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Tudo de novo a Ocidente

" MEU " SECULAR CASTANHEIRO

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Sabia vagamente da existência de castanheiros com séculos de idade, vegetando na Província de Trás os Montes. Decidi procurar um dos mais recônditos,  foi encontrá-lo, na aldeia de Vilarinho da Lomba, concelho de Vinhais , pleno parque natural de Montesinho.

Almoço em Vinhais, estrada fora passamos Sobreiró de Cima,  Gestosa , Quirás  alcançamos Vilarinho da Lomba, em tarde quente de Verão. No largo principal do povoado,encontramos habitantes da aldeia, todos homens entrados na idade. Perguntamos onde ficava castanheiro secular do qual ouvíramos falar.

O nosso interlocutor ouviu com atenção e remata :  " esse castanheiro é meu, dizem tem 600 anos ". Levanta-se do banco  aponta o sítio onde estava; cerca de um quilómetro da aldeia.Vou a pé ao encontro da árvore, depois de alguma dificuldade, chego ao local. Não posso descrever a emoção. fotografado o castanheiro, observado com atenção , voltei ao largo. Troco algumas palavras com os presentes , agradeço atenção, retomo a estrada a caminho de Moimenta da Raia. Isso é matéria para outro apontamento.

Vilarinho da Lomba, exemplo de outras aldeias do interior profundo de Portugal, agoniza, testemunhos desse agónico percurso não faltam.

O castanheiro continuará, a não ser que algum incêndio o destrua. Já não dá  fruto; a sua imponência basta para justificar merecer continuar vivo.

 

 

UM CASTANHEIRO COM " BOLETIM DE IDENTIDADE" I

Um meu simpático leitor enviou-me um interessante comentário, acerca dum apontamento sobre os castanheiros. Estou de acordo que o castanheiro, é uma árvore da flora primitiva do nosso País, e por esse motivo é espontâneo em grande parte do território, nomeadamente na Beira Interior. Assisti a algumas operações de enxertia de castanheiros bravos. A doença da tinta foi uma das causas do declinio dos soutos, a outra foi o abandono e o avanço do plantio do pinheiro bravo. Felizmente começaram a surgir novos soutos e o futuro da espécie é promissor, pelo que teremos muitas castanhas no futuro. A propósito de castanheiros é intressante referir um exemplar que vegeta num vale profundo das montanhas do centro de Portugal.

Quando o padre Francisco Cortez comprou estas terras em 1746, este exemplar já existia. Como consequencia do solo que suportava as raízes ter sido arrastado durante anos pelas águas do regato que corre próximo, o castanheiro esteve em  risco de perecer. Em 1961, ,o então proprietário filho dum sobrinho do Padre construíu um muro de suporte e afastou a corrente do tronco salvando-o, o exemplar apresenta hoje um excelente vigor. Foi uma  das últimas tarefas que o meu avó Augusto executou, pois faleceu em Dezembro de 1961.

Curiosamente os meus avós materno e paterno nasceram neste Vale, em casas de quintas já desaparecidas. O meu Avó paterno João Fernandes Carloto, nasceu em dia de Reis de 1886 e viveu até aos 93 anos com uma lucidez e memória notáveis. Ambos os meus queridos antepassados, sabiam ler e escrever, e por isso aprendi muito com eles um desses ensinamentos foi o do respeito e admiração pelas árvores.

Quando me refiro a um castanheiro penso sempre neste. Em anos de boa produção, dá muitas dezenas de quilos de castanhas. Quem sabe se com estas novas tecnologias, os meus avós lá onde porventura continuam as longas conversas que tiveram à sombra desta árvore, possam tomar conhecimento deste escrito e ficarem a saber que o Castanheiro da Barroca continua de boa saúde. As árvores são uma fonte de inspiração, e quantas vezes nos proporcionam belas e ternas lembranças que sem elas  facilmente olvidariamos.Infelizmente o castanheiro sofre um processo de progressivo abandono.Em agosto de 2014 o aspecto da árvore e do chão onde vegeta mete dó,uma pena.As árvores também necessitam de carinho e sensibilidade dos donos para cuidarem delas.Pobre castanheiro caíu em mãos que o não merecem.

 

O TEMPO DOS CASTANHEIROS

Nas civilazações ancestrais,nomeadamente na China o castanheiro ,era relacionado com  o oeste,ocaso,e ao outono.Considerado como uma árvore 

providencial,porque o seu fruto a castanha,servia de alimento que ajudava a minorar a míngua alimentar do inverno.

Um pouco por isso no nosso cantinho do ocidente,as castanhas são assocadas ao tempo frio e invernal,"o homem das castanhas",o S.Martinho e outras ,manifestções tradicionais,celebram-se com castanhas e vinho novo,espécie de lenitivo de um tempo cinzento,apesar do santo ter  verão,"privativo" o verão de S.Martinho, um capricho meteorológico,próprio da latitude onde nos situamos.

O castanheiro é associado aos climas frescos e chuvosos.Em Portugal por esse motivo encontramo-lo, até, nas alturas de Monchique no Algarve.Segundo o Professor Orlando Ribeiro ,que escreveu,uma parte importante da sua obra em Vale de Lobos no Munícipio de Sintra onde possuía, casa e morou largas temporadas;o Concelho de Sintra,é uma espécie de fronteira entre o norte e o sul de Portugal.O mestre afirmava que aqui começava,verdadeiramente o sul.Um dos elementos que servia como argumento era o facto dos últimos soutos estarem nas montanhas sintrenses.

Um pouco por toda a geografia desta região deparavamos com castanheiros,foram desaparecendo,quer por incuria e ganância do homem ,quer por causas da natureza ,como os vendavais.Neste dia de S.Martinho recordamos um velho castanheiro secular ; existia junto á ribeira da jarda.  Tombou em resultado de recentes tempestades.Fica a imagem para memória futura,uma bela árvore desaparecida.

UM CASTANHEIRO DO TEMPO DOS DESCOBRIMENTOS PORTUGUESES

O castanheiro, é uma árvore de se conhecem em Portugal, indivíduos, com vários séculos. Originário da Ásia, os Romanos trouxeram-no para a Península Ibérica. No nosso País, até ao inicio do século XX existiam enormes Soutos ou Castanhais,  no Norte e Centro do território. Uma praga chamada "tinta" dizimou milhares de castanheiros, o abandono dos proprietários fez o resto.

Na actualidade, tem sido feito um esforço na recuperação das árvores antigas e, no plantio de novas. Em Trás-os-Montes e na Beira Interior há outra vez grandes soutos,  a produção de castanha aumentou, mas estamos longe do tempo em que se dizia "o povo come madeira e terra", porque alimentação tinha por base, castanha pilada e batata. Em Sintra sempre  abundaram, ainda hoje, subsiste uma artéria designada: Caminho dos Castanheiros nessa zona fica o vetusto exemplar motivo deste  "post".

Seguindo o Caminho dos Frades, que começa junto à Sobreira dos Fetos, já referida neste "sitio", chegamos à Quinta, em cujo muro é vísivel "O CASTANHEIRO". O tronco enorme, nodoso, retorcido, marcado com cicatrizes causadas pelo tempo e pelo homem  provoca em quem o observa sentimentos de admiração e respeito devidos as coisas venerandas. Segundo consta já existia na época das descobertas. Se assim for, tem mais de 500 anos. Com esta idade, há um outro perto da Guarda " o castanheiro de Guilhafonso".

O "Castanheiro de Sintra" é mais impressivo. Foi declarado árvore de interesse público conforme portaria publicada no Diário do Governo nº70, II série de 19/04/1945.

Como curiosidade: um dos maiores castanhais do Mundo está em Espanha, junto á fronteira com Portugal, entre Aroche e Aracena no caminho de Serpa para Sevilha, tem vários quilómetros de extensão. A partir de Novembro, merece uma visita porque, o tom da folhagem, proporciona uma visão única. Talvez por isso, no imaginário da antiga China, o castanheiro era associado ao OUTONO e ao OCIDENTE. Entre nós, como a castanha servia de alimento para o Inverno,  simbolizava cautela e PREVIDÊNCIA.

Resta acrescentar, um facto histórico, pouco conhecido: o souto, agora em Espanha, foi território Português até D.Dinis o ter trocado pelas terras de Riba Coa, conforme  Tratado de Alcanizes assinado em 1297. Á época, denominava-se  ALGARVE ALTO, aquela região. Não se ganhou muito com a troca...

Vale a pena visitar SINTRA, só para admirar este CASTANHEIRO.  Curiosamente, situa-se na Freguesia de S.Martinho, Santo protector dos vinhos e dos magustos. Quantas castanhas deste "velhinho" se consumiram para alegrar o Povo? Oxalá, o CASTANHEIRO vá resistindo. 

ABENÇOADA TERRA QUE TAL ÁRVORE CRIOU.

OS CASTANHEIROS ÁRVORES DA FRESCA SOMBRA

De todas as árvores da PÁTRIA considero os CASTANHEIROS as mais belas e frondosas. Abunda no norte de PORTUGAL, no entanto no ponto mais ao sul é possível encontra-los no território de Sintra e em povoamentos residuais na Serra de Monchique no Algarve.

A presença do Castanheiro na nossa terra, deve-se como escreveu ORLANDO RIBEIRO, ao seguinte motivo:

"Sintra, envolta em névoas e afofada de arvoredos ...é uma recorrência do Norte".

No Município Sintrense, encontramos castanheiros, na sede do concelho no Parque da Liberdade e em diversas quintas. Alguns exemplares têm séculos, como o da Quinta do Castanheiro na Freguesia de S.Martinho considerado de interesse público por portaria publicada no D.G.nº70 de 26/03/1945. Consta ter sido plantado no tempo dos DESCOBRIMENTOS!

Além da sombra refrescante, o Castanheiro produz um fruto saboroso, a castanha. Na tradição popular as castanhas são geradas na primeira noite de Agosto. Não posso afiançar isso mas como na RINCHOA existem castanheiros lembrei-me de abrir um ouriço e verificar, neste dia, como está o desenvolvimento do fruto.

 

 

Aqui partilho a experiência...

Já se podem ver as castanhas! O seu crescimento significa a chegada do Outono e mais tarde ouvimos pelas ruas o pregão "QUENTES E BOAS" do homem das castanhas assadas, o qual, como se canta no Fado:é ETERNO.

Na Rinchoa há castanheiros, para alguns que passam o tempo a denegrir o nosso Bairro e quem cá vive, isto deve ser difícil de admitir. Sendo assim, pode aplicar-se ao burgo onde habitamos, o poema de MIGUEL TORGA:

 

VINDE, AMADOS SENHORES DA JUVENTUDE

TENDES AQUI O LOURO DA VIRTUDE,

A OLIVEIRA DA PAZ E O LÍRIO AGRESTE...

 

E CARVALHOS, E VELHOS CASTANHEIROS,

 A CUJA SOMBRA UM DORMITAR CELESTE

PODE FAZER OS SONHOS VERDADEIROS

 

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