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Tudo de novo a Ocidente

DESTA ÁGUA NÃO BEBEREIS

Durante séculos o abastecimento de águas as populações rurais de Portugal, foi deficiente , sendo por isso frequentes  epidemias de febre tifóide.

O concelho de Sintra , malgrado ser próximo da capital, apresentava o mesmo nível de carências. Em 1865, grassou grave epidemia. cujas causas foram atribuídas a insalubridade de águas para beber; procedeu-se a inquérito do qual resultou informação interessante : 
" Na Azoia, a caminho do Cabo da Roca,o povo usa as águas de uma ribeira, que passa no meio da povoação, carregada de imundices; no Algueirão a fonte pública fica inferior a estrumeiras que inquinam a água ao ponto  de que no Verão se lhe nota a cor, cheiro e gosto de estrume; na Abrunheira fica igualmente a fonte inferior ao tanque das lavadeiras o que dá azo a que durante o estio se corrompa " 

" Nas povoações acima indicadas há nos pateos das casa grandes estrumeiras, e nas ruas delas charcos e pântanos , e que estas causas reunidas concorrem para o desenvolvimento das febres tifóide que ultimamente ali apareceram."

Foi ordenado a Câmara municipal de Sintra para fazer construir chafarizes ou fontes nestas e noutras povoações .E se proibissem estrumeiras dentro dos povoados.

Foram construidas algumas fontes, diversas de " chafurdo " ,e a problemáticas das febres tifóde recorrentes, manteve-se até não há muito tempo, sobretudo em pequenas aldeias do campo " saloio".

Em várias procedeu-se a abertura de poços de onde a água era extraída através de bombas manuais, de restam exemplares como o da foto, e que coroa  poço já seco.

A questão do abastecimento de água de qualidade a todo o Município de Sintra e concelhos circunvizinhos só ficou resolvida com as alterações sociais e políticas da Revolução de 25 Abril 1974.

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ÁGUA E PEDRAS, ORIGINARAM SÍTIO MÁGICO E " DIVINO"

De vez em quanto, no processo de coligir elementos com a pretensão de decifrar algo que desejo verdadeiramente conhecer, perante observação "in loco", e penso ter encontrado a solução, sinto algo difícil de descrever...

Aconteceu situação semelhante, há pouco tempo entre as localidades de Barreira e Funchal, freguesia de São João das Lampas no Município de Sintra, amiúde visitei o recanto para contemplar  numerosos menires ali existentes. Aqueles testemunhos da pré-história, porque  "jazem " em propriedade privada, têm sido delapidados: dois deles foram usados na década de oitenta do século XX para enroncamento nas obras do molhe do Porto da Ericeira.

Os menires atestam  a pratica de cultos,  o facto de terem sido "alçados", nesta região deverá estar relacionada com  beleza da paisagem, abundancia de água e a orientação geográficas do local.

A Atmosfera peculiar convida a reflexão.

Como  em outras ocasiões, procurei na toponímia elementos para compreender a "alma" do lugar.

Começo pela Barreira: entre diversos significados,  lugar cercado de estacas onde em tempos  antigos se realizavam, torneios, julgamentos e actos importantes para a comunidade ou indivíduos. No Funchal, área onde crescem funchos ; neste caso, funcho-de-água que encontramos junto do regato, alimentado pelas sobras da fonte existente, meio do caminho entre aqueles povoados. A bica actual inaugurada em 1940, substitui a anterior de chafurdo.

Funcho-de-água igualmente conhecido por "quebra-pedra": o chá feito da rama da planta tem propriedades de dissolver cálculos renais, chá de arrebenta pedra do rim.

Em tempo recuado, tratamento desta enfermidade seria feito pelos curandeiros na "Barreira" colocada num "santuário" de menires. A crença  aqui, natureza seria santificada,  atestada pela construção durante séculos por sucessivas civilizações ocupantes do território de vários templos  exemplo da " orada " paleo-cristã de Odrinhas, pouco distante da Barreira e do Funchal.

Não é difícil aceitar este rincão Sintrense, durante muito tempo, para os povos das cercanias foi  motivo de peregrinação na busca de cura para males do corpo e do espírito, por essa razão divinizado, particularidade ainda hoje confere a tais sítios: singularidade misteriosa e encantadora.

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