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Tudo de novo a Ocidente

Toponímia Sintrense: A-dos-Ralhados

Na freguesia de Algueirão Mem-Martins, concelho de Sintra próximo da povoação de Sacotes deparamos com um sítio denominado: A dos Ralhados, um nome invulgar de significado obscuro e sem explicação conhecida. Decidimos investigar a sua provável origem: obtivemos informações curiosas  reveladoras do valor da microtoponímia para conhecer um território, as vicissitudes da sua ocupação e ler a paisagem esta quando desvelada  transforma-se em "livro" precioso.

Há algum tempo escolhemos para objecto de pesquisa Sacotes, povoado antiquíssimo lugar de segredo e mistério em breve daremos conta. Percorrendo a típica e singular aldeia albergando casas de alguma rusticidade, encontrámos a "Rua dos Arrolhados" curiosamente apontada ao caminho de terra batida um dos acessos ao sítio referido no título. Analisando o sentido, pareceu-nos ser uma expressão cheia de significado, um sinal que abriu pistas que possibilitaram resolver o "enigma"toponímico.

O nome deveria ser "A dos Rolhados", não ralhados esta palavra é uma adulteração do nome primitivo."Arrolhados" seria a designação correcta. Arrolhar significa sucintamente: tapar colocar uma rolha, conter, vedar uma vasilha. Arrolhar reportado à lida com  animais nomeadamente gado cavalar, quer dizer "dispor em círculo, apartar, cercar com vedação, vedar". No casal dos Arrolhados viviam os arrolhadores indivíduos cuja tarefa o "arrolhamento" consistia em controlar os cavalos no pasto e condução em manada para "cercados" onde os animais seriam contados e escolhidos para diversas utilizações. Perto encontramos nomes relacionados com equídeos: cavaleira, casal da cavaleira, moinho da cavaleira, casal dos cavaleiros a extensão das terras situadas de Sacotes até aos arrabaldes de Sintra, nos tempos recuados foram aproveitadas para criação de cavalos devido a abundância de água e pastagem: as "cavaleiras". Os nossos antepassados habitantes de A-dos-Arrolhados, exerciam uma actividade similar aos "cow-boys" celebrizados nos filmes de Hollywood. 

 

 

O ZAMBUJO DA RUA DO CASAL DO OLIVAL EM MASSAMÁ

Os terrenos onde hoje se erguem os milhares de prédios que constituem o aglomerado urbano de Massamá, no Munícipio de Sintra, foram durante séculos solos de grande aptidão agrícola, onde se cultivavam: cereais, linho e forragens para animais, particularmente para cavalos. As propriedades eram designadas por "Terras", e de que ficou memória na toponímia, como atestam os nomes: Terra das Forcadas, Terra dos Quatro Cantos, Terra da Albardeira, Terra da Várzea, Terra do Monte Tinhoso tudo existente na area da Freguesia de Massamá.

No entanto,na zona cresciam, também muitas oliveiras, daí Casal do Olival donde se iniciou a urbanização do sítio na década de 80 do século XX. As azeitonas eram moídas no Lagar do Cacém, situado à entrada daquela localidade, onde hoje é o Viaduto do Lagar, assim "baptizado" por proposta, aprovada por unanimidade na Assembleia Municipal  de Sintra, com objectivo de lembrar aquele "moínho de azeite".

Do olivedo de Massamá, resta um ZAMBUJO ou OLIVEIRA BRAVA, que continua a crescer numa esquina da rua que tem o nome do Casal. Os zambujos eram utilizados como porta enxertos das oliveiras ditas "mansas". Este arbusto apresenta um bom aspecto vegetativo, demonstrado pela foto. Se fosse possível deveria ser alindada a envolvente do zambujo e colocada uma pequena informação chamando a atenção de quem passa para este património: o derradeiro exemplar, silvestre, do casal do olival e das "terras" de MASSAMÁ.

 

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