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Tudo de novo a Ocidente

Cabra Figa ou Cabra Fria?

Um antigo povoado nos limites dos concelhos de Cascais e Sintra distrito administrativo de Lisboa, escassamente habitado durante séculos, alberga agora centenas de moradores resultado da auto construção, esforço de muita gente para  realizar o sonho da casa própria, localidade situada na freguesia de Nossa Senhora de Belém de Rio de Mouro tem nome invulgar: Cabra Figa. No dicionário geográfico, vem referida a existência de outra aldeia nome idêntico na freguesia de Montelavar, também município de Sintra. Desconhecemos onde fica ou ficaria localizada.Em documentos antigos constatamos a designação de Cabra Fria.

Cabra reporta-se a sítio de penedia, escarpado, barranco, fraga. No distrito da cidade portuguesa de Guarda existe a antiga vila de Cabra, segundo a obra citada, tomo II(pg.335). "passa junto desta terra o rio Mondego, cujas margens se não cultivam por serem fragas".

Próximo da povoação motivo deste apontamento desponta do solo uma correnteza de fraguedos nas margens do rio dos Veados, são rochas sem imponência, mas suficientes para originarem o topónimo. A sua pequenez, explica a conotação dada, esta cabra ou fraga pouco importante não "vale um figo" como se diz na gíria, quando referimos algo irrelevante daí Cabra Figa. A outra "versão"seria corruptela.

 

 

A veneranda imagem de Nossa Senhora da Piedade da Serra

Voltamos de novo à ermida de Nossa Senhora da Piedade da serra edificada perto da aldeia do Sabugo, freguesia de Almargem do Bispo, para completar o "post" de 4 de Abril de 2008.

Nos fins de semana, celebrações  de casamentos continuam aumentado. Não só a beleza, dignidade do templo facilidade de acesssos e estacionamento, paisagem grandiosa abrangendo simultaneamente Serra de Sintra e oceano atlântico; mas também recinto destinado a eventos próximo, podem explicar este facto. Á Senhora da Piedade aflue gente de toda a área da grande Lisboa. Durante muitos anos foi uma "orada", onde acorriam as populações unicamente da região saloia, residentes nos concelhos de Sintra, Loures, Cascais e Mafra.

A devoção a Nossa Senhora da Piedade, genuinamente popular arreigada nas classes mais desfavorecidas. Tal particularidade, explica a concorrida romaria realizada anualmente em Agosto. A feira franca de tempos idos, decorria em conjunto com a festa religiosa.

A situação geográfica, no coração do concelho de Sintra, rodeada pelas freguesias de Rio de Mouro, S. Pedro de Penaferrim, S. Martinho e Santa Maria e S. Miguel contribuia para facilitar a comparência de muita gente.

O local de culto, tem dimensões superiores a capela, no entanto inferiores as de uma igreja; decoração e recheio "sacro" denotam procupação de marcar diferença relativamente, as ermidas circundantes.

As imagens do templo parecem seguir aquele objectivo. A veneranda imagem de Nossa Senhora da Piedade; réplica digna e simples da "Pietá". Talvez obra dum santeiro da região. O conjunto reflecte sentimentos nobres recatados e crédulos das populações que no século XVIII, decidiram construir o templo. Esta obra singular do património religioso sintrense, merece uma visita.

 

O HOTEL SANATÓRIO DO PARQUE DA PENA-SERRA DE SINTRA

No periodo conturbado do ínicio da 1ª República, no seguimento da Revolução de 5 de Outubro de 1910, surgiram várias iniciativas com origem nos poderosos interesses instalados, com objectivo de concretizarem projectos, aproveitando a situação complexa que então se vivia. Um deles dizia respeito à construcção do empreendimento citado em título. Este facto deu origem a um movimento generalizado de repúdio, concretizado por várias iniciativas, uma das quais uma carta dirigida ao Ministro do Interior onde os signatários: "Vem respeitosamente significar a V.Xª quanto lhes é penosa a ideia, pela qual sabem que se trabalha de construir dentro do Parque da Pena um Hotel-Sanatório", assinavam figuras ilustres da cultura, tais como Raul Lino, Henrique Trindade Coelho, Columbano Bordalo Pinheiro, Afonso Lopes Vieira, J.Câmara Pestana e José de Figueiredo entre outros.

Quando o assunto foi discutido no Senado,aproveitando a presença do Ministro do Fomento(António Maria da Silva), o ilustre senador sintrense Dr. Brandão de Vasconcelos,interveio de forma brilhante na sessão de 20/1/1913, tendo afirmado:

"Não posso deixar de falar sobre a pretendida cessão do Parque da Pena a um particular, eu resido no concelho de Cintra há muitos anos... mas acima dos interesses do concelho, ponho os interesses nacionais" esclarecemos que a Cãmara Municipal apoiava o projecto. Continuando, o Dr. B. Vasconcelos dizia "V.Xª sabe quanto custou ao Estado este Parque? Quatrocentos contos de réis, o que é que esse particular vem pedir? Um parque arborizado, quando tem na serra uma extensão enorme sem arborização que pode arborizar à  vontade, mas não; querem o que está feito, é que o Estado ceda  grande parte duma propriedade que vale 600:000$000 réis. O parque tem 250 hectares e pedem-se 150 pelo menos! O projecto está habilidosamente feito e quem o apresentou... não conhecia a extensão do que era pedido. Dizia-se que o Estado cedia a esta sociedade a parte oeste. Quer dizer, desde que se deixasse um metro quadrado do lado nascente, podia levar todo o resto. Conservar o jardim? Não senhor, os doentes podiam passear no jardim mas o Estado é que conservava esse jardim. Mas independentemente da especulação, há uma circunstância a ponderar, é que o parque está debaixo da direcção dos serviços florestais e muito mais bem conservado que no tempo da monarquia e que nos últimos tempos do Sr. D. Fernando (...) Estou convencido de que o Sr. Ministro não virá dizer que este projecto é viável, estou certo que o Governo há-de pôr entraves por todas as formas a que seja feita  esta expoliação ao país."

Em resposta o Ministro António Maria da Silva disse: "Pelo que diz respeito ao parque da Pena,posso afirmar desde já que me hei-de opor, quanto em minhas atribuições caiba a que possa ir por diante o que se pretende. Já em tempo uma senhora Lima Mayer tinha pedido a concessão do parque da Pena, para instalar um Hotel-Casino, da parte porém, dos funcionários,que tiveram interferência no caso, houve acentuada repulsão desse pedido. E devo dizer que este parque é hoje considerado, pelos botânicos estrangeiros e touristes, como um dos primeiros arvoredos da Europa".

O Parque da Pena teve sempre grandes e valorosos defensores e contráriamente ao que muitos pensam, esta maravilha não veio para o património do Estado por confisco ou nacionalização mas por compra aos herdeiros do Senhor D. Fernando II, com o dinheiro dos contribuintes, é portanto pertença de todos os Portugueses.

O CARRO DE BOIS E CAMINHOS DE CARRETAGEM NA REGIÃO SALOIA

O carro de bois,constituiu o meio de transporte,mais utilizado em Portugal ao longo de vários séculos.Os seus pormenores construtivos,adaptavam-se ás diversas regiões onde a utilidade da sua contribuição era necessária ao transporte de produtos agricolas e mercadorias.Deste modo pela geografia do territóro português circulavam carros de vários tipos que foram estudados,de forma exaustiva e competente por Virgilio Correia(1922), e Fernando Galhano.Este último,escreveu "O Carro de Bois Em Portugal"publicado em 1973,com uma extensa análise ao "carro saloio"afirmando ser este tipo o mais usado no distrito de Lisboa,onde se integra o concelho de Sintra; na sua execução usava-se a madeira das árvores abundantes na região,no caso do território sintrense, de freixo e carvalho.Segundo o autor o carro de bois saloio "caracterizava-se pela forma rectangular do leito, e pela grande altura a que ele se situa e pela própria roda"para aumentar a capacidade de transporte,designadamente de trigo e feno o carro tinha um acessório,a chalma, colocada sobre o leito.Nos séculos XIX e XX existiriam na área citada milhares de juntas de bois, além do carrego eram utilizados, na lavra das terras puxando o arado.O concelho de Sintra estava dotado duma densa rede de caminhos e estradas para transito dos carros de bois.Nos locais onde se transpunham as linhas de água existiam pontes,normalmente,constituídas por lages de pedra calcária assentes em suporte de face afilada para resistir as correntes mais violentas.Deste tipo é uma ponte,situada na Ribeira da Jarda,junto de Meleças, freguesia de Rio de Mouro,termo de Sintra. Falta uma das pedras,não sabemos se foi destruída pelo tempo ou furtada para outro uso.Mesmo com esta "mazela"é um curioso exemplar de arquitectura rústica.

O carro de bois saloio segundo Galhano era formado pelo "cabeçalho"onde se atrelavam os animais que puxavam o carro,as "cadeias"barrotes que suportavam o leito e o ligavam ao cabeçalho,pelas "mesas" nas quais, juntamente com os "cócões" e as "amarradeiras" funcionava o eixo,para ligar o leito as "mesas",possuiam uma peça as "estroncas".As  rodas tinham particularidades que por ora deixamos.Resta referir que  na extremidade dianteira do carro se aplicava a "canga"...  

 

A NASCENTE DE ÁGUA MEDICINAL DO ZAMBUJAL

A formação geológica do Concelho de Sintra, e também de grande parte do território circundante da capital de Portugal, englobando os Municípios do que hoje se designa por "grande Lisboa" é propicia à existência de muitas nascentes de águas mineiro medicinais, que brotam das falhas tectónicas, próprias duma região de origem vulcânica, com forte sismicidade sobejamente conhecida, responsável por diversos sismos, alguns com consequências nefastas como foi o de 1 de Novembro de 1755.

Estas nascentes, foram objecto de estudos hidrológicos, como resultado destes a sua importância económica despertou o interesse de muitas empresas, as quais vislumbravam na sua exploração uma possibilidade de negócio. Foi o caso da fonte da Quinta do Zambujal, actualmente pertencente à freguesia do Cacém. No entanto até aos anos 50 do século XX, englobada na de Rio de Mouro. A quinta teve vários proprietários um deles o Republicano Ribeiro de Carvalho, nela residiu.

O alvará de concessão atribuido em 19 de Maio de 1909 era do teor seguinte: "Eu El-Rei faço saber, tendo-me sido presente o requerimento em que a firma comercial e industrial Gomes e Cª com sede nesta cidade de Lisboa, pretende explorar a nascente de água minero medicinal do Zambujal, situada na freguesia de Rio de Mouro, concelho de Cintra, hei por bem conceder definitivamente, por tempo ilimitado, a respectiva licença".

As águas do Zambujal, tinham indicação terapêutica para o tratamento de dispepsia (digestão difícil, azia) e doenças de pele. A concessão era por tempo ilimitado,todavia em 1935, acabou por inactividade. Um apontamento final, a sede da firma concessionária, estava estabelecida na Rua de Cascais, no bairro lisboeta de Alcântara, num prédio que durante alguns anos, albergou um estabelecimento de café e restaurante, muito em voga...até falir.  

 

O TRAÇADO INICIAL DA LINHA FERROVÁRIA DE SINTRA

A via ferroviária com maior numero de passageiros de Portugal, a linha de Sintra, liga a estação do Rossio na baixa de Lisboa à vila de Sintra, atravessando na parte inicial um túnel, que antes da electrificação nos anos 50 do século XX, era um pesadelo para os passageiros devido ao fumo e fagulhas das maquinas dos comboios. Talvez por esse facto, inicialmente o traçado da linha foi projectado para ser outro.

Sucintamente previa-se: 

"O Caminho de Ferro de Lisboa a Cintra partindo dum ponto fronteiro ao forte de S.Paulo, segue pela margem do Tejo até Caxias, continua pelos vales de Laveiras, Rio de Mouro e Lourel e termina em um ponto intermédio ao cemitério de Cintra, e a quinta do Duque de Palmela, percorrendo a extensão total de 28,760 Km." Isto em 1855.

A obra iniciou-se chegando a Caxias, porque os moradores dos sítios de Algés S.José de Ribamar, Dafundo e Cruz Quebrada se queixaram as autoridades, em Março de 1857 das águas estagnadas na praia entre este último ponto e Belém em virtude das obras do caminho de ferro de Lisboa a Cintra, iniciadas em 1855 e, pediam providências para se evitarem males que podiam resultar daquele facto.

O caminho de ferro para Sintra com o traçado actual foi inaugurado em 1887. As obras realizadas até Caxias foram depois aproveitadas para o caminho de ferro de Cascais. O sitio fronteiro ao Forte de S Paulo coincide, actualmente com a estacão ferroviária do Cais do Sodré, em Lisboa. As "voltas" que este empreendimento deu... 

 

A FERVENÇA DE SINTRA

Quem se deslocar de Sintra para Montelavar ou Pêro Pinheiro, utilizando estrada nacional 9 (EN9), um pouco adiante do cruzamento de Campo Raso, no final duma longa recta encontra uma rotunda, onde sai a via para Vila Verde. Esse local chama-se Fervença.

Uns escassos metros,passando a mesma.  deparamos uma ponte sobre o curso de água que drena os pântanos que antigamente existiam na Quinta da Granja, chamada do Marquês por ter sido propriedade do 1º Marquês de Pombal, onde hoje é a Base Aérea nº1.

Este regato apesar de ter reduzido caudal no verão é perene, no inverno a corrente toma volume razoável.Deslizando sob a ponte o ribeiro precipita-se encosta abaixo na direcção da Ribeira da Cabrela, o solo do seu leito é pedregoso assim, as águas formam pequenas ondas brancas, transformam-se em cachoeira, quando o declive se acentua.

Segundo o dicionário Houaiss da língua Portuguesa, o prefixo "ferv" pode significar: borbulhar, estar agitado... Na língua galega fervença designa rápido de rio ou ribeiro. Em português, ainda de acordo com o citado dicionário, fervença quer dizer grande agitação.

Assim, consequência deste ribeiro ser de águas agitadas cuja cachoeira é testemunho, originou que ao sítio se atribuisse o nome FERVENÇA. Um topónimo singular. A "leitura" da paisagem continua uma fonte de conhecimento.

 

 

 

 

 

"Ó VIVA DA COSTA" - PREGÃO DAS SARDINHEIRAS

Poderíamos começar este apontamento, como se fosse uma antiga crónica: neste ano da graça de 2012, de acordo com os dados do organismo responsável pelo acompanhamento da situação meteorológica, grande parte do território de Portugal, encontra-se em situação de seca severa. Não admira a maioria dos Portugueses já se tinha apercebido que devido à incompetência e inépcia das apelidadas "elites" dirigentes, estamos como se diz na gíria "NUMA SECA". Vai daí e para amenizar o entorno resolvemos escrever sobre um facto do passado da nossa região quase inédito: a importância piscatória do litoral de Sintra.

Quando 2007 iniciamos este nosso diálogo com os  leitores, deparamos com comentários, um pouco entre o jocoso e o condescendente, augurando falta de interesse de eventuais visitantes e  depressa iríamos "desaparecer", no entanto, tal não sucedeu este "sítio", vai acrescentando factos menos conhecidos sobre a ponta mais ocidental da Europa,que esperamos sejam do agrado,de quem nos lê. 

Além da reconhecida aptidão agrícola do solo,a região de Sintra, em finais do século XIX princípios do XX, albergava nas águas do Oceano Atlântico que banha a sua costa, abundantes cardumes de espécies piscatórias, nomeadamente sardinhas. A pesca fazia-se instalando armações, com copo "à valenciana". Este método constava de um aparelho fixo formado por um conjunto de redes, cabos  ferros e embarcações de uso  do mesmo aparelho. As armações começavam a faina em 20 de Abril, o levantamento efectuava-se até 30 de Setembro. A colocação destes aparelhos era feita a 4000 metros de terra, em águas de profundidade até 15 braças, cerca de 30 metros, deviam dispor de sinalização adequada, em dias de nevoeiro à sinalética habitual deveria acrescentar-se a sonora através de buzina, de noite era obrigatória a utilização  de luminárias, tudo para impedir o abalroamento por embarcações.

Na região de Sintra/Cascais existiam,em1904, duas armações, cujas distâncias angulares em terra,necessárias á sua localização, eram para a primeira: Farol da Roca à Peninha, Peninha à Bateria Alta, Peninha à Bateria do Guincho, enfiada da igreja da Areia á Peninha, um pouco á direita do grupo de casas da Figueira do Guincho. A descrição corresponde á zona do Cabo Raso ao Cabo da Roca.Estava concessionada á sociedade Galambas & Pessoa. A segunda tinha como pontos de referência em terra S. Julião. O Cabo da Roca, e enfiamento com o Palácio da Pena. Ou seja,entre o Cabo da Roca, Foz do Lizandro;propriedade da Companhia de Pescaria Ericeirense.

A pesca era abundante; os fortes das Azenhas do Mar e do Magoito, funcionavam como entrepostos fiscais da actividade (lotas). Os pesqueiros estavam próximos dos consumidores quando as"varinas" poisavam as canastras para a venda, a sardinha apresentava o aspecto reluzente da pesca recente, o pregão das vendedeiras na região da grande Lisboa foi durante décadas "SARDINHA Ó VIVA DA COSTA". Na verdade, era mesmo capturada na costa. Em pouco mais de cem anos a sardinha quase desapareceu do nosso mar. Ainda no recente período dos Santos Populares, atingiu preços proibitivos. Um peixe que os nossos trisavôs practicamente, apanhavam à mão nas praias entre o Guincho e a Ericeira. Alguma coisa se passou aqui, dá que pensar... No entanto, em questão de novidades, tivemos uma boa pescaria!? Oxalá.

 

O AÇUDE DA LOUCEIRA

Quando no apontamento que escrevemos acerca do Rio dos Veados, referimos a azenha da Louceira a propósito dum acidente ocorrido na zona durante o século XVIII, do qual resultou o afogamento do moleiro da "moenda";desta restam umas ruínas na margem esquerda do curso de água, no entanto, das obras hidráulicas realizadas para permitir conduzir o caudal necessário a movimentação das mós ainda é possível observar um açude implantado no leito do rio.

Curiosamente esta construção está situada num local onde confluem os limites dos concelhos de Sintra, Oeiras, e Cascais e também os das freguesias de Rio de Mouro, Porto Salvo e S. Domingos de Rana. A partir daqui o ribeiro passa a denominar-se Ribeira da Lage, tomando o nome do povoado um pouco abaixo na direcção da foz.

Relembremos que se dá o nome de açude "a uma construção de terra, pedra, cimento, etc. destinada a represar águas a fim de que sejam usadas na geração de força, na agricultura ou no abastecimento, pode também, designar-se por represa". O da Louceira é de pedra e está bem preservado, como se observa na foto.

Pela envolvente e localização seria um sítio ideal, para construindo uma ponte pedonal, integrada nos caminhos adjacentes, possibilitar a abertura de um percurso para caminhadas,não só estreitando as relações de vizinhança dos moradores das redondezas, mas também observar o açude. Daqui lançamos um apelo aos Presidentes das Juntas de Freguesia citadas, para que em conjunto estudem a melhor solução para que o AÇUDE DA LOUCEIRA, possa ser visitado, trata-se duma queda de agua que parece impossível,mas existe bem no centro dos três concelhos mais urbanizados de Portugal. Oxalá, um dia seja uma realidade este desejo.

 

MUNICÍPIOS A MAIS OU A MENOS ?

A administração local,considerada como um conjunto de entidades cuja função principal é exercer o poder político numa determinada circunscrição administrativa,tem sido descrita em Portugal,desde tempos recuados,numa perspectiva que,porventura ,alimentou no imaginário nacional a ideia de que sendo uma emanação dos usos e direitos consignados nos forais representava a forma de governo mais adequada à resolução dos problemas das populações e ao fomento do desenvovimento das comunidades ,Fernandes(2010,p.17)

Na prática o povo era tido em pouca monta quando se tratava de tomar decisões,algumas das quais ,por certo, nem sonhava.Agora que devido ao programa de resgate da dívida pública, se irá discutir a questão de extinguir, ou não, Juntas de Freguesia e Câmaras Municipais deixamos,como curiosidade,um exemplo que se passou em 1840.Naquele ano foi apresentado no Parlamento o seguinte:

Requerimento das Câmaras Municipais dos concelhos de CASCAIS e OEIRAS,que pedem a extinção destes concelhos e a sua anexação ao de Lisboa; e dos habitantes da Freguesia de Almargem do Bispo que pretendem ser desanexados do concelho de Sintra,e unidos ao de Lisboa.

O povo teria conhecimento desta iniciativa,que não resultou?.No entanto demonstra, que a elite dirigente considerava que as autarquias referidas não tinham viabilidade como poder autónomo e sim  vantagem em juntar-se ao Município da Capital do Reino.Curioso , para meditar nos tempos que aí virão...

 

 

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