invento .

 Experiência a realizar, os molhos são de "molhar" e chorar por mais.

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A IMPORTÀNCIA VINÍCOLA DE RIO DE MOURO - MUNICÍPIO DE SINTRA

Quando falamos em produção de vinhos no concelho de Sintra, o mais populoso da área metropolitana logo a seguir a Lisboa, vem a memória a região demarcada de Colares, todavia a importância vinícola, não se restringia ao rincão colarejo.

Antigamente o território sintrense produzia quantidade importante de vinho, destinado abastecimento da capital do País e também exportação. A qualidade do mosto digna de nota, permitiu  existência de numero significativo de produtores. Uma zona rica em vinho, freguesia de Rio de Mouro, incluía terrenos actualmente integrados nas freguesias de Agualva-Cacém e Algueirão Mem-Martins.

Historiadores como Pinho Leal e Esteves Pereira, reportam essa característica. O ilustre republicano Ribeiro de Carvalho, na  quinta do Zambujal situada no Cacém, produzia vinhos em qualidade e quantidade. Na quinta de São Pedro, onde  está o hipermercado Continente, Cemitério paroquial de Rio de Mouro na encosta do eucaliptal do Monte da Parada, estavam  plantadas videiras da casta sanguinhal. A vinha  manter-se-ia até a década 50 do século XX, quando a pressão urbanística começou a "arrasar" tudo.

Sendo verdade, parece lendário. Numa antiga casa quinta em Rio de Mouro Velho, tive ensejo de constatar a justeza da história: lagar de pedra, pipas de grande capacidade, utensílios para engarrafamento, diversos apetrechos relacionados com a faina vitivinícola guardados em espaçosa construção propositadamente erigida para adega, atestam a antiga actividade "báquica". Nas freguesias urbanas do concelho de Sintra o terreno foi chão que já deu uvas.

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TOPONÍMIA SINTRENSE - SIGNIFICADO DO NOME CACÉM

Após porfiados trabalhos finalizei a difícil tarefa,mas gratificante de esclarecer origem do topónimo CACÉM, actualmente integrado na cidade Agualva-Cacém, Município de Sintra Portugal. Até década 50 do século XX Cacém fez parte da Freguesia de Rio de Mouro, igualmente do concelho de Sintra.  Agualva pertenceu ao município de Belas,extinto em 1855.

Segundo investigações antigas Cacém significa "que divide " ou "repartidor". Partindo deste pressuposto desenvolvemos as pesquisas.O lugar do Cacém não seria de fundação coeva, porque em Janeiro de 1509, Dom Manuel I rei de Portugal, mandou publicar "carta de coutada de Lisboa, desde a porta de S.Vicente pelo caminho de Sintra, à ponte de Agualva e pela ribeira de Barcarena até ao mar, onde era proibido matar lebres e perdizes, sob certas penas".

Nesta época Cacem se existisse seria insignificante, não é citado no documento. O território desta região abundante em caça e nomeadamente de perdizes, como aconteceu até ser construido o "tagus park" junto da estrada Cacém Paço de Arcos.

Aquela determinação régia estipulava "nom CACEM perdizes nem perdigões do derradeiro dia de mayo ate primeiro dia de Agosto".

Assim definitivamente Cacém quer dizer couto onde é proibido caçar sem autorização. Couto era igualmente nome de medida antiga, equivalente ao côvado, como sabemos medida serve para repartir. Sem dúvida Cacém significa,"lato sensu" coutada, extrema, sítio onde se dividem propriedades e "jurisdições".Curiosamente está situado a igual distancia de Lisboa e, da sede do concelho,Sintra.

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