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Tudo de novo a Ocidente

VISITA PRIMAVERIL A UMA VETUSTA ÁRVORE

Em Setembro de 2013, encontrei pela primeira vez um gigantesco carvalho, que cresce na antiga quinta grande de Meleças situada na Rinchoa,limites das freguesias de Rio de Mouro e de Belas no Município de Sintra , área metropolitana de Lisboa, Portugal.

Desde dessa altura quando desponta, finalmente, o tempo primaveril, como sucedeu hoje, um sol luminoso e quente adorna o dia, depois de persistentes temporais de chuva vento e frio,fui qual romeiro visitar a árvore.Talvez seja das minhas remotas origens asturianas,o carvalho impressiona-me pela majestade do tronco e  espessura da folhagem.Árvore poderosa símbolo de força, aliás a palavra latina "robur" que significa carvalho, quer dizer força, a grandiosidade da sua copa assemelha-se á cobertura de um templo.

No meu anterior apontamento escrevi: a casca que falta no tronco, devia ter sido utilizada no curtimento de peles. Poderá  ser; hoje observando com mais atenção , posso afirmar  a árvore deve ter sido atingida por um raio, que danificou o tronco e secou muita ramaria. 

O exemplar é robusto, resistiu, apresenta aspecto de grande vigor vegetativo. Medi o perímetro do tronco á altura do peito (PAP), verifiquei a dimensão de 2,95 metros. O tronco  de um carvalho em condições favoráveis de solo e água , como é o caso, cresce cerca de 6 cm por década a idade deste será de cerca 450 anos.Oxalá continue motivo de inspiração sabedoria e força que os nossos antepassados celtas atribuíam ao carvalho. A mais antiga árvore do rincão sintrense aonde está.

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O CARVALHAL DA QUINTA GRANDE DE MELEÇAS - SINTRA

A Quinta Grande é uma propriedade situada no lugar de Meleças, no concelho de Sintra. Era uma exploração agrícola de que se conhecem referências em documentos muito antigos. As suas terras produziam com abundância, por serem férteis, e disporem de água para regadio proporcionada pela Ribeira da Jarda que a atravessa.

A quinta foi urbanizada, restando da sua antiga função uma estreita faixa junto ao curso de água. Nesta zona são visíveis as ruínas dum forno destinado ao fabrico de cal. Para a cozedura do calcário o forno teria de ser aquecido com a queima de lenha, possivelmente obtida nas proximidades.

No local ainda se detectam  vistosos  sobreiros e carvalhos negrais de pequeno porte.

 

 

 

A avenida que termina na quinta  designa-se "dos carvalhos", reminiscência da existência, não há muito tempo de árvores daquela espécie. Quem sabe se alguma  lenha para o forno não seria cortada deste arvoredo?

Como testemunho dessa época resiste um  Carvalho de porte grandioso que descobrimos por acaso no local.O seu robusto tronco serve de suporte a rede dum galinheiro, instalado sob a sua copa. Ridícula utilização duma árvore notável. 

O  carvalho plantado na berma do caminho  perto do acesso à Estação Ferroviária de Meleças, do lado da Rinchoa, percorrido diariamente por centenas de pessoas apressadas, talvez por isso passe  despercebido.

Pela sua altura cerca de 15 metros e diâmetro do tronco, terá mais de 200 anos.Apesar de umas pernadas secas, o seu aspecto vegetativo é bom. 

Este "distinto" carvalho negral, sobrevive a curta distância duma grande urbe,  sendo um monumento deveria ser considerado de interesse público, para figurar num roteiro das ÁRVORES MONUMENTAIS de Sintra. Devido as suas grandes ramadas à sua folhagem espessa  o carvalho simbolizava um Templo vivo, porque  convida a permanecer e meditar sob a sua sua sombra. O carvalho era para os antigos, a ÁRVORE.

Quem sabe se este não será o derradeiro exemplar do que deve ter sido um frondoso carvalhal? Merece ser admirado e conhecido, deixamos por isso, registo para memória entretanto, é mais um motivo para frequentar um local de bucólica beleza antes que o "progresso" o confine a casario e a uma estação de comboios  na chamada, linha do Oeste Português. 

 

OS SOBREIROS EM SINTRA BELOS E IGNORADOS

O Sobreiro é uma árvore nativa da Europa e do Norte de África.Em Portugal abunda em diversas regiões sobretudo no Alentejo. No entanto na toponímia vamos encontrar evidência da sua presença em nomes como: SOBRAL, SOBREIRA, SOBRALINHO, SOBREIRAL... dispersos  por toda a geografia Lusitana. No começo da nacionalidade as matas de sobreiros eram muito extensas. O aproveitamento da sua lenha para a produção de carvão para aquecimento, e fabrico de sabão, a utilização da  madeira na construção de navios motivou o derrube dessas matas restringindo a sua importância quase só a extracção da cortiça. Esta obtém-se ao fim de algumas décadas de crescimento da árvore.

O sobreiro cultiva-se também como planta ornamental, em quintas, é possível encontrar exemplares com aspecto mais espectacular do que no estado de cultura silvestre.

Em Sintra o Sobreiro tem condições favoráveis para crescer de modo espontâneo e  vigoroso. Este facto complementado pela existência de Quintas, permite observar na região sobreiros seculares  de que já aqui falamos caso da SOBREIRA DOS FETOS.

No entanto na RUA TRINDADE COELHO, um pouco adiante do largo daquela, onde começa o CAMINHO DOS FRADES deparamos com vários indivíduos centenários exibindo a sua cortiça virgem. Um  tem um tronco gigante  encastrado no muro que circunda uma propriedade, no interior da qual se avistam sobreiros ornamentais de provecta idade.

Tudo isto a escassos  metros da muito visitada QUINTA DA REGALEIRA. Os sobreiros em Sintra não estão devidamente referenciados para  serem admirados pelos seus fustes envolvidos em espessa e rugosa  casca, eficaz agasalho nas nevoentas  frias noites de SINTRA.  

UM ADEUS A UMA VELHA ÁRVORE MORIBUNDA!

Num recôndito lugar  do Portugal profundo, esquecido e cada vez mais desabitado um velho carvalho ROBLE  agoniza. Conheço a árvore há algumas décadas. Por exames efectuados supõe-se ser  exemplar do século XII. Algum tempo, um grande incêndio destruiu  outros carvalhos adjacentes.

Este meu "AMIGO" sofreu danos de monta, sempre admirei o seu fuste grandioso em diversas ocasiões desfrutei da sua fresca e dilatada sombra.

Acompanho  o definhar do seu majestoso tronco, e tenho procurado passar de vez enquanto para ver o seu estado. A última vez constatei o seu aspecto   debilitado, o caule está mais apodrecido, como todas as velhas árvores também esta vai morrendo de pé. Quero partilhar com quem lê estes meus textos a mágoa de nada poder fazer para alterar o curso do inevitável. Deixo a imagem duma árvore, sinónimo de FORÇA, adorada em todas as antigas religiões como "divindade suprema do céu", já com os sinais duma evidente decadência.

A idade  secular deste "ROBUR" é mais um motivo para que vá  agonizando,  o  fim já se vislumbra . Na NATUREZA  tudo acaba. Não se deve "rezar" pelos vegetais, mas nada impede que  os que admiram e respeitam as árvores  se comovam  com o definhar dum GIGANTE COMO ESTE. Deixo o adeus sentido a uma ÁRVORE MORIBUNDA que  no término da sua existência continua sublime, como se fora um TEMPLO, grandioso e impressionante.

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