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Tudo de novo a Ocidente

Visconde de Massamá

O título não deve ser entendido como verrinada, nada disso, é indício que no âmbito de "serviço público" que pretendemos prestar com os conteúdos deste espaço, partilhamos o que investigamos e descobrimos, assim vamos publicar novos elementos acerca do personagem que em vida ostentou aquele titulo nobiliárquico.

Massamá, populoso "bairro" do município de Sintra, e muito conhecido em todo o Portugal, durante séculos foi território de extensas e produtivas propriedades pertencentes a conventos, burgueses e nobres, alguns da vetusta classe e da novíssima elite "criada" após triunfo da revolução liberal portuguesa de 1820. Quem era o Visconde de Massamá?

Nuno José Severo Ribeiro de Carvalho, teve como progenitores, Pedro Ribeiro de Carvalho, e Vitória Margarida, neto paterno de Luís Ribeiro de Carvalho e Dona Maria Rita, materno Francisco Mendes Pena e Roza Maria, nasceu na freguesia da Ajuda, concelho de Belém, sendo baptizado, na igreja paroquial em 26 de Junho de 1824, foram padrinhos o Marquês de Loulé D. Nuno José Severo de Mendonça Rolim Moura Barreto e Nossa Senhora do Cabo. Curiosamente o padrinho atribuiu ao baptizando o  próprio nome de baptismo, o Marquês, depois  Duque de Loulé  detentor de avultadíssima fortuna, protegeria o afilhado  toda a vida.O pai de Nuno Carvalho  trabalhava no paço por isso acompanhou a família real para o Brasil, casou em idade serôdia com Dona Vitória muito mais nova, no dia 2 de Setembro de 1823, o casal teve um único filho.

Nuno Severo concluiu o curso de medicina na Escola Médica de Lisboa. Ingressou na função pública, pertenceu ao quadro de pessoal do Hospital de São José, atingiu o cargo de cirurgião chefe. Desenvolveu trabalho político sendo aderente do partido político liderado pelo padrinho, o qual como é sabido, exerceu vários cargos ministeriais, foi primeiro  ministro,  presidente do ministério, designação do cargo na época. O Duque de Loulé presidia ao ministério quando se construiu a cargo das obras públicas do reino, o chafariz  de Massamá (1863), água que ainda hoje corre nas bicas, nascia numa propriedade do futuro Visconde que graciosamente permitiu a captação.

Vereador da Câmara Municipal de Lisboa, teve responsabilidade do pelouro dos cemitérios e arborização das ruas, contribuiu para a  consolidação do cemitério ocidental de Lisboa (alto de s.joão), mandou plantar os primeiros jacarandás em algumas artérias da capital portuguesa. Eleito deputado teve acção parlamentar relevante.

Estas actividades e amizade do padrinho permitiram constituir apreciável património, no qual se incluíam extensas propriedades em Massamá e Carenque. Casou duas vezes não teve descendência. O titulo de Visconde de Massamá, concedido a D. Nuno Severo José Ribeiro de Carvalho, pelo Rei Dom Luís por decreto de 29 de Janeiro de 1885. Faleceu em 28 de Outubro de 1885, às nove horas da noite numa quinta situada no lugar da Buligueira freguesia de Dois Portos, Concelho de Torres Vedras. Residia habitualmente na freguesia de São José, concelho de Lisboa. O caixão seria depositado em jazigo próprio no cemitério ocidental de Lisboa.

Ironia do destino o titulo de Visconde de Massamá, durou menos de um ano, com a morte de D. Nuno José Severo Ribeiro de Carvalho, extinguiu-se. Esclarecemos este apelido Ribeiro de Carvalho não está relacionado com outro semelhante relativo ao ilustre republicano que viveu no Cacém igualmente concelho de Sintra.

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Um Fontário triste.

O Jornal o Século, publicado durante mais cem anos encerrou já depois de 25 de Abril 1974, nas sequelas do "PREC" (processo revolucionário em curso). Na edição de 30 de Maio de 1956 (quarta-feira) deparamos com a seguinte notícia:

"Com a presença do Dr. César Moreira Baptista presidente da Câmara Municipal de Sintra foi inaugurado na Rinchoa um marco fontanário, em cujo frontespício se encontra representado um aspecto do Palácio Nacional de Sintra. Ao acto inaugural assistiram muitas crianças das escolas acompanhadas dos professores e as principais entidades da Freguesia (Rio de Mouro)". Um dia festivo para os moradores, o marco fontanário, ficava fronteiro ao casino da Rinchoa, (na actualidade um conhecido colégio) na confluência da Avenida dos Plátanos com a Calçada da Rinchoa. Quando foi executada a rotunda existente, pretendeu-se, simplesmente destrui-lo, ainda conseguimos que apesar de "decapitado" da parte superior, onde estava o tal frontespício, fosse  recolocado, onde se encontra, no topo dum pequeno espaço arrelvado, junto a Estrada Marquês de Pombal. Está seco, a sua estrutura de pedra lavrada foi caiada, descaracretizando-o completamente. Por incuria caiu na condição dum "fontanário triste", completa 57 anos, parabéns! Que será feito das crianças presentes e, concerteza bateram palmas com as infantis maõzinhas,  quando a água jorrou pela primeira vez na bica de pedra, iniciando um tempo em que milhares de residentes e passantes, nela mitigaram a sede!? A fonte passou a pertencer ao quotidiano dos moradores, daí o povo ter "baptizado "o espaço circundante : "Largo do Chafariz". Mais uma "memória " da nossa urbe. 

 

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